Começo por pedir desculpa por tão longa ausência do blogue, mas o site tem-me absorvido o pouco tempo disponível.
Tem, no entanto, valido a pena. Desde a última quinta feira o site já recebeu visitas de quase duas dezenas de países e cerca de 25 por cento delas são repetidas. Os “regressos” não são apenas portugueses.
Um obrigado a todos pelas palavras de apoio e também pela divulgação que foram fazendo junto de outros. Espero que no futuro o “Aterrem em Portugal” possa ser olhado como um site de todos os interessados neste tema.
O mesmo acontece com este blogue. Se existir alguém com algo de interessante para dizer ou para divulgar, agradeço o contacto.
Para já fica um abraço e a promessa de regressar ao blogue com mais frequência.
Para aceder ao site "Aterrem em Portugal" clique em www.landinportugal.org
Este blogue utiliza português que respeita o período pré-acordo ortográfico.
Este blogue utiliza português que respeita o período pré-acordo ortográfico.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Regresso ao Blogue... depois da instalação do site
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quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Levantámos voo... com alguns problemas
OK.
Já estamos a voar na net.
A voar, mas baixinho... muito baixinho.
Há problemas com o motor de busca. Em termos gráficos a coisa parece um caos e até existe uma misturada de tipos e tamanhos de letra que não entendo...
Segundo os "ases" nesta coisa dos sites "não é anormal" surgirem este tipo de problemas nas "páginas amadoras". Aparentemente o site está muito pesado e é de construção muito complexa.
Para complicar ainda mais cada "browser" tem uma forma diferente de leitura o que ainda ajuda mais aos caos instalado.
Em poucas palavras o que vão ver não é exactamente aquilo que preparei.
Por todos os pequenos inconvenientes do site peço desculpa e prometo ir corrigindo as coisas conforme puder...
Julgo, no entanto, que estava na hora de deixar as "belezuras" de parte e avançar com o conteúdo...
Fico à espera de colaborações para o site e, obviamente, dos comentários...
Agora podem saltar para http://www.landinportugal.org/
Bons voos.
Um abraço
Carlos Guerreiro
Já estamos a voar na net.
A voar, mas baixinho... muito baixinho.
Há problemas com o motor de busca. Em termos gráficos a coisa parece um caos e até existe uma misturada de tipos e tamanhos de letra que não entendo...
Segundo os "ases" nesta coisa dos sites "não é anormal" surgirem este tipo de problemas nas "páginas amadoras". Aparentemente o site está muito pesado e é de construção muito complexa.
Para complicar ainda mais cada "browser" tem uma forma diferente de leitura o que ainda ajuda mais aos caos instalado.
Em poucas palavras o que vão ver não é exactamente aquilo que preparei.
Por todos os pequenos inconvenientes do site peço desculpa e prometo ir corrigindo as coisas conforme puder...
Julgo, no entanto, que estava na hora de deixar as "belezuras" de parte e avançar com o conteúdo...
Fico à espera de colaborações para o site e, obviamente, dos comentários...
Agora podem saltar para http://www.landinportugal.org/
Bons voos.
Um abraço
Carlos Guerreiro
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
O mar no "Século Ilustrado..."
No dia 2 de Setembro saía a edição 87 do "Século Ilustrado".
Apostando muito na utilização de fotografia e de imagens este jornal/revista semanal já adivinhava uma guerra que se iria prolongar pelos anos seguintes.
(Capa do "Século Ilustrado" de 2 de Setembro 1939 - Centro de Documentação/ Arquivo Histórico de Portimão)
Só não adivinhou que seria uma guerra total, que se decidiria em todos os cenários e não apenas no mar...
Apostando muito na utilização de fotografia e de imagens este jornal/revista semanal já adivinhava uma guerra que se iria prolongar pelos anos seguintes.
(Capa do "Século Ilustrado" de 2 de Setembro 1939 - Centro de Documentação/ Arquivo Histórico de Portimão)
Só não adivinhou que seria uma guerra total, que se decidiria em todos os cenários e não apenas no mar...
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Século Ilustrado
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
As notícias da guerra...
No dia 1 de Setembro 1939 saíram algumas edições especiais dos vários diários portugueses relatando o ataque à Polónia.
No dia seguinte fazia-se eco do ultimato Britânico e Francês. Antecipava-se também a possibilidade de uma guerra envolvendo as principais potências europeias.
A notícia oficial do início da guerra sairia apenas no dia 3 de Setembro...
Há 71 anos começava a II Guerra Mundial....
No dia seguinte fazia-se eco do ultimato Britânico e Francês. Antecipava-se também a possibilidade de uma guerra envolvendo as principais potências europeias.
A notícia oficial do início da guerra sairia apenas no dia 3 de Setembro...
Há 71 anos começava a II Guerra Mundial....
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terça-feira, 31 de agosto de 2010
Adiamento da apresentação do site...
Por razões técnicas não é possível colocar on-line o site do "Aterrem em Portugal". Só a partir do dia 6 de Setembro será possível resolver essas questões técnicas.
Espero que entre o dia 6 e o dia 10 seja possível colocar as quase duzentas páginas na rede para que todos possam aceder às informações e actualizar os livros que compraram ou, simplesmente, ler um pouco sobre a história de Portugal durante um curto período de tempo, no século passado.
O site está pronto. Só não tem fotos que prometo ir colocando nos próximos meses.
Existem dezenas de actualizações - pequenas e grandes. Numa deslocação que realizei o ano passado ao Reino Unido consegui localizar centenas de páginas com informação relevante dos Arquivos Nacionais em Kew, perto de Londres.
Há também mais de uma dezena de novos aviões identificados. Aviões que não vêm referidos no livro publicado em 2008.
De uma forma simplificada posso dizer que o site vai reproduzir e completar as fichas contidas nos anexos do livro, em Português e em Inglês... e nesta última língua podem existir algumas incorrecções.Faz-se o que se pode.
Ampliado - e muito - foi também o anexo dos aviões perdidos em trânsito. Nos diversos arquivos e documentos consegui identificar quase meia centena de aparelhos de várias nacionalidades.
Peço desculpa por ter prometido colocar tudo on-line no dia 1 de Setembro, sem contar com questões técnicas que me ultrapassam. Ainda não está nada na rede mas posso acrescentar que o domínio se chama www.landinportugal.org
Fica também o "banner" do site...
Logo que existam novidades colocarei nova mensagem...
Um abraço
Carlos Guerreiro
Espero que entre o dia 6 e o dia 10 seja possível colocar as quase duzentas páginas na rede para que todos possam aceder às informações e actualizar os livros que compraram ou, simplesmente, ler um pouco sobre a história de Portugal durante um curto período de tempo, no século passado.
O site está pronto. Só não tem fotos que prometo ir colocando nos próximos meses.
Existem dezenas de actualizações - pequenas e grandes. Numa deslocação que realizei o ano passado ao Reino Unido consegui localizar centenas de páginas com informação relevante dos Arquivos Nacionais em Kew, perto de Londres.
Há também mais de uma dezena de novos aviões identificados. Aviões que não vêm referidos no livro publicado em 2008.
De uma forma simplificada posso dizer que o site vai reproduzir e completar as fichas contidas nos anexos do livro, em Português e em Inglês... e nesta última língua podem existir algumas incorrecções.Faz-se o que se pode.
Ampliado - e muito - foi também o anexo dos aviões perdidos em trânsito. Nos diversos arquivos e documentos consegui identificar quase meia centena de aparelhos de várias nacionalidades.
Peço desculpa por ter prometido colocar tudo on-line no dia 1 de Setembro, sem contar com questões técnicas que me ultrapassam. Ainda não está nada na rede mas posso acrescentar que o domínio se chama www.landinportugal.org
Fica também o "banner" do site...
Logo que existam novidades colocarei nova mensagem...
Um abraço
Carlos Guerreiro
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terça-feira, 10 de agosto de 2010
Justificação de ausência
Por razões que se prendem com alguns acertos que estão a ser feitos no site do livro "Aterrem em Portugal", não tenho "postado" com nas últimas semanas. São acertos em pequenos pormenores mas que roubam muito tempo a quem, como eu, não é profissional destas coisas da net.
Acredito que a 1 de Setembro, quando se passam 71 anos sobre o início da II Guerra Mundial, será possivel "inaugurar o site". O nome e o domínio já foram "comprados" mas ainda não se encontra nada por lá...
Por esta razão o mês de Agosto será de "férias" para o Blog. Prometo logo em Setembro arrancar com novas histórias, muitas completamente inéditas, que tenho vindo a "coleccionar" nos últimos anos....
Um abraço a todos
Carlos Guerreiro
Acredito que a 1 de Setembro, quando se passam 71 anos sobre o início da II Guerra Mundial, será possivel "inaugurar o site". O nome e o domínio já foram "comprados" mas ainda não se encontra nada por lá...
Por esta razão o mês de Agosto será de "férias" para o Blog. Prometo logo em Setembro arrancar com novas histórias, muitas completamente inéditas, que tenho vindo a "coleccionar" nos últimos anos....
Um abraço a todos
Carlos Guerreiro
domingo, 11 de julho de 2010
A madeira na rota do nazismo... e outras histórias
Aos poucos ficamos a conhecer o Portugal da II Guerra Mundial. A notícia vem no Diário de Notícias da Madeira. Trata-se de ficção, baseada em factos reais… afinal o nazismo e a sua ideologia tinha braços longos, que se estendia para lá do continente.
Já agora fica mais uma informação. Talvez poucos saibam que em Olhão, no Algarve, chegou a existir um clube de camisas castanhas italianos. A PVDE (antecessora da PIDE) seguia as suas actividades com atenção. Não podemos esquecer que em Olhão existia uma forte comunidade italiana, empresários da indústria conserveira, e artífices na fundação do Sporting Clube Olhanense – aquele que voltou ao primeiro escalão do futebol português no ano passado.
Quem sabe destas coisas da bola já deve ter reparado que o equipamento do clube – listas verticais negras e rubras – é idêntico ao do Milão. Não é por acaso…
Fica a notícia do lançamento do livro que se chama o “Bazar Alemão”, e não faço classificações sobre a sua qualidade, pois não o li ainda...
Nazis na ilha inspiram ficção

A forma insidiosa e perversa como a ideologia nazista se propagou aos quatro cantos do mundo, não poupando sequer a 'Pérola do Atlântico' em vésperas da Segunda Guerra Mundial, é a temática de 'O Bazar Alemão', novo livro da escritora madeirense Helena Marques, a autora de obras aplaudidas como 'O Último Cais', 'A Deusa Sentada' ou 'Os Íbis Vermelhos da Guiana', entre várias outras.
De facto, e por incrível que pareça, houve mesmo tentativas de perseguição e de causar prejuízos pessoais e profissionais a judeus alemães residentes no Funchal, na época, por parte dos simpatizantes do nazismo, que incluíam não só alemães como também madeirenses.
'O Bazar Alemão', que vai para as livrarias a 18 de Julho, e cujo lançamento oficial só deverá ser realizado em Setembro (mas que já tivemos oportunidade de ler) é um livro interessante, não só pela capacidade narrativa da autora, que consegue interessar o leitor até à última página, como pela singularidade de basear-se em factos reais, ocorridos na Madeira, que, na época, era verdadeiramente paradisíaca para muitos cidadãos estrangeiros e até para locais e, num certo sentido, mesmo cosmopolita. Essa capacidade de retratar um Funchal romântico e entretanto já quase totalmente desaparecido, com as suas quintas, as suas 'garden parties' e 'cocktail parties', a sua vida social, a época em que as telefonias eram o último grito tecnológico para nos mantermos a par do que se passava no mundo (inclusive ouvindo a BBC), a descrição convincente do quotidiano numa cidade que reconhecemos geograficamente pela toponímia de muitas ruas e espaços que ainda hoje subsistem, abona em favor da capacidade evocativa e descritiva de Helena Marques.
Investigação universitária inspirou
Mas o que verdadeiramente inspirou este livro foi, explicou-nos a autora, a leitura de um trabalho de investigação de Anne Martina Emonts, docente do Departamento de Estudos Alemães da Universidade da Madeira, que, debruçando-se sobre o espólio do Consulado Alemão no Funchal entre os anos de 1938 e 1939 (hoje no Arquivo Político alemão, em Berlim) descobriu cartas de denúncia anti-semita enviadas à Gestapo em Berlim, com repercussões, no Funchal, sobre o Consulado Alemão e sobre as vidas dos denunciados. Era uma consequência da 'Lei da Protecção do Sangue Alemão e da Honra Alemã', promulgada pelo III Reich em Setembro de 1935, e que, como diz Helena Marques, "por mais extraordinário que pareça", despertou "zelos persecutórios" em núcleos alemães no estrangeiro. E mesmo no nosso meio!
Curiosamente, estas informações não transpiraram para a opinião pública e os perseguidos e denunciados calaram, em termos gerais, a sua revolta. Pelo que estes factos só foram descobertos muito mais tarde.
"Penso que esse fenómeno era desconhecido da esmagadora maioria dos madeirenses. Não me recordo de história semelhante. Na minha família, tinha o caso de uma tia-avó casada com um alemão, e lembro-me que o meu avô, anglófilo e que 'torcia' pelos Aliados, dizia que quando os tios-avôs viessem a casa, não se falava da Guerra. Mas nunca suspeitei que uma história como a que conto no meu livro fosse possível. Tanto quanto sei, estava condenada a desaparecer, se a Anne Martina Emonts não tivesse feito uma investigação sobre a Escola Alemã do Funchal, que a conduziu a este assunto, que achei perfeitamente espantoso".
No romance, Helena Marques narra, entre outras tramas, a história de Elizabeth e Eugen, estes sim personagens reais, cujos nomes próprios não foram alterados (os apelidos, sim), e que viram a sua felicidade enquanto casal ameaçada por denúncias e perseguições anti-semitas de péssimo gosto.
"Eu recordo-me desse casal, que conheci quando eles já tinham 50 e tal anos... E continuavam a ser pessoas felizes, muito bem dispostas... O amor deles não foi efémero, foi realmente para a vida toda, e isso, do meu ponto de vista, torna ainda mais interessante este encontro dos dois na ilha, nas vésperas da Segunda Guerra Mundial. Não tiveram filhos, mas eram muito simpáticos, luminosos... Não sei quando casaram, quando conseguiram romper aquele círculo vicioso e maléfico. Mas a verdade é que conseguiram". O facto de a autora os ter conhecido 20 anos mais tarde, felizes, é que a deixou estupefacta quanto à "tragédia que, de facto, ia destruindo as vidas deles".
'O Bazar Alemão' reflecte as relações cordiais entre madeirenses e estrangeiros, a privilegiada situação dos ingleses na Madeira, mas também a vivência de cidadãos oriundos de outras nacionalidades, incluindo uma colónia alemã, e a forma como as relações entre uns e outros decorriam com cordialidade mas num clima de alguma tensão contida, face ao conflito armado que se avizinhava. E tudo isto numa ilha agradável e de clima ameno, longe dos futuros cenários de batalha, num Portugal fascista cuja lealdade tenderia naturalmente para a associação com Hitler, Mussolini e Franco, mas que cultivava, com a Grã-Bretanha, a mais antiga aliança europeia. Um equilíbrio estranho e algo precário, portanto.
Helena Marques tomou liberdades e criou personagens que nunca existiram (afinal, este é um romance) mas recuperou a memória de algumas pessoas que existiram de facto, como a de uma alemã que dirigia o restaurante do Terreiro da Luta, e sobre a qual, no entanto, muito pouco conseguiu saber. Na história figuram tipos humanos interessantes como o médico judeu Franz Schönberg [inventado] que ajudam a compor o ambiente.
"Nós estamos tão habituados ao lado anglo-saxónico da Madeira, que esquecemos que houve uma colónia alemã também grande, influente. Eu era uma miúda na altura da Segunda Guerra Mundial, nasci em 1935, mas lembro-me muito bem do pós-Guerra, e dessa presença germânica. Não tinha, porém, a noção de que tivesse havido uma colónia alemã tão numerosa, capaz de criar, ao fim e ao cabo, esses nichos de influência".
Madeirenses germanófilos
Simpatizantes madeirenses da doutrina nacional-socialista, como o Visconde do Porto da Cruz [que surge, no livro, 'disfarçado' com o nome de Barão da Penha de Águia], e que era conhecido também de Helena Marques e da sua família, também ajudam a completar o 'ramalhete'. "Ele era, de facto, um germanófilo entusiasta, com uma posição francamente pró-nazi. Achei que era uma personagem que daria também o outro lado da história, ou seja, que nem todos os madeirenses eram anglófilos. Nunca imaginei que a Alemanha estivesse tão empenhada em disputar a influência britânica sobre a Madeira"... A ilha era mesmo vista, então, como um potencial destino futuro de férias para as élites nazis, uma vez vencida, pela Alemanha, a 2ª Guerra...
Para escrever este livro, Helena Marques socorreu-se não só da sua memória, mas também de muita investigação. Cria uma reconstituição muito convincente do Funchal da época, com o seu Hotel Reid's, o seu Golden Gate, a movimentação marítima e toda a vivência social da altura... "Conversava-se muito, sabe?", diz a escritora.
E a descrição das visitas de trabalhadores alemães nacional-socialistas ao Funchal, desembarcando cada qual com a bandeirinha da cruz suástica na mão, em excursões dirigidas pela organização 'A Força pela Alegria', reflecte a originalidade de uma cidade cosmopolita no Atlântico, flutuando entre influências e tensões internacionais, à beira de uma Guerra devastadora... Este é um livro que entretém, educa e lança um olhar esclarecedor sobre o nosso passado.
Já agora fica mais uma informação. Talvez poucos saibam que em Olhão, no Algarve, chegou a existir um clube de camisas castanhas italianos. A PVDE (antecessora da PIDE) seguia as suas actividades com atenção. Não podemos esquecer que em Olhão existia uma forte comunidade italiana, empresários da indústria conserveira, e artífices na fundação do Sporting Clube Olhanense – aquele que voltou ao primeiro escalão do futebol português no ano passado.
Quem sabe destas coisas da bola já deve ter reparado que o equipamento do clube – listas verticais negras e rubras – é idêntico ao do Milão. Não é por acaso…
Fica a notícia do lançamento do livro que se chama o “Bazar Alemão”, e não faço classificações sobre a sua qualidade, pois não o li ainda...
Nazis na ilha inspiram ficção

A forma insidiosa e perversa como a ideologia nazista se propagou aos quatro cantos do mundo, não poupando sequer a 'Pérola do Atlântico' em vésperas da Segunda Guerra Mundial, é a temática de 'O Bazar Alemão', novo livro da escritora madeirense Helena Marques, a autora de obras aplaudidas como 'O Último Cais', 'A Deusa Sentada' ou 'Os Íbis Vermelhos da Guiana', entre várias outras.
De facto, e por incrível que pareça, houve mesmo tentativas de perseguição e de causar prejuízos pessoais e profissionais a judeus alemães residentes no Funchal, na época, por parte dos simpatizantes do nazismo, que incluíam não só alemães como também madeirenses.
'O Bazar Alemão', que vai para as livrarias a 18 de Julho, e cujo lançamento oficial só deverá ser realizado em Setembro (mas que já tivemos oportunidade de ler) é um livro interessante, não só pela capacidade narrativa da autora, que consegue interessar o leitor até à última página, como pela singularidade de basear-se em factos reais, ocorridos na Madeira, que, na época, era verdadeiramente paradisíaca para muitos cidadãos estrangeiros e até para locais e, num certo sentido, mesmo cosmopolita. Essa capacidade de retratar um Funchal romântico e entretanto já quase totalmente desaparecido, com as suas quintas, as suas 'garden parties' e 'cocktail parties', a sua vida social, a época em que as telefonias eram o último grito tecnológico para nos mantermos a par do que se passava no mundo (inclusive ouvindo a BBC), a descrição convincente do quotidiano numa cidade que reconhecemos geograficamente pela toponímia de muitas ruas e espaços que ainda hoje subsistem, abona em favor da capacidade evocativa e descritiva de Helena Marques.
Investigação universitária inspirou
Mas o que verdadeiramente inspirou este livro foi, explicou-nos a autora, a leitura de um trabalho de investigação de Anne Martina Emonts, docente do Departamento de Estudos Alemães da Universidade da Madeira, que, debruçando-se sobre o espólio do Consulado Alemão no Funchal entre os anos de 1938 e 1939 (hoje no Arquivo Político alemão, em Berlim) descobriu cartas de denúncia anti-semita enviadas à Gestapo em Berlim, com repercussões, no Funchal, sobre o Consulado Alemão e sobre as vidas dos denunciados. Era uma consequência da 'Lei da Protecção do Sangue Alemão e da Honra Alemã', promulgada pelo III Reich em Setembro de 1935, e que, como diz Helena Marques, "por mais extraordinário que pareça", despertou "zelos persecutórios" em núcleos alemães no estrangeiro. E mesmo no nosso meio!
Curiosamente, estas informações não transpiraram para a opinião pública e os perseguidos e denunciados calaram, em termos gerais, a sua revolta. Pelo que estes factos só foram descobertos muito mais tarde.
"Penso que esse fenómeno era desconhecido da esmagadora maioria dos madeirenses. Não me recordo de história semelhante. Na minha família, tinha o caso de uma tia-avó casada com um alemão, e lembro-me que o meu avô, anglófilo e que 'torcia' pelos Aliados, dizia que quando os tios-avôs viessem a casa, não se falava da Guerra. Mas nunca suspeitei que uma história como a que conto no meu livro fosse possível. Tanto quanto sei, estava condenada a desaparecer, se a Anne Martina Emonts não tivesse feito uma investigação sobre a Escola Alemã do Funchal, que a conduziu a este assunto, que achei perfeitamente espantoso".
No romance, Helena Marques narra, entre outras tramas, a história de Elizabeth e Eugen, estes sim personagens reais, cujos nomes próprios não foram alterados (os apelidos, sim), e que viram a sua felicidade enquanto casal ameaçada por denúncias e perseguições anti-semitas de péssimo gosto.
"Eu recordo-me desse casal, que conheci quando eles já tinham 50 e tal anos... E continuavam a ser pessoas felizes, muito bem dispostas... O amor deles não foi efémero, foi realmente para a vida toda, e isso, do meu ponto de vista, torna ainda mais interessante este encontro dos dois na ilha, nas vésperas da Segunda Guerra Mundial. Não tiveram filhos, mas eram muito simpáticos, luminosos... Não sei quando casaram, quando conseguiram romper aquele círculo vicioso e maléfico. Mas a verdade é que conseguiram". O facto de a autora os ter conhecido 20 anos mais tarde, felizes, é que a deixou estupefacta quanto à "tragédia que, de facto, ia destruindo as vidas deles".
'O Bazar Alemão' reflecte as relações cordiais entre madeirenses e estrangeiros, a privilegiada situação dos ingleses na Madeira, mas também a vivência de cidadãos oriundos de outras nacionalidades, incluindo uma colónia alemã, e a forma como as relações entre uns e outros decorriam com cordialidade mas num clima de alguma tensão contida, face ao conflito armado que se avizinhava. E tudo isto numa ilha agradável e de clima ameno, longe dos futuros cenários de batalha, num Portugal fascista cuja lealdade tenderia naturalmente para a associação com Hitler, Mussolini e Franco, mas que cultivava, com a Grã-Bretanha, a mais antiga aliança europeia. Um equilíbrio estranho e algo precário, portanto.
Helena Marques tomou liberdades e criou personagens que nunca existiram (afinal, este é um romance) mas recuperou a memória de algumas pessoas que existiram de facto, como a de uma alemã que dirigia o restaurante do Terreiro da Luta, e sobre a qual, no entanto, muito pouco conseguiu saber. Na história figuram tipos humanos interessantes como o médico judeu Franz Schönberg [inventado] que ajudam a compor o ambiente.
"Nós estamos tão habituados ao lado anglo-saxónico da Madeira, que esquecemos que houve uma colónia alemã também grande, influente. Eu era uma miúda na altura da Segunda Guerra Mundial, nasci em 1935, mas lembro-me muito bem do pós-Guerra, e dessa presença germânica. Não tinha, porém, a noção de que tivesse havido uma colónia alemã tão numerosa, capaz de criar, ao fim e ao cabo, esses nichos de influência".
Madeirenses germanófilos
Simpatizantes madeirenses da doutrina nacional-socialista, como o Visconde do Porto da Cruz [que surge, no livro, 'disfarçado' com o nome de Barão da Penha de Águia], e que era conhecido também de Helena Marques e da sua família, também ajudam a completar o 'ramalhete'. "Ele era, de facto, um germanófilo entusiasta, com uma posição francamente pró-nazi. Achei que era uma personagem que daria também o outro lado da história, ou seja, que nem todos os madeirenses eram anglófilos. Nunca imaginei que a Alemanha estivesse tão empenhada em disputar a influência britânica sobre a Madeira"... A ilha era mesmo vista, então, como um potencial destino futuro de férias para as élites nazis, uma vez vencida, pela Alemanha, a 2ª Guerra...
Para escrever este livro, Helena Marques socorreu-se não só da sua memória, mas também de muita investigação. Cria uma reconstituição muito convincente do Funchal da época, com o seu Hotel Reid's, o seu Golden Gate, a movimentação marítima e toda a vivência social da altura... "Conversava-se muito, sabe?", diz a escritora.
E a descrição das visitas de trabalhadores alemães nacional-socialistas ao Funchal, desembarcando cada qual com a bandeirinha da cruz suástica na mão, em excursões dirigidas pela organização 'A Força pela Alegria', reflecte a originalidade de uma cidade cosmopolita no Atlântico, flutuando entre influências e tensões internacionais, à beira de uma Guerra devastadora... Este é um livro que entretém, educa e lança um olhar esclarecedor sobre o nosso passado.
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