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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

«Aventuras na Alemanha»
A Grande Fuga

Um dos melhores e mais reconhecidos filmes da Segunda Guerra Mundial é sem dúvida "The Great Escape".

Rodado em 1963 no sul da Alemanha, no estado de Bayern e na Suíça, conta o relato de prisioneiros Aliados retidos num campo Alemão. O Stalag Luft III é operado pela Luftwaffe e controla os destinos de Steve McQueen e do seu grupo.

 Na Alemanha, as filmagens foram divididas entre a bela vila de Füssen e a floresta de Perlacher.






A maior porção do filme é passado no campo, localizado na floresta de Perlacher e embora a sua localização exacta já não seja possível determinar, pode-se calcular aproximadamente o seu local devido a ser numa zona perto dos estúdios de cinema da Baviera.

 A parte final, "a grande fuga dos aliados" aconteceu em Füssen, enquanto que a cena de mota de Steve McQueen foi rodada na Suíça.

Percorremos a bela vila de Füssen em busca de alguns locais de filmagens.

António Fragoeiro

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

«Escaparate de Utilidades»
His Master's Voice

Revista "Vida Mundial", 13 de Novembro de 1941

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Modelismo em Loulé


Em Loulé o fim de semana é dedicado ao modelismo com a iniciativa "Modelcult 2019"...

No salão de festas municipal de Loulé pode ver o que de mekhor se faz no campo do medelismo na região algarvia. 

No sábado a mostra pode ser visitada das 11.00 às 20.00 horas e no domingo das 10.00 às 17.00 horas.

Boa saída...

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

«Aventuras na Alemanha»
O Heinkel Espanhol

O Heinkel HE 111 é certamente um dos bombardeiros mais icónicos da Luftwaffe.

Foi um dos aparelhos mais precisos e foram produzidas um total de 8000 unidades até ao final da Segunda Guerra Mundial.





Com o fim das hostilidades, e sob licença, foram produzidos também em Espanha com a designação de Casa 2.111 B, mas com motorização Rolls-Royce.

Este exemplar em particular foi produzido em 1950 e permaneceu em actividade na Força-Aérea Espanhola até 1967, tendo sido posteriormente utilizado no filme " A Batalha de Inglaterra". Mais tarde vendido à Alemanha, fez o último voo pela Luftwaffe, terminando assim a carreira. 

Entre 2000 e 2009 este "HE 111" foi restaurado na oficina de Oberschleissheim e colocado em exposição com as cores da Força Aérea Espanhola e números de registo do G.E.V (Grupo de experimentacion de Vuelo al Torrejon).

Com mais uma referência ao filme sobre a Batalha de Inglaterra relembro a utilização dos Hawker Hurricanes e Spitfires Portugueses em cenas de combates aéreos.

António Fragoeiro

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

«Aventuras na Alemanha»
A antiga base aérea de Riem

Durante a Segunda Guerra Mundial, foi uma das maiores bases aéreas da Luftwaffe e a "casa" de Adolf Galland e o seu esquadrão durante a batalha da Bavária.

Imediatamente após o fim de hostilidades o seu potencial foi reconhecido, foi expandida e passou a ser operada por forças Americanas.

Entrada oeste do antigo aeródromo 

Zona murada do antigo aeroporto militar.

Torre de controlo em fundo

Outra área murada do antigo aeroporto militar




















































Em 1950 foi convertida em aeroporto para aviação civil, funcionado como Aeroporto Internacional de Munique até 1992, altura em que perdeu o estatuto devido ao novo e melhorado aeroporto de Erdinger Moos.

De visita o local e consta-se que ainda existem vestígios…..a torre de controlo agora é um bar, encontramos edifícios de apoio e parte da pista principal. Uma pequena porção do muro e a entrada principal do período do Terceiro Reich ainda existem.

 A zona está, no entanto, irreconhecível com urbanizações, hotéis de luxo e lagos.

A pista principal é "off the beaten path" e foi necessário caminhar por terrenos alheios e matagal até chegar ao local para tirar algumas fotografias. Com recurso a drone conseguiu-se também obter uma visão aérea do local.

António Fragoeiro

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Conversa sobre a II Guerra Mundial em Vila Nova de Milfontes

Aterragens acidentadas, combates aéreos com consequências mortais, afundamentos à vista de costa. Até pode parecer que o litoral alentejano estava longe da II Guerra Mundial, mas a população teve várias oportunidades para ver de perto a guerra que grassava pelo mundo.
 

É sobre algumas destas histórias que vamos falar amanhã, pelas 12.10 horas, em Vila Nova de Milfontes no Hotel HS, onde decorre o XII Encontro de História do Alentejo Litoral, uma iniciativa onde neste fim de semana e no próximo a história local - de todos os períodos - é tema central.

Já agora vamos também olhar para algumas pistas sobre a espionagem naquela zona do país.

Há boas razões para sair de casa...

Até lá.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Trocas de modelismo em Loulé

É já amanhã - sábado - pela tarde que, em Loulé, se realiza a segunda feira de trocas de modelismo...

Uma oportunidade para trocar algum modelo por outro com mais interesse, redescobrir uma velha paixão de juventude ou começar um novo hobby...

Boas saídas...





quinta-feira, 3 de outubro de 2019

«Aventuras na Alemanha»
Segredos submersos

Desde 1991 que o Governo Federal Alemão não tem poupado esforços para localizar e recuperar antigos destroços da Segunda Mundial. De modo a combater a recuperação ilegal de metal, um enorme orçamento foi disponibilizado na detecção de veículos submersos em lagos Alemães.



















Em 1991, em Ammersee, na Bavária, três objectos de grande porte foram detectados com recurso a sonar. Após diversos mergulhos e semanas de preparação, confirmaram que se tratavam de três aviões, sendo um deles considerado prioritário.

Em 1993 realiza-se a primeira recuperação. Tratava-se de um Heinkel HE 177, do I Group Kampfgeschwader 4, desaparecido em 1943 que vê a luz solar pela primeira vez em muitos anos. Recuperada a fuselagem e muitos outros destroços, o avião é armazenado num local não divulgado e algumas peças são escolhidas para mostra ao público.

António Fragoeiro

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Aviadores "estrelas de cinema" em conferência farense

Aterraram em Sagres guiados pelo rádio da marinha portuguesa...

Levados para Lagos foram recebidos em apoteose pela população... Durante uns dias sentiram-se estrelas de cinema.

O piloto até prometeu voltar para agradecer depois da guerra e quase cumpriu a palavra... Quase!

Momentos de uma das histórias que irei contar amanhã, sexta-feira, pelas 18 horas, no Museu Municipal de Faro...

Vamos conversar  sobre os tempos em que o Algarve espreitava a Guerra.

Uma conferência da iniciativa do Núcleo da Liga dos Combatentes de Faro... 

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Conferência "Quando o Algarve espreitava a Guerra"


Leslie Alec Hayward era piloto de um bombardeiro da RAF que, em junho de 1942, aterrou de emergência na ilha de Santa Maria, perto de Faro...

Na próxima sexta-feira vou falar um pouco dele, de outros e de alguns acontecimentos que tiveram lugar no Algarve entre 1939 e 1945. 

Por iniciativa do Núcleo da Liga dos Combatentes de Faro o encontro está marcado no Museu Municipal da cidade, pelas 18 horas... 

Até lá... 

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

«Aventuras na Alemanha»
Um C-47D na Alemanha

A partir de hoje, e de quinze em quinze dias, o António Fragoeiro vai colaborar com o "Aterrem em Portugal!" com algumas notas de viagem na Alemanha...

São Aventuras e explorações, visitas a museus, antigos campos de aviação, memoriais e locais icónicos relacionados com o período da Segunda Grande Guerra.


Na primeira publicação, evocamos um avião conhecido também por terras Lusas, um DC3 (Douglas C-47 D). 

Diversos aterraram em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial, voaram na Força Aérea, na TAP e existindo até um exemplar no Museu do AR em Sintra. 

Este exemplar em particular foi utilizado no pós-guerra pela Força Aérea Alemã até 1976.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Conversa com realizador de "Debaixo do Céu" em Lisboa

O documentário "Debaixo do Céu", que conta a história de vários judeus refugiados que passaram por Portugal durante a II Guerra Mundial, será exibido amanhã, dia 11 de setembro, no Convento de São Pedro de Alcântara, em Lisboa, pelas 21 horas.

A exibição será seguida de uma conversa com o realizador Nicholas Oulman e com a especialista em temas judaicos Esther Mucznick.

A participação é gratuita, mas é necessária inscrição. Saiba mais AQUI.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

O Postalinho...
O rendez-vous


Postal de propaganda britânico com a versão portuguesa de um cartoon do ilustrador britânico David Low, publicado no jornal "Evening Standard" de 20 de Setembro de 1939, poucos dias após a junção das tropas alemãs e russas na Polónia e onde se mostra o hipotético encontro entre os dois ditadores - Hitler e Estaline - sobre o cadáver do país que tinham acabado de dividir entre si. 

Ambos mantêm uma pose amistosa e cortês, mas o cumprimento entre os representantes de dois extremos políticos que não se toleravam espelha talvez o que sentiam na verdade:

- A escória da Humanidade, creio eu? – cumprimenta Hitler.

- O sangrento assassino do proletariado, não é verdade? – responde Estaline…

Passam agora 80 anos...

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Posição de Portugal face à guerra

Nota do Governo português publicada no dia 2 de Setembro de 1939 - um dia após a Alemanha invadir a Polónia - em diversos jornais do país. 

«Escaparate de Utilidades»
Insecticida Gargoyle

Jornal "Diário de Lisboa", 2 de Setembro de 1939

quinta-feira, 18 de julho de 2019

O Postalinho...
Nenhum inimigo poderá levar a guerra aérea ao interior da Alemanha


Postal de propaganda britânico lançado no segundo semestre de 1941, na tentativa de dar mostras que a Força Aérea Britânica (RAF) estava activa e a intervir no coração do território inimigo. Um ano antes lutavam pela sobrevivência na Batalha de Inglaterra e agora desferiam golpes dentro da Alemanha.

De facto os ataques aéreos até meio de 1942, quando a RAF passou a dispor de bombardeiros de grande porte, os ataques tinham uma eficácia militar duvidosa, apesar de terem impacto em termos morais.

No postal surgem como personagens as três figuras mais conhecidas do regime Nazi, nomeadamente, Goebels (de pé), Goering e Hitler. O primeiro foi Ministro da Propaganda e surge bastas vezes neste tipo de postais em situações semelhantes, fazendo intervenções que depois são contrariadas pelos ingleses.

Carlos Guerreiro


sexta-feira, 5 de julho de 2019

O incidente do Serpa Pinto (4)
Intercepções, mortes e passageiros retirados de navios portugueses

Comandante Américo dos Santos
(Foto: Sind. dos Capitães, oficiais Pilotos, 
Comissários e Engenheiros da Marinha Mercante)
A intercepção do “Serpa Pinto”, a abordagem e inspeção subsequentes não eram novidade tanto para o Serpa Pinto como para os navios da marinha mercante portuguesa que durante o período da II Guerra Mundial foram alvo de intervenções semelhantes, tanto por unidades de marinha Aliadas como do Eixo.

A 17 de Setembro de 1940 este navio da CCN já tinha sido parado por um patrulha britânico, com Cascais à vista, no regresso de uma viagem ao Brasil. Nessa altura foi obrigado a seguir para Gibraltar onde carga e passageiros foram sujeitos a inspecção minuciosa tendo ficado retidas malas de correio oriundas da ilha de São Vicente, em Cabo Verde, e Funchal, na Madeira.

Reunindo relatórios e informações dispersas por vários arquivos e outras fontes é possível elaborar um quadro onde se assinalam pelo menos 113 intervenções em navios portugueses, tanto mercantes como de pesca ao longo da guerra. Apesar deste número parecer elevado encontramos continuamente novos relatos e relatórios sobre situações idênticas e cremos que este levantamento peca por escasso, razão porque deverá merecer no futuro uma atenção mais cuidada.

Da amostra recolhida até ao momento pode concluir-se que ao longo dos seis anos de conflito apenas 14 das intervenções foram protagonizadas por unidades navais alemãs, sendo que todas eram U-boats. Das que foram realizadas por navios aliados convém destacar que em 53 casos os navios foram não só interceptados, mas também obrigados a seguir para inspecções mais detalhadas em portos como Gibraltar, Dakar, Casablanca ou Cidade do Cabo - entre outros - o que significava normalmente desvios de várias milhas e dias de atraso na viagem, causando importantes prejuízos.

De um modo geral o tempo em porto raramente era inferior a dois dias, mas houve casos bem mais extremos. Entre 14 de Agosto e 27 de Novembro de 1940 o Cunene foi interceptado três vezes por navios aliados durante a viagem de ida e volta aos portos coloniais da África ocidental e oriental. A primeira logo à saída de Lisboa quando um patrulha os fez parar a tiro para verificar os papéis. Já no regresso, a 2 de Novembro, foram interpelados e obrigados a desviar-se para o porto de Gibraltar onde estiveram internados durante 22 dias, período durante o qual esgotaram os abastecimentos de comida e carvão que levavam. Quando finalmente avistaram Lisboa, no dia 26, voltaram a ser bloqueados por um outro patrulha que os autorizou a continuar a viagem após realizar a sua identificação.

Mas há mais exemplos.

A 6 Janeiro de 1943 o Quanza regressava a Lisboa vindo dos portos da África Oriental quando foi interceptado por um avião que o obrigou a voltar para trás e entrar em Freetown, um desvio que acrescentou quatro dias e 600 milhas ao percurso.

Em Abril do ano seguinte o Bailundo regressava de Luanda quando foi obrigado a desviar-se primeiro para Port Etienne, na Mauritânia, - onde foi alvo de uma primeira verificação - e depois, já com militares a bordo, para Gibraltar onde foi alvo de nova inspecção, ainda mais rigorosa. Estas voltas acrescentaram quase uma semana à viagem.

Navio/ Ano
39
40
41
42
43
44
45
África Ocidental

1

1



Alberia


2




Albufeira

1





Alcântara

1





Alferrarede
1
1

1



Alger


1




Alvaiazere



1



Angola



2
1
3
1
Bailundo





2

Bem Aventurado


1




Carvalho Araújo
1
1
1
1



Cassequel

2





Colonial

5


2


Corte Real


1




Cubango

1





Cunene

3





Ganda

1





Gaza


1




Gil Eanes



1



Gorgulho



1



João Belo

5

1

3

Lima

4





Lobito



1



Lourenço Marques

3
4
2



Lugela




2


Malange



1



Mouzinho

5



1

Niassa
2
3

1



Nina


1




Novo Horizonte


1




Pescador



1



Pungue

1



2

Quanza
1
1

7
4
4

San Miguel

1





São Brás



1



São Tomé

1





Saudades

1





Serpa Pinto

1



1
1
Transportador



1



Total intervenções
5
43
13
24
9
16
3
Houve pelo menos 113 intervenções a bordo de navios portugueses. 
A maioria foi protagonizada por navios aliados.

O facto de não controlarem as rotas marítimas de superfície obrigaram os alemães a assumir outro tipo de expediente quando encontravam navios neutros e a ameaça de afundamento não surgia como uma ameaça vã. Por exemplo em 12 de Outubro de 1941 aconteceu ao navio Corte Real uma situação muito semelhante ao do Serpa Pinto, só que a ameaça de destruição concretizou-se, o que dava ao comandante Américo do Santos razões suficientes para acreditar que o seu navio poderia mesmo desaparecer sob as águas.


Vítimas mortais e feridos

Como já foi referido resultaram do incidente ocorrido com o Serpa Pinto três vítimas mortais - dois tripulantes e uma passageira com 16 meses – e também alguns feridos, sendo que dois deles seriam posteriormente indemnizados.

António Ferreira Machado, nascido em 1890, era médico de bordo e realizava o seu primeiro embarque. Vivia com a mulher no Porto e não tinha filhos. Não foi encontrada qualquer descrição sobre as circunstâncias em que morreu, apenas que durante o desembarque caiu à água. O seu corpo não foi recuperado.

O cozinheiro Hermano António, nascido em 1895, terá sido atingido por uma peça da equipagem no momento em que as baleeiras foram lançadas à água. O corpo foi recuperado por um dos salva-vidas e posteriormente seria sepultado no mar. Vivia em Lisboa com a mulher, um filho de 8 anos e criava ainda um sobrinho de quatro.

As famílias de ambos os tripulantes foram indemnizadas pela seguradora da CCN.

As circunstâncias em que faleceu a passageira Beatrice Trapunski também não são claras, mas tudo indica que no momento do embarque para as baleeiras ela caiu à água não voltando a aparecer. Apesar de na lista de passageiros ser referida como tendo nacionalidade polaca, ela tinha nascido em Barcelona a 20 de Janeiro de 1942, cidade onde os pais e uma irmã mais velha estiveram retidos pelas autoridades espanholas durante a fuga para longe da Europa. Na sequência de um processo imposto à CCN, num tribunal em Nova Iorque, foi decidido, em 1948, que a família tinha direito a uma indemnização de 750 dólares.

Para além destas vítimas mortais assinalaram-se também diversos feridos, a maioria com lesões de pouca importância. No entanto o casal Ernest e Marianne Goldsmith, respetivamente com 70 e 59 anos de idade, sofreram contusões consideradas graves e exigiram indemnizações à CCN, que seriam decididas, também em 1948, alcançado o valor de 1000 dólares para cada um.

No regresso da viagem, por ordem do comandante Américo dos Santos, foi realizada uma cerimónia recordada no relatório final: “No regresso, ao passarmos no mesmo local, no dia 18 de Junho pelas 15 horas, parámos o navio e toda a tripulação e passageiros guardaram dois minutos de silêncio em memória d´aqueles que ali pereceram, lançando os tripulantes ao mar uma pequena coroa de flores, e as creanças, num espontâneo quanto impressionante gesto, atiraram pequenos ramos em homenagem à pequenina morta nessa trágica noite.”

Não encontrei registo de vítimas mortais ou feridos noutras intervenções deste tipo ao longo da guerra, mas navegar em navios neutrais não era tão seguro como à primeira vista poderia parecer. Só no Atlântico perderam-se 85 vidas em resultado do afundamento de onze navios nacionais por unidades beligerantes.


Cidadãos retirados de navios portugueses por beligerantes

Os dois homens retirados do Serpa Pinto tinham nascido nos EUA e pertenciam à comunidade portuguesa daquele país. Segundo se percebe pelo relatório do comandante do navio nem saberiam falar inglês, algo que intrigou os marinheiros alemães do U-581.

Tratavam-se de Vergílio Magina e Manuel Pinto.

Magina tinha nascido em 3 de Março de 1921 em New Bedford, no estado do Massachusetts, e era barbeiro de profissão. Pinto, agricultor de profissão, tinha nascido em 9 de Dezembro de 1921, em Blackstone, no estado do Connecticut. Ambos estiveram no submarino até ao dia 22 de Junho, quando este chegou à sua base em Lorient, em França.

Navios/ Ano
39
40
41
42
43
44
África Ocidental

1




Alberia






Albufeira






Alcântara






Alferrarede






Alger






Alvaiazere






Angola



3


Bailundo






Bem Aventurado






Carvalho Araújo
25
1




Cassequel






Colonial

13




Corte Real






Cubango






Cunene






Ganda

1




Gaza






Gil Eanes



1


Gorgulho






João Belo

7

1


Lima

5




Lobito






Lourenço Marques


2



Lugela






Malange






Mouzinho

3




Niassa
9
12




Nina






Novo Horizonte






Pescador






Pungue





1
Quanza

7

1


San Miguel






São Brás






São Tomé






Saudades






Serpa Pinto





2
Transportador






Total cidadãos retirados
34
50
2
6

3

Pelo menos 95 cidadãos estrangeiros foram retirados de navios mercantes portugueses. 
Apenas três foram levados por U-boats alemães.

A retirada de nacionais de países inimigos de navios neutrais não foi uma acção anormal durante a guerra e pelo menos 95 pessoas foram retirada de embarcações portuguesas entre 1939 e 1945. Curiosamente o Serpa Pinto acaba por se destacar porque foi uma das poucas unidades que viu passageiros seus serem retirados por U-boats alemães. Para além destes dois indivíduos apenas um outro foi alvo de uma acção semelhante quando seguia a bordo do Pungue, também em 1944.

Os restantes cidadãos levados por navios beligerantes eram alemães ou suspeitos de colaborar com eles e foram capturados por unidades militares aliadas.

Carlos Guerreiro


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