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sábado, 30 de novembro de 2013

Lançamento de "Lisboa - A Cidade Vista de Fora 1933-1974"

Falarei aqui sobre o livro na próxima terça-feira...

Já vou a meio e posso adiantar que a leitura está a ser muito interessante.

Fica o convite para a apresentação de "Lisboa - A cidade vista de fora 1933-1974", de Neil Lochery. O autor estará presente...

Boas leituras.


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Assinaturas dos primeiros americanos que aterraram em Lisboa

É uma nota britânica de dez xelins assinada por vários pilotos de caça americanos da II Guerra Mundial, e onde estão os nomes dos dois primeiros americanos que aterraram no nosso país, em Novembro de 1942.

A primeira assinatura é de Jack Ilfrey (assinalado com a seta vermelha), que protagonizou uma rocambolesca fuga do Aeroporto de Lisboa, e a outra é de James Harman (segundo nome depois de Ilfrey), que esteve internado no nosso país e acabaria por morrer em combate no Norte de África.

A nota foi-me enviada por Mike Allard, que em Janeiro deste ano tinha enviado uma outra “Short Snorter” com as assinaturas do grupo americano que, em finais de 1943, esteve em Portugal para ensinar a nossa Aeronáutica Militar a voar e a reparar alguns bombardeiros e caças que aqui tinham aterrado nos meses anteriores. Allard procurava especificamente identificar um português que também assinou aquela nota.

As “Short Snorters" fazem parte da história dos primórdios da aviação americana. Quando duas pessoas realizavam viagens aéreas em conjunto assinavam os nomes numa nota de baixo valor que era guardada como recordação.

Neste caso a nota pertencia, segundo informação de Mike Allard, a Clifford D. Molzahn, um dos outros pilotos da 94ª Esquadrilha de Caça da USAAF. As assinaturas terão sido reunidas entre Junho e Agosto de 1942, quando esta esquadrilha esteve baseada em Kirton-in-Lindsey. Meses depois Ilfrey e Harman aterrariam em Lisboa.


A louca fuga de Ilfrey

Em Novembro de 1942 os americanos invadiam o Norte de África, na célebre operação Torch (Tocha). O desembarque deu-se nas zonas francesas de Marrocos e colocaram numa tenaz as forças alemãs de Rommel, exprimidas entre o exército americano e os britânicos de Montgomery que avançavam do Egipto.

Nos dias e semanas seguintes os céus portugueses ficaram saturados de aviões que saiam de Inglaterra em direcção ao Norte de África. Passavam esquadrilhas inteiras e o ronronar dos motores era, por vezes, contínuo durante horas.

Jack Ilfrey.

O Governo de Salazar protestou primeiro com os ingleses. Estes mandaram dizer que os aparelhos eram americanos que, apesar dos protestos, pouco fizeram.

Jack Ilfrey era um dos jovens pilotos que viajava num desses grupos. No dia 15 de Novembro, a sua esquadrilha levantou voo e descreveu um arco pelo atlântico para evitar voar directamente sobre Portugal. A perda de um dos depósitos suplementares que tinha nas asas impossibilitava-o de chegar quer ao Norte de África quer a Gibraltar.

No "briefing", antes da partida, todos os pilotos tinham sido avisados que em Lisboa, uma cidade, junto à boca de um grande rio, existia um aeroporto grande e moderno que permitia uma aterragem segura.

Ilfrey conseguiu encontrá-lo e pousou o seu caça P-38 sem grandes incidentes. Era o primeiro americano a aterrar em Portugal. Convidado a sair do avião foi levado para o edifício principal do aeroporto onde deu de caras com vários pilotos alemães, da Lufthansa, que ali se encontravam.

Segundo me escreveu, e também relatou num livro editado depois da guerra, sentiu-se extremamente desconfortável pelo facto de ser interrogado na frente dos “inimigos”…

Na companhia de um piloto português regressou mais tarde ao seu avião. Rodeado de civis e guardado por autoridades foi sentado aos comandos para explicar o seu funcionamento. O P-38 tinha sido reabastecido e o oficial português pretendia voá-lo até uma base militar portuguesa, mas nunca teria essa possibilidade.

A meio das explicações ouviu-se o ruído de um outro aparelho. No horizonte surgiu outro P-38, aparentemente com problemas num motor. Quando se fez à pista a multidão e os militares a cavalo deixaram Ilfrey e foram para junto da pista.

O americano aproveitou a oportunidade e ligou os motores. O português foi cuspido da asa e o caça com dupla cauda disparou pelo relvado, atravessou as pistas e parou apenas em Gibraltar.

O caso levantou graves problemas diplomáticos entre Portugal e os EUA. Os Ingleses, também parte interessada, meteram água na fervura, mas o incidente veio criar graves problema no relacionamento difícil que já existia com os americanos.


Harman, o primeiro em Elvas

O outro P-38 trazia aos comandos o capitão James Harman que se viu cercado e arrancado do seu aparelho por militares portugueses pouco satisfeitos com o que acabara de acontecer. Mais tarde contaria a Ilfrey que não percebera nada do que se passara, apenas sentira uma grande hostilidade.

James Harman, de óculos escuros, entre estudantes e outros jovens de Elvas.

Esse sentimento iria desaparecer mais tarde em Elvas, local onde passaria o tempo de internamento no nosso país.

Nessa cidade alentejana, onde foi o primeiro piloto a chegar, estabeleceria contacto com um grupo de estudantes portugueses que arranhavam o inglês e estabeleceram laços – alguns duradouros – com vários aviadores que por ali passaram durante o ano de 1943.

Em Abril de 1943 já estava de regresso ao Norte de África e a 17 desse mês seria abatido.

Realizava uma escolta a bombardeiros quando sofreram um ataque de caças alemães. O P-38 que pilotava foi atingido e ele abandonou-o, mas momentos depois um inimigo atacou-o de novo. Harman, suspenso no para-quedas, não teve qualquer hipótese e foi mortalmente atingido. Segundo Ilfrey o seu corpo nunca seria encontrado.

Carlos Guerreiro

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

"Correio da Manhã" recorda desastre com bombardeiro de Faro

70 anos…

No próximo sábado passam 70 anos sobre a aterragem acidentada do bombardeiro americano PB4Y-1 (versão da marinha do B-24) ao largo de Faro.

Quatro dos americanos que sobreviveram ao acidente. 
Lyle Van Hook é o primeiro da esquerda.
Os restantes são Richard L. Trum, John W. Eden e Julian Pierce.

Cinco tripulantes desapareceram no mar e seis foram salvos por três pescadores que se encontravam numa pequena embarcação. O incidente aconteceu de noite, uma noite fria, e não fosse a presença dos portugueses ter-se-iam perdido, possivelmente, mais algumas vidas.

Há mais de uma década consegui juntar – através de videoconferência – o Ti Jaime e Lyle Van Hook. Em Faro estava um dos pescadores e no Arcansas um dos sobreviventes. Traduzi as palavras que um e outro disseram mais de meio século depois dos acontecimentos.

Quando finalmente editei o livro já nenhum estava vivo. É, no entanto, a história deles que abre o livro e foi a busca da história deles que me levou a procurar também outros testemunhos e acontecimentos.

No próximo domingo a revista “Domingo” do Correio da Manhã vai recuperar a história. Sei que para além de mim, também procuraram o contacto com o José Vieira, que encontrou os destroços no mar, e com Michael Pease, que quer construir um monumento para recordar este acto e outros que aconteceram pelo país durante aquele período.

Passaram 70 anos… fica um abraço ao Ti Jaime e ao Lyle.

Carlos Guerreiro

O Postalinho...
Há sempre tempo para um «Port Wine»


Postal impresso na empresa Costa Carregal, no Porto, e provavelmente criado pela comunidade portuguesa ou inglesa daquela cidade.

A quase totalidade da propaganda estrangeira era impressa fora de Portugal e não trazia identificação de gráficas ao contrário desta  faz menção à empresa Costa Carregal, na parte traseira do postal.

E não é de estranhar que a autoria deste postal seja da comunidade inglesa do Porto pois não só parte importante da indústria do vinho do Porto estava em mãos britânicas, como esta comunidade se envolveu fortemente no esforço de guerra, chegando a realizar actividades com o objectivo de recolher fundos para a aquisição de aviões e outro material de guerra.

Com este postal promovia-se não só o sangue frio britânico como também o Vinho do Porto.

Carlos Guerreiro

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Mais fitas sobre o Aeroporto de Cabo Ruivo

 Cabo Ruivo, em Lisboa, foi o primeiro aeroporto internacional “a sério” que o país teve.

Até à inauguração do Aeroporto da Portela de Sacavém, em Outubro de 1942, os aviões “de rodas” aterravam em Sintra, mas a verdadeira porta de entrada da capital Portuguesa era Cabo Ruivo, onde as pessoas juntavam para ver a amaragem no Tejo dos grandes “Clippers” da Pan American, que vinham da América, e de outros hidroaviões que traziam gente e correio dos quatro cantos da Europa.

 

Já em 2010 o “Aterrem em Portugal!” tinha trazido alguns filmes com imagens de Cabo Ruivo e outras do Portugal daqueles tempos, nomeadamente dos refugiados e das movimentações diplomáticas que tiveram lugar no nosso país. Tinham sido captadas em finais de 1942 e princípios de 1943.

No youtube apareceu agora um novo vídeo, com cerca e sete minutos, apenas com imagens do Aeroporto Marítimo Internacional de Cabo Ruivo.

Apesar da legenda indicar que teriam sido captadas em 1941, parece-me que esta película faz parte do mesmo lote de imagens que integram os arquivos americanos… São, no entanto, muito mais completas e no final há até uns momentos no interior do balcão da companhia de aviação americana no nosso país.

Bons voos nas asas da nossa história…
Carlos Guerreiro

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

sábado, 23 de novembro de 2013

Conferência “Os Judeus em Portugal no século XX” em Israel

A Universidade Hebraica de Jerusalém acolhe no dia 26 de Novembro de 2013 uma conferência subordinada ao tema "Os Judeus em Portugal no Século XX", evento organizado pelo Leitorado do Camões, IP e pela embaixada de Portugal naquele país.


A conferência, que se enquadra no programa de Estudos Portugueses e Brasileiros existente na universidade, terá como oradores Irene Flunser Pimentel, da Universidade Nova de Lisboa, Avraham Milgram, historiador do Museu do Holocausto Yad Vashem e Esther Mucznik, vice-presidente da Comunidade Israelita de Lisboa.

"Refugiados judeus na cidade neutral de Lisboa”, "Refugiados judeus em Portugal - uma memória que os portugueses gostam de lembrar” e “Os judeus em Portugal no século XXI", são, respectivamente, os assuntos a abordar nas suas comunicações.

Esta iniciativa tem por principal objectivo proporcionar uma visão mais actual da presença dos judeus em Portugal e da sua integração na sociedade portuguesa.

(informação Instituto Camões)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Dia da memória em Aljezur

Como vem acontecendo nos últimos anos a comunidade alemã reuniu-se no cemitério de Aljezur, junto à campa dos aviadores abatidos durante a II Guerra Mundial, para relembrar os seus mortos no “Volkstrauertag”, o dia da memória.

Criado nos anos 50 este dia tem como objectivo recordar os mortos e todas as vítimas das guerras.



A cerimónia contou com a presença de representantes militares e da Embaixada Alemã em Lisboa, para além de representantes locais e comunidade alemã no Algarve.

Agradeço à Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur o envio das fotografias.

Carlos Guerreiro

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O Postalinho...
O ataque inglês a Taranto


O cartoon é de Leslie Gilbert Ilingworth e foi publicado no Daily Mail, em Novembro logo a seguir ao ataque britânico à base naval italiana de Taranto.

Mussolini é socado pela Marinha Real e, para todos os efeitos, o resultado desta operação foi mesmo um soco não só nos italianos, mas também numa velha teoria que colocava o poder nos mares na dimensão e no poder de fogo de grandes e pesados navios. O pequeno avião surge como uma nova e efectiva ameaça a poderio de séculos.

O ataque teve lugar na noite de 11 para12 de Novembro de 1940 e mostrou a fragilidade dos grandes navios à nova e, relativamente pequena, arma que era o avião.

O ataque britânico foi liderado pelo porta-aviões "Illustrious" que, nesta altura, transportava uns obsoletos biplanos "Swordfish" para realizar o ataque.

Foram utilizadas duas vagas com 12 e 9 aparelhos, respectivamente. Entre a primeira metade estavam armados com torpedos e o resto como bombas. Na segunda quatro transportavam sinalização luminosa e torpedos.

Durante a noite o ataque destruiu depósitos de combustível e outras facilidades no Porto de Taranto onde se encontrava a nata da frota italiana.

Três grandes cruzadores foram atingidos e danificados para além de estragos noutros navios mais pequenos. Os ingleses perderam dois aviões. Num deles morreram os dois tripulantes enquanto do outro piloto e artilheiro foram feitos prisioneiros.

Com esta vitória a Inglaterra, que neste período sofria essencialmente derrotas, pode contar com uma vitória moralizadora enquanto afastava também um grande perigo para a sua frota no mediterrâneo.

A frota italiana era relativamente moderna, apesar de não contar com porta-aviões.

Segundo alguns especialistas os resultados do ataque foram seguidos com muita atenção pelos japoneses que, quase um ano depois, realizaram um ataque muito semelhante mas uma escala muito superior em Pearl Harbor.

Carlos Guerreiro

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Lisboa, cruzamento da vida dos Gerassi

Há cerca de 70 anos, mais precisamente no dia 11 de Novembro de 1943, casavam em Lisboa Helen e Alfred, um casal nascido das coincidências que as guerras sempre encontram para  - além de histórias de morte e de sofrimento - também poder contar histórias de vida.

Tanto um como outro trabalharam para a espionagem britânica ao longo da guerra. Ela fugiu de França em 1940, com rumo incerto, para acabar a trabalhar na Embaixada Britânica em Lisboa.

O casal Gerassi em finais dos anos 40.
(Foto: Patrick Gerassi)
Ele começou por fazer o caminho inverso. Cidadão francês ofereceu-se aos ingleses em Lisboa e partiu para França onde colaborou na organização de uma linha de fuga que terminava em Portugal transportando refugiados, agentes e pilotos aliados abatidos. Foi preso pelos nazis e pela PVDE (antecessora da PIDE), mas saiu sempre ileso.

As histórias de Helen Girvin Balfour e Alfred Gerassi e do seu encontro em Lisboa têm ocupado desde há muito o filho, Patrick, que conseguiu ao longo dos anos reconstituir a vida dos pais durante a 2ª guerra.


Preso duas vezes

O francês Alfred Gerassi ofereceu-se, em Lisboa, para trabalhar com os ingleses em Março de 1941.

Natural de Paris foi enviado para a sua cidade natal com o objectivo de estabelecer uma rota de fuga que permitisse retirar da França ocupada não só refugiados importantes, mas também agentes secretos e pilotos aliados cujos aparelhos tivessem sido abatidos.

As suas actividades tornaram-no suspeito aos olhos dos alemães e a Gestapo deteve-o em Março do ano seguinte. Não teriam muitas provas contra ele e, mantendo o sangue-frio, não conseguiram que fizesse qualquer confissão.

Em Maio foi libertado pelos alemães e voltou às suas actividades, mas agora em Lyon. Regressou a Lisboa em Novembro, mas não ficou parado.

Os serviços secretos britânicos encarregaram-no de organizar uma nova rota de fuga. Esta estendia-se desde a França, passava por Bilbao, em Espanha, e terminava em Lisboa.

Alfred e Helen Gerassi em Lisboa em 1944.
(Foto Patrick Gerassi)
As suas movimentações alertaram a PVDE que também o deteve. Durante nove semanas, em 1944, esteve preso e foi interrogado.

Segundo a nota de recomendação da Medalha de Coragem ao Serviço da Paz, que lhe foi entregue no final da Guerra pelo Rei de Inglaterra, Gerassi voltou a não fazer qualquer denúncia ou confissão.

A documentação recolhida pelo filho assegura que as rotas de fuga criadas por Alfred serviram para fazer sair de França diversos agentes importantes e pessoal da RAF.

Mesmo enquanto esteve detido pela PVDE a rede não cessou a sua actividade até porque da embaixada chegava, como visitante, Helen Girvin Balfour que também era sua mulher…


Uma mulher decidida

Helen foi apanhada em França, onde vivia desde 1929, pela guerra e pela chegada inesperada das forças alemãs em 1940.

Como milhares de outras pessoas rumou primeiro à fronteira franco-espanhola e, sozinha, conseguiu atravessar o país vizinho de comboio, na esperança de chegar a Lisboa e dali partir para o seu país natal, o Reino Unido.

Na fronteira com Portugal um Guardia-Civil ficou-lhe com as economias em troca do direito de passagem para terras lusas. Conseguiu, mesmo assim, chegar ao Porto onde, sem dinheiro, bateu à porta do consulado britânico.

Ficou primeiro espantada e depois desesperada quando o cônsul não lhe oferece qualquer ajuda ou solução para o seu futuro imediato.

Em lágrimas percorre sem rumo algumas ruas do Porto. Não tem dinheiro e não sabe o que fazer a seguir. Para sua surpresa depara-se com dois homens que leem, na rua, o jornal inglês “The Daily Telegraph”.

Aborda-os e conta-lhes as suas últimas desventuras.

Boletim de lactente do filho mais velho do casal Gerassi.
(Foto: Patrick Gerassi)


Os leitores do jornal eram espanhóis, de Jeres, e trabalhavam em Vila Nova de Gaia, nas Caves de Gonzáles Byas. Num inglês quase perfeito prometem ajudar Helen e colocam-na rapidamente num comboio com destino a Lisboa.

Na capital portuguesa consegue reorganizar a vida e começa até a trabalhar na Embaixada Britânica…

Meses mais tarde o consul de Porto deslocou-se a Lisboa e ficou surpreendido por a ver a trabalhar na Embaixada. Preocupado disse-lhe que o deveria ter "avisado" que era conhecida do Embaixador...

Em Maio de 1943 Helen foi uma das últimas pessoas a encontrar-se em Portugal com o actor Leslie Howard, quando este esteve no nosso país para um conjunto de conferências.

Helen era ainda prima do actor que foi um dos protagonista do filme "E tudo o Vento Levou".

No dia 1 de Junho de 1943 Leslie levantou voo do Aeroporto da Portela no Voo777 com destino ao Reino Unido. Treze passageiros e quatro tripulantes desapareceram quando o avião foi abatido pela força Aérea Alemã sobre a Baía da Biscaia.

Foi também em Lisboa que casou com Alfred, em Novembro de 1943, e foi também ali que lhes nasceu o primeiro filho, Jean-Michel ou Juan Miguel, em Fevereiro do ano seguinte.


À procura de respostas

Desde há muito que outro filho do casal, Patrick Gerassi, tenta reconstituir os passos dos pais durante o conturbado período da 2ª guerra Mundial.

Jornalista da BBC foi desenhando, entre documentos, fotografias e memórias, uma imagem cada vez mais clara do que aconteceu no mundo de intrigas onde estes se movimentaram.

Helen com Manuel González Díez, um dos irmãos que a ajudou a chegar a Lisboa depois de muitos contratempos.
(Foto: Patrick Gerassi)
Em Fevereiro deste ano conseguiu dar mais um passo. Tinha a foto de um dos homens que ajudara a mãe quando ela chegara desamparada ao Porto. Como sabia que eles eram de Jerez, enviou a imagem para um jornal dessa cidade andaluza na esperança de que alguém o conseguisse identificar.

Os arquivos da casa Byas trouxeram a resposta.

Tratava-se de Manuel González Díez, filho de um marquês andaluz, que durante duas décadas geriu as caves Byas no Porto.

Apesar de ter falecido em 1991, a esposa ainda é viva. Razão suficiente para Patrick – que neste momento vive na Galiza – se meter à estrada com a esperança de descobrir um pouco mais da sua história…

Carlos Guerreiro

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Conversas sobre Propaganda e Guerra

O tema da Propaganda e a Guerra durante o século XX vão estar em destaque durante a próxima semana numa conferência internacional que reúne em Lisboa dezenas de especialistas portugueses e estrangeiros.

Entre segunda e terça-feira vão ser abordadas temáticas sobre a propaganda nas duas guerras mundiais, no período entre guerras e na guerra fria, para além alguns de conflitos nacionais como a guerra do ultramar.


Na segunda os especialistas vão concentrar-se mais na primeira metade do século XX. Uma metade um pouco mais curta pois terminará na Guerra Civil de Espanha.

A terça-feira arrancará depois com o período da II Guerra Mundial e prosseguirá pelas décadas seguintes até à Guerra do Golfo, por exemplo.

Obviamente serão também analisadas temáticas relacionadas com a estética, cinema, imagem etc…

Esta conferência internacional realiza-se na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa. O programa completo pode ser encontrado na AGENDA do blogue ou AQUI

No final da semana realiza-se também a primeira edição das Conversas de Guerra.

Na sexta-feira à noite e no sábado, durante a tarde, fala-se sobre a campanha do pacífico.


Nesse sentido vão ser apresentadas algumas comunicações relacionadas com o fardamento, a aviação e o equipamento militar utilizado.

Muito interessante serÁ, no sábado, a intervenção do Coronel Luís Albuquerque que vai conversar sobre o material de guerra japonês que foi apreendido em Timor no final da II Guerra Mundial…

O programa completo também pode ser encontrado na nossa AGENDA

Há várias razões para sair de casa…

Carlos Guerreiro

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Livros...
Espiões em Portugal durante a II Guerra Mundial

A espionagem em Portugal durante a 2ª Guerra Mundial é o tema central do novo livro de Irene Pimentel que, para completar estas cerca de 400 páginas, consultou arquivos britânicos, americanos, alemães e portugueses.

O resultado desse trabalho é apresentado esta tarde em Lisboa, por volta das 18.30 horas, na Fnac do Chiado.

Esta nova obra “Espiões em Portugal durante a II Guerra Mundial” percorre – como a autora própria reconhece - um caminho já muito explorado por outros livros e autores que nas últimas décadas têm investigado este tema, mas o assunto da espionagem é, e continuará a ser, inesgotável.

Todos os dias surgem novas fontes e novos dados que individualmente ou cruzados com material já existente ajudam a redescobrir histórias ou a reescrevê-las.


Por Lisboa, a capital neutral de uma Europa em guerra, passaram muitas personalidades que renasceram no pós-guerra como personagens de ficção, tão fantásticas e inacreditáveis tinham sido as suas aventuras.

Encaixam perfeitamente nesta descrição os agentes duplos Trycicle ou Garbo, elementos fundamentais de um logro montado pelos britânicos que desviaram as atenções das praias da Normandia no Dia D. Tanto um como outro não só passaram por Lisboa, como a cidade foi um importante centro para as suas actividades.

É com a história da operação “Fortitude”, que envolveu os dois agentes já referidos, que o novo livro de Irene Pimentel arranca. Dessas primeiras páginas seguimos depois por outros caminhos.

Um resumo dos vários capítulos é apresentado logo no prefácio.

É esse resumo que aqui fica:

“O capítulo I, de apresentação das principais redes de espionagem e de Informação, britânicas e alemãs, aborda assim o período desde os anos trinta e 1940, com uma caracterização do regime salazarista, bem como breves referências à tentativa de internacionalização do fascismo e do nacional-socialismo em Portugal, o início da II Guerra Mundial e a neutralidade portuguesa. Segue-se o capítulo II, que cobre os anos de 1940 e 1941, este último o «de toda» a colaboração luso-alemã, tratando do início da actuação em Portugal das redes de propaganda e espionagem dos dois campos beligerantes, Inglaterra e Alemanha, respectivamente, o SIS/MI6, no primeiro caso, e a Abwehr e a Gestapo-SD, no último caso.

É ainda referida a actuação da Legião Portuguesa, questionando se esta era a rede de Intelligence e de contra-espionagem portuguesa.

O capítulo III trata da actuação em Portugal, em 1941 e 1942, das redes britânicas MI 9 e SOE-rede Shell, bem como o relacionamento desta última com a LP, por um lado, e das redes da Abwehr e da Gestapo/SD em solo português, nomeadamente, bem como o relacionamento destas últimas com a PVDE. Segue-se o capítulo IV, que aborda o ano de 1942, difícil para o relacionamento luso-britânico, devido ao desmantelamento da rede Shell, num período em que, do lado alemão, então com preponderância e maior liberdade de actuação, a Abwehr lança campanhas de desinformação contra os britânicos e denuncia as suas organização à PVDE.

São ainda referidas a resistência e colaboração de refugiados, judeus portugueses e comunistas alemães com as redes aliadas, em particular com a francesa e soviética. O capítulo V, sai um pouco da cronologia, pois ocupa-se da actuação dos serviços secretos franceses e norte-americano em Portugal, num período mais alargado entre os anos 40, em particular entre 1942 e 1944.

A segunda parte do livro cobre o período entre 1943 e 1945. No capítulo VI, «A caminho da vitória aliada», é tratada a reacção e retaliação dos britânicos contra o desmantelamento das suas redes, em 1941 e 1942, denunciando, por seu turno, as alemãs, actuantes em solo português. Este capítulo, cujo arco temporal é sobretudo o ano de 1943, “sai” de Portugal continental, fazendo incursões geográficas pelos Açores e por outras locais não-europeus de África e da Índia, sob administração portuguesa, nomeadamente por Moçambique e Mormugão.

Termina com uma análise de Lisboa enquanto plataforma de negociações entre personalidades do Eixo, com os Aliados ocidentais, com vista à assinatura de uma paz unilateral com estes. O capítulo VII dá conta, em 1943 e 1944, do conhecimento e desmantelamento, em Portugal, com a ajuda dos britânicos, das quatro redes alemãs, da Abwehr e da Gestapo. Segue-se o capítulo VIII, sobre os espiões duplos do Double Cross (XX) Committee, de «Snow» - o primeiro espião duplo dos britânicos - a «Garbo» e «Tricycle», passando por «Zig Zag» e «Artist», que actuaram em Portugal e tiveram um papel importantíssimo no apoio ao desembarque aliado na Normandia, em Junho de 1944.

Finalmente, o capítulo IX aborda os últimos dois anos da guerra, 1944 e 1945, analisando questões como o embargo do volfrâmio pelo governo português, o trágico rapto de Jebsen («Artist»), bem como o encarceramento deste último e da jornalista alemã Pedtra Vermehren em campos de concentração alemães, onde o primeiro acabaria por ser assassinado.

Num período em que a Abwehr, com a queda em desgraça do almirante Canaris, é integrada na estrutura da Gestapo-SD, apenas esta ainda opera em Portugal, mas os seus elementos, bem como os seus cúmplices portugueses são expulso e presos pelo governo salazarista, quando no horizonte se vê o final da guerra, marcada pela derrota dos nazi-fascistas. No final da guerra, é tempo de os serviços secretos britânicos e norte-americanos, cujo destino é brevemente apontado, interrogarem os espiões alemães, presos, e conhecer a composição das suas redes.

O livro termina com um «Epílogo, onde se inclui a vitória aliada e o fim do SD em Portugal, e é abordado um episódio, já na guerra-fria, que remete para a alegada actuação de redes comunistas durante a II Guerra Mundial e revela a hegemonia mundial do mundo ocidental pelos EUA, acertando baterias contra o novo inimigo – a União Soviética.”

Boas leituras

Carlos Guerreiro

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A Guerra na Madeira apresentada em Lisboa

Um acrescento à agenda deste mês e para hoje.

Em Lisboa apresenta-se hoje o livro “A Madeira na Segunda Guerra Mundial” de João Abel de Freitas.


A apresentação tem lugar no Bar da Ordem dos Engenheiros, na Rua António Augusto de Aguiar, em Lisboa…

 Boas Leituras
Carlos Guerreiro

«Escaparate de Utilidades»
Penteados Clipper da América

Jornal "Diário de Lisboa", 11 de Novembro de 1943

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Nova Iorque lembra Sousa Mendes

Sousa Mendes será figura central no Simpósio "Portugal e a Crise de Refugiados Judeus Durante a Crise da Segunda Guerra Mundial" que se realiza no domingo, em Nova Iorque, adianta a Agência Lusa.
Partida do navio Niassa do porto de Lisboa.

As histórias dos que passaram por Lisboa como refugiados e a acção de Aristides de Sousa Mendes, em Bordéus, vão estar no centro deste encontro que conta com a participação de diversos especialistas portugueses e estrangeiros.

Entre os convidados estão, por exemplo, Louis-Philip Mendes, neto de Sousa Mendes e a historiadora portuguesa Margarida Magalhães Ramalho.

O PROGRAMA encerra com a exibição do filme de 1994 “Lisboa, porto de Esperança” (Lisbon: Harbour of Hope).

"O objectivo é chamar a atenção para Portugal enquanto abrigo para os refugiados durante a Segunda Guerra Mundial e falar do papel de Aristides de Sousa Mendes na passagem segura de todos os que fugiam do holocausto", explicou à Lusa Olivia Mattis, vice-presidente da Fundação Sousa Mendes, uma das organizadoras do evento.

Além da Fundação Sousa Mendes, o evento é também organizado pelo "Center for Jewish History", o "Instituto Leo Baeck" e a "American Sephardi Federation".

Carlos Guerreiro com Lusa

O Postalinho...
Aviador Nazi ao telefone com Goebbels


O cartoon é de um artista britânico conhecido por Kem (Kimon Evan Marengo), mas não foi possível confirmar a data da publicação original.

Kem foi responsável pela edição de vários livros e participou também nas publicações de outros autores, e é por isso possível que este cartoon tenha sido publicado numa dessas experiências.

O desenho terá sido publicado, possivelmente, em finais de 1940 ou princípios de 1941, após o fim da Batalha de Inglaterra, quando a força área alemã, a Luftwaffe, tentou destruir os homólogos britânicos da RAF, para permitir a invasão da ilha.

Goebbels, o Ministro da Propaganda do Reich, prometera que a Luftwaffe chegaria a todo o lado em Inglaterra, destruír a ilha e movimentar-se como e para onde quisessem.

As coisas não correram bem assim…

Carlos Guerreiro