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domingo, 7 de novembro de 2010

Pequenos momentos a não perder...

Sobre Portugal nos anos 40 é um dos mais interessantes espólios de imagens que alguma vez vi on-line.
No total são quase 50 minutos de filmagens, divididos entre sete películas, abordando diversas temáticas. São imagens que em termos técnicos designamos com “brutos”, ou seja não foram montadas. Em várias das películas é possível perceber que foram feitos diversos,“takes”de cada momento com as câmaras em posições diferentes.

Podemos ver um mercado de gado, refugiados na Caldas da Rainha, refugiados a embarcar a caminho da América e outros destinos, diplomatas, recepções diversas, desfiles militares, a chegada de um Clipper ao Tejo – com magníficas imagens dos barcos de pesca pelo meio – e também a forma como a imprensa portuguesa - ou estrangeira em Portugal - realizava a cobertura dos eventos. Cada película vem
acompanhada de uma ficha técnica – em inglês – que não só explica o que se vaio vendo como também identifica algumas das personalidades que vão surgindo.

Todos são interessantes à sua maneira e vale a pena acompanhar os vários filmes que pertencem aos Arquivos Nacionais Americanos e foram realizados em Portugal entre os finais de 1942 e princípios de 1943.
A responsabilidade de colocar as imagens on-line é da Steven Spielberg Film and Video Archive do United States Holocaust Memorial Museum.

Sentem-se de forma confortável, cliquem nas legendas e divirtam-se...




























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Para ver outros filmes e vídeos clique AQUI.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Obras de arte roubadas na II Guerra Mundial estão on-line

A notícia veio no "Público". São cerca de 20 mil as obras de arte, roubadas pelos nazis entre os anos de 1933 e 1945, que já se encontram on-line. Encontra-se um pouco de tudo - de quadros a esculturas, peças de joalharia ou móveis. Entre eles estão também pelo menos quatro peças com origem em Portugal.

Três delas, incluindo um tapete de Arraiolos, pertenceram a David David-Weil, um judeu Francês.

O Link para dar um volta por este arquivo está aqui...

Fica também a notícia do Público e algumas imagens das peças de origem portuguesa...


Base de dados online com obras de arte roubadas a judeus no Holocausto

Cerca de 20 mil obras de arte roubadas pelo III Reich durante a Segunda Guerra Mundial podem desde ontem ser pesquisadas numa base de dados online. O projecto, iniciado em 2005, é uma iniciativa da organização de apoio aos judeus vítimas da perseguição nazi Claims Conference em conjunto com o United States Holocaust Memorial Museum, um museu americano em memória das vítimas.

É uma oportunidade que surge para as vítimas do Holocausto e as suas famílias reaverem os seus bens roubados entre 1940 e 1944 na França e na Bélgica, na altura ocupados pelos nazis, naquele que foi considerado um dos piores ataques da história cultural. Em comunicado, a Claims Conference afirmou que esta nova lista "deve ser consultada por museus, galerias de arte e casas de leilões, para perceberem se têm em sua posse arte roubada pelos nazis, e por famílias que procuram há muito tempo a herança perdida". O site foi construído com base em registos nazis que foram digitalizados, mostrando o que foi apreendido e a quem, juntamente com os dados sobre a restituição ou repatriação e fotografias tiradas aos objectos apreendidos. 




A maior parte das peças, incluindo obras de mestres como Picasso, Monet, Chagall e Klimt, nunca foi entregue aos verdadeiros proprietários. Não se sabe exactamente quantos objectos foram roubados pelos nazis e quantos ainda podem estar desaparecidos. A Claims Conference diz que foram apreendidas cerca de 650 mil peças de arte e que milhares continuam perdidos.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Os refugiados do SS Quanza

Com a chegada de Hitler ao poder milhares de Judeus tornaram-se refugiados no seu próprio país. Os que perceberam o perigo e os que puderam escaparam para o mais longe que puderam. Muitos chegaram a Portugal e, um grande número, continuaram viagem até ao outro lado do Atlântico.

Quando a Alemanha Nazi começou a sua expansão territorial o número de refugiados ainda cresceu mais. Em 1940 Portugal representava a fuga para liberdade e foram às dezenas de milhar os que atravessaram a fronteira em busca de, especialmente, de um visto que lhes permitisse seguir viagem para criar o máximo de espaço ente as suas pessoas e Hitler.

Este Vídeo conta uma das muitas histórias envolvendo refugiados que tiveram em Lisboa o seu ponto de partida.

O "guia" é Greg Hansard da "Virginia Historical Society". Ele explica, em poucas palavras, o drama vivido pelos refugiados do SS Quanza, que saiu do Porto de Lisboa a 8 de Agosto de 1940, tendo como destino o continente americano.

Cerca de 200, dos 317 refugiados judeus que se encontravam a bordo, foram autorizados a sair do barco em Nova Iorque. Os restantes esperavam conseguir o mesmo no México, mas apenas 36 foram autorizados a entrar no país.



Aos restantes 81 foi dito que teriam de voltar para Lisboa. Talvez até voltar a cair nas mãos dos nazis. Nas palavras de um dos refugiados "o regresso ao inferno".

Para conseguir regressar à Europa o navio teria, no entanto, de se abastecer de carvão na Virginia e os refugiados aproveitaram essa paragem para mobilizar a justiça e a opinião pública americana para conseguir ficar na América...

O vídeo é em inglês. Para aqueles que não compreendem a língua, fica aqui um resumo desta aventura - uma das muitas que aconteceram naquele período. Para os restantes vale a pena ver este apontamento com um pouco mais de pormenor...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Actualização do site (1)

Chega a primeira actualização do site "Aterrem em Portugal".


Durante o último mês chegaram mais informações sobre novos aparelhos. Por agora são fortes hipóteses, mas estou ainda a recolher elementos.

Chegaram também algumas fotografias que espero poder publicar na próxima actualização.

Em cerca de um mês o site recebeu mais de 1500 visitantes que percorreram mais de 15.000 páginas. A maioria - cerca de metade - são portugueses. Os restantes, liderados por britânicos e americanos, são oriundos de mais de 40 países...

Agora a actualização. Trata-se de um C-47 que se despenhou ao largo da costa em Novembro de 1942. Novos documentos permitiram identificar os pára-quedistas que se encontravam a bordo. Um novo relatório - que se soma ao Evade&Escape Report - também trouxe novos elementos.


Fica o Link:

http://www.landinportugal.org/air_pages/a01_copy(132).htm

Um abraço a todos e muito obrigado pelo apoio.
Carlos Guerreiro

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Ainda na rota dos Açores

Por sugestão de Gonçalo Mendes ficam aqui mais dois apontamento relacionados com a base das Lajes, nos Açores.
Tratam-se de um livro e também de um site, ambos em inglês e com pontos de vista americanos.





O Livro: o autor chegou às Lajes com as divisas de Cabo, integrado nas Forças Americanas do Regimento 928 de Engenharia Aérea.
Uma pesquisa rápida por vários sites dedicados à venda de livros apontam para preços que variam entre os 15 e os 27 Euros.
Talvez uma proposta de leitura interessante para quem gosta do tema. Fica o "Link" indicado pelo Gonçalo. Não é onde o local mais barato, mas tem um texto de apoio muito completo.



No caso do site - bastante interessante - trata-se de uma homenagem a Robert Hawks que integrou a o Batalhão 801 de Engenharia Aérea. 




 São várias páginas, ilustradas com muitas fotografias e que contam de forma clara o trabalho e as dificuldades  porque passaram as forças americanas quando chegaram a meio de Janeiro de 1944. Fica o Link para lá chegar: 



Vamos continuar na rota dos Açores, com mais um vídeo que descobri no "Youtube". 
Desta vez em português. Existem imagens que já vimos no vídeo anterior, mas existe muito mais material e bastante interessante. 

Conta-se, em 9 minutos o envolvimento político e também a história da instalação das forças aliadas nas Lajes. Existem mais imagens sobre a chegada das forças, da construção da pista e muito material- e bom - com aviões a chegar e a partir, além de gerais sobre a infraestrutura. 
Também existem imagens posteriores à chegada americana, onde já se vêem os hangares... 






Ainda em Português, destaco um livro e um trabalho académico.




O livro foi lançado em 1995 e contém material muito interessante. Lembro-me que, na época, o livro foi parar também aos quiosques e não só às livrarias. Talvez integrasse uma colecção ou algo do género. 
Não sei se alguma livraria ainda terá exemplares novos, mas numa volta rápida pela "Net" encontrei várias exemplares em alfarrabistas. O mais barato a 11 Euros.
É um livro interessante e aborda o tema de forma aprofundada dando a perspectiva dos vários lados envolvidos nas negociações...


O trabalho académico é de José Augusto Grave e pode ser encontrado aqui:


Tratam-se de 17 páginas que fazem parte de uma obra muito maior  - integrada no repositório da Universidade dos Açores - sobre a história daquele território e que tem a particularidade de referir os problemas locais - políticos e sociais - que a instalação da base e a chegada dos estrangeiros causou. Uma leitura interessante para "descer à terra" e ficar com uma perspectiva completa sobre o que aconteceu...

De resto fica também o link oficial da base, nos nossos dias...


Agradeço mais uma vez ao Gonçalo as sugestões e desafio outros a fazerem o mesmo.
O "Aterrem..." existe também para isto.

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domingo, 3 de outubro de 2010

Primeiros tempos dos britânicos nas Lages, Açores

Depois de um livro que aborda a presença dos B-17 nos Açores, nada melhor que mostrar uma ciné-reportagem da época feita pela "British Pathé". Vê-se a construção da infraestrutura, as tendas que serviam de habitação e alguns dos aviões que utilizaram a pista - entre eles um B-17 Fortress (nem de propósito). Um sugestão enviada por um dos muitos interessados nestes temas...

AZORES - FIRST PICTURES



Para ver outras preciosidades da época pode consultar o site da "British Pathé"
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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Algumas perguntas a Robert M. Stitt

Por Carlos Guerreiro

Robert Stitt lançou recentemente o seu primeiro livro “Boeing B-17 Fortress in RAF Coastal Command Service” (Boeing B-17 Fortress no Comando Costeiro da RAF), que já foi apresentado neste blogue.
O “Aterrem em Portugal” contactou o autor e enviou-lhe algumas questões sobre esta obra que explora a história da Fortress ao serviço da RAF e a sua missão em terras portuguesas, mais especificamente, nos Açores.
As primeiras esquadrilhas utilizando este bombardeiro chegaram pouco depois da assinatura do acordo com a Inglaterra em 1943 envolvidas no esforço de combater a actividade dos submarinos no Atlântico Norte.

Aterrem em Portugal: Porque razão escreveu um livro sobre as “Fortress” no Comando Costeiro da RAF (RAF Coastal Command)?
Robert Stitt: Escrevi em tempos um artigo sobre um Boeing B-17 “Fortress”, da USAAF, que realizou uma aterragem de emergência na Papua Nova Guiné em Janeiro de 1943. Visitei o local em 1977. Este avião deveria ter seguido para a Grã-Bretanha para integrar a campanha contra os submarinos. Documentar o historial deste tipo de aparelho no Comando Costeiro da RAF surgiu como uma forma natural de dar seguimento a esse primeiro trabalho.
AP: Quanto tempo e onde pesquisou para realizar este trabalho?
RS: O projecto “Fortress no Comando Costeiro” levou seis anos a completar. Visitei os Arquivos Nacionais no Reino Unido (National Archives, Kew) por duas vezes para começar. Ao mesmo tempo cresceu de forma rápida uma grande rede de ajudantes e tive a felicidade de contactar muitos investigadores de todo mundo. Contactei também com veteranos que serviram neste tipo de avião e com as famílias de vários outros.


Fortress IIA FL459 - Este aparelho esteve envolvido no afundamento do U-707 em 9 de Novembro de 1943. Este é um dos 14 perfis a cores, feitos por Juanita Franzi, para este livro
AP: Que opinião tinham os tripulantes sobre o avião?
RS: Todos parecem amar e confiar na Fortress. Era estável, de confiança e confortável (bem, relativamente) e fiquei com a impressão que, apesar do Liberator (B-24 na RAF) ter um maior alcance e uma maior capacidade para carregar bombas, as tripulações preferiam as “Fortress”.
AP: Qual foi, para si, a importância dos Açores na fase final da guerra?
RS: Foram muito importantes por duas razões. Primeiro as perdas de navios aliados no Atlântico central estavam a ficar insustentáveis, até a base nos Açores ficar operacional. Depois transformou-se também num importante ponto de passagem para os aviões que eram entregues no Reino Unido, no Médio Oriente e no Oriente.






Uma página do livro onde se podem ver duas fotografias. A primeira pode ver como o moderno e o antigo conviviam e, na outra, uma imagem aérea onde se pode ver parte da pista e da base. Consegue perceber-se, pelo enorme número de tendas, as difíceis condições em que as tripulações viviam.






AP: Como é que as tripulações olhavam para os Açores e para os Açorianos?
RS: Julgo que eles tinham muito orgulho no papel que desempenharam na guerra e se deram muito bem com os locais, excepto quando se transformavam em alvos dos muito zelosos artilheiros anti-aéreos portugueses, que tinham sido recentemente equipados com armas inglesas, uma das contrapartidas pela utilização da base! Sei também que o comandante de uma das Fortress casou com a filha do Governador!
AP: Quais foram as maiores dificuldades que encontraram na ilha?
RS: Só existiam tendas para acomodar as tripulações que foram chegando, razão porque viveram praticamente na rua durante muito tempo. A água era escassa e existia uma colónia de ratos bastante grandes. A pista, construída com placas metálicas, estava coberta de pó vulcânico vermelho. O ambiente era poeirento e muito barulhento, sempre que os aviões aterravam ou levantavam, tanto de dia como de noite. O pó também contribuiu para um surto mortal de poliomielite.
A única pista encontrava-se muitas vezes desalinhada com os fortes ventos que varriam a ilha e a visibilidade era reduzida, obrigando os pilotos a escolher entre uma aproximação às cegas, entre dois cumes, ou a divergir para Santana (Aeródromo de Santana, em Rabo de Peixe, ilha de S. Miguel) onde a pista era mole e o mau tempo muito semelhante.
Do lado positivo havia muita fruta, vegetais, cigarros e bebidas alcoólicas, uma cidade para visitar que não estava em “Blackout” e onde não existiam aviões inimigos.
AP: O que mais o impressionou enquanto pesquisava para este livro?
RS: A ajuda recebida por outros pesquisadores e a confiança que recebi das famílias dos veteranos que me cederam preciosos documentos, fotografias e memórias.

AP: O que gostaria de dizer ao seu leitor?
RS: Os jovens que voaram as Fortress e outros aviões no Comando Costeiro da RAF – as tripulações tinham normalmente uma média de idades inferior aos 21 anos – fizeram coisas extraordinárias para assegurar a sobrevivência da Grã-Bretanha e dos aliados. Eles merecem ser recordados e tenho esperança que o meu livro possa ajudar, de alguma forma, a manter essa memória viva.