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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Portugueses na Divisão Azul tema de encontro

No próximo sábado, às 16 horas, o Espaço Memória dos Exílios vai receber o Ricardo Silva para falar sobre a Divisão Azul e dois naturais de Cascais que integraram essa unidade de voluntários formada em Espanha para combater na União Soviética.

Estarei também por lá para iniciar a sessão e depois para moderar a conversa que se segue…

Fica encontro marcado.



Sinopse da iniciativa:

Integrada na rubrica "Debates nos Exílios" realiza-se uma palestra por Ricardo Silva, na qual será contada a história de dois cascalenses: Alberto Alves e João da Cunha, figuras que inseriram a Divisão Azul. No dia 24 de agosto de 1941 , Hitler terá aprovado o "uso" de voluntários espanhóis a enviar para a frente de Leste, durante a Segunda Guerra Mundial.

A Divisão Azul, como assim era chamada, era constituída por combatentes voluntários que se alistavam em Espanha e que provinham maioritariamente da Legião Espanhola e que participaram na cruzada de 1936-1939. Desses , 159 voluntários eram portugueses e participaram naquela que foi a maior operação militar de todos os tempos: a invasão da União Soviética pelas forças da Alemanha nazi.

É esta participação activa de portugueses ignorada pela historiografia portuguesa, que vamos debater. Identificar os homens pelos seus nomes e dar rostos concretos a inúmeras histórias, numa reconstituição que só foi possível graças ao laborioso trabalho de investigação levado a cabo por Ricardo Silva, mestre em História Contemporânea pela Universidade Nova de Lisboa e autor da tese Portugueses na Wehrmacht, "Os voluntários da Divisão Azul". (1941-1944).

Carlos Guerreiro

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Eu combati na "Divisão Azul"

Combateram na guerra civil espanhola, ao lado dos nacionalistas, e depois vestiram a farda da Divisão Azul para combater os "vermelhos"na frente leste ao lado das forças alemãs. João Rodrigues Júnior e Jaime Graça são dois dos portugueses que integraram o contingente de portugueses que passaram pelas duas guerras e são também dos poucos que deixaram alguns detalhes das suas histórias publicados na imprensa.

Edições das revistas "A Esfera" e do "Independente".
(Hemeroteca de Lisboa)

João Rodrigues Júnior surgiu nas páginas da revista “A Esfera”, ainda durante a 2ª Guerra, em Agosto de 1942.

Como legionário do “Tércio” diz ter passado pelos campos de batalha de Teruel, da Catalunha e do Ebro. Naquela publicação garante ainda que durante a guerra civil espanhola foi ferido duas vezes e numa delas ficou temporariamente cego. No final da guerra continuou a cumprir o contrato de cinco anos assinado com a Legião Estrangeira Espanhola.

“Entretanto começou a guerra contra a Rússia. E eu, que durante os anos da campanha espanhola comecei a saber o que são os bolchevistas e o que é a sua doutrina na pátria, decidi continuar a minha vida de legionário batendo-me contra eles. Assim logo que em Espanha começaram os alistamentos para a campanha da Rússia, ofereci-me”, conta João Rodrigues Júnior.

Na descrição que faz da viagem da unidade espanhola para a frente, refere a passagem pela França ocupada onde tiveram de usar as armas. “Um grande grupo, da qual faziam parte várias mulheres, apupou-nos e tentou assaltar o comboio. Tivemos que estrear ali as nossas armas – e vários caíram”, explica.

As dificuldades vividas com a guerra e com o frio na frente leste também merecem referência. A revista, um dos vários instrumentos pagos pela propaganda nazi em Portugal, destaca ainda a “admirável” organização alemã e a fraca qualidade dos soldados russos. De resto a impressão deixada sobre o povo russo não é muito melhor: “Mal vestidos, famintos, sujos”.

As investigações de Ricardo Silva, que tem estado a mapear a presença portuguesa no seio da Divisão Azul, revelaram que João Rodrigues Júnior integrou um dos primeiros grupos que seguiram de Espanha para a Rússia. Vários outros portugueses o acompanharam, mas a maioria foram mortos ou feridos no decorrer dos combates.

Este português também teria de abandonar o combate quando uma úlcera obrigou à sua evacuação para Espanha.

Tratado e recuperado voltou a alistar-se na Divisão Azul. Fez novo treino na Alemanha, mas não voltaria à frente russa. Adoece de novo e é considerado"inútil para o combate". Em Agosto de 1943 está de volta a Espanha.

Ainda segundo o investigador Ricardo Silva, Rodrigues Júnior faleceu em Janeiro de 1956.

De Lisboa a Leninegrado 

Em Junho de 1992 a revista do jornal “O Independente” trazia uma reportagem/entrevista com Jaime Graça, então com 79 anos, que também vestira as fardas do “ Tércio” e da Divisão.

Segundo relatava teria sido recrutado no Rossio, quando foi abordado para “ir trabalhar para Espanha”. Só tarde demais terá percebido que estava a engrossar as fileiras do Generalíssimo Franco. No país vizinho passou pelos campos de batalha de Toledo, Madrid e Ebro entre outros.

Foi ferido por duas vezes. Terminada a guerra civil, foi enviado para o Norte de África onde não ficaria muito tempo. Segundo conta depois de ter sido "enganado" no Rossio, foi obrigado a integrar a Divisão Azul que Franco mandou constituir em 1941. Um sargento tê-lo-à designado como "voluntário".

Queixa-se da comida, do frio e da guerra ao longo do tempo em que percorreu a Estónia, a Letónia, a Lituânia e a Ucrânia. Terminou a sua viagem às portas de Leninegrado onde volta a ser ferido, agora numa perna. Mais tarde adoeceu com um problema nos olhos que vai dar-lhe um bilhete para casa.


Graça também realça a organização germânica em todas as áreas enquanto os soldados russos que viu eram uns “coitaditos”. Já as mulheres de todos os países por onde passou merecem-lhe os maiores elogios…

Os 40 graus abaixo de zero fizeram os seus estragos e o problema dos olhos agravou-se, levando a que fosse dispensado.

Em Espanha e levanta alguns milhares de pesetas -cerca de 200 mil, assegura - que tinham sido depositados na sua conta como soldo.

Estoura ainda em Espanha a sua pequena fortuna “na batota, nas mulheres, no vinho”. Regressa a Portugal quase como partiu, pregando um susto dos grandes à mãe:

“Eu tinha perdido, há algumas semanas, a chapa que os militares utilizam no pulso (…), e alguém a enviou para a Embaixada espanhola, aqui na rua do Salitre. A minha mãe foi lá saber de mim e disseram-lhe que eu já tinha morrido. Mostraram-lhe a chapa e tudo. Depois quando eu apareci à frente dela, coitada, deu-lhe um chilique. Caiu no chã. Andava de luto e tudo”.

Nos últimos anos da sua vida lutava pela obtenção de um pensão junto dos governos de Espanha e da Alemanha, aparentemente sem grande sucesso...

Carlos Guerreiro
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Para ler mais sobre 
          a "Divisão Azul" clique AQUI.
          a "Frente Oriental" clique AQUI

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Portugueses da "Divisão Azul" na Visão História

Os Portugueses que integraram a “Divisão Azul” são o tema central da nova edição da revista “Visão História” que será lançada na próxima quinta-feira, dia 12.


Ricardo Silva é o responsável pelo trabalho de investigação que ao longo dos últimos anos permitiram identificar cerca de centena e meia de portugueses que integraram as fileiras da divisão reunida por Espanha para combater ao lado dos alemães na frente Russa.

A revista vai abordar o contexto históricos dos acontecimentos, a viagem e a preparação que levaram os soldados de Espanha até às linhas da frente, as batalhas em que participaram e o fim de muitos deles.

Nos artigos serão desenvolvidas histórias sobre a participação portuguesa ao lado dos nacionalistas da Guerra Civil Espanhola, o treino na Alemanha, as batalhas como a de Leningrado entre outras.

Juntam-se ainda apontamentos biográficos de vários portugueses que vestiram a farda da divisão e até a história de um deles que se transformou em espião ao serviço de Hitler…

Boas razões para esperar por esta publicação…
Carlos Guerreiro 

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 Para ler mais sobre os portugueses na "Divisão Azul" clique AQUI.  

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Portugueses da Divisão Azul na Visão

A revista Visão desta semana traz mais algumas histórias dos soldados portugueses que integraram a Divisão Azul, uma unidade de voluntários formada em Espanha, e combateu ao lados das tropas alemãs na Rússia.

Já aqui tínhamos falado dos trabalhos que o historiador Ricardo Silva estava a realizar tendo já identificado centena e meia de portugueses que integraram a Divisão (ver AQUI). Agora revela mais algumas das histórias e também as fotografias de alguns destes portugueses.


Ao longo da revista encontramos ainda pequenas biografias de alguns destes homens e o trabalho da Visão não vai ficar por aqui. Segundo uma nota que se encontra no final do artigo a Visão História está a preparar uma edição com este tema e pretende contactar com pessoas que tenham outras histórias para contar.

Nesse sentido pedem que contactem o e-mail: portuguesesda@gmail.com

Boas leituras
Carlos Guerreiro

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Divisão Azul na Antena 1

Cerca de centena e meia de portugueses integraram a Divisão Azul.

Os números finais ainda estão a ser apurados pelo investigador da Universidade Nova de Lisboa, Ricardo Silva, que mergulhou nos arquivos da Divisão para conhecer quem eram e o que levou estes portugueses a combater o comunismo na frente russa.

Ficam seis minutos de uma conversa com o investigador que passou esta manhã na Antena1. Para ler mais sobre a presença de portugueses na Divisão Azul clique AQUI.

Carlos Guerreiro

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Soldados Portugueses na Divisão Azul

Pelo menos 147 portugueses vestiram a farda da Divisão Azul, a unidade de voluntários constituída em Espanha, para combater ao lado dos alemães na frente russa entre 1941 e 1944.




Jaime Graça, um dos divisionários portugueses, deu uma entrevista ao Jornal "Independente" em 1992, e contou a sua história enquanto combatente na Guerra Civil Espanhola e da Divisão Azul.









As informações foram avançadas durante a Conferência Portugal e o Holocausto, por Ricardo Silva, investigador da Universidade Nova de Lisboa, que tem estado a consultar os cerca de 47 mil processos individuais de divisionários e outra documentação nos arquivos em Alcalá de Henares, nos arredores de Madrid onde se encontra a maior parte da documentação referente à Divisão Azul, assim como no Centro de Documentação para a Memória História, em Salamanca, e registos em Portugal.

Pelo menos meia centena destes homens fizeram parte do primeiro contingente que partiu de Madrid e que entrou em combate na frente oriental no Outono/Inverno de 1941.

No final do conflito cerca de uma vintena de portugueses tinha perdido a vida a lutar pela divisão e dois tinham sido feitos prisioneiros pelos russos. Destes apenas um regressaria a Espanha em 1954, quando pouco mais de 200 sobreviventes dos cerca de 500 prisioneiros espanhóis foram repatriados.

A Divisão Azul foi formada pelo ditador Francisco Franco após a Guerra Civil Espanhola e pelas suas fileiras passaram cerca 47 mil voluntários, entre os quais 500 estrangeiros.

Os portugueses são o grosso deste último número esclareceu Ricardo Silva que pretende publicar os resultados da sua investigação em 2013, num livro que deverá trazer as biografias de cada um dos combatentes portugueses.

Os alemãos não tinham uma impressão muito positiva destes homens. Eram olhados como mulherengos incorrigiveis e uma espécie de horda indisciplinda sempre envolvida em roubos de galinhas e comida.

Mas depressa os divisionários foram obrigados a provar o seu valor na União Soviética, combatento nomeadamente, em Leninegrado. No final da guerra a Divisão Azul tinha sofrido cerca de 5000 baixas.

"Cerca de dois terços dos portugueses alistados na Divisão Azul já tinham combatido ao lado das forças franquistas durante a Guerra Civil Espanhola", disse Ricardo Silva, acrescentando que os portugueses se alistaram por "um misto de ideologia, catolicismo, anticomunismo e aventura".

Na fase final também houve vários alistamentos por razões económicas.

"A maior parte nem sabia muito bem o que era o regime nazi e só se aperceberam do que se estava a passar, nomeamdamente, com os judeus quando chegaram à frente", esclareceu ainda o investigador que tem a certeza de que os portugueses tomaram consciência muito cedo dos crimes que estavam a ser cometidos.

A investigação está próxima de ficar concluída. Confirmados estão, como já foi referido, 147 portugueses entre as hostes da divisão azul, mas esse número poderá crescer, tanto porque ainda existem processos por abrir, como também existem dúvidas em relação a alguns dos nomes que já foram recolhidos.

Ricardo Silva não coloca também de parte a possibilidade outros portuguese terem lutado noutras formações ao lado das forças alemãs e tem quase a certeza que entre as SS também houve elementos lusos.

Carlos Guerreiro (com Lusa) 

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Para ler mais sobre a Conferência Portugal e o Holocausto clique AQUI.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Resultados da Conferência "Portugal e o Holocausto"

A questãos do holocausto, dos refugiados e da sua passagem por Lisboa reuniu, a 29 e 30 de Outubro, vários especialistas portugueses e estrangeiros na Fundação Gulbenkian.

A Conferência “Portugal e o Holocausto” foi um mais importantes encontros deste tipo que alguma vez aconteceu no nosso país.


Durante a iniciativa, que teve como principal dinamizador, o embaixador americano Alan Katz, acabaram por ser abordados diversos temas e questões que assumem especial importância para o estudo do período da II Guerra Mundial no nosso país.

O Aterrem em Portugal deixa-lhe um resumo das principais discussões e abordagens feitas ao longo dos dois dias. Para isso junta algum do material recolhido durante as conferências e elementos retirados do noticiário da Agência Lusa…

Nos próximos dias serão colocados neste blog artigos com os seguintes títulos:

- Judeus Portugueses abandonados na europa 

- Antissemitismo no Estado Novo 

- Que sabia Salazar do Holocausto

- Portugueses na Divisão Azul

Tratou-se de uma conferência longa, onde vários temas mereceram nota atenta de alguma comunicação social, razão porque alguns dos assuntos não serão desenvolvidos em textos próprios, mas em material publicado na comunicação social portuguesa.

Muitas destas notícias tiveram como base o trabalho do jornalista Pedro Khron da Agência Lusa, que acompanhou a maior parte dos trabalhos… Para ler as notícias clique sobre os títulos.

Do “Diário de Notícias” fica o relato da sessão de abertura que teve como principal orador e o ex-presidente da República Jorge Sampaio:

- "O genocídio não foi um acidente da História"

Do Público ficam duas notícias. Uma sobre parta da exposição de que já falámos neste blogue (ver AQUI::::) e outra sobre um encontro entre Embaixadores ( Alemanha, EUA, Áustria e Israel) que teve como protagonista inesperado o representante israelita.

- “Alunos portugueses ajudaram a resgatar a memória de vítimas do nazismo”

- “Embaixador de Israel diz que Portugal tem uma nódoa que os judeus não esquecem” 

Para além das questões levantadas pelo representante de Israel em Portugal, este encontro entre os embaixadores serviu, essencialmente, para se ficar a conhecer a forma como o passar dos anos mudou a perspectiva dos seus cidadãos em relação à questão do holocausto e dos crimes de guerra.

Novidade foi também a informação avançada pelo Embaixador Austríaco. Bernhard Wrabetz anunciou que em 2013 vai começar um trabalho de recolha junto dos arquivos portugueses que tem como principal objectivo identificar os refugiados de origem austríaca que passaram por Portugal durante a II Guerra Mundial.

Ainda é preciso definir formas de financiamento e o alcance que um trabalho deste género deverá ter. Wrabetz esclareceu que no princípio do próximo ano vão acontecer um conjunto de reuniões com uma historiadora austríaca no sentido de acertar mais pormenores…

Carlos Guerreiro
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Para ler mais sobre a Conferência Portugal e o Holocausto clique AQUI.