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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

«Escaparate de Utilidades»
Casa Costa Lda.

Jornal "Diário de Lisboa", 20 de Dezembro de 1939

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

«Escaparate de Utilidades»
Atlas, o melhor Calçado

Programa Cinema São João, 15 Dezembro 1941

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Novo documentário sobre Sousa Mendes

Um novo documentários sobre Aristides de Sousa Mendes, que está a ser realizado na Argentina, deverá estrear até ao final do ano no Festival de Direitos Humanos.

O filme está a ser realizado por Victor Lopes, um luso-descendente, e tem como protagonistas os actores Melissa Zwanck e Nahuel Padrevecchi.

O realizador referiu recentemente num comunicado que a história de Sousa Mendes é praticamente desconhecida na América do Sul, mas que, enquanto descendente de portugueses, se sente orgulhoso da acção do ex-cônsul de Bordéus: "Aristides foi um homem como qualquer outro, só que numa dessas encruzilhadas onde a vida nos costuma colocar não reagiu como a maioria".

"Para Aristides teria sido muito fácil desocupar com o exército ou a polícia os jardins da Embaixada que, naquela altura, estavam cheios de homens, mulheres e crianças perseguidos em busca de um salvo-conduto que os levasse para o porto de Lisboa, no entanto, ele não o fez... O que faria eu? O que faria você? O que fariam os embaixadores actuais de Portugal à volta do mundo?", questiona Victor Lopes.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Lançamento de "Estoril" no Hotel Palácio

O livro "Estoril" de Dejan Tiago Stankovic é lançado esta tarde no Hotel Estoril Palácio, no Estoril, um espaço que é também palco de vários acontecimentos relatados na obra.

"Estoril", que já foi premiado pela Academia de Belgrado, passa-se em Portugal durante a II Guerra Mundial e mistura acontecimentos reais com ficção tendo como figura central o espião Dusko Popov, aliás "Tricycle", um agente duplo que trabalhou para alemães e britânicos e que teve papel fundamental na rede montada para desviar as atenções dos nazis da Normandia no Dia D.

Popov, uma personagem bem real, passou várias vezes por Portugal e o autor, também de origem Sérvia, conseguiu localizar no nosso país uma mala com alguns pertences desta personalidade que segundo vários especialistas foi a inspiração para o 007, de Ian Fleming. Popov era um mulherengo, jogador e gastou fortunas nas voltas da guerra.

O livro incluí também outros nomes sonantes que passaram pelo Estoril durante a guerra, nomeadamente, Jean Renoir, os Rothschild, os Habsburgos, Eduardo VIII, Saint-Exupéry, o deposto rei Carol II da Roménia, Salvador Dali, Marc Chagall, Zsa Zsa Gábor, o campeão mundial de xadrez russo Alexander Alekhine entre outros.


Mais logo às 18.30 no Hotel Estoril... Também vou estar por lá.

Carlos Guerreiro

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Localizado novo tripulante do Lancaster de Vila Chã

Através das redes sociais foi possível contactar o neto do Sargento Gordon Edward Deschaine, um dos tripulantes, do bombardeiro britânico Lancaster, que aterrou de emergência em Vila Chã, perto de Vila do Conde.

O sargento Gordon Edward Deschaine, 
um dos tripulantes que aterrou em Vila Chã em 1943.

Infelizmente o veterano encontra-se muito doente com Alzheimer, mas continuam os contactos com a família no sentido de trocarmos mais informação.

Um ano depois da inauguração em Vila Chã de um memorial recordando a aterragem forçada do bombardeiro continuam a surgir novidades.

O trabalho realizado especialmente pelo Bruno Costa que produziu o vídeo reconstituindo o acontecimento, colaborou na criação do memorial e de um espaço no museu local, continua a dar frutos.

Recordo que já tinha sido possível localizar o filho do piloto Stanley Jones e o sobrinho do artilheiro Charles Smith Cook, que também esteve presente na cerimónia de inauguração do monumento.

Carlos Guerreiro

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

O Postalinho...
Uma Fanfarronada Alemã


Postal de propaganda britânico possivelmente dos finais de 1941, numa altura em que os EUA ainda não estavam oficialmente em guerra, mas já forneciam material bélico ao Reino Unido e aos seus aliados.

Até ao ataque a Pearl Harbour, em Dezembro de 1941, os EUA não eram oficialmente beligerantes, mas forneciam toneladas de material tanto à Comonwealth como à União Soviética, todos envolvidos na guerra contra o Eixo Berlim-Roma.

Esta política de fornecimento de material - num sistema de leasing - teve no presidente Roosevelt o principal defensor e permitiu que a indústria americana - cedo baptizada como arsenal da democracia - se adaptasse ao ritmo de guerra permitindo uma rápida conversão quando os EUA foram mesmo obrigados a entrar em combate. 

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Os jornalistas anglo-americanos e a censura

Durante a II Guerra Mundial a censura às notícias recaía sobre a imprensa portuguesa, mas também sobre os correspondentes estrangeiros sediados em Lisboa e o não cumprimento das normas podia conduzir à expulsão dos jornalistas como aconteceu, pelo menos, por duas vezes entre 1939 e 1945, nomeadamente nos casos de Walter Lucas, do "Times", e Cezare Rivelli, do "Gazeta Del Popolo" .


As notícias que deveriam seguir para os quatro cantos do mundo passavam por um processo longo e penoso ainda dentro de Portugal. Basta dizer que falar línguas não era um atributo habitual entre os censores e que cada palavra dos despachos noticiosos tinha de ser traduzida antes de seguir por “cabograma” ou telefone até à sede das publicações.

Em 1942 a situação era tão complicada que os correspondentes anglo-americanos fizeram uma exposição às autoridades portuguesas e aos representantes dos seus países em Lisboa. O documento lista dificuldades e episódios que enfrentavam com frequência e que gostavam de ver ultrapassados.

Estas queixas foram enviadas para o Secretariado da Propaganda Nacional e o seu director, António Ferro, parece ter dado alguma importância ao tema porque reencaminhou a nota para o Ministério do Interior, Mário País de Sousa.

Fica a transcrição do documento:


NOTAS SOBRE A CENSURA

Os correspondentes anglo-americanos em Lisboa chamam a atenção para os seguintes pontos sobre o trabalho da censura –

1 – Enquanto os correspondentes do Eixo gozam de facilidades especiais, devidas à sua situação (muitos deles mantêm posições diplomáticas, a maior parte utiliza as suas Legações para enviar notícias pelo correio e telefona livremente de suas casas ou dos quartos de Hotel) os correspondentes anglo-americanos estão sujeitos a uma censura rígida que torna a sua posição cada vez mais difícil em face dos jornalistas do Eixo; o encarregado da censura aos cabogramas não sabe inglês suficiente para interpretar cabogramas ou para compreender completamente os telegramas que censura.

2 – Os censores não compreendem que os jornalistas do Eixo estão a trabalhar sob a égide dos seus governos e recebendo instruções suas, ao passo que os correspondentes anglo-americanos e os seus jornais são agora – como eram antes da guerra – completamente livres; livres até ao ponto de que nenhum correspondente jamais recebeu instruções para escrever pró ou contra o Eixo, mas apenas para colher e enviar notícias, porque o envio de notícias é a sua única função.

3 – Portanto, quando os telegramas em inglês têm de ser traduzidos para português para benefício dos censores, estes deveriam ter presente que o texto inglês se destina a leitores ingleses e americanos, com mentalidade inglesa ou americana e que a tradução não deveria ser lida pelo censor como se se destinasse a ser publicada em português ou lida por portugueses.

4 – O dever do censor, na nossa opinião, seria saber o inglês bastante para poder ler relatos telegráficos enviados pelos correspondentes e compreende-los completamente.

5 – Acontece muitas vezes que um longo relato é prejudicado porque em algumas partes do corpo do cabograma está um nome ou um facto que os censores não desejam deixar passar. Compreende-se perfeitamente que os censores cortem o telegrama segundo as suas instruções, mas lamenta-se que eles não recebam instruções para cortar apenas o passo transgredido e não “matar” completamente todo o relato. Por outras palavras, pede-se para que eles leiam através do texto completo de qualquer telegrama submetido, marquem ou cortem a palavra, frase ou parágrafo a que se possa fazer excepção e devolver a cópia para que o resto ou o telegrama possa ser expedido.

Como exemplo da queixa acima, a chegada do Ministro da Itália a Lisboa (um assunto de notícia perfeitamente permitido enviar para o estrangeiro) foi cortado nos relatos de vários correspondentes, justamente porque aconteceu estar no corpo dum longo telegrama tratando de muitos assuntos.

A exposição acima aparece como um simples pedido a fazer, mas, se for compreendido, evitará muitos incómodos, poupará aos correspondentes longas horas de trabalho e de recopia e faria a censura parecer mais imparcial e neutral.

6 – Como longas horas de trabalho dos correspondentes têm provado muitas vezes ser um esforço inútil quando a sua cópia é “morta” pelo censor, os correspondentes muitos apreciariam que lhes fosse dada uma lista onde se mostrasse os assuntos a que nenhuma referência deveria ser feita nos seus relatos: uma lista que fosse revista periodicamente. Isto pouparia tempo e incómodo aos censores e pouparia tempo, incómodo e despesa aos correspondentes. Isto faz-se, com efeito, na Inglaterra, América, Itália e Alemanha: na Inglaterra é conhecido por notícias “D”.

7 – Há algum tempo, a censura reduziu as horas para aceitação das cópias não traduzidas. Fez-se uma tentativa de adaptação, pelo que uma cópia com tradução apenas devia ser entregue entre as 12/30 e 17/30 e depois da meia noite por diante.

Já se fez salientar (3) que as traduções são um método que não satisfaz de interpretar a intenção dos telegramas redigidos em inglês. Nota-se também que, até que qualquer mudança tenha sido feita nesta disposição, se estabeleça como pura medida temporária.

Salienta-se também que muitos jornais ingleses e americanos trabalham com grande urgência durante as horas acima mencionadas e que as dificuldades e o trabalho perdido em fornecer essas traduções são um perfeito embaraço para os correspondentes destes jornais.


Carlos Guerreiro

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Histórias na tela

O Espaço Memória dos Exílios inicia esta noite mais um ciclo de filmes dedicados à temática da II Guerra Mundial. As fitas, de entrada gratuita, são ainda tema de debate após a exibição contando com a presença de convidados especiais para esse efeito.


O ciclo abre com "O Filho de Saul" de Laszlo Nemes. O filme começa às 21.00 horas e será comentado por José Manuel Fernandes. Amanhã, dia 15, a sessão começa às 15.30 horas, com o filme "Caçadores de Obras Primas" sobre a unidade especial que os americanos organizaram com o objetivo de descobrir as obras de arte roubadas pelos nazis aos longo da guerra.

Os comentários estão a cargo de Cláudia Ninhos. Nos próximos dois fins de semana, a cada sábado (22 e 29 de Outubro) pode assistir aos filmes "A Queda - As últimas Horas de Hitler" e "O Longo Caminho para Casa" com comentários de Ricardo Silva e Isabel Gil, respetivamente. As sessões estão marcada para as 15.30 horas.

Não esqueça que existem outras coisas para fazer e que, até Dezembro, existem também duas exposições na zona de Lisboa que valem a penas serem visitadas. Para saber mais pode consultar a nossa AGENDA.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Portugueses na Divisão Azul tema de encontro

No próximo sábado, às 16 horas, o Espaço Memória dos Exílios vai receber o Ricardo Silva para falar sobre a Divisão Azul e dois naturais de Cascais que integraram essa unidade de voluntários formada em Espanha para combater na União Soviética.

Estarei também por lá para iniciar a sessão e depois para moderar a conversa que se segue…

Fica encontro marcado.



Sinopse da iniciativa:

Integrada na rubrica "Debates nos Exílios" realiza-se uma palestra por Ricardo Silva, na qual será contada a história de dois cascalenses: Alberto Alves e João da Cunha, figuras que inseriram a Divisão Azul. No dia 24 de agosto de 1941 , Hitler terá aprovado o "uso" de voluntários espanhóis a enviar para a frente de Leste, durante a Segunda Guerra Mundial.

A Divisão Azul, como assim era chamada, era constituída por combatentes voluntários que se alistavam em Espanha e que provinham maioritariamente da Legião Espanhola e que participaram na cruzada de 1936-1939. Desses , 159 voluntários eram portugueses e participaram naquela que foi a maior operação militar de todos os tempos: a invasão da União Soviética pelas forças da Alemanha nazi.

É esta participação activa de portugueses ignorada pela historiografia portuguesa, que vamos debater. Identificar os homens pelos seus nomes e dar rostos concretos a inúmeras histórias, numa reconstituição que só foi possível graças ao laborioso trabalho de investigação levado a cabo por Ricardo Silva, mestre em História Contemporânea pela Universidade Nova de Lisboa e autor da tese Portugueses na Wehrmacht, "Os voluntários da Divisão Azul". (1941-1944).

Carlos Guerreiro

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Livros ...
O Comboio do Luxemburgo

O Festival Literário Internacional de Óbidos recebe esta tarde, às 18.30 horas, a apresentação d’ O Comboio de Luxemburgo, o novo livro das historiadoras Irene Pimentel e Margarida de Magalhães Ramalho. No dia 6 de Outubro será a vez da Fnac do Chiado receber uma iniciativa semelhante.

Pode adquirir "O Comboio do Luxemburgo" aqui.

Esta nova obra conta o caso de um comboio de refugiados judeus que em 1940 foi impedido de passar pela fronteira pelas autoridades portuguesas. Meia centena destes passageiros morreu em Auschwitz.

Fica sinopse oficial do livro:

Um livro que revela que nem todos os refugiados da Segunda Guerra Mundial se conseguiram salvar através de Portugal. A 7 de Novembro de 1940 partiu do Luxemburgo, país onde o nazismo tentou fabricar o primeiro país "livre de judeus", um comboio com 293 passageiros que tinha Portugal como destino. Mas ao contrário de outros comboios com judeus em fuga, não foi dada autorização na fronteira de Vilar Formoso para que entrasse no país.

Os refugiados ficaram mais de uma semana fechados nas carruagens, numa atmosfera desumana, sujeitos a um frio intenso e alimentando-se do pouco que a população pobre da zona tinha para lhes oferecer: pão, café e, por vezes, sopa. Ao fim de cerca de dez dias, o impasse foi quebrado. Já com as negociações em curso para instalar os judeus no Luso, o governo de Salazar negou-lhes a entrada em Portugal, empurrando-os assim para uma morte mais do que provável.

De regresso a França, estiveram ainda vários dias confinados ao comboio até os alemães decidirem interná-los em Mousserroles, perto de Baiona, num antigo campo de internamento. Libertados meses depois, alguns conseguiram partir para outras paragens e outros acabaram por ficar na França do regime de Vichy - destes, poucos sobreviveram aos campos de extermínio.

Mas porque foram os refugiados impedidos de entrar em Portugal? Após a análise de documentos inéditos e de entrevistas a sobreviventes e seus familiares, as historiadoras Irene Flunser Pimentel e Margarida de Magalhães Ramalho explicam-nos as razões deste acontecimento histórico muito pouco conhecido que deixa cair por terra a ideia de que Portugal, na figura do seu chefe de Governo, António de Oliveira Salazar, acolhia todos os refugiados da Segunda Guerra Mundial. 

Num momento em que vivemos tempos conturbados e assistimos diariamente ao drama dos refugiados que procuram escapar à guerra e à morte, O Comboio do Luxemburgo é uma obra essencial para compreender o passado e o presente da Europa, fazendo-nos também reflectir sobre o pode acontecer caso os refugiados actuais não sejam acolhidos.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Concurso escolar "Contar o Holocausto"

O concurso escolar “Contar o Holocausto” é uma iniciativa promovida pela Associação Memoshoá – Associação Memória e Ensino do Holocausto (Memoshoá), em parceria com a Direção-Geral da Educação (DGE).

O Concurso é dirigido a alunos do 3.º ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário.

Para mais informações consulte o site www.memoshoa.pt
.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Refugiados em debate

Sábado às 15.30h, no Espaço Memória dos Exílios, no Estoril, recebe o debate "O Holocausto na Europa: os refugiados dos XX e XXI"...

A mesa é composta por Maria Teresa Tito de Morais, presidente do Conselho Português para os Refugiados; Irene Pimentel. historiadora; Mário Ribeiro, Alto Comissariado para as Migrações e Nuno Féliz, Associação Famílias como as Nossas.

O Postalinho...
A Alemanha é senhora dos mares


Postal de propaganda britânico de 1941 ou 1942 – altura em que ocuparam Tobruk – e que utiliza um grafismo simples para mostrar não só a resiliência frente aos alemães, mas também a extensão das operações militares naquela altura do conflito.

A vitória aérea na Batalha de Inglaterra em 1940 tinha dado aos britânicos uma confiança renovada, mas era na Marinha Real que residia a crença numa vitória desde 1939 e, para além dos submarinos, a presença de navios alemães no mar depressa se restringiu às zonas costeiras. 

Carlos Guerreiro

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Poemas do gueto de Varsóvia

Hoje, pelas 18 horas, no Museu do Aljube, pode assistir à apresentação "A Morte Demora Antes de Chegar - Poemas do gueto de Varsóvia", a primeira tradução portuguesa de poemas que foram encontrados em 1946 enterrados no gueto de Varsóvia durante a II Guerra Mundial.



Os poemas, em iídiche, foram encontrados em Setembro de 1946 por uma equipa que os desenterrou de entre os escombros. Foram escritos por várias pessoas encarceradas durante anos no gueto. Apresentação será feita por Bruno Monteiro e Vera San Payo de Lemos.

Os poemas serão declamados por Alexandre Pieroni Calado. No próximo sábado pelas 15 horas o Espaço memória dos Exílios, no Estoril, será palco para uma palestra/ seminário onde se recorda o centenário do lançamento da primeira pedra do Casino Estoril.

Boas saída...
Carlos Guerreiro

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Fitas para um ano…

São três filmes baseados em histórias reais da II Guerra Mundial. Até ao final do ano esperam-se as estreias de dois deles e para meio de 2017 está marcado outro lançamento que promete dar que falar.

"Hacksaw Ridge", realizado por Mel Gibson, deve estrear em Novembro.
Na próxima semana é lançado no Reino Unido o filme "Anthropoid". Trata-se do nome de um operação de comandos checoslovacos que em fins de maio de 1942 abateram Reinhard Heydrich, oficial SS e Governador da Boémia e Morávia (actuais repúblicas Checa e Eslovaca).

Apontado como um dos principais arquitectos da solução final, Heydrich foi uma das personagens mais sombrias do regime nazi. Após a sua chegada à Checoslováquia fez tudo para destruir a cultura do país e fomentou as acções das Einzatstruppen (esquadrões de assassínio) no ataque à resistência local.


O ataque conduzido por dois comandos, treinados em Inglaterra e lançados de para-quedas, aconteceu após meses de preparação, mas nem tudo correu bem. Uma das armas encravou e Heydrich ficou apenas ferido. Foi a infecção, desencadeada pelos ferimentos, que o matou dias mais tarde.

É a preparação da operação e a perseguição que se seguiu que são retratadas neste filme que já conheceu estreias em alguns países - incluindo os EUA – e onde as críticas têm sido contraditórias. Vamos ver se chega cá...

Para Novembro anuncia-se o lançamento de "Hacksaw Ridge", realizado por Mel Gibson, que recupera a fabulosa história de Desmond Doss, o primeiro americano a receber a Medalha de Honra, apesar de se recusar a pegar em armas ou matar inimigos.

Objector de consciência alistou-se de forma voluntário nas forças armadas americanas onde integrou o corpo médico. Apesar da desconfiança dos camaradas entrou na linha da frente do Pacífico nos princípios de 1945 salvando, sozinho, dezenas de soldados americanos – há quem afirme que foram mais de cem. Doss seria ferido mais tarde nas pernas e num braço, mas mesmo assim continuou a olhar pelos outros até sair pelo próprio pé do campo de batalha.


Para além da história o filme também é esperado com expectativa pois trata-se do regresso de Mel Gibson ao mundo do cinema depois de um período muito complicado da sua vida.

Desconheço, por agora, a data de estreia em Portugal. Fica o “trailer” e também um entrevista a Doss - falecido em 2006 - onde conta a sua versão dos acontecimentos.


Para o fim fica o primeiro “trailer” do mais recente projecto do realizador Christopher Nolan e que só estreia em Junho do próximo ano. “Dunquerque” conta a história da retirada das forças britânicas de França após o ataque esmagador das forças alemãs em 1940.


Bons Filmes…

CarlosGuerreiro

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Aljezur na II Guerra Mundial

A revista "Notícias Magazine" trouxe, no último fim-de-semana, uma interessante reportagem sobre o período da II Guerra Mundial em Aljezur.


A reportagem foi agora colocado on-line e pode ser lida AQUI...

Vale a pena.

Boas leituras.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Dora, o navio do inferno

Sabe V. EXª o que de vergonhoso se está passando à volta dos desgraçados refugiados do vapor Dora?

Se não sabe é conveniente que V. Exª se informe directamente e termine, de vez, com, um espectáculo que está envergonhando e desprestigiando o nosso país aos olhos de estranhos.

À volta desses infelizes, cujos únicos crimes são os de alguns serem ricos e todos judeus, tem-se agitado um bando de abutres. É que alguns deles ainda têm consigo uns milhares de dólares escapados à rapina.

Esse bando, em que já se inscreveram entidades de certo relevo e responsabilidades sociais, só largará aqueles infelizes velhos, mulheres e crianças quando estes, já exaustos, nada mais tenham para ser roubado.

Porque não se deixa partir aquela gente? Porque se levantam mil e uma dificuldades à legalização da sua situação? Porque prendem e não deixam em liberdade tratar da regularização dos seus papeis para poderes deixar o país? Porque isso convém ao bando que não se farta só com as grossas somas que já lhe extorquiu.

(…)

Snr. Presidente do Conselho:

(…) é indispensável que V. Exª intervenha imediatamente e varra do povoado a alcateia de lobos que farejam a presa inofensiva e indefesa.

Feito isto, terá V. Exª prestado mais um altíssimo serviço em prol do prestígio da nossa terra.

Um Português


O Navio Dora
(Foto: Dodenschip Dora)
Datada de 12 de Agosto de 1940 esta carta anónima, enviada a Oliveira Salazar, denuncia um dos muitos dramas que no Verão de 1940 tiveram lugar às portas de Lisboa, numa altura em que Milhares de refugiados viram na capital portuguesa o refúgio momentâneo para uma Europa que mergulhava definitivamente na guerra.

O Dora era um pequeno cargueiro com bandeira panamiana, propriedade de um armador grego, e que desde 1939 estava envolvido no transporte ilegal de Judeus da Europa para a Palestina e outros destinos no norte de África. Foi com o objectivo de chegar a Casablanca que, no dia 2 de Julho de 1940 saiu do porto de Cette, perto de Bordéus, onde fora fretado à pressa por um grupo de meia centena de refugiados que queriam fugir às tropas de Hitler.

Graças aos inesperados da guerra a viagem iria ser mais curta. Na rota do Dora agigantou-se o combate de morte entre as frotas inglesa e francesa. A 3 de Julho os britânicos atacaram os navios franceses amarados no porto de Mers-el-Kébir, no Norte de África, e destruíram a frota. Uma ação executada por ordem directa de Churchill que temia que os alemães se apropriassem dos vasos de guerra e ganhassem força no mar. Morreram cerca de 1300 marinheiros franceses e 300 outros ficaram feridos.

A tensão no mediterrâneo disparava e a rota do pequeno Dora passava pelo meio da contenda e foi tomada a decisão de não fazer esse caminho. Pouco depois de terem partido de França entravam no porto de Lisboa, onde as autoridades proibiram o desembarque dos 46 passageiros, enquanto estes não conseguissem vistos para prosseguir viagem para outros destinos.

Entre os refugiados encontravam-se os banqueiros Haim Bernstein com dez familiares, o banqueiro polaco Sokolow e outros refugiados vindos de países como a Holanda, a Bélgica e a França. A bordo encontravam-se uma criança de 3 meses, doze com menos de sete anos e 14 mulheres.


Um Inferno

Conforme as semanas passaram armador e passageiros acabaram a digladiar-se, com versões contraditórias, nos jornais portugueses e estrangeiros. Estes últimos depressa rebaptizaram o Dora de “Hell Ship”, o navio do Inferno.

Segundo o relato feita pelos passageiros a decisão de desviar a rota para Lisboa foi feita pelo comandante que temia pelo futuro do navio. Um banqueiro de nome Berenszteyn - talvez Bernstein como surge em alguma imprensa estrangeira- disse ao “Diário de Lisboa” que o desespero levou as 46 pessoas a pagar cerca de um milhão de francos franceses para escapar de França. Um valor elevado que iria ser reforçado mais tarde.

Primeiro o comandante terá exigido mais cinco mil francos ao banqueiro para assegurar que o navio se dirigiria a Lisboa e não outro qualquer porto. Já na capital portuguesa – e perante a demora na chegada dos vistos - voltariam a ser feitas exigências: mais 1150 dólares e a partir de 28 de Junho a extorsão agravou-se com a exigência de uma diária de 150 dólares por passageiro.

Na reportagem do jornal português as condições em que viviam os refugiados é classificada como sendo “pior que numa antiga terceira classe de emigrantes”: “Como ali não há sala de jantar os passageiros vêem-se na necessidade de comer sentados no chão (…). Todos trazem o seu talher na algibeira e, apesar de já terem partido há mais de um mês de Cette, conservam ainda os mesmos vestuários”.

Dias depois seria a vez do capitão e do armador do Dora relatarem a sua versão dos acontecimentos. O “capitão Fostinis” e o “senhor Atychidés” asseguraram que a mudança de rota aconteceu a pedido dos passageiros e que as exigência monetárias posteriores tiveram apenas a ver com despesas normais de um frete que se prolongava para além do tempo combinado.

Duas versões contraditórias que encontraram também lugar na imprensa estrangeira. A primeira mereceu especial atenção nos jornais da comunidade judaica que considerava o capitão do navio um “gangster”.


Um refúgio em Caxias

O caso do Dora também foi seguido de perto pela PVDE e pelo comandante do porto de Lisboa. A situação das 46 pessoas degradava-se de forma assinalável e por razões humanitárias as autoridades portuguesas autorizaram o internamento numa casa de saúde de uma criança – filha do banqueiro Bernstein – e uma outra passageira foi autorizada a ter uma consulta de odontologia.

Jornal "The Jewish Post", de 9 de Agosto de 1940.

Na primeira semana de Agosto a situação a bordo tornava-se insustentável. Após forte pressão de agências de apoio aos judeus refugiados, e com o processo para a obtenção de vistos a prolongar-se foi tomada a decisão de permitir a saída dos passageiros, mas estes teriam de ficar “internados” no forte de Caxias até que se desenrolasse o emaranhado da burocracia. Passageiros, bagagens e até alguns carros abandonaram finalmente o navio depois de cerca de um mês fechados num casco de metal.

Contam jornais estrangeiros que alguns marinheiros portugueses presentes no desembarque não esconderam as lágrimas quando viram o estado em que as pessoas se encontravam, especialmente as crianças.

O comité de apoio aos refugiados prometeu processar o capitão e o armador pela forma desumana como tratou os passageiros.

É após essa decisão que a carta anónima é enviada para Oliveira Salazar. Tudo indica que este a reencaminhou para a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, a antecessora da PIDE, responsável pelo controlo de estrangeiros.

A resposta às acusações é feita na própria carta em diversas linhas manuscritas. A assinatura é ilegível, mas certamente será de algum responsável da polícia. Assegura-se que as acusações são falsas e que o internamento em Caxias teve com objectivo proteger os refugiados e "evitar as especulações que com eles se estavam fazendo".

Vários passageiros conseguiram nos dias seguintes vistos para Shangai ou para a Austrália, mas com as voltas que a guerra deu não é fácil perceber onde terminou a viagem destas 46 pessoas.

Carlos Guerreiro

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O Postalinho...
Dieppe, aqui não se brinca aos soldados


Postal de propaganda alemão que ridiculariza o desembarque realizado pelos britânicos - com apoio americano - nas praias de Dieppe em 19 de Agosto de 1942.

Esta "invasão" - a maioria eram tropas canadianas - resultou numa pesada derrota das forças aliadas e adiou por dois anos a abertura de uma frente na Europa Ocidental.

O ataque foi planeado para ser um raide em grande escala que deveria ter acontecido em Junho de 1942, mas a falta de treino, problemas logísticos e outras circunstâncias adiaram a operação até Agosto. Por outro lado registou-se o "emagrecimento" das operações tendo sido anulados os assaltos a defesas do porto e do litoral. O atraso e a redução das forças a envolver podem ter comprometido o resultado desta iniciativa militar.

Em resultado deste desastre os aliados perderam – entre mortos, feridos e prisioneiros - cerca de 4000 homens e os alemães pouco mais de 500. Um desastre que ainda hoje não é fácil de compreender e que tem sido tema para longas discussões entre estrategas e historiadores.

Recentemente - após a desclassificação de novos documentos no Reino Unido – surgiu uma nova teoria que aponta para o sucesso do raide. Segundo esses testemunhos o objectivo principal era a captura de códigos e equipamento de encriptação alemães, num plano idealizado por Ian Fleming, o homem que mais tarde seria autor da célebre série de livros de espionagem "James Bond 007". Essa parte do plano terá corrido como se esperava, mas o custo foi elevado.

Carlos Guerreiro

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

quinta-feira, 28 de julho de 2016

O Postalinho...
RAF contra a Luftwaffe



Postal de propaganda britânico que exalta a vitória aérea na Batalha de Inglaterra e aproveita para realçar a dimensão das capacidades da sua força aérea (RAF ou em português Real Força Aérea RFA) e a presença desta no mundo, nomeadamente, através da Commonwealth.

O Canadá, por exemplo, recebeu desde cedo os campos de treinos das tripulações aéreas das forças áreas que depois eram enviadas para o Reino Unido e para outros teatros de operações. Doutros pontos do mundo chegava uma imensidão de recursos que os alemães não tinham, e isso acontecia muito antes dos EUA entrarem no conflito.

Este postal integra uma longa lista de produtos propagandísticos – produzidos tanto pelos aliados como pelo eixo - onde eram estabelecidas comparações de diversos tipos.

Neste caso os britânicos tentam contrariar os alemães, que já antes da guerra davam grande destaque aos feitos do nazismo, mostrando as vantagens RAF. No fundo do postal Hitler e Goebbels – chefe do Ministério da Propaganda do Reich – discutem a forma de contrariar os “factos” apresentados pelos ingleses…

Carlos Guerreiro

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Livros ...
Para ler ao sol e à sombra

São três livros que podem servir de companhia durante o período de férias ou nos dias de descanço que se aproximam. Dois deles estão editados em português e outro pode ser adquirido apenas em inglês.

Tratam-se de obras de "não ficção", das quais ficam os títulos e as sinopses oficiais...


17 Cravos, de Andrew Morton
A Realeza, os Nazis e o Maior Complô da História.

Saiba mais aqui
Um queria governar o mundo, o outro foi governado pela paixão. A improvável aliança entre Adolf Hitler e o duque de Windsor levou a um dos maiores complôs da História.

O plano era simples: A Alemanha invadiria a Grã-Bretanha e o duque de Windsor seria reposto no trono como rei-fantoche. Quando a invasão não se concretizou, o plano mudou e nasceu a Operação Willi: raptar os duques de Windsor enquanto estavam em Portugal, em 1940, como convidados do banqueiro Ricardo Espírito Santo Silva. Deste modo, a Alemanha teria dois reféns reais para forçar a Grã-Bretanha a ajoelhar-se.

Recorrendo a documentos do FBI, a fotografias e correspondência particulares, Andrew Morton narra a história repleta de aventura, intriga política, romance ilícito e traições familiares do duque de Windsor e da sua mulher, Wallis Simpson, de quem se dizia ter sido amante do ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Joachim von Ribbentrop, que lhe enviava 17 cravos para recordar o número de encontros amorosos.



A lista do padre Carreira, de António Marujo
A história desconhecida do Português que escondeu refugiados durante a Segunda Guerra Mundial

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Joaquim Carreira, padre português nascido em 1908 numa aldeia próxima de Fátima, arriscou a sua vida para esconder e proteger centenas de judeus e dissidentes numa Roma ocupada pelos nazis. Fê-lo no Pontifício Colégio Português, do qual se tornara reitor em 1941.

António Marujo, duas vezes vencedor do Prémio Europeu de Jornalismo Religioso na Imprensa Não-Confessional, oferece-nos uma visão pormenorizada do homem e do momento histórico em que viveu, resultado de uma longa investigação iniciada em 2012 para o Público - e graças à qual foi «descoberta» esta notável figura portuguesa.

Apoiado por documentação inédita do próprio Colégio Português, o autor apresenta-nos um dos homens que, em conjunto com figuras como Aristides de Sousa Mendes, Oskar Schindler ou Irene Sendler, foi responsável pelo salvamento de centenas de vidas durante a Segunda Guerra Mundial.

Pelos seus feitos e coragem, a 15 de abril de 2015, 70 anos depois do final da Segunda Guerra Mundial, Joaquim Carreira foi tornado «Justo entre as Nações» pelo Yad Vashem, o Memorial do Holocausto de Jerusalém. Esta é a maior distinção para não-judeus que pode ser emitida em nome do Estado de Israel e do povo judeu, sendo uma honra atribuída apenas a heróis. Um destes heróis é o padre Joaquim Carreira, e esta é a sua biografia definitiva.



Portuguese Fighter Colours 1919-1956: Piston-Engine Fighters
De Luís Armando Tavares e Armando Jorge Soares
Esta obra descreve e ilustra as cores e as insígnias dos caças com motor de pistão que serviram as forças armadas Portuguesas entre o final da 1ª Guerra Mundial e a década de 1960.

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Portugal é uma pequena nação com armas aéreas de tamanho modesto, mas usou uma grande variedade de aviões de caça icónicos ao longo deste período. Desde logo o SPAD S.VII durante a 1ºª Guerra Mundial até ao Thunderbolt F -47 após o segundo conflito mundial. Aviões de construção francesa, britânica e americana foram utilizados por Portugal, incluindo os os famosos Hawker Fury e Hurricane, Spitfire ou Bell P -39 Airacobra.

Este livro, profusamente ilustrado, abrange todas essas aeronaves, detalhando o seu uso e pormenorizando as cores e marcas que utilizavam.

Há muitas fotografias e perfis coloridos com notas sobre o esquema de cores ou a ilustração de marcas nacionais. Um livro inestimável para entusiastas de aeronáutioca, historiadores e modelistas. (Tradução livre do inglês)

Boas leituras
Carlos Guerreiro

quinta-feira, 14 de julho de 2016

O périplo dos homens do "Alpha"

Os aviões alemães aproximaram-se de Sudeste largando bombas e disparando rajadas de metralhadora. Perante a intensidade do ataque o comandante ordenou de imediato o abandono da embarcação, “o que se conseguiu sem ter sido ferido tripulante algum, apesar do navio ter sido atingido por tiros e bombas”.

Antes de ser comprado pela Sociedade Luso-Marítima que o
chamou de "Alpha", o navio chamava-se-se "Ibo".
Pormenor de postal ilustrado.
(Imagem: Blogue "Navios e Navegadores")

O ataque começara por volta das 13 horas e, enquanto os 21 homens se afastavam, o cargueiro continuou sob ataque da Luftwaffe até perto das três da tarde. Apesar de ter sido atingido várias vezes e ter ficado meio demolido só às 18 horas desapareceu no Mar do Norte. Estávamos a 15 de Julho de 1940 e o

ALPHA foi o primeiro navio português a ser afundado durante a II Guerra Mundial. Os tripulantes viram o navio desaparecer enquanto ficavam sozinhos na baleeira em mar aberto, sob as ordens do comandante José Ferreira de Oliveira, sabendo que ainda estavam longe de alcançar terra.

O vapor da Sociedade Luso-Marítima tinha saído de Lisboa com uma carga de “bananas a granel” no dia 10 de Julho, dia em que também recebera “no Consulado de Inglaterra, as Instruções secretas para a viagem” até Liverpool, no Reino Unido. A II Guerra Mundial começara há menos de um ano, mas a situação estratégica tinha mudado com a rendição da França. No dia em que o ALPHA iniciava a viagem, os alemães tinham também dado o sinal de partida para a Operação “Seelove” (Leão Marinho) que tinha por objectivo último a invasão do Reino Unido.

A primeira fase do plano tinha por objectivo destruir ou inutilizar as frotas mercante e de guerra dos britânicos, para além de incapacitar instalações portuárias através de ataques com navios de superfície, submarinos e aviões. Era o princípio da Batalha de Inglaterra e só semanas depois se registariam os intensos combates sobre os céus ingleses que ficariam como imagem deste período.

Quando o comandante Oliveira recebeu as ordens secretas de Londres para fazer a aproximação a Liverpool, os ingleses já não eram donos absolutos do Mar do Norte ou do Canal da Mancha. Com bases em França centenas de aviões e lanchas rápidas alemães patrulhavam os céus e os mares atacando alvos definidos ou de ocasião.

No dia 15 os alemães até realizaram menos voos que nos dias anteriores, mas no Alpha a preocupação foi crescendo após a primeira claridade da manhã, especialmente devido ao intenso tráfego de aviões, com alguns a descrever círculos sobre o cargueiro. Temendo ser confundido com algum navio beligerante Ferreira de Oliveira ordenou a substituição da bandeira que hasteava por outra maior comprada antes da saída de Lisboa.

De resto o navio cumpria todas as normas impostas pelas autoridades com o objectivo de ser facilmente identificado como neutral. Para além da bandeira em pano, tinha também as cores nacionais pintadas em ambos os lados do casco, local onde também se podia ler o nome do país em letras de grande dimensão.

Apesar do navio ter atraído as atenções dos aviões por mais de uma vez nenhum destes esboçou qualquer atitude agressiva ou mostrou intenção de estabelecer contacto. Só depois da uma da tarde, e sem aviso, ocorreu o ataque com oito aviões a descarregaram todo o seu poderio sobre o cargueiro.

Após abandonarem o navio os tripulantes dirigiram-se para sul, em direcção a uma França ocupada há poucas semanas pelos alemães, os mesmos que os haviam atacado. Dois dias depois ainda remavam em mar alto quando foram avistados pela “Reine des Fleurs”, uma chalupa francesa que os rebocou até Audierne onde aportaram a meio da manhã.

Notícia do "Diário de Lisboa" de 25 de Julho de 1940.
(Fundação Mário Soares)
A chegada a terra não significou o fim das incertezas para a tripulação portuguesa. Os franceses entregaram-nos à autoridade militar alemã, que teve pressa em os interrogar. Quando os portugueses pediram para que fosse contactado um cônsul português, os alemães asseguraram que no dia seguinte seriam levados a Brest, onde existia um consulado. A promessa nunca foi cumprida.

Acompanhados por dois sargentos do exército alemão realizaram nos dias seguintes um périplo de comboio por várias cidades francesas. Passaram por Quimper, Nantes, Bordéus e finalmente Hendaia, onde só chegaram no dia 21, viajando em condições que o comandante português considerou pouco dignas. Os alemães nunca fizeram “distinção entre oficiais e tripulantes, (…) seguindo sempre todos juntos e em terceira classe, comendo uma refeição por dia e dormindo em enxergas no chão”. Na última cidade francesa dormiram “por favor do chefe de estação em um vagão”.

Em Hendaia dirigiram-se ao comando local do exército alemão na esperança de que estes facilitassem o transporte para Espanha, mas nada conseguiram, e o mesmo aconteceu no consulado de Espanha para onde se dirigiram de seguida.

A custo conseguiram bilhetes de comboio e no dia 22 atravessaram a fronteira chegando a Irún onde finalmente encontraram a protecção do cônsul português e de onde conseguiram avisar Lisboa da sua sorte.

Seria o cônsul a encaminhá-los para San Sebastian de onde conseguiram partir, finalmente, para Lisboa onde conseguiram chegar no dia 25 pelas 8 horas da manhã…

Carlos Guerreiro

quarta-feira, 13 de julho de 2016

O afundamento do "Alpha"

Em 15 de Agosto de 1940 afundava-se no Mar do Norte o "Alpha", um cargueiro português, que se dirigia para Liverpool, no Reino Unido.

Notícia publicada no Jornal "Diário de Lisboa,
de 24 de Julho de 1940.
Apesar da intensidade do ataque, realizado por aviões alemães, não se registaram vítimas. A tripulação não teve, no entanto, vida facilitada para regressar a Portugal....

Amanhã, aqui no Aterrem em Portugal, contamos toda a história...

- A história do ALPHA foi publicada no dia 14 de Julho de 2016 e pode ser encontrada AQUI.

Carlos Guerreiro