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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Cá estamos de novo…

Amanhã retomamos as publicações no “Aterrem em Portugal” com um olhar irónico da propaganda britânica sobre o pacto germâno-soviético e sobre a invasão da Polónia – no dia 1 de Setembro de 1939 – e a posterior divisão do país com a Rússia.

Em 1940 comemorou-se o ano dos centenários com uma grande feira na zona de Belém. A cerveja Cristal associou-se desta forma aos festejos. 
(Jornal "Diário de Lisboa", 31 de Agosto de 1940)

Vai conhecer alguns “cartoons” publicados em 1939 e 1940 na imprensa britânica, transformados pela máquina de propaganda em postais que foram distribuídos por todo o país…

Como toda a outra propaganda que o “Aterrem em Portugal” divulga, também esta foi devidamente traduzida antes de entrar no circuito dos simpatizantes anglófilos (ver AQUI).

Como novidade para os próximos meses o “Aterrem em Portugal” vai trazer-lhe, todas as segundas feiras, um anúncio retirado de uma publicação nacional do período da 2ª Guerra.

Este espaço vai recuperar a rubrica “Escaparate de Utilidades” que foi já utilizada para aqui divulgar a forma com se promoviam alguns produtos no país (ver AQUI).



 As preocupações da beleza não são de hoje. Publicidade a tinta para o cabelo da L'Oréal.
(Revista "Mundo Gráfico", 30 de Abril de 1945)

Para os menos atentos o “Escaparate” é o que hoje se chama uma “Montra”. Já a expressão “Utilidades” surge em várias publicações nas páginas povoadas de publicidade.

Deixo já aqui duas dessas "utilidades"... 

De resto espero que esta “nova temporada” seja, pelo menos, tão produtiva, em estórias da nossa história, como o último ano…

Um bom ano, apesar de tudo…
Carlos Guerreiro

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Até mais logo... e um bom Verão

"Um trecho de Lisboa-Praia à hora do banho". Foto publicada no "Século Ilustrado" de 22 Julho de 1944, com o título "As praias da margem sul do Tejo/ Cova do Vapor e Lisboa Praia".


Como sempre, nesta altura do ano, interrompo as publicações do "Aterrem em Portugal". 

Não sou especial adepto do Verão ou da praia, mas na nossa vida há muitas vidas - demasiadas vezes descuradas ao longo do ano - que são razão suficiente me afastar da "blogosfera" durante uns tempos...

Espero não ter defraudado - nos últimos 12 meses - aqueles que por aqui passaram...

Como este período do ano costuma ser um pouco menos "preenchido", deixo algumas sugestões de leitura sobre temas que foram abordados neste blogue nos últimos meses...

 - Aviação

- Voo 777

- Açores

- Espionagem

-Filmes e vídeos

- Livros e autores

- Navios e naufrágios

- Propaganda

- Volfrâmio

Para aceder aos textos basta clicar sobre as palavras.

Para todos um bom Verão...

... e até Setembro,
Carlos Guerreiro

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Roteiro B-24 na Antena 1

Reportagem da Cristina Pinto, na Antena1, sobre a instalação de um roteiro submarino no Bombardeiro b-24, que se encontra afundado ao largo de Faro.


Para saber mais sobre esta história leia AQUI.


Bons sons...
Carlos Guerreiro
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Para ler mais sobre aviação clique AQUI.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Bombardeiro vai ter roteiro submarino

Nem acreditam como estou orgulhoso… e não é por mim.

É por duas pessoas e por uma ideia que fizeram crescer ao longo de anos e que agora vai ter um importante reconhecimento.

Diga-se que o trabalho está praticamente feito – por eles e por amigos… mas o envolvimento da Universidade do Algarve dá um novo estatuto ao que foi realizado.

O velho bombardeiro americano da 2ª Guerra Mundial, que repousa frente a Faro desde Novembro de 1943, vai ver nascer à sua volta um roteiro subaquático nos próximos dias.

Quatro dos seis sobreviventes do PB4Y-1, versão da marinha do B-24. A fotografia foi tirada em Lisboa, pouco depois de saírem de Faro em 1943. 
Da esquerda para a direita temos Lyle Van Hook, Richard L. Trum, John W. Eden e Julian O. Pierce. 
Na fotografia mais pequena está Lyle Van Hook em 1999.

Os destroços do "nosso" bombardeiro – as asas, invertidas estão a cerca de 20 metros de profundidade – vão ter um conjunto de guias montadas em seu redor e cinco placas explicativas.

Há muito que o Vieira e a Fátima realizam mergulhos no bombardeiro… há muito que contam a história daquela noite de Inverno em que três pescadores portugueses salvaram seis americanos das águas geladas do Algarve.

Cinco outros companheiros não tiveram a mesma sorte e foram engrossar a lista de desaparecidos de uma guerra que deixou milhares sem sepultura conhecida.

Há uns 20 anos conheci um dos três pescadores que esteve envolvido no salvamento dos aviadores.

Jaime Nunes foi-me apresentado pelos netos.

Ele repetia a história do salvamento dos americanos a quem a quisesse ouvir… era um espécie de mito, longínquo.

Ti Jaime descrevia a noite fria. A queda do aparelho e a recolha dos feridos.

Chegados a terra foi necessário reactivar a central eléctrica da cidade para que os médicos – arrancados à cama – pudessem ter uma luz decente enquanto verificavam o estado dos feridos.

Contava também alguns episódios mais rocambolescos que aconteceram nos dias seguintes.

Depois os americanos foram-se embora de autocarro… e ficou a apenas a história.



Jaime Nunes a receber a placa de homenagem das mãos do Tenente Coronel Kelly, em 1999.














Descobri a data do desastre e os nomes “aportuguesados” dos tripulantes salvos, numa ficha dos bombeiros daquele período.

Essas informações e a versão do salvador dos americanos foram publicadas numa “Gazeta do Cenjor”, que saiu juntamente com o desaparecido semanário “Algarve Região” – em 1993.

Faltava o outro lado. Como seria interessante saber o que contariam os resgatados. Escrevi umas cartas desgarradas para os Estados Unidos sem grandes resultados…

A internet veio mudar tudo. Publiquei a história numa página de veteranos da II Guerra Mundial e houve uma alma caridosa que revirou primeiro os arquivos americanos do exército e depois da marinha para descobrir a História deste voo.

Um envelope triunfante de Gordon Brant chegou-me às mãos com uma cópia do relatório oficial do desastre. Continuava - com mais dados - a busca pelos sobreviventes.

Enviei cartas para aqui e para ali e finalmente consegui localizar Lyle Van Hook em 1998.

Respondeu via internet a uma carta… fê-lo no dia dos meus anos. Que prenda.

Van Hook contou como se tinham perdido e, sem combustível, tentaram aterrar - noite cerrada - naquilo que pensavam ser uma praia...

Tornei-me no canal de ligação entre Van Hook e Ti Jaime e em Junho de 1999 consegui colocá-los frente a frente, com as despesas a sair do bolso da embaixada americana.

Foi apenas uma videoconferência, mas seria difícil um encontro pessoal entre duas pessoas de idade avançada e com diversos problemas de saúde…

Van Hook agradeceu comovido ao seu salvador e o Ti jaime, recebeu uma plca de agradecimento da Marinha Americana...

Poderia o livro nunca sair, que este momento teria valido todos os esforços…

Infelizmente nenhum dos protagonistas viveu o suficiente para ver as sus histórias impressas nas páginas do meu livro. Ti Jaime Nunes faleceu em 2007 e Lyle Van Hook poucas semanas antes do lançamento do trabalho, em 2008.





José Vieira e Fátima Noronha, no seu ambiente. Depois de anos de buscas, encontraram o bombardeiro B-24.
 Hoje realizam mergulhos nos seus destroços.



Finalmente em 2001 tocou-me o telemóvel. Anunciavam-me a descoberta dos restos de um avião no mar, em frente a Faro. Julgavam que era o mesmo que eu tinha investigado.

Era o José Vieira.

Voei para me encontrar com ele na Hidropespaço, a escola de mergulho que, mais do que um negócio, é o projecto de sonho dele e da Fátima.

Tinham enviado mensagens para os Estados Unidos e foram surpreendidos quando receberam como resposta que as informações que queriam estavam, praticamente, à porta.

Ambos procurávamos há anos a mesma história - sob ângulos diferentes - e nunca nos tínhamos cruzado.

Tendo em conta que Faro não é assim tão grande, foi obra.

Os desenhos e as fotografias que me trouxeram confirmavam que se tratava do “nosso” B-24, ou melhor o PB4Y-1, aversão do B-24, utilizada pela Marinha Americana…





Imagem de um PB4Y-1 e um "croqui" onde se podem ver como se encontram dispostos os destroços do aparelho no fundo do mar.









Sem saber o que fariam as autoridades, resolveram cumprir todas as formalidades, como mandava a lei. Declararam o achado e passaram pela selva burocrática no sentido de obter uma autorização que permitisse o mergulho.

 Foram os primeiros – e talvez ainda dos únicos no país – a assinar um protocolo com o Instituto Português de Arqueologia que lhe permite legalmente mergulhar num destroço, tornando-se também seus guardiões.

Já trouxeram mergulhadores dos quatro cantos do mundo para visitar o “Bombardeiro”. Muitos mais portugueses também o fizeram…

Fotografia de um dos hélices do avião.

Agora vai ser musealizado com a colaboração da Universidade do Algarve. Mais um passo…

Esta história, com todos os seus pormenores, abre o livro do “Aterrem em Portugal”.

Dediquei-lhe os primeiros três capítulos do livro e um deles está disponível para leitura no site.

São quatro páginas que se encontram logo depois do Index e do Prefácio. Clique sobre elas para as aumentar.

As páginas podem ser encontradas AQUI.

A Lista dos tripulantes está AQUI.

Para "mergulhar" nesta história deixo também a ligação da Hidroespaço AQUI.

Por fim reproduzo também o essencial da história que a Agência Lusa publicou:

Bombardeiro submerso na II Guerra Mundial vai constar num roteiro subaquático
6 de Agosto, 2012

Uma escola de mergulho vai montar na quarta e na quinta-feira, ao largo de Faro, um roteiro subaquático que permitirá aos turistas mergulhadores navegar junto dos destroços de um bombardeiro afundado durante a Segunda Guerra Mundial.

A acção, que conta com a parceria do Centro de Ciências do Mar (CCMar) da Universidade do Algarve, consiste na colocação de cabos guia e cinco placas identificativas nos destroços do bombardeiro “Liberator” PB4Y, versão da Marinha dos Estados Unidos da América do famoso B-24.

As placas vão possibilitar a navegação dos mergulhadores entre as diferentes partes deste local e a identificação da respectiva fauna, num percurso total de cerca de 250 metros.

O projecto da escola de mergulho Hidroespaço, designado ECOSUB, tem como objectivo proporcionar aos turistas mergulhadores nacionais e estrangeiros um atractivo extra num local com uma envolvência histórica única.

O local de mergulho corresponde ao que resta de um bombardeiro americano que em plena Segunda Guerra Mundial (1943), se perdeu, acabando por se despenhar no mar ao largo de Faro.
(...)
Lusa


Um bom mergulho
Carlos Guerreiro  

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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Foi bom voar contigo, Tommy

Partilhámos uma paixão comum: os aviões da II Guerra Mundial.

Existia, no entanto, uma diferença fundamental. Eu andava apenas de cabeça no ar, enquanto ele andou mesmo lá por cima...

Em 1941, aos comandos de um bombardeiro Blenheim (ver AQUI) realizou uma aterragem forçada perto de Aveiro… apenas um detalhe da sua vida.

Piloto de testes durante e no pós-guerra John “Tommy” Thompson voou de tudo e, já com os pés em terra, acompanhava as histórias dos seus aviões nas diversas publicações que fazem dos clássicos o seu tema central.

Foi numa dessas revistas que encontrou um pequeno anúncio: um jornalista português procurava veteranos da RAF que tivessem estado Portugal durante a II Guerra Mundial…

Tommy, foi dos que mais contribuiu para o “Aterrem em Portugal!”… contou-me a sua experiência, mas também pesquisou, procurou e partilhou tudo o que encontrou ao longo de vários anos.

Mais tarde, enquanto escrevia,  tirou-me dúvidas e atou muitas pontas soltas.

Em Novembro de 2008, para o lançamento do trabalho, consegui que regressasse a Portugal (um grande obrigado à editora Gabriela Fernandes).

Mal chegou ao aeroporto de Lisboa foi interpelado por jornalistas do Correio da Manhã. Queriam saber se já tinha visto o livro e o que pensava dele…

 Tommy teve resposta pronta: “Já vi… Não tem palavras cruzadas, nem sexo, por isso não deve ser grande coisa”.

Fomos a Aveiro… O exército abriu-nos simpaticamente as portas da Base de S. Jacinto. Local para onde Tommy tinha sido levado após a aterragem forçada.

Passámos pelo Museu do Ar em Alverca, onde reencontrou um Spitfire que tinha comandando enquanto piloto de testes - tenho algures imagens de vídeo dessa visita, que tenho de procurar.

Apresentou o livro.

Sei que adorou e guardou com muito carinho as asas que a Força Aérea Portuguesa lhe ofereceu... "Nenhum dos meu amigos tem uma destas para colocar no fato".

Ainda houve tempo para um passeio ao Alentejo, onde admirou os sobreiros e foi estrela numa exposição de modelismo… Regressou cansado mas satisfeito.

Por isto ou por aquilo, não voltámos a encontra-nos.

Marcámos encontro em Londres… mas um pequeno acidente de viação impediu-o de aparecer.

José Carias Silva e John "Tommy" Thompson, no Alentejo em 2008, durante a exposição de modelismo.

O ano passado convidou-me para a festa dos seus 90 anos… não pude ir. Como me arrependo.

Dois Spitfires fizeram um voo rasante sobre a sua casa durante a comemoração. Escreveu-me para dizer que... ficara com lágrimas nos olhos.

Só não me disse que já estava doente...

Há algumas semanas enviei-lhe um livro com fotografias da Aviação Naval Portuguesa.Tinha imagens da Base de S. Jacinto e dos aviões Junkers que ele recordava ter visto por lá…

Era uma surpresa. Ele reagia depressa a surpresas, mas, desta vez, nada disse.

Esperei e acabei por me tornar insistente no envio de e-mails.

Finalmente um familiar respondeu-me.

Tommy estava internado nos cuidados paliativos, com cancro, e não ia voltar a casa…

O genro fez uma busca pela casa e encontrou o livro de fotografias, ainda dentro do envelope. Tinha chegado no dia em que foi hospitalizado…

Ainda lhe fiz um último favor, traduzindo a legenda de uma das imagens:

"BRISTOL BLENHEIM IV-F" Aircraft
Bi-engined monoplane, three seater, used in the beginning of WWII as fighter-bomber of coastal atack. British made, 16 were transfered to the Naval Aviation under the British-Portuguese agreement that allowed the use of the Azores base (to the allied). These were the aircraft under naval control that had more firepower..."


Tinha de ser sobre o Blenheim...

Sei que no hospital os livros foram companhia e tema de conversa. O da Aviação Naval e o “Aterrem em Portugal!”.

Eram parte da sua história, das suas memórias, do seu mundo… e um bocadinho do meu.

Na terça feira partiu para o seu último voo…

O filho Roger não deixou de reparar que passavam exactamente115 anos sobre o nascimento da pioneira da aviação Amelia Earhart …

Sempre o mundo dos aviões.

Obrigado por também me teres levado a voar.

“Keep on Flying”, Tommy.

Carlos Guerreiro 

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quinta-feira, 19 de julho de 2012

«Ministério das Propagandas»
PODER AÉREO BRITÂNICO

A brochura tem apenas 28 páginas, muitas fotografias e também um texto longo, o que não é norma na propaganda britânica, normalmente mais apostada na imagem.

Traz a data de Dezembro de 1940, uma altura em que a chamada Batalha de Inglaterra já tinha um vencedor reconhecido.

Entre Julho e Outubro daquele ano, primeiro a marinha alemã e depois a Luftwaffe, tinham tentado isolar a ilha britânica e eliminar o seu poderio aéreo, sem sucesso.

Esta brochura parece ser um primeiro respirar de alívio e uma prova de vida para o exterior.

Os britânicos sabiam que tudo o que aparecia em Portugal terminava em mãos alemãs e aproveitam esta publicação para mostrar que sobreviveram... e infligiram a primeira derrota aos seus inimigos.

O texto faz um resumo histórico do que foi a guerra aérea durante a 1ª Guerra Mundial, os feitos do período entre guerras - onde se incluem voos com recordes de velocidade e de distância protagonizados por britânicos – e tenta justificar as razões de uma RAF frágil pouco antes de rebentar o conflito com Hitler.

As primeiras imagens mostram um bombardeiro e um caça da I Grande Guerra e um Supermarine Vikers, responsável por vários recordes de velocidade e uma das experiências de que resultaria o caça Spitfire

Assegura, por outro lado, que agora a sua força aérea se encontra no topo do mundo, com superioridade humana e material em relação ao principal inimigo.

Quem conhece alguma coisa da história da aviação não deixa de sorrir quando olha para os aparelhos que são apresentados como uma garantia tecnológica de que a guerra está ganha…

À excepção dos caças Hurricane e Spitfire – o primeiro também já em fim de vida – e do gigante “Sunderland”, os restantes aparelhos, em especial os bombardeiros, eram já na altura desta publicação aviões obsoletos.

O Spitfire ficou como um dos símbolos da Batalha de Inglaterra

No Comando de Bombardeiros alguns ainda chegariam a 1943, por falta de substituto à altura. Depois vieram os grandes quadrimotores que deram um sentido completamente diferente ao conceito de guerra área e bombardeamento estratégico.






Hurricanes e Defiant's. O primeiro não conseguia competir com os seus rivais alemães e estava no limite do seu desenvolvimento, enquanto o segundo era obsoleto.
















Alguns ainda prolongaram a sua vida útil, desviados para teatros de operações menos exigentes que o europeu ou integrando o Comando Costeiro, onde a a velocidade ou a capacidade defensiva não eram tão cruciais à sobrevivência das tripulações…

Mesmo assim sobreviveram no imaginário de muitos o Blenheim e o Wellington…

Vários aviões deste tipo aterraram aliás em Portugal a caminho de Àfrica ou do Médio Oriente.

De outros, como o Paul Defiant ou o Battle Fairey, quase não reza a história.


O enorme Sunderland foi um dos símbolos da guerra no atlântico (em cima). Fotografias espectaculares ou com pormenores são sempre atractivas em propaganda(em baixo).







A construção de aviões em longas linhas de produção...







Em resultado deste capacidade de combate e de produção os ataques dos "incursionistas nazis" não poderiam ter outro resultado, garante o folheto
















A Batalha de Inglaterra foi mais do que uma vitória de aviões sobre outros. 

Hoje é reconhecida como vital a utilização do radar, uma nova tecnologia que despontava, e permitiu aos ingleses saber com antecedência onde e com quantas unidades iam ser atacados. 

Neste folheto não existe qualquer referência a essa tecnologia, mas é reforçada a importância dos observadores colocados em vários pontos do país.

Através de um sistema de telefones e de rádios seguiam os "enxames" alemães e detalhavam alturas ou destinos.

Tratava-se de um sistema importante de apoio, mas apenas complementar ao radar e ao Comando de Caça,s que já tinha sido utilizado durante a 1ª Guerra Mundial . Não era nada de novo...

A propaganda é como um jogo onde por vezes se mostram parte das cartas, para esconder os trunfos...

Carlos Guerreiro

sábado, 14 de julho de 2012

Amarar ao largo do Cabo de S. Vicente

A revista em língua inglesa “Aeroplane” relativa ao mês Agosto traz como um dos artigos centrais a história de Victor Linthune, um aviador da RAF que durante a II Guerra Mundial terminou uma das suas viagens de ligação entre o Reino Unido e o Norte de África ao largo do Cabo de S. Vicente, tendo sido recolhido por uma embarcação de pesca e levado para Portimão.

A revista refere apenas que se tratou de um incidente no princípio de Novembro de 1944.

No Aterrem em Portugal já existe registo deste incidente há algum tempo e com mais detalhes. O Livro de Operações (Operational Record Book) da unidade de entrega de aparelhos baseada em Portreath – a OADU (Overseas Air Dispatch Unit) – assinala a 3 de Novembro de 1944 que o "Beaufighter X" com a matrícula NV555 “ amarou ao largo da costa Portuguesa aproximadamente na posição 37º 16’N - 08º 53’ W”.

Ao contrário de outros casos este registo traz bastantes pormenores:

“Desenvolveu-se uma fuga de combustível. O comandante Flight-Lieutenant V.H. Linthune e o seu navegador Flight-Lieutenant A. B. Cumbers, foram retirados do seu salva-vidas por um barco de pesca cerca de vinte minutos depois da amaragem. Nenhum membro da tripulação ficou ferido”.

Antes de amarar em Portugal Linthune teve um percurso longo e “variado” - como sugere o título do trabalho - e que é desenvolvido pela revista ao longo de sete páginas.

Realizou patrulhas, como artilheiro, a bordo de hidroaviões London do 201 Squadron, durante a guerra civil de Espanha.

Pouco antes da guerra tirou o curso de piloto e foi nessa condição que participou na acção que teve lugar em Narvik, na Noruega em 1940.

Foi numa dessas operações que acabou ferido num ombro durante o ataque de um caça alemão ME109 ao seu Hudson.

Mais tarde viu-se envolvido num conjunto de voos experimentais que testavam novas armas, como minas aéreas pensadas para espalhar as formações de bombardeiros, ou sistemas de iluminação - instalados em aviões – que teoricamente iluminariam alvos para caças Hurricane abaterem… tanto num caso como noutro os resultados foram escassos.

Voou também numa unidade de caças nocturnos, que utilizava os Mosquitos, realizando missões o mar do norte e sobre Alemanha acompanhado os bombardeiros.

Foi enquanto membro da unidade de transportes que se despenhou ao largo do cabo de S. Vicente , mas não seria a última vez que Victor Linthune, pisaria solo português.

Regressaria a Portugal, em 1945, para entregar alguns dos Beaufighter vendidos à marinha portuguesa…

Fica também um obrigado ao José Carias Silva, por me ter chamado a atenção para o artigo.

Um bom fim de semana
Carlos Guerreiro