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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

«Escaparate de Utilidades»
Juvénia, restaurador de cabelo

Ilustração Portuguesa, 6 de Setembro de 1940

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Siga a história do comboio nazi perdido na Polónia

 
Pode seguir a história AQUI

Tenho acompanhado nos últimos dias a história do comboio Nazi que terá sido encontrado num túnel na actual Polónia.

As poucas informações que partilhei nas redes sociais despertaram grande interesse, razão porque resolvi reunir todas as informações numa única página que está, a partir de agora, disponível AQUI.

Prometo fazer actualizações sempre que souber de alguma nova informação…

Caso encontre material relevante que não esteja nesta página, agradeço o contacto para o nosso e-mail.

Vamos seguir no rastro do comboio e ver onde vai dar…

Uma boa viagem...
Carlos Guerreiro

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Um olhar português sobre a Batalha de Inglaterra

"Parece não haver dúvida que a tentativa feita pelos alemães durante Agosto e Setembro para obterem supremacia do ar, falhou;. (...) Quanto à tentativa para desmoralizar e destruir Londres, que começou em 7 de Setembro, tudo indica que falhou completamente". Estas conclusões pertencem a um documento secreto, denominado "Extracto do relatório do Adido Militar à Embaixada de Londres referente à defesa aérea de Inglaterra durante os meses de Agosto e Setembro de 1940".
Capa e interior de desdobrável de propaganda britânico, editado em Fevereiro de 1941, onde são destacados os aparelhos e pilotos alemães abatidos durante a Batalha de Inglaterra.
Esta exposição foi distribuída no princípio de Dezembro de 1940 pelos altos comandos das forças armadas portuguesas que, tal como muitos outros portugueses, seguiam certamente os combates nos céus de Inglaterra pelos jornais e pela rádio, mas o olhar de um militar, colocado no centro da Batalha de Inglaterra, era muito mais interessante.

As três páginas não estão assinadas, mas ao adido em Londres entre 1940 e 1945 foi o tenente-coronel (coronel em 1945) Artur Mendes de Magalhães, que evidência os momentos dos combates ocorridos em Agosto e Setembro, meses em que tiveram lugar "os principais ataques alemães sobre a Inglaterra".

A batalha tinha começado, de facto, um mês antes com ataques aéreos intensos especialmente sobre o canal e algumas zonas portuárias. Em Agosto os alemães viraram a sua atenção sobre aeródromos, radares, instalações militares e complexos ligados à indústria de defesa. Na linha da frente a Luftwaffe tem caças Messerschmitt Bf 109 e Bf 110C (bimotores) e os bombardeiros Heinkel He 111, Dornier Do 17, Junkers Ju 88 e o Junkers Ju 87, os célebres bombardeiros de mergulho "Stuka" (dive-bombers no relatório), que vão ter um carreira curta na batalha, situação que será mencionada pelo oficial português.

Capa e interior de publicação de propaganda alemã, lançada possivelmente no início da campanha, num altura em que o grosso do combate se desenrolava sobre o Canal da Mancha.
Os britânicos defendem o país com caças Hurricane e Spitfire, mas também realizam bombardeamentos sobre diversas cidades alemãs, onde se incluiu Berlim. Durante a noite os Armstrong Whitworth Whitley, os Handley-Page Hampden,os Vickers Wellington e os Bristol Blenheim da RAF realizam as suas surtidas. Saem em números mais reduzidos que o inimigo, causam menos danos, mas semeiam desconforto e desconfiança entre a população germânica e os seus dirigentes.

Na fase inicial a Luftwaffe evitou as cidades e um ataque sobre o centro de Londres aconteceu apenas como resultado de um erro de navegação. Os bombardeamentos a cidades alemãs vão mudar as prioridades dos líderes nazis e, possivelmente, salvar a Inglaterra, pois a mudança de alvos permite reparar bases e aviões da RAF que se encontravam sob grande pressão.

Artur Mendes de Magalhães dá diversos detalhes sobre os combates que tiveram lugar nos céus britânicos. Refere por exemplo a data de 18 de Agosto como o dia em que se registaram o maior número de baixas entre os combatentes. Investigações recentes asseguram que foram destruídos 68 aparelhos britânicos contra 69 alemães. Este equilíbrio de números não se iria manter durante muito tempo e no final de Outubro, momento em que a batalha termina, os alemães tinham perdido quase duas mil aeronaves, contra pouco mais de mil britânicas.

Postais de propaganda britânicos.
Para além do número de aparelhos destruídos será a perda de pilotos a cimentar a vitória. A perda de um aparelho alemão significava também o desaparecimento do seu piloto, mesmo quando este sobrevivia ileso. Os pilotos da RAF por seu lado podiam regressar ao combate no dia seguinte.

O militar português mostra que tinha acesso a alguma informação privilegiada. Descreve algumas tácticas alemãs e as diversas fases da batalha com bastante precisão. Por outro lado avança números de aparelhos alemães destruídos que estão mais próximos do que anunciavam os jornais do que a realidade. No dia 15 de Setembro, por exemplo, os jornais asseguravam que a Luftwaffe tinha perdido 175 ou mais aviões, enquanto os balanço real assinala apenas a destruição de 61, contra 31 da RAF.

Apesar destes pequenos erros parece-me um documento bastante fiável e certeiro, até porque é necessário ter em conta que a análise foi feita sobre o acontecimento, quase certamente ainda em Setembro, altura em que os combates decorriam intensos sobre a Inglaterra.



Fica a transcrição do relatório "Secreto":

«Os principais ataques dos alemães sobre a Inglaterra tiveram começo em 8 de Agosto empregando unidades de "dive-bombers" de pequeno raio de acção e unidades de bombardeiros de grande raio de acção, umas com escolta de caças e outras sem elas.

No princípio do mês os ataques incidiram sobre a navegação, portos da costa sul e portos de guerra, tendo sido empregados, em quantidade, dive-bombers. Sofreram tão pesadas perdas que em 18 de Agosto, retiraram, nunca mais tendo sido empregados nos ataques contra este país.

Para o fim do mês, os ataques incidiram principalmente sobre aeródromos de "caças", existentes no canto sudeste de Inglaterra.

Depois daquele dia 18 os raids foram levados a efeito por formações de 100 a 200 aviões, dos quais normalmente 30 a 80 eram bombardeiros de longo raio de acção voando a cerca de 4500 metros com grandes escoltas de caças, 1500 a 2500 metros acima deles.

Nos fins de Agosto esta escolta de caças melhorou de qualidade, sucedendo que, formações constituídas por eles, por vezes precediam a formação que executava o raid propriamente dito, enquanto outras formações de caças voavam em patrulhas de ambos os lados da formação de bombardeiros com ainda camadas de outros caças ziguezagueando por cima.

Até 7 de Setembro os ataques continuaram, principalmente contra a navegação, objectivos industriais e aeródromos.

Nesta data começaram os violentíssimos ataques de dia e de noite sobre o interior de Londres, sendo principais objectivos as docas e as comunicações ferroviárias.

Estes ataques continuaram até 15 de Setembro, dia em que o inimigo sofreu grandes perdas, tendo 186 aviões destruídos.

Os primeiros quinze dias deste mês de Setembro cifraram-se para o inimigo numa perda de 589 aviões definitivamente destruídos, além de muitos outros avariados e ainda outros provavelmente destruídos também.

Propaganda alemã.
Cartão fotográfico com legenda
Tão consideráveis perdas levaram o inimigo a mudar de tática, e assim é que os bombardeiros deixaram de ser utilizados de dia passando a ser empregados quási exclusivamente de noite.

As formações fazendo raids diversos passaram a ser constituídos inteiramente por caças voando muito alto, transportando bombas ligeiras e escoltados por caças de protecção.

Confrontando os prejuízos materiais causados pelos raids com o esforço despendido pelo inimigo concluem as Autoridades Inglesas que os primeiros são singularmente pequenos, e, um grande número, a maioria mesmo, de carácter temporário. Cita-se o exemplo de dois aeródromos de caças, atacados eficazmente no fim de Agosto, tendo ficado incapazes por alguns dias, estarem agora de novo em plena actividade. Da mesma forma sucedeu com os objectivos ferroviários atingidos em cheio quando dos violentos ataques de Setembro.

Claro que ninguém pensa reconstruir agora os inúmeros edifícios completamente destruídos ou os arruinados em condições de não ser possível habitá-los.

As reconstruções e reparações levadas a efeito são apenas aquelas de que depende o funcionamento de serviços essenciais e inadiáveis, quer por interessarem directamente à guerra quer pelo seu interesse público.

Os objectivos militares e industriais cuja destruição mais podia interessar ao inimigo, apesar da violência dos ataques sofridos, não têm ficado incapazes. Cito o grande Arsenal de Woolwich que continua o seu trabalho com proveitosa regularidade.

Presentemente os raids diversos contra a Inglaterra são quási exclusivamente feitos por caças, principalmente, Messerschmitt 109, sendo também empregados Messerschmitt 110. Durante a noite bombardeiros de grande alcance voando individualmente a altitudes médias ou altas continuam a executar pesados ataques, quando as condições de tempo permitem, contra Londres e zonas industriais.

Parece não haver dúvida que a tentativa feita pelos alemães durante Agosto e Setembro para obterem supremacia do ar, falhou; raids diversos em grande escala feitos por bombardeiros revelaram-se demasiado caros, e estes ataques são agora executados apenas por grandes formações de caças que não passam para norte de Londres ou por bombardeiros isolados a coberto de nuvens.

Quanto à tentativa para desmoralizar e destruir Londres, que começou em 7 de Setembro, tudo indica que falhou completamente".

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A Batalha de Inglaterra vista pelo adido militar português em Londres


Folheto de propaganda britânico, editado em Fevereiro de 1941, onde são relatados momentos da Batalha de Inglaterra e divulgadas dezenas de fotografias mostrando aviões e pilotos alemães abatidos.

"Os principais ataques dos alemães sobre a Inglaterra tiveram começo em 8 de Agosto empregando unidades de "divebombers" de pequeno raio de acção e unidades de bombardeiros de grande raio de acção, umas com escolta de caças e outras sem elas". 

É assim que começa um relatório secreto sobre a Batalha de Inglaterra, produzido pelo adido militar português em Londres em 1940. Numa altura em que se recordam os 75 anos deste combate que mudou o rumo da II Guerra Mundial, o blogue "Aterrem em Portugal" vai divulgar o extracto de três páginas que resumiu o documento e foi distribuído por diversos comandos militares. 

Julgo que se trata de um documento que nunca foi divulgado ao público. Sexta feira pode contar com a sua divulgação na íntegra...

Até lá
Carlos Guerreiro 

NOTA: O relatório foi publicado em 21 de Agosto de 2015. Pode encontrá-lo AQUI

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O Postalinho...
Hitler, a sua melhor estaca


Postal de propaganda inglês possivelmente de 1941 ou 1942.

O cartoon tem um duplo sentido. Por um lado mostra a Itália como um apoio de Hitler, um aliado, mas por outro o país é representado como um membro artificial aliança, um membro rígido, pouco versátil, na verdade um empecilho. A legenda, por seu lado, não deixa dúvidas sobre a intenção do autor pois uma estaca é uma peça que, normalmente, serve para prender alguma coisa ou alguém.

Os italianos foram sempre olhados como os parentes "pobres" do eixo. A incompetência de alguns dos seus generais, a má qualidade dos equipamentos e as derrotas dos seus exércitos frente aos ingleses, obrigaram os alemães a empenhar recursos para os salvar em diversos teatros de operações.

Na Grécia, na Jugoslávia ou no Norte de África apenas a rápida intervenção dos alemães impediu a derrota das aspirações de Mussolini, que passou a depender cada vez mais das vontades de Hitler. O Fuhrer, por seu lado, teria agradecido não ser envolvido em algumas destas aventuras, para onde foi obrigado a desviar recursos que precisava urgentemente para garantir o sucesso da invasão da União Soviética.

A Itália era tanto um aliado como um estorvo...

Carlos Guerreiro

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Hiroxima na RTP


No dia em que se assinalam 70 anos do lançamento da bomba atómica sobre a cidade Hiroxima, a RTP 1 emite um documentário sobre o tema produzida pela BBC.

Hiroxima, com cerca de 90 minutos, descreve o acontecimento, mas também o que aconteceu depois.

Esta noite na RTP 1, depois das 21.15 horas…