Jornal "Diário de Lisboa", 13 de Setembro de 1939
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Este blogue utiliza português que respeita o período pré-acordo ortográfico.
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segunda-feira, 12 de setembro de 2016
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segunda-feira, 5 de setembro de 2016
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sexta-feira, 2 de setembro de 2016
Fitas para um ano…
São três filmes baseados em histórias reais da II Guerra Mundial. Até ao final do ano esperam-se as estreias de dois deles e para meio de 2017 está marcado outro lançamento que promete dar que falar.
Na próxima semana é lançado no Reino Unido o filme "Anthropoid". Trata-se do nome de um operação de comandos checoslovacos que em fins de maio de 1942 abateram Reinhard Heydrich, oficial SS e Governador da Boémia e Morávia (actuais repúblicas Checa e Eslovaca).
Apontado como um dos principais arquitectos da solução final, Heydrich foi uma das personagens mais sombrias do regime nazi. Após a sua chegada à Checoslováquia fez tudo para destruir a cultura do país e fomentou as acções das Einzatstruppen (esquadrões de assassínio) no ataque à resistência local.
O ataque conduzido por dois comandos, treinados em Inglaterra e lançados de para-quedas, aconteceu após meses de preparação, mas nem tudo correu bem. Uma das armas encravou e Heydrich ficou apenas ferido. Foi a infecção, desencadeada pelos ferimentos, que o matou dias mais tarde.
É a preparação da operação e a perseguição que se seguiu que são retratadas neste filme que já conheceu estreias em alguns países - incluindo os EUA – e onde as críticas têm sido contraditórias. Vamos ver se chega cá...
Para Novembro anuncia-se o lançamento de "Hacksaw Ridge", realizado por Mel Gibson, que recupera a fabulosa história de Desmond Doss, o primeiro americano a receber a Medalha de Honra, apesar de se recusar a pegar em armas ou matar inimigos.
Objector de consciência alistou-se de forma voluntário nas forças armadas americanas onde integrou o corpo médico. Apesar da desconfiança dos camaradas entrou na linha da frente do Pacífico nos princípios de 1945 salvando, sozinho, dezenas de soldados americanos – há quem afirme que foram mais de cem. Doss seria ferido mais tarde nas pernas e num braço, mas mesmo assim continuou a olhar pelos outros até sair pelo próprio pé do campo de batalha.
Para além da história o filme também é esperado com expectativa pois trata-se do regresso de Mel Gibson ao mundo do cinema depois de um período muito complicado da sua vida.
Desconheço, por agora, a data de estreia em Portugal. Fica o “trailer” e também um entrevista a Doss - falecido em 2006 - onde conta a sua versão dos acontecimentos.
Para o fim fica o primeiro “trailer” do mais recente projecto do realizador Christopher Nolan e que só estreia em Junho do próximo ano. “Dunquerque” conta a história da retirada das forças britânicas de França após o ataque esmagador das forças alemãs em 1940.
Bons Filmes…
CarlosGuerreiro
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| "Hacksaw Ridge", realizado por Mel Gibson, deve estrear em Novembro. |
Apontado como um dos principais arquitectos da solução final, Heydrich foi uma das personagens mais sombrias do regime nazi. Após a sua chegada à Checoslováquia fez tudo para destruir a cultura do país e fomentou as acções das Einzatstruppen (esquadrões de assassínio) no ataque à resistência local.
O ataque conduzido por dois comandos, treinados em Inglaterra e lançados de para-quedas, aconteceu após meses de preparação, mas nem tudo correu bem. Uma das armas encravou e Heydrich ficou apenas ferido. Foi a infecção, desencadeada pelos ferimentos, que o matou dias mais tarde.
É a preparação da operação e a perseguição que se seguiu que são retratadas neste filme que já conheceu estreias em alguns países - incluindo os EUA – e onde as críticas têm sido contraditórias. Vamos ver se chega cá...
Para Novembro anuncia-se o lançamento de "Hacksaw Ridge", realizado por Mel Gibson, que recupera a fabulosa história de Desmond Doss, o primeiro americano a receber a Medalha de Honra, apesar de se recusar a pegar em armas ou matar inimigos.
Objector de consciência alistou-se de forma voluntário nas forças armadas americanas onde integrou o corpo médico. Apesar da desconfiança dos camaradas entrou na linha da frente do Pacífico nos princípios de 1945 salvando, sozinho, dezenas de soldados americanos – há quem afirme que foram mais de cem. Doss seria ferido mais tarde nas pernas e num braço, mas mesmo assim continuou a olhar pelos outros até sair pelo próprio pé do campo de batalha.
Para além da história o filme também é esperado com expectativa pois trata-se do regresso de Mel Gibson ao mundo do cinema depois de um período muito complicado da sua vida.
Desconheço, por agora, a data de estreia em Portugal. Fica o “trailer” e também um entrevista a Doss - falecido em 2006 - onde conta a sua versão dos acontecimentos.
Para o fim fica o primeiro “trailer” do mais recente projecto do realizador Christopher Nolan e que só estreia em Junho do próximo ano. “Dunquerque” conta a história da retirada das forças britânicas de França após o ataque esmagador das forças alemãs em 1940.
Bons Filmes…
CarlosGuerreiro
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Aljezur na II Guerra Mundial
A revista "Notícias Magazine" trouxe, no último fim-de-semana, uma interessante reportagem sobre o período da II Guerra Mundial em Aljezur.
A reportagem foi agora colocado on-line e pode ser lida AQUI...
Vale a pena.
Boas leituras.
A reportagem foi agora colocado on-line e pode ser lida AQUI...
Vale a pena.
Boas leituras.
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
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sexta-feira, 26 de agosto de 2016
Dora, o navio do inferno
Sabe V. EXª o que de vergonhoso se está passando à volta dos desgraçados refugiados do vapor Dora?
Se não sabe é conveniente que V. Exª se informe directamente e termine, de vez, com, um espectáculo que está envergonhando e desprestigiando o nosso país aos olhos de estranhos.
À volta desses infelizes, cujos únicos crimes são os de alguns serem ricos e todos judeus, tem-se agitado um bando de abutres. É que alguns deles ainda têm consigo uns milhares de dólares escapados à rapina.
Esse bando, em que já se inscreveram entidades de certo relevo e responsabilidades sociais, só largará aqueles infelizes velhos, mulheres e crianças quando estes, já exaustos, nada mais tenham para ser roubado.
Porque não se deixa partir aquela gente? Porque se levantam mil e uma dificuldades à legalização da sua situação? Porque prendem e não deixam em liberdade tratar da regularização dos seus papeis para poderes deixar o país? Porque isso convém ao bando que não se farta só com as grossas somas que já lhe extorquiu.
(…)
Snr. Presidente do Conselho:
(…) é indispensável que V. Exª intervenha imediatamente e varra do povoado a alcateia de lobos que farejam a presa inofensiva e indefesa.
Feito isto, terá V. Exª prestado mais um altíssimo serviço em prol do prestígio da nossa terra.
Um Português
Datada de 12 de Agosto de 1940 esta carta anónima, enviada a Oliveira Salazar, denuncia um dos muitos dramas que no Verão de 1940 tiveram lugar às portas de Lisboa, numa altura em que Milhares de refugiados viram na capital portuguesa o refúgio momentâneo para uma Europa que mergulhava definitivamente na guerra.
O Dora era um pequeno cargueiro com bandeira panamiana, propriedade de um armador grego, e que desde 1939 estava envolvido no transporte ilegal de Judeus da Europa para a Palestina e outros destinos no norte de África. Foi com o objectivo de chegar a Casablanca que, no dia 2 de Julho de 1940 saiu do porto de Cette, perto de Bordéus, onde fora fretado à pressa por um grupo de meia centena de refugiados que queriam fugir às tropas de Hitler.
Graças aos inesperados da guerra a viagem iria ser mais curta. Na rota do Dora agigantou-se o combate de morte entre as frotas inglesa e francesa. A 3 de Julho os britânicos atacaram os navios franceses amarados no porto de Mers-el-Kébir, no Norte de África, e destruíram a frota. Uma ação executada por ordem directa de Churchill que temia que os alemães se apropriassem dos vasos de guerra e ganhassem força no mar. Morreram cerca de 1300 marinheiros franceses e 300 outros ficaram feridos.
A tensão no mediterrâneo disparava e a rota do pequeno Dora passava pelo meio da contenda e foi tomada a decisão de não fazer esse caminho. Pouco depois de terem partido de França entravam no porto de Lisboa, onde as autoridades proibiram o desembarque dos 46 passageiros, enquanto estes não conseguissem vistos para prosseguir viagem para outros destinos.
Entre os refugiados encontravam-se os banqueiros Haim Bernstein com dez familiares, o banqueiro polaco Sokolow e outros refugiados vindos de países como a Holanda, a Bélgica e a França. A bordo encontravam-se uma criança de 3 meses, doze com menos de sete anos e 14 mulheres.
Um Inferno
Conforme as semanas passaram armador e passageiros acabaram a digladiar-se, com versões contraditórias, nos jornais portugueses e estrangeiros. Estes últimos depressa rebaptizaram o Dora de “Hell Ship”, o navio do Inferno.
Segundo o relato feita pelos passageiros a decisão de desviar a rota para Lisboa foi feita pelo comandante que temia pelo futuro do navio. Um banqueiro de nome Berenszteyn - talvez Bernstein como surge em alguma imprensa estrangeira- disse ao “Diário de Lisboa” que o desespero levou as 46 pessoas a pagar cerca de um milhão de francos franceses para escapar de França. Um valor elevado que iria ser reforçado mais tarde.
Primeiro o comandante terá exigido mais cinco mil francos ao banqueiro para assegurar que o navio se dirigiria a Lisboa e não outro qualquer porto. Já na capital portuguesa – e perante a demora na chegada dos vistos - voltariam a ser feitas exigências: mais 1150 dólares e a partir de 28 de Junho a extorsão agravou-se com a exigência de uma diária de 150 dólares por passageiro.
Na reportagem do jornal português as condições em que viviam os refugiados é classificada como sendo “pior que numa antiga terceira classe de emigrantes”: “Como ali não há sala de jantar os passageiros vêem-se na necessidade de comer sentados no chão (…). Todos trazem o seu talher na algibeira e, apesar de já terem partido há mais de um mês de Cette, conservam ainda os mesmos vestuários”.
Dias depois seria a vez do capitão e do armador do Dora relatarem a sua versão dos acontecimentos. O “capitão Fostinis” e o “senhor Atychidés” asseguraram que a mudança de rota aconteceu a pedido dos passageiros e que as exigência monetárias posteriores tiveram apenas a ver com despesas normais de um frete que se prolongava para além do tempo combinado.
Duas versões contraditórias que encontraram também lugar na imprensa estrangeira. A primeira mereceu especial atenção nos jornais da comunidade judaica que considerava o capitão do navio um “gangster”.
Um refúgio em Caxias
O caso do Dora também foi seguido de perto pela PVDE e pelo comandante do porto de Lisboa. A situação das 46 pessoas degradava-se de forma assinalável e por razões humanitárias as autoridades portuguesas autorizaram o internamento numa casa de saúde de uma criança – filha do banqueiro Bernstein – e uma outra passageira foi autorizada a ter uma consulta de odontologia.
Na primeira semana de Agosto a situação a bordo tornava-se insustentável. Após forte pressão de agências de apoio aos judeus refugiados, e com o processo para a obtenção de vistos a prolongar-se foi tomada a decisão de permitir a saída dos passageiros, mas estes teriam de ficar “internados” no forte de Caxias até que se desenrolasse o emaranhado da burocracia. Passageiros, bagagens e até alguns carros abandonaram finalmente o navio depois de cerca de um mês fechados num casco de metal.
Contam jornais estrangeiros que alguns marinheiros portugueses presentes no desembarque não esconderam as lágrimas quando viram o estado em que as pessoas se encontravam, especialmente as crianças.
O comité de apoio aos refugiados prometeu processar o capitão e o armador pela forma desumana como tratou os passageiros.
É após essa decisão que a carta anónima é enviada para Oliveira Salazar. Tudo indica que este a reencaminhou para a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, a antecessora da PIDE, responsável pelo controlo de estrangeiros.
A resposta às acusações é feita na própria carta em diversas linhas manuscritas. A assinatura é ilegível, mas certamente será de algum responsável da polícia. Assegura-se que as acusações são falsas e que o internamento em Caxias teve com objectivo proteger os refugiados e "evitar as especulações que com eles se estavam fazendo".
Vários passageiros conseguiram nos dias seguintes vistos para Shangai ou para a Austrália, mas com as voltas que a guerra deu não é fácil perceber onde terminou a viagem destas 46 pessoas.
Carlos Guerreiro
Se não sabe é conveniente que V. Exª se informe directamente e termine, de vez, com, um espectáculo que está envergonhando e desprestigiando o nosso país aos olhos de estranhos.
À volta desses infelizes, cujos únicos crimes são os de alguns serem ricos e todos judeus, tem-se agitado um bando de abutres. É que alguns deles ainda têm consigo uns milhares de dólares escapados à rapina.
Esse bando, em que já se inscreveram entidades de certo relevo e responsabilidades sociais, só largará aqueles infelizes velhos, mulheres e crianças quando estes, já exaustos, nada mais tenham para ser roubado.
Porque não se deixa partir aquela gente? Porque se levantam mil e uma dificuldades à legalização da sua situação? Porque prendem e não deixam em liberdade tratar da regularização dos seus papeis para poderes deixar o país? Porque isso convém ao bando que não se farta só com as grossas somas que já lhe extorquiu.
(…)
Snr. Presidente do Conselho:
(…) é indispensável que V. Exª intervenha imediatamente e varra do povoado a alcateia de lobos que farejam a presa inofensiva e indefesa.
Feito isto, terá V. Exª prestado mais um altíssimo serviço em prol do prestígio da nossa terra.
Um Português
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| O Navio Dora (Foto: Dodenschip Dora) |
O Dora era um pequeno cargueiro com bandeira panamiana, propriedade de um armador grego, e que desde 1939 estava envolvido no transporte ilegal de Judeus da Europa para a Palestina e outros destinos no norte de África. Foi com o objectivo de chegar a Casablanca que, no dia 2 de Julho de 1940 saiu do porto de Cette, perto de Bordéus, onde fora fretado à pressa por um grupo de meia centena de refugiados que queriam fugir às tropas de Hitler.
Graças aos inesperados da guerra a viagem iria ser mais curta. Na rota do Dora agigantou-se o combate de morte entre as frotas inglesa e francesa. A 3 de Julho os britânicos atacaram os navios franceses amarados no porto de Mers-el-Kébir, no Norte de África, e destruíram a frota. Uma ação executada por ordem directa de Churchill que temia que os alemães se apropriassem dos vasos de guerra e ganhassem força no mar. Morreram cerca de 1300 marinheiros franceses e 300 outros ficaram feridos.
A tensão no mediterrâneo disparava e a rota do pequeno Dora passava pelo meio da contenda e foi tomada a decisão de não fazer esse caminho. Pouco depois de terem partido de França entravam no porto de Lisboa, onde as autoridades proibiram o desembarque dos 46 passageiros, enquanto estes não conseguissem vistos para prosseguir viagem para outros destinos.
Entre os refugiados encontravam-se os banqueiros Haim Bernstein com dez familiares, o banqueiro polaco Sokolow e outros refugiados vindos de países como a Holanda, a Bélgica e a França. A bordo encontravam-se uma criança de 3 meses, doze com menos de sete anos e 14 mulheres.
Um Inferno
Conforme as semanas passaram armador e passageiros acabaram a digladiar-se, com versões contraditórias, nos jornais portugueses e estrangeiros. Estes últimos depressa rebaptizaram o Dora de “Hell Ship”, o navio do Inferno.
Segundo o relato feita pelos passageiros a decisão de desviar a rota para Lisboa foi feita pelo comandante que temia pelo futuro do navio. Um banqueiro de nome Berenszteyn - talvez Bernstein como surge em alguma imprensa estrangeira- disse ao “Diário de Lisboa” que o desespero levou as 46 pessoas a pagar cerca de um milhão de francos franceses para escapar de França. Um valor elevado que iria ser reforçado mais tarde.
Na reportagem do jornal português as condições em que viviam os refugiados é classificada como sendo “pior que numa antiga terceira classe de emigrantes”: “Como ali não há sala de jantar os passageiros vêem-se na necessidade de comer sentados no chão (…). Todos trazem o seu talher na algibeira e, apesar de já terem partido há mais de um mês de Cette, conservam ainda os mesmos vestuários”.
Dias depois seria a vez do capitão e do armador do Dora relatarem a sua versão dos acontecimentos. O “capitão Fostinis” e o “senhor Atychidés” asseguraram que a mudança de rota aconteceu a pedido dos passageiros e que as exigência monetárias posteriores tiveram apenas a ver com despesas normais de um frete que se prolongava para além do tempo combinado.
Duas versões contraditórias que encontraram também lugar na imprensa estrangeira. A primeira mereceu especial atenção nos jornais da comunidade judaica que considerava o capitão do navio um “gangster”.
Um refúgio em Caxias
O caso do Dora também foi seguido de perto pela PVDE e pelo comandante do porto de Lisboa. A situação das 46 pessoas degradava-se de forma assinalável e por razões humanitárias as autoridades portuguesas autorizaram o internamento numa casa de saúde de uma criança – filha do banqueiro Bernstein – e uma outra passageira foi autorizada a ter uma consulta de odontologia.
Jornal "The Jewish Post", de 9 de Agosto de 1940.
Na primeira semana de Agosto a situação a bordo tornava-se insustentável. Após forte pressão de agências de apoio aos judeus refugiados, e com o processo para a obtenção de vistos a prolongar-se foi tomada a decisão de permitir a saída dos passageiros, mas estes teriam de ficar “internados” no forte de Caxias até que se desenrolasse o emaranhado da burocracia. Passageiros, bagagens e até alguns carros abandonaram finalmente o navio depois de cerca de um mês fechados num casco de metal.
Contam jornais estrangeiros que alguns marinheiros portugueses presentes no desembarque não esconderam as lágrimas quando viram o estado em que as pessoas se encontravam, especialmente as crianças.
O comité de apoio aos refugiados prometeu processar o capitão e o armador pela forma desumana como tratou os passageiros.
É após essa decisão que a carta anónima é enviada para Oliveira Salazar. Tudo indica que este a reencaminhou para a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, a antecessora da PIDE, responsável pelo controlo de estrangeiros.
A resposta às acusações é feita na própria carta em diversas linhas manuscritas. A assinatura é ilegível, mas certamente será de algum responsável da polícia. Assegura-se que as acusações são falsas e que o internamento em Caxias teve com objectivo proteger os refugiados e "evitar as especulações que com eles se estavam fazendo".
Vários passageiros conseguiram nos dias seguintes vistos para Shangai ou para a Austrália, mas com as voltas que a guerra deu não é fácil perceber onde terminou a viagem destas 46 pessoas.
Carlos Guerreiro
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segunda-feira, 22 de agosto de 2016
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Serralharia de Santinho&Costa
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