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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O império dos espiões (Livro)


Sabia que Cândido Oliveira- o homem que dá nome à taça que junta os vencedores da Liga de Futebol e da Taça de Portugal – foi um agente ao serviço da Inglaterra durante a II Guerra Mundial?

Sabia que ele tinha sido  levado para o Tarrafal - preso - e que os britânicos chegaram a preparar um plano para o libertar?

Sabia ainda que as forças especiais britânicas afundaram navios alemães e italianos no porto de Mormugão, Goa, em 1943?

Sabia que os britânicos raptaram um agente italiano em Lourenço Marques, Moçambique, em 1943?

Se não sabia tem agora oportunidade de conhecer estas histórias em cerca de 380 páginas, que encerram muito mais detalhes sobre vários outros acontecimentos “secretos” em Portugal e nas colónias durante a II Guerra Mundial.

“O Império dos espiões” de Rui Araújo é mais uma incursão deste jornalista por estes temas. Já em tempos tínhamos falado neste blogue do “Diário secreto que Salazar não Leu”.

Nesta nova obra Rui Araújo recupera algumas das histórias que havia referido no primeiro trabalho e completa-as com mais informação. Consultados foram vários arquivos dos quatro cantos do mundo e também da própria PIDE.

Para quem gosta da temática está aqui uma excelente oferta de Natal.

Ficamos com a certeza de que afinal a II Guerra Mundial também passou por aqui…

Veja aqui o outro livro do autor "O Diário Secreto que Salazar não leu"

Carlos Guerreiro

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Lisboa… posto de correio internacional

Há muito que se diz que Portugal foi, durante a II Guerra Mundial, a porta de entrada e de saída para a Europa. Apontam-se normalmente os casos relacionados com os refugiados ou os espiões, mas a verdade é que Lisboa foi uma porta ou uma placa giratória utilizada pelos dois blocos em conflito para as mais diversas coisas.


O Dornier DO 18, utilizado pela Luftwaffe. Foram construídas cerca de 170 unidades deste aparelho.

É sabido que, por exemplo, muitas das chamadas “parcelas” da cruz vermelha que eram entregues aos prisioneiros de guerra aliados passaram por Lisboa. Vinham embarcadas de Londres ou dos EUA e eram aqui entregues à Cruz Vermelha Internacional (CVI), que depois as encaminhava, de comboio, para os respectivos destinos. Estas “parcelas” eram normalmente caixas que continham comida, doces e cigarros entre outras coisas. Também a correspondência dos prisioneiros com os familiares utilizava canais que passavam por Portugal entre outros países neutros.
Não é por isso novidade o facto de Lisboa ter servido como uma enorme caixa de correio para o aliados…
A revista sobre aviação em língua alemã “Flieger Revue”, de Março deste ano, acrescenta agora mais uns detalhes à história de Lisboa e de Portugal desse período: afinal os alemães quiseram também instalar por aqui o seu “posto de correio” para ligar os seus prisioneiros e internados – muitos deslocados para o EUA - ao país natal.
Segundo o artigo, assinado por Hans-Heiri Stapfer, já existiam indícios de que a CVI, com sede em Genebra, explorara essa possibilidade. Novidade é o facto de a recente consulta de documentação nos arquivos Suíços revelar uma história um pouco diferente.
Afinal foram os alemães que fizeram a aproximação à CVI e não o contrário. E foi uma aproximação muito concreta, já que as autoridades germânicas se colocaram à disposição, para ceder de forma gratuita, dois hidroaviões DO 18 para garantir a travessia do Atlântico.
O contacto foi feito na Primavera de 1943 e tinha como objectivo fazer chegar aos EUA correspondência e víveres a cerca de 250 mil soldados alemães prisioneiros e também a vários milhares de civis internados.
Nos finais de 1942 os alemães tinham sofrido as primeiras derrotas às mãos das potências ocidentais. Primeiro o General Montegomery tinha sustido e repelido os Africa Corps do general Rommel, em El Alemein. Pouco depois, em Novembro, britânicos e americanos desembarcaram nas costas da Argélia e de Marrocos.



Prisioneiros de Guerra alemães em 1944
(Foto NARA)

Em princípios de 1943 cerca de 130 mil alemães eram prisioneiros dos aliados ocidentais. Na primavera, e com a derrota total dos exércitos do Eixo naquele teatro de operações, esse número subiu para um quarto de milhão de homens.
Os aliados já tinham decidido que os prisioneiros teriam de ser levados para um local onde fosse fácil mantê-los e tivessem poucas condições para causar problemas. Razões que levaram à decisão de os transportar para os EUA. Segundo o artigo da “Flieger Revue” existiram durante a guerra naquele país 155 campos principais e 511 campos satélite para prisioneiros, distribuídos por 44 estados americanos.
Sem condições para fazer chegar correspondência e outros materiais a estes homens pelos seus próprios meios – os aliados nunca aceitariam negociar directamente com os alemães – o regime nazi procurou outra solução. Foi nesse sentido que a Luftwaffe colocou a disposição da CVI os dois hidroaviões DO18.
Tratavam-se dos aparelhos com os números de série (Werknummer) 866 e 869. Seriam pintados com as cores da CVI e ficariam baseados no Tejo, em Lisboa. Prevista estava uma escala nos Açores para reabastecimento, como faziam aliás os Clippers que ligavam Lisboa a Nova Iorque.
Hans Stapfer revela, no entanto, alguns aspectos curiosos. Mesmo com a escala a meio do Atlântico seria difícil completar a viagem, caso surgisse o mais pequeno contratempo, pois o combustível que transportava chegava mesmo à justa para ligar as duas costas. Bastaria um vento contra um pouco mais forte para colocar em risco os três tripulantes que guarneciam a aeronave.
A colocação de um tanque suplementar iria reduzir drasticamente a capacidade de transporte do aparelho. Além da dimensão dos depósitos, que seriam montados no interior da fuselagem, tinha também de se contar com o peso desse combustível extra. Calcula-se que cerca de 50 mil cartas teriam de ser retiradas para poder acomodar estes extras.
Eram muitas dificuldades que nunca chegaram, no entanto, a ser equacionadas. Por razões que o autor do artigo desconhece o processo para a cedência das aeronaves nunca avançou e o mesmo aconteceu com a possibilidade de criar uma base de correio em Lisboa.
Os Dornier DO18 foram reintegrados na Luftwaffe e não se sabe qual o seu destino no final da Guerra.
Certo é que em Maio de 1945, quando foi assinado o armistício existiam no EUA cerca de meio milhão de alemães prisioneiros de guerra…

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Produto estratégico… a cortiça

Já se sabia que o volfrâmio foi um produto estratégico – e de elevado valor – durante a II Guerra Mundial. As guerras do Volfrâmio chegaram a ser assunto central em várias reuniões que juntaram Salazar com aliados ou com alemães.

Esta notícia, que saiu no jornal “Sauk Centre Herald” no dia 29 de Novembro de 1942, revela que afinal saia de Portugal outro “produto estratégico”: É a cortiça…

Segundo a notícia a cortiça “está desaparecida de vários produtos onde era habitualmente utilizada”. E este “habitualmente” refere-se a brinquedos ou tacos de golfe entre outros.

O problema, segundo a mesma notícia, é que as comissões de munições da Marinha e do Exército consideram a cortiça “material crítico” e o abastecimento – “totalmente assegurado por Portugal” – não chega para tudo.

Uma pequena notícia sobre um produto muito português…

domingo, 7 de novembro de 2010

Pequenos momentos a não perder...

Sobre Portugal nos anos 40 é um dos mais interessantes espólios de imagens que alguma vez vi on-line.
No total são quase 50 minutos de filmagens, divididos entre sete películas, abordando diversas temáticas. São imagens que em termos técnicos designamos com “brutos”, ou seja não foram montadas. Em várias das películas é possível perceber que foram feitos diversos,“takes”de cada momento com as câmaras em posições diferentes.

Podemos ver um mercado de gado, refugiados na Caldas da Rainha, refugiados a embarcar a caminho da América e outros destinos, diplomatas, recepções diversas, desfiles militares, a chegada de um Clipper ao Tejo – com magníficas imagens dos barcos de pesca pelo meio – e também a forma como a imprensa portuguesa - ou estrangeira em Portugal - realizava a cobertura dos eventos. Cada película vem
acompanhada de uma ficha técnica – em inglês – que não só explica o que se vaio vendo como também identifica algumas das personalidades que vão surgindo.

Todos são interessantes à sua maneira e vale a pena acompanhar os vários filmes que pertencem aos Arquivos Nacionais Americanos e foram realizados em Portugal entre os finais de 1942 e princípios de 1943.
A responsabilidade de colocar as imagens on-line é da Steven Spielberg Film and Video Archive do United States Holocaust Memorial Museum.

Sentem-se de forma confortável, cliquem nas legendas e divirtam-se...




























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Para ver outros filmes e vídeos clique AQUI.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Obras de arte roubadas na II Guerra Mundial estão on-line

A notícia veio no "Público". São cerca de 20 mil as obras de arte, roubadas pelos nazis entre os anos de 1933 e 1945, que já se encontram on-line. Encontra-se um pouco de tudo - de quadros a esculturas, peças de joalharia ou móveis. Entre eles estão também pelo menos quatro peças com origem em Portugal.

Três delas, incluindo um tapete de Arraiolos, pertenceram a David David-Weil, um judeu Francês.

O Link para dar um volta por este arquivo está aqui...

Fica também a notícia do Público e algumas imagens das peças de origem portuguesa...


Base de dados online com obras de arte roubadas a judeus no Holocausto

Cerca de 20 mil obras de arte roubadas pelo III Reich durante a Segunda Guerra Mundial podem desde ontem ser pesquisadas numa base de dados online. O projecto, iniciado em 2005, é uma iniciativa da organização de apoio aos judeus vítimas da perseguição nazi Claims Conference em conjunto com o United States Holocaust Memorial Museum, um museu americano em memória das vítimas.

É uma oportunidade que surge para as vítimas do Holocausto e as suas famílias reaverem os seus bens roubados entre 1940 e 1944 na França e na Bélgica, na altura ocupados pelos nazis, naquele que foi considerado um dos piores ataques da história cultural. Em comunicado, a Claims Conference afirmou que esta nova lista "deve ser consultada por museus, galerias de arte e casas de leilões, para perceberem se têm em sua posse arte roubada pelos nazis, e por famílias que procuram há muito tempo a herança perdida". O site foi construído com base em registos nazis que foram digitalizados, mostrando o que foi apreendido e a quem, juntamente com os dados sobre a restituição ou repatriação e fotografias tiradas aos objectos apreendidos. 




A maior parte das peças, incluindo obras de mestres como Picasso, Monet, Chagall e Klimt, nunca foi entregue aos verdadeiros proprietários. Não se sabe exactamente quantos objectos foram roubados pelos nazis e quantos ainda podem estar desaparecidos. A Claims Conference diz que foram apreendidas cerca de 650 mil peças de arte e que milhares continuam perdidos.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Os refugiados do SS Quanza

Com a chegada de Hitler ao poder milhares de Judeus tornaram-se refugiados no seu próprio país. Os que perceberam o perigo e os que puderam escaparam para o mais longe que puderam. Muitos chegaram a Portugal e, um grande número, continuaram viagem até ao outro lado do Atlântico.

Quando a Alemanha Nazi começou a sua expansão territorial o número de refugiados ainda cresceu mais. Em 1940 Portugal representava a fuga para liberdade e foram às dezenas de milhar os que atravessaram a fronteira em busca de, especialmente, de um visto que lhes permitisse seguir viagem para criar o máximo de espaço ente as suas pessoas e Hitler.

Este Vídeo conta uma das muitas histórias envolvendo refugiados que tiveram em Lisboa o seu ponto de partida.

O "guia" é Greg Hansard da "Virginia Historical Society". Ele explica, em poucas palavras, o drama vivido pelos refugiados do SS Quanza, que saiu do Porto de Lisboa a 8 de Agosto de 1940, tendo como destino o continente americano.

Cerca de 200, dos 317 refugiados judeus que se encontravam a bordo, foram autorizados a sair do barco em Nova Iorque. Os restantes esperavam conseguir o mesmo no México, mas apenas 36 foram autorizados a entrar no país.



Aos restantes 81 foi dito que teriam de voltar para Lisboa. Talvez até voltar a cair nas mãos dos nazis. Nas palavras de um dos refugiados "o regresso ao inferno".

Para conseguir regressar à Europa o navio teria, no entanto, de se abastecer de carvão na Virginia e os refugiados aproveitaram essa paragem para mobilizar a justiça e a opinião pública americana para conseguir ficar na América...

O vídeo é em inglês. Para aqueles que não compreendem a língua, fica aqui um resumo desta aventura - uma das muitas que aconteceram naquele período. Para os restantes vale a pena ver este apontamento com um pouco mais de pormenor...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Actualização do site (1)

Chega a primeira actualização do site "Aterrem em Portugal".


Durante o último mês chegaram mais informações sobre novos aparelhos. Por agora são fortes hipóteses, mas estou ainda a recolher elementos.

Chegaram também algumas fotografias que espero poder publicar na próxima actualização.

Em cerca de um mês o site recebeu mais de 1500 visitantes que percorreram mais de 15.000 páginas. A maioria - cerca de metade - são portugueses. Os restantes, liderados por britânicos e americanos, são oriundos de mais de 40 países...

Agora a actualização. Trata-se de um C-47 que se despenhou ao largo da costa em Novembro de 1942. Novos documentos permitiram identificar os pára-quedistas que se encontravam a bordo. Um novo relatório - que se soma ao Evade&Escape Report - também trouxe novos elementos.


Fica o Link:

http://www.landinportugal.org/air_pages/a01_copy(132).htm

Um abraço a todos e muito obrigado pelo apoio.
Carlos Guerreiro