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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

«Escaparate de Utilidades»

Propriedades, A Confidente

"Jornal de Notícias", 12 de Setembro de 1943

6 comentários:

  1. Corria o ano de 1955, tinha eu uns 15 anos e trabalhava na então loja luxuosa da baixa lisboeta, Adão Camiseiros, que ocupava quatro andares do prédio da Rua Augusta, 238 a 240. Foi o meu primeiro emprego e onde conheci a minha primeira amargura.
    Entre outras funções de aprendiz de caixeiro, pelo qual ganhava 300,00 escudos mensais, uma delas era levar todos os dias um fato completo (calça, casaco e colete), uma camisa feita por medida, gravata a condizer, cuecas e meias, ao senhor da A Confidente, que ficava no Nº 3 do Rossio. Aos sábados, sim, porque naquela altura trabalhava-se aos sábados até às 19, 00 horas, a entrega era dobrada, quer dizer, tinha de entregar dois fatos completos, duas camisas, duas cuecas e dois pares de meias, além das gravatas a condizer com a cor dos fatos e das camisas.
    Nessa altura começava a despontar em mim, além da curiosidade, uma certa confusão nos fatos e camisas que levava todos os dias, um pouco antes das 19,00 horas e depois das 18,30 horas.
    Ao fim de dois meses de trabalho e vencendo a ingenuidade e timidez, que caracteriza os jovens nesta idade, não me contive e perguntei ao cliente: O que fazia a tantos fatos, camisas, gravatas, cuecas e meias?
    Não recordo o nome do proprietário de A Confidente, o passar dos anos tem destas coisas, esquecer mas recordar o caricato das situações.
    Pergunta ingénua, o cliente bateu a porta com força na minha cara, tirando-me das mãos o fato e embrulhos que levava e eu fiquei sem a resposta que procurava.
    Claro, que só cheguei ao fim do terceiro mês, fui despedido sem apelo nem agravo e ao chegar a casa a minha mãe nem quis saber das razões pelo qual eu tinha sido despedido, levei logo com os epítetos de vadio e vagabundo. Entendo, o dinheiro fazia falta em casa, onde todos trabalhavam para sobreviver e ter uma vida digna.
    Ainda hoje faz-me muita confusão: Porque carga de água uma pessoa quer diariamente um fato, uma camisa, cuecas, meias e gravatas?
    Ao final de cada mês são 30 fatos, 30 camisas, etc., o que perfaz anualmente 365 fatos e outras tantas camisas, cuecas, meias e gravatas.
    Talvez a mulher não soubesse lavar roupa ou as máquinas de lavar existentes fossem caras demais para o senhor da A Confidente!
    No decurso da minhas entregas diárias, conheci um jovem, que tal como eu trabalhava na baixa lisboeta, só que numa sapataria e tal como eu levava todos os dias um par de sapatos para o senhor da A Confidente, ao sábado era dobrado, o par de sapatos claro.
    Muita sorte eu tive, só fui chamado de vadio e vagabundo, pela minha mãe, com azar podiam ter-me chamado Comunista ou outra coisa pior
    Esta a minha pequena história ligada ao Adão Camiseiros e à A Confidente.

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  2. Uma interessante história... E também fiquei curioso com tanta muda de roupa.

    Obrigado por ter partilhado a história.

    Um abraço
    Carlos Guerreiro

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  3. Caricata esta historia e exagerada. Sou neta do fundador de " A Confidente" E acho esta historia completamente exagerada. Mais insultuosa, Nao será de todo verdade. A entrega era frequente ja que eram um dos melhores clientes da Adão Camiseiro uma casa de renome na altura! Mas nao todos os dias como conta! Nao me admira porque tenha sido despedido! E mesmo assim nao era da sua conta! Falta de educação. Quanto á sua Mulher minha Avó, uma grande Senhora, sempre soube fazer tudo apesar de nao ter necessidade de o fazer, tinha as suas criadas para o efeito que por sinal foram sempre muito estimadas e respeitadas em casa .Considerado um dos maiores empreendedores da época e o pioneiro do conceito imobiliario em Portugal. A sua curiosidade calhandreira é de muito mau tom e continua a demonstra-lo.

    E de interessante esta historia nao tem nada, enfim!



    Maria do Rosario Casanova Antero
    Neta do Fundador de A Confidente Alipio Antero

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    1. Boa tarde Dona Maria Antero,


      Após uma pesquisa sobre A Confidente, empresa do seu Avô, não encontrei informação que pudesse explicar-me a história do azulejo colocado na fachada de uma moradia no Porto. Um lindo azulejo português na fachada apelando "Propriedade de A Confidente".

      A Dona Maria Antero terá informações a esse sujeito? Existem mais casas no Porto com este azulejo?

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  4. Absurdo!!!! O proprietário de A Confidente residia no Porto, sua terra natal, onde tinha sede (original) a dita firma, e passava três dias por semana em Lisboa, onde também tinha casa, mas nunca passava fins de semana na capital. O "senhor de A Confidente" era outro, com certeza. A minha prima Rosário tem toda a razão na sua indignação!
    Nestes blogues aparece de tudo...

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    1. Boa tarde quem geria a Confidente em Lisboa era o Fernando Soares meu primo e não era pessoa de mau carácter
      Maria

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