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terça-feira, 16 de março de 2021

Conferência Portugal e os refugiados judeus durante a II Guerra Mundial

 "Portugal na II Guerra Mundial e os Refugiados Judeus" é hoje o tema para uma palestra gratuita e online de Marion Kaplan, professora da New Iorque University, e autora de vários livros entre os quais "Hitler’s Jewish Refugees: Hope and Anxiety in Portugal", publicado no ano passado.  

A palestra, que decorre online, terá moderação de Roni Stauber, da Tel Aviv University, e comentários de Cláudia Ninhos, da Universidade Nova de Lisboa.

O acompanhamento da palestra - que decorre online a partir das 17 horas - é gratuita, mas obriga a inscrição que pode realizar AQUI.

O Convite pode ser descarregado AQUI.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Dora, o navio do inferno

Sabe V. EXª o que de vergonhoso se está passando à volta dos desgraçados refugiados do vapor Dora?

Se não sabe é conveniente que V. Exª se informe directamente e termine, de vez, com, um espectáculo que está envergonhando e desprestigiando o nosso país aos olhos de estranhos.

À volta desses infelizes, cujos únicos crimes são os de alguns serem ricos e todos judeus, tem-se agitado um bando de abutres. É que alguns deles ainda têm consigo uns milhares de dólares escapados à rapina.

Esse bando, em que já se inscreveram entidades de certo relevo e responsabilidades sociais, só largará aqueles infelizes velhos, mulheres e crianças quando estes, já exaustos, nada mais tenham para ser roubado.

Porque não se deixa partir aquela gente? Porque se levantam mil e uma dificuldades à legalização da sua situação? Porque prendem e não deixam em liberdade tratar da regularização dos seus papeis para poderes deixar o país? Porque isso convém ao bando que não se farta só com as grossas somas que já lhe extorquiu.

(…)

Snr. Presidente do Conselho:

(…) é indispensável que V. Exª intervenha imediatamente e varra do povoado a alcateia de lobos que farejam a presa inofensiva e indefesa.

Feito isto, terá V. Exª prestado mais um altíssimo serviço em prol do prestígio da nossa terra.

Um Português


O Navio Dora
(Foto: Dodenschip Dora)
Datada de 12 de Agosto de 1940 esta carta anónima, enviada a Oliveira Salazar, denuncia um dos muitos dramas que no Verão de 1940 tiveram lugar às portas de Lisboa, numa altura em que Milhares de refugiados viram na capital portuguesa o refúgio momentâneo para uma Europa que mergulhava definitivamente na guerra.

O Dora era um pequeno cargueiro com bandeira panamiana, propriedade de um armador grego, e que desde 1939 estava envolvido no transporte ilegal de Judeus da Europa para a Palestina e outros destinos no norte de África. Foi com o objectivo de chegar a Casablanca que, no dia 2 de Julho de 1940 saiu do porto de Cette, perto de Bordéus, onde fora fretado à pressa por um grupo de meia centena de refugiados que queriam fugir às tropas de Hitler.

Graças aos inesperados da guerra a viagem iria ser mais curta. Na rota do Dora agigantou-se o combate de morte entre as frotas inglesa e francesa. A 3 de Julho os britânicos atacaram os navios franceses amarados no porto de Mers-el-Kébir, no Norte de África, e destruíram a frota. Uma ação executada por ordem directa de Churchill que temia que os alemães se apropriassem dos vasos de guerra e ganhassem força no mar. Morreram cerca de 1300 marinheiros franceses e 300 outros ficaram feridos.

A tensão no mediterrâneo disparava e a rota do pequeno Dora passava pelo meio da contenda e foi tomada a decisão de não fazer esse caminho. Pouco depois de terem partido de França entravam no porto de Lisboa, onde as autoridades proibiram o desembarque dos 46 passageiros, enquanto estes não conseguissem vistos para prosseguir viagem para outros destinos.

Entre os refugiados encontravam-se os banqueiros Haim Bernstein com dez familiares, o banqueiro polaco Sokolow e outros refugiados vindos de países como a Holanda, a Bélgica e a França. A bordo encontravam-se uma criança de 3 meses, doze com menos de sete anos e 14 mulheres.


Um Inferno

Conforme as semanas passaram armador e passageiros acabaram a digladiar-se, com versões contraditórias, nos jornais portugueses e estrangeiros. Estes últimos depressa rebaptizaram o Dora de “Hell Ship”, o navio do Inferno.

Segundo o relato feita pelos passageiros a decisão de desviar a rota para Lisboa foi feita pelo comandante que temia pelo futuro do navio. Um banqueiro de nome Berenszteyn - talvez Bernstein como surge em alguma imprensa estrangeira- disse ao “Diário de Lisboa” que o desespero levou as 46 pessoas a pagar cerca de um milhão de francos franceses para escapar de França. Um valor elevado que iria ser reforçado mais tarde.

Primeiro o comandante terá exigido mais cinco mil francos ao banqueiro para assegurar que o navio se dirigiria a Lisboa e não outro qualquer porto. Já na capital portuguesa – e perante a demora na chegada dos vistos - voltariam a ser feitas exigências: mais 1150 dólares e a partir de 28 de Junho a extorsão agravou-se com a exigência de uma diária de 150 dólares por passageiro.

Na reportagem do jornal português as condições em que viviam os refugiados é classificada como sendo “pior que numa antiga terceira classe de emigrantes”: “Como ali não há sala de jantar os passageiros vêem-se na necessidade de comer sentados no chão (…). Todos trazem o seu talher na algibeira e, apesar de já terem partido há mais de um mês de Cette, conservam ainda os mesmos vestuários”.

Dias depois seria a vez do capitão e do armador do Dora relatarem a sua versão dos acontecimentos. O “capitão Fostinis” e o “senhor Atychidés” asseguraram que a mudança de rota aconteceu a pedido dos passageiros e que as exigência monetárias posteriores tiveram apenas a ver com despesas normais de um frete que se prolongava para além do tempo combinado.

Duas versões contraditórias que encontraram também lugar na imprensa estrangeira. A primeira mereceu especial atenção nos jornais da comunidade judaica que considerava o capitão do navio um “gangster”.


Um refúgio em Caxias

O caso do Dora também foi seguido de perto pela PVDE e pelo comandante do porto de Lisboa. A situação das 46 pessoas degradava-se de forma assinalável e por razões humanitárias as autoridades portuguesas autorizaram o internamento numa casa de saúde de uma criança – filha do banqueiro Bernstein – e uma outra passageira foi autorizada a ter uma consulta de odontologia.

Jornal "The Jewish Post", de 9 de Agosto de 1940.

Na primeira semana de Agosto a situação a bordo tornava-se insustentável. Após forte pressão de agências de apoio aos judeus refugiados, e com o processo para a obtenção de vistos a prolongar-se foi tomada a decisão de permitir a saída dos passageiros, mas estes teriam de ficar “internados” no forte de Caxias até que se desenrolasse o emaranhado da burocracia. Passageiros, bagagens e até alguns carros abandonaram finalmente o navio depois de cerca de um mês fechados num casco de metal.

Contam jornais estrangeiros que alguns marinheiros portugueses presentes no desembarque não esconderam as lágrimas quando viram o estado em que as pessoas se encontravam, especialmente as crianças.

O comité de apoio aos refugiados prometeu processar o capitão e o armador pela forma desumana como tratou os passageiros.

É após essa decisão que a carta anónima é enviada para Oliveira Salazar. Tudo indica que este a reencaminhou para a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, a antecessora da PIDE, responsável pelo controlo de estrangeiros.

A resposta às acusações é feita na própria carta em diversas linhas manuscritas. A assinatura é ilegível, mas certamente será de algum responsável da polícia. Assegura-se que as acusações são falsas e que o internamento em Caxias teve com objectivo proteger os refugiados e "evitar as especulações que com eles se estavam fazendo".

Vários passageiros conseguiram nos dias seguintes vistos para Shangai ou para a Austrália, mas com as voltas que a guerra deu não é fácil perceber onde terminou a viagem destas 46 pessoas.

Carlos Guerreiro

sábado, 26 de janeiro de 2013

Lembrar o Holocausto em Lisboa


Numa inicitiva da Fundação Aristides de Sousa Mendes (FASM), e com o objectivo de recordar o dia 27 de Janeiro de 1945, dia da libertação de Auschwitz, realiza-se em Lisboa uma sessão integrada no Dia do Holocausto.

Sessão tem lugar na segunda-feira, 28 de Janeiro, pelas 18.00 horas, no Centro de Estudos Judiciários (CEJ), e conta com a presença do Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho, e intervenções da historiadora Irene Pimentel, do Presidente da FASM, José Leitão, do Presidente da Comunidade Israelita de Lisboa, José Bensaude Oulman Carp, e do Director do CEJ, António Pedro Barbas Homem.

A entrada é Livre.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

«Conferência Portugal e o Holocausto»
Antissemitismo no Estado Novo

A Time de 1946 e que levou à sua suspensão em Portugal

A tese de que o Estado Novo teve não só um discurso como também uma acção antissemita, transformando Salazar num cúmplice involuntário do genocídio, avançada pelo historiador Manuel Loff, foi um dos momentos que causou maior discussão e debate durante a Conferência Portugal e o Holocausto, que decorreu entre 29 e 30 de Outubro na Fundação Gulbenkian.

"Tendemos a aceitar que a política de Salazar não era racista e que foi solidário para com as vítimas dos nazis, eu não aceito", afirmou Manuel Loff, da Universidade do Porto.

Nesse sentido o historiador salientou circulares publicadas pelo Governo em 1938 e 1939 que proibiam a atribuição de passaportes a indivíduos com nacionalidade indefinida, a russos e a judeus "expulsos das suas nações".

"Salazar não atuava na ignorância das questões do Holocausto", assegurou Loff dizendo ainda que, no limite, as indicações de Lisboa durante a guerra foram a de "proteger" judeus nos locais onde se encontravam.

No caso de Budapeste, explicou Loff, referindo-se aos diplomatas Carlos Garrido e Sampaio Branquinho - que emitiram passaportes portugueses a judeus húngaros em 1944, já depois do desembarque Aliado na Normandia -, "há um carácter excepcional em que a representação portuguesa dá protecção diplomática", mas consciente de que seria "tecnicamente impossível" a viagem da Hungria para Portugal.

"A norma era sempre impedir que os judeus chegassem a Portugal. Protege-los noutros países. Torna esta atitude Portugal cúmplice no Holocausto? De forma involuntária é evidente que sim", acredita Manuel Loff.

Para este historiador, os acontecimentos que envolveram o cônsul português Aristides Sousa Mendes, que emitiu milhares de passaportes a judeus em França durante a II Guerra Mundial, levaram o Ministério dos Negócios Estrangeiros português a "fabricar" a possibilidade de ações nazis contra Lisboa.

"Não há qualquer documento alemão que aponte para a possibilidade de eventuais represálias, por causa dos actos de Aristides Sousa Mendes que sustentem uma razão de Estado. Há, por isso, um significado de natureza politica e ideológica que é impedir a reconstituição de uma comunidade judaica em Portugal", explicou Loff.

O investigador não tem dúvidas de que o antissemitismo está presente na direita integralista e nos círculos ultra-católicos do país, mas que depois da guerra se construíram memórias positivas para eliminar aspetos incómodos do passado.

"A hegemonia ideológica do mito do não-racismo é perdura até hoje. Portugal era um país colonizador e havia racismo, dizer o contrário pode ser o comum, mas não é científico. O discurso auto-elogioso do papel de Portugal durante a II Guerra Mundial foi feito pelo próprio regime e sobreviveu incólume à sua passagem" disse ainda Manuel Loff.

Referindo-se à imprensa da época, Loff cita títulos e artigos publicados no Diário de Notícias e no Diário da Manhã onde se pode ler que “em Portugal não há problema judaico porque este foi resolvido no século XVI" ou ainda que as "características odiosas dos judeus constituem três ameaças: maçónica, bolchevista e judaica".

Outros especialistas presentes contestaram de forma veemente esta tese de Manuel Loff. Irene Pimentel e Avraham Milgram dizem não reconhecer no regime um cunho antissemita.

Tanto um como outro salientam a existência de uma comunidade judaica no país que, mesmo sendo reduzida, convivia de forma próxima com o poder instituído.

Aceitam a existência de um sentimento antissemita – ou racista – em alguma população, mas asseguram que isso nunca teve um reflexo claro a nível de política oficial por parte de Salazar.

Sobre a existência de legislação discriminatória em relação aos refugiados judeus que procuravam entrar em Portugal, Irene Pimentel, salientou que esta não é muito diferente da que existiu noutros países neutros do centro da Europa.

Portugal, assegura Pimentel, tentava desta forma evitar a entrada de milhares de pessoas que claramente não queria no eu território.

Irene Pimentel disse ainda que, face a documentação que consultou e aos testemunhos que reuniu, que era mais difícil ser refugiado político do que refugiado judeu em Portugal, durante aquele período.

Carlos Guerreiro (com Lusa)
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Para ler mais sobre a Conferência Portugal e o Holocausto clique AQUI.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

«Conferência Portugal e o Holocausto»
Judeus Portugueses abandonados na Europa

Milhares de refugiados estrangeiros encontraram em Portugal um refúgio, enquanto esperavam por um navio ou qualquer outro meio que lhes permitisse escapar da Europa.

Este aspecto, muitas vezes salientado ao longo dos últimos anos, não deixa de ser ensombrado pela decisão do Estado Novo de virar costas aos judeus de origem portuguesa que se encontravam em vários pontos do mundo e sob alçada do regime nazi.


Na maior parte dos casos tratavam-se de comunidades há muito afastadas do país – desde expulsão dos judeus no final do século XV – mas que continuavam a falar e a considerar-se portugueses.

O caso não é, de facto novo, mas mereceu novamente destaque durante a conferência "Portugal e o Holocausto" que decorreu em Lisboa na última semana.

Avraham Milgram, Investigador israelita do Yad Vashem de Jerusalém e autor do livro editado em 2010 “Portugal, Salazar e os Judeus”, referiu, nomeadamente, o caso dos judeus portugueses na Holanda e na Grécia que o Estado novo decidiu não ajudar, apesar dos apelos, transformando Salazar num cúmplice do aconteceu depois.

"O caso mais conhecido foi quando Salazar não reconheceu os quatro mil judeus de origem portuguesa, na Holanda, mas sem vínculo formal a Portugal.Este episódio faz de Salazar um cúmplice involuntário", disse Milgram, referindo também casos semelhantes de judeus portugueses da origem turca ou grega.

Há vários anos que diferentes pessoas chamam a atenção para este tema, nomeadamente, os jornalistas Nair Alexandra e António Melo, e também pela historiadora Irene Pimentel no seu livro "Judeus em Portugal durante a II Guerra Mundial".

Ainda recentemente estes casos merecerem de novo atenção no livro de Esther Mucznik, "Portugal no Holocausto", editado este ano e onde a  autora conta a história dos 4 mil judeus portugueses deportados da holanda, mas também de outros de Salónica e ainda de vários pontos da Europa (ver AQUI).

Avrahm Milgram disse durante a conferência que se criou – no final da guerra - uma memória positiva do regime, mas parcial, pois não abrange toda a história daquele período.

Carlos Guerreiro (com Lusa)
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Para ler mais sobre a Conferência Portugal e o Holocausto clique AQUI.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Exposições para avivar memórias

Por Lisboa encontra neste momento três exposições que têm como tema central a II Guerra Mundial. Duas olham para Portugal desse período e a última é dedicada a uma personalidade polaca, judaica, que encontrou a morte no campo de concentração de Treblinka.

Até 9 de Novembro, no Edifício da Câmara de Lisboa, está patente a exposição fotográfica que resultou das pesquizas do autor Neil Lochery para a preparação do livro “Lisboa, a Guerra das Sombras na Cidade da Luz”, e que já mereceu referência neste blogue (ver AQUI).

Até ao dia 4 de Novembro a Fundação Gulbenkian apresenta “Os Refugiados do Holocausto e Portugal”, uma exposição fotográfica e documental que lança um olhar sobre a temática dos refugiados que passaram pelo país entre 1933 e 1945.

Ao longo de 14 painéis podem encontrar-se duas cronologias, uma referente a Portugal entre os anos de 1926 e 1945 e outra de acontecimentos internacionais ocorridos entre 1931 e 1945. 

Completam esta mostra vários documentos oficiais como passaportes passados a refugiados por embaixadas ou consulados portugueses na Europa e cartas e circulares de várias origens onde a questão dos refugiados é discutida.


Diversas notícias, publicadas em periódicos nacionais, onde se fala da presença dos milhares de deslocados também está presente. Esta exposição foi preparada para ser deslocada para outros espaços e existe também uma versão digital para utilização nas escolas.


A complementar estes painéis e documentos encontramos também uma outra exposição chamada “À Procura de 6 em 6 milhões”.

Trata-se de um projecto da Escola Secundária de Vilela, onde cerca de uma dezena de alunos, do 12º ano, tentou recuperar a memória de várias pessoas, adultos e crianças, que morreram durante o holocausto.


A exposição apresenta a biografia de cada um deles - concebida com a colaboração de familiares dos desparecidos - para além de fotografias e cópias de documentos.


Reformador do Mundo 

No Espaço Memória dos Exílios, em Cascais, encontra a Exposição «Reformador do Mundo» dedicada a Janusz Korczak, médico e pedagogo judeu nascido em Varsóvia, assassinado no campo de extermínio de Treblinka durante a Segunda Guerra Mundial.


Esta exposição, elaborada em colaboração com a embaixada da Polónia, retrata a história de um pedagogo inovador e autor de obras no campo da teoria e prática educacional, com destaque para as suas iniciativas pioneiras em prol dos direitos da criança.

Bom feriado e bom fim-de-semana
Carlos Guerreiro

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Lisboa e o Holocausto em Conferência

Cerca de 50 especialistas vão reunir-se nos dias 29 e 30 de Outubro, em Lisboa, para falar sobre o tema do Holocausto e do papel de Portugal durante o período da segunda Guerra Mundial.

No programa, durante o primeiro dia, anunciam-se vários workshops que decorrem em simultâneo e que abordam temas como relações políticas e diplomáticas, o Futuro da investigação em Portugal sobre o Holocausto entre outros temas.

Para ver progrma progrma completo pode clicar AQUI.

Mais de uma vintena de especialistas portugueses, austríacos, americanos e outros. No dia seguinte realizam—se os painéis de discussão.

Entre os especialistas presentes contam-se nomes como Allan Katz (Embaixador dos EUA em Portugal), António José Telo, Clara Ferreira Alves, Douglas Wheeler, Eduardo Lourenço, Eduardo Marçal Grilo, Esther Mucznik, Irene Pimentel, Isabel Alçada, João Paulo Avelãs Nunes, José Pedro Castanheira ou Maria de Lurdes Rodrigues.

A iniciativa conta com a organização da embaixada Americana, da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e vai ter lugar na Fundação Calouste Gulbenkian.
 
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até ao dia 23 deste mês AQUI.

Pode encontrar a página oficial da iniciativa AQUI.

Bom fim de semana
Carlos Guerreiro

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Wilfried Israel, Salvando vidas sem medo

Os defensores da teoria do abate intencional do Voo 777, da British Overseas Airways Corporation (BOAC), que partiu na manhã de 1 de Junho de 1943 de Lisboa, referem a presença de várias personalidades a bordo do bimotor que justificariam a acção dos caças alemães, e entre estes surge o nome de Wilfrid Israel.

  Wilfrid Israel, o calmo empresário germano-britânico que terá salvado cerca de 30 mil judeus durante a 2ª Guerra Mundial
(Foto cedida por Michael Simonson do Leo Baeck Institute)

 Para além de possíveis questões de espionagem protagonizadas pelo actor Leslie Howard, ou das semelhanças físicas de Alfred Chennals com Churchil (ver "Reportagem sobre Voo 777"), o nome de Israel, um rico judeu germano-britânico, aparece também como possível portador de informações secretas ou como uma espinha atravessada na garganta dos nazis, pelas ousadas acções de salvamento que tinha protagonizado.

Ele é associado ao salvamento de 30 mil judeus da Alemanha, cerca de um terço, eram crianças.

Israel tinha chegado a Portugal em Março encarregado de uma missão da Jewish Agency for Palestine, uma das várias organizações humanitárias que montaram quartel em Lisboa durante a Guerra, com o objectivo de ajudar e retirar judeus e outros refugiados de Portugal e da Europa.

Trazia consigo cerca de 200 certificados de imigração britânicos que permitiriam chegar à Palestina. Salvar vidas não era uma novidade Wilfrid. Apesar de ter nascido em Inglaterra, em 11 de Julho de 1899, era herdeiro de um dos maiores estabelecimentos comercias de Berlim, onde trabalhavam cerca de 2000 pessoas.


Compras por Vidas

Desde 1933, quando subiram ao poder os Nacional-Socialistas, que financiava a saída de famílias judaicas da Alemanha. Compras por vidas As suas ligações à alta sociedade alemã e aos meios económicos – a empresa "N. Israel" esteve cotada em bolsa – deram-lhe alguma protecção nos primeiros anos do nazismo e permitiram-lhe realizar algumas acções que granjearam o respeito da comunidade.

Numa primeira fase a solução de Hitler para os Judeus passava por obriga-los a sair do país e não pela sua exterminação. Wilfrid envolveu-se no “Kindertransport”, um programa de retirada de crianças judaicas que terá evacuado da Alemanha cerca de 10 mil crianças antes do início da guerra.

Quando os alemães foram aconselhados a não fazer compras em estabelecimentos judeus, o armazém de Wilfrid continuou a trabalhar.




Livro sobre Wilfrid Israel, da autoria de Naomi Shepherd, editado em  1984.
Mais infomações aqui:






Após a “Noite de Cristal”, em Novembro de 1938, quando os nazis invadiram e destruíram milhares de lojas, propriedade de judeus, Wifrid Israel protegeu como pôde os seus empregados judeus e familiares.

Depois fez um levantamento dos tinham sido presos e dirigiu-se ao campo de concentração de Sachenhausen, para negociar com o comandante. Trocou a liberdade deles por dinheiro e “convidou” o comandante a fazer as compras de natal na sua loja, gratuitamente…

Nesse ano ele e o irmão foram finalmente obrigados a vender o negócio e retiraram-se para Inglaterra. Está num Kibutz na Palestina quando estala a guerra. Regressa ao Reino Unido para ajudar a separar os verdadeiros refugiados de agentes alemães que se infiltraram entre os milhares de fugitivos.

Assume ainda um cargo na Universidade de Oxford, mas nunca perde de vista as diversas agências envolvidas no salvamento de judeus na Europa ocupada, razão porque ninguém estranha a sua nomeação para a função em Lisboa da Jewish Agency for Palestine.


Verdadeiro Pimpinela Escarlate 

No livro de 1984 sobre a sua vida são descritas as últimas semanas de vida de Wilfrid passadas em Portugal e Espanha. No nosso país visitou refugiados em Lisboa, Caldas da Rainha e Ericeira. Entendeu que os judeus se encontravam bem alojados e numa posição relativamente segura.

Por outro lado, em Espanha, relata as “terríveis condições” em que ali viviam os judeus nos campos de internamento criados pelo governo de Franco. Decide-se por entregar a maioria dos certificados britânicos de imigração aos que se encontram no país vizinho.

Por coincidência encontra-se em Madrid com Leslie Howard – um dos principais actores de “E Tudo o Vento Levou” - que desenvolvia uma campanha de propaganda a favor dos aliados falando de cinema e de Shakespeare. Conferências semelhantes foram realizadas em Lisboa.



 "Trailer" do filme documentário sobre a vida de Wilfrid Israel, lançado este ano.

Howard tinha também produzido e actuado no filme “Pimpinela Escarlate”, relato da história de um nobre inglês que durante o período negro da revolução francesa salva aristocratas franceses da guilhotina. A versão de Howard, de 1941, é claramente um filme de denúncia do nazismo…

Israel explica a Howard a sua missão durante um almoço na embaixada britânica. Quer retirar dos campos espanhóis os judeus que conseguisse e envia-los para a Palestina. Procurava especialmente jovens com idades entre os 14 e os 16 anos. Gente nova com vontade de recomeçar…

Por outro lado tentava também perceber a possibilidade resgatar cerca de mil crianças que ainda se encontravam em França…

“Mas você é o pimpinela escarlate. Eu apenas desempenhei o papel”, terá referido Leslie Howard.

Voltariam a encontrar-se na manhã de 1 de Junho de 1943, em Lisboa, junto do "Ibis", o avião que os conduziria para a morte…

Mais tarde, e com base no trabalho de Wilfrid partiriam, de Lisboa em navios portugueses, cerca de 750 imigrantes judeus destinados à Palestina.

Várias crianças seriam também retiradas através de rotas alpinas de França. Um rota difícil que cobraria em vidas essa ousadia.

De Wilfrid Israel ficou ainda uma colecção de arte oriental resultante de uma paixão de juventude. Armazenada em Inglaterra durante a Guerra seria herdada pelo kibutz de Hazorea, em Israel (país), que montou um museu em sua memória e, recentemente, produziu também um filme/ documentário sobre a sua vida…

Carlos Guerreiro 

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Leia mais sobre os passageiros e tripulantes do Voo 777 AQUI.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Livro "Portugueses no Holocausto"

O tema são os portugueses que, de várias formas, estiveram ou se viram envolvidos no holocausto nazi...

Clique na barra sob a fotografia para ouvir a entrevista feita por José Manuel Rosendo, que passou na "Antena 1".

Fica também o texto que acompanha a reportagem e uma sinopse da obra...


Entrevista a Esther Mucznik

Esther Mucznik apresenta, esta terça-feira, "Portugueses no Holocausto", um livro que aborda os portugueses que ajudaram judeus a fugir do Holocausto, os portugueses ou luso-descendentes apanhados pela máquina de guerra nazi na Europa ocupada e a forma como a população portuguesa recebeu os judeus que encontraram em Portugal o refúgio que lhes salvou a vida.



Judeus perseguidos por Hitler infinitamente gratos ao povo português

Apesar do acolhimento da população, o governo de António Salazar quis "esconder" os judeus com receio da propagação de novas ideias.

Não fosse o povo aprender a pensar como o regime não queria.

A PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado) não lhes facilitou a vida. Feitas as contas, diz a autora, a neutralidade adotada por Portugal durante a II Guerra Mundial acabou por ser benéfica para as partes beligerantes e essa neutralidade permitiu que os judeus encontrassem um porto seguro em Portugal.




Edição da "Esfera dos Livros", 
com o ISBN: 978-989-626-373-7 














Pior sorte tiveram outros judeus luso-descendentes em vários países europeus, a quem o governo português virou as costas quando precisavam de um visto para entrar em Portugal.

Nos tempos que correm Esther Mucznik não esconde o receio pelas votações que os partidos de extrema direita têm vindo a conseguir na Europa.

A história não se repete, mas repete-se de diferentes maneiras.

Uma entrevista do jornalista José Manuel Rosendo.
2012-05-29


SINOPSE OFICIAL DO LIVRO:

 Baruch Leão Lopes de Laguna, um dos grandes pintores da escola holandesa do século XIX, judeu de origem portuguesa, morreu em 1943 no campo de concentração de Auschwitz.

Não foi o único, com ele desapareceram 4 mil judeus de origem portuguesa na Holanda, que acabaram nas câmaras de gás.

No memorial do campo de Bergen-Belsen consta o nome de 21 portugueses deportados de Salónica, entre estes Porper Colomar e Richard Lopes que não sobreviveram.

Em França, José Brito Mendes arrisca a sua vida, escondendo a pequena Cecile, cujos pais judeus são deportados para os campos da morte.

Uma história de coragem e humanismo no meio da atrocidade. Em Viena, a infanta Maria Adelaide de Bragança também não ficou indiferente ao sofrimento, e não hesitou em ajudar a resistência nomeadamente no cuidado dos feridos, no transporte de armas e mantimentos, tendo sido presa pela Gestapo.

Esther Mucznik traz-nos um livro absolutamente original, baseado numa investigação profunda e cuidada em que nos conta a história que faltava contar sobre a posição de Portugal durante a Segunda Guerra Mundial.


Boas Leituras
Carlos Guerreiro 

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Para outros livros clique AQUI.

Para mais sobre refugiados clique AQUI

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

“A memória do Holocausto na Cultura Europeia”

Termina no dia 06 de Fevereiro de 2012 a inscrição para um curso avançado na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, denominado “A memória do Holocausto na Cultura Europeia”.




Trata-se de uma organização conjunta entre a Universidade Católica e a Memoshoá (Associação Memoria e Ensino do Holocausto) e tem como objectivo estudar o impacto histórico, político e social do Holocausto na Europa.

As aulas do curso realizam-se às quartas e quintas-feiras entre as 18.30 e as 21.30 horas, num total de 16 sessões, que começam a 8 de Fevereiro e terminam a 28 de Março.

Para saber mais sobre o curso pode contactar Helena Eça, no telefone 217 214 060 ou através do e-mail helena.eca@fch.lisboa.ucp.pt .

Pode encontrar mais informação se clicar AQUI…

O Aterrem em Portugal deixa-lhe também o plano de estudos e os respectivos coordenadores:


>>>> Origens, contexto e natureza do anti-semitismo

Coordenadores: Esther Mucznik e Pe. Peter Stilwell

. Deus, os judeus e a história

. O anti-semitismo: um fenómeno único de longevidade

. Ruptura das confissões cristãs e do magistério da Igreja Católica com o anti-semitismo na 2ª metade do século XX.

. O anti-semitismo hoje: passado ou presente?


>>>> A Alemanha Nazi: paroxismo anti-semita e "banalidade do mal"

Coordenadores: José Miguel Sardica e Ana Paula Rias

. O Zeitgeist da Europa finissecular: imperialismo, nacionalismo, irracionalismo, pessimismo, darwinismo e racismo.

. A racialização do anti-semitismo na cultura do II Reich alemão: Deutschtum versus Judentum (1871-1918).

. A politização do anti-semitismo na República de Weimar: o choque do pós-Guerra ("Dolchtosslegende") e o abismo sócioeconómico de 1918-1923.

. As origens e a ascensão de Adolf Hitler: a adolescência vienense, o heroísmo da guerra, o orador revolucionário e o putschista do Völkish ariano.

. A nacionalidade e a raça no Mein Kampf: o judeicídio anunciado.

. A crise da República de Weimar: a segunda metade dos anos 20, o impacto do crash de 1929 na Alemanha e a progressão eleitoral do Partido Nazi.

. O triunfo da vontade hitleriana: a conquista da Chancelaria, o incêndio do Reichstag e o Acto de Habilitação.

. A Weltanschauung nazi e o anti-semitismo como programa de governo (1933-1939).

. As Leis Raciais de Nuremberga de 1935 e a legalização da violência anti-semita.

. Calúnias e boicotes, perseguições e pogroms: a Reichkristallnacht de 1938 e a popularização da violência anti-semita.


>>>> A guerra e a destruição dos judeus europeus

Coordenadores: Ricardo Presumido e Adérito Tavares

. A II Guerra Mundial e a ocupação da Europa

. Inicio da "Solução final": Operação Barbarossa, a Conferência de Wannsee e a escalada do Holocausto

. O processo da "Solução final": organização, estrutura e desenvolvimento

. Geografia do extermínio

. A Europa e o mundo face ao Holocausto



>>>> Propaganda nazi e cultura popular: Entre Goebbels e Der Stürmer

Coordenadores: Isabel Gil e Teresa Seruya

. A cultura popular e a mediatização do estereótipo: arquitectura, imprensa, imagem e cinema ao serviço do nazismo

. A arte moderna e a modernidade conservadora: A arte degenerada.

. ‘Onde se queimam livros...' (Heine): Os autores malditos do III Reich, exílio, morte e imigração interior.

. Estudo de caso: Leon Feuchtwanger e o caso Jüd Süss.



>>>> Memória e esquecimento: debates actuais

Coordenadores: Esther Mucznik e Isabel Gil

. Memória e identidade - O lugar do Holocausto na sociedade europeia

. Holocausto ou Holocaustos: aspectos universais e singulares do Holocausto

. A Musealização da memória: Museus, esculturas e memoriais

. A representação do Holocausto na literatura e nas artes plásticas (exemplos representativos de Paul Celan e Primo Levi a Anselm Kiefer).

. Banalização, revisionismo e negacionismo



>>>> O Holocausto em testemunhos: vítimas, carrascos, libertadores e observadores

Coordenadores: Ricardo Presumido, Isabel Gil

. Testemunho, autenticidade e ficção.

. O lugar do testemunho na memória do Holocausto.

. O discurso do sobrevivente: Colaboração do Yad Vashem e da Spielberg Foundation.



>>>> Portugal durante a guerra

Coordenadores: Irene Pimentel, António Matos Ferreira

. A questão religiosa e anti-semita: a Republica, o Estado Novo e os Judeus

. Política de neutralidade e política de fronteiras

. Refugiados: os que ficaram e os que partiram

. Papel das organizações judaicas e dos Justos portugueses

. Atitude do Estado Novo: os casos do repatriamento dos judeus portugueses e dos judeus da Hungria

. Atitudes da "opinião pública" portuguesa



>>>> Mesa redonda - Holocausto na consciência europeia

Moderação: Isabel Gil

Participantes: Rui Ramos, Manuela Franco, Esther Mucznik, Joachim Bernauer, Richard Zimler



>>> Visita de Estudo - Espaço Memoria dos Exílios

Coordenação: Ricardo Presumido e António Carvalho (CMC)

Exposição "O Holocausto Visto pelas Crianças".



Boas aulas...
Carlos Guerreiro



sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Três portugueses no centro da tragédia

No dia em que se comemora o “Dia Internacional do Holocausto” recordam-se também, numa exposição, as acções e três portugueses que em períodos diferentes da II Guerra Mundial se envolveram no salvamento de milhares de pessoas – a maioria judeus – que de outra forma teriam morrido às mãos de Hitler.

Aspecto da exposição sobre os três diplomatas portugueses.
(Foto: Hugo Araújo/J.F. dos Anjos)

Numa iniciativa da Junta de Freguesia dos Anjos, em Lisboa, encontra-se na sede do Conselho Distrital da ordem dos Advogados (Rua dos Anjos, 79), uma exposição documental com o nome “Vidas Poupadas – A Acção de Três Diplomatas portugueses na II Guerra Mundial”. Os três diplomatas são Aristides de Sousa Mendes, Sampaio Garrido e Teixeira Branquinho.


A história do primeiro é talvez a mais conhecida. Na exposição vai ter oportunidade de ver cópias dos documentos que foram trocados entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros e o cônsul de Bordéus durante o curto período em que passou milhares de vistos a estrangeiros, contra as ordens do Governo português. Também lá estão a nota de culpa do processo disciplinar, as inquirições, autos diversos, cartas e toda a documentação oficial relacionada com o caso.




Sampaio Garrido (ao lado).





Após a inauguração da exposição foi também descerrada uma placa em memória de Sampaio Garrido, junto à Delegação Distrital da Ordem dos Advogados.
(Foto: Hugo Araújo/J.F. dos Anjos)

Por desrespeitar as ordens Sousa Mendes seria expulso da carreira diplomática, sendo reabilitado apenas depois do 25 de Abril. Pelos seus actos Sousa Mendes foi agraciado, em 1967, com a medalha dos justos pela instituição israelita Yad Vashem.

Até 2010 seria o único português a ver atribuída uma medalha e uma árvore com o seu nome no museu do holocausto. Nesse ano também Sampaio Garrido seria distinguido pela sua acção na Hungria em 1944, quando conseguiu – com a colaboração posterior  de Teixeira Branquinho – salvar cerca de um milhar de judeus húngaros que de outra forma teriam certamente sido deportados para campos de concentração.

A história destes dois homens é menos conhecida mas foi recuperada em 2008 numa grande reportagem  dos jornalistas Sofia Leite e António Louçã, que passou na RTP. O trabalho viria receber o mais alto galardão atribuído a um trabalho jornalístico – o Prémio Gazeta…

Aproveite o fim de semana e conheça um pouco da nossa história, numa reportagem excelente…

“A lista de Chorin” – reportagem RTP – parte 1

“A lista de Chorin” – reportagem RTP – parte 2

Já agora sugiro que tentem levar para casa o catálogo da exposição. É um documento que faz um resumo muito interessante da vida e do trabalho dos três homens...

Um bom fim de semana
Carlos Guerreiro



sábado, 29 de janeiro de 2011

“Heil Hitler” nas ruas de Lisboa

“Uma outra categoria de estrangeiros chama de forma mais insistente a atenção dos portugueses. São os muitos membros, empregados e funcionários da Legação da Alemanha e dos seus serviços de consulado, de imprensa, de informação e demais departamentos. Esta categoria indesejada de estrangeiros impõe-se de uma forma que causa espanto entre os visitantes de Lisboa. Não é raro, quando passeamos pela rua, ou nos sentamos num café, ouvir – em voz alta – o cumprimento ‘Heil Hitler’. O seu aspecto saudável, de faces bem alimentadas, carteiras recheadas e a sua roupa perfeitamente vincada deixa a suspeita justificada de que estes beneficiários do nacional-socialismo têm passado ali uma vida muito mais rica que os seus concidadãos na Alemanha.”


"Die Zeitung" foi uma das várias publicações distribuídas entre a comunidade alemã exilada após a chegada de Hitler ao poder. Este jornal, semanal, tinha a sede no Reino Unido. (Deutsche Nationalbibliothek)

Este é um dos parágrafos que descreve a capital portuguesa numa publicação distribuída em Inglaterra entre refugiados de origem alemã, em Dezembro de 1943. O jornal - “Die Zeitung”, no seu título original - publicou entre Outubro e Dezembro daquele ano artigos assinados por Bernd Ruland, que percorreu o caminho entre o sul de França e Lisboa para conseguir escapar ao regime Nazi.


O campo de concentração em Espanha

Refugiado ainda antes da guerra foi um dos muitos que acreditaram que o regime de Vichy não se iria dobrar às exigências de Hitler, entregando Judeus e opositores a viver em França. Após a invasão escaparam para o sul do país, a zona livre, onde pensaram estar em segurança.

Em 1942 Vichy retira as licenças de residência e as autorizações de circulação. Bernd e a mulher, percebem que mais tarde ou mais cedo serão “devolvidos à procedência”.

 Apátridas, pois o Governo alemão retirou a nacionalidade a quem não interessava, conseguem passar a fronteira para Espanha onde são detidos e internados no campo de concentração de Miranda del Ebro.

Só são libertados após a invasão do Norte de África pelos aliados em finais de 1942. Os espanhóis percebem quem vão ser os vencedores da guerra e fecham o complexo que reúne, no mesmo espaço, refugiados, civis e militares aliados encontrados em território espanhol.
 
Bernd chega a Lisboa no Lusitânia Expresso que liga as duas capitais Ibéricas “sem paragens em apenas 12 horas, quando antes se levavam 20”, explica. Prepara-se depois para uma longa espera que o levara até ao Reino Unido.

No conjunto de artigos a que chamou “Flucht nach England” (Fuga para Inglaterra), Ruland vai descrevendo os ambientes e os locais por onde passa. O nosso país merece o título de um destes artigos: “Leben in Portugal” (Vida em Portugal).

Ingleses e americanos cumprimentados na rua

Fala sobre os milhares de refugiados que passeiam pelas ruas e sobre o facto das autoridades portuguesas lhes fixaram residência em cidades dos arredores para evitar o caos na capital.

Fala do desejo de partir.

Fala de um Tejo cheio de navios que saem em direcção a diversos destinos – especialmente para a América -, mas vazios, pois não há vistos ou dinheiro para comprar um bilhete rumo à liberdade.

 Uma refugiada entrando num navio no porto de Lisboa, a porta para liberdade. Imagem do filme "Fantasia Lusitana".

A Ruland fica ainda a impressão que o governo português se prepara para ceder a neutralidade, tendo em conta as preparações militares e os dispositivos de defesa que são visíveis em vários pontos.

Por outro lado refere como generalizada a simpatia pela “centenária” aliança britânica, enquanto existe alguma antipatia pela causa alemã e, especialmente, pela japonesa, devido à invasão de Timor e às tensões em Macau.

Para reforçar esta ideia relata a atitude dos portugueses face ao anúncio da rendição italiana (assinado a 3 de Setembro, mas tornado publico apenas a 8): “(...) magotes de pessoas juntaram-se junto às bancas dos jornais. Falava-se do assunto de forma animada e, se viam alguém com aspecto de ser inglês ou americano, apertavam-lhe a mão, congratulando-o. Esta atmosfera representou uma mudança radical para pessoas que, como eu, vieram de países do eixo ou simpatizantes do eixo.”
 
O artigo continua neste tom: “E há mais um aspecto que me tocou de forma muito forte. Nos portugueses o ódio racial, quer ao judeu, quer ao negro, é completamente desconhecido”.

“No país que há 400 anos expulsou todos os judeus do seu território existem hoje pequenas associações, protegidas por lei, e os judeus são aceites em todas as profissões não sendo visível qualquer propaganda anti-semita”, termina, no seu tom admirado, o artigo de Bernd Ruland, antes de referir a chegada a Inglaterra, através de um voo civil da BOAC, que partia periodicamente da Portela em direcção a Witchurch, em Bristol.

Carlos Guerreiro

domingo, 11 de julho de 2010

A madeira na rota do nazismo... e outras histórias

Aos poucos ficamos a conhecer o Portugal da II Guerra Mundial. A notícia vem no Diário de Notícias da Madeira. Trata-se de ficção, baseada em factos reais… afinal o nazismo e a sua ideologia tinha braços longos, que se estendia para lá do continente.

Já agora fica mais uma informação. Talvez poucos saibam que em Olhão, no Algarve, chegou a existir um clube de camisas castanhas italianos. A PVDE (antecessora da PIDE) seguia as suas actividades com atenção. Não podemos esquecer que em Olhão existia uma forte comunidade italiana, empresários da indústria conserveira, e artífices na fundação do Sporting Clube Olhanense – aquele que voltou ao primeiro escalão do futebol português no ano passado.

Quem sabe destas coisas da bola já deve ter reparado que o equipamento do clube – listas verticais negras e rubras – é idêntico ao do Milão. Não é por acaso…

Fica a notícia do lançamento do livro que se chama o “Bazar Alemão”, e não faço classificações sobre a sua qualidade, pois não o li ainda...

Nazis na ilha inspiram ficção



A forma insidiosa e perversa como a ideologia nazista se propagou aos quatro cantos do mundo, não poupando sequer a 'Pérola do Atlântico' em vésperas da Segunda Guerra Mundial, é a temática de 'O Bazar Alemão', novo livro da escritora madeirense Helena Marques, a autora de obras aplaudidas como 'O Último Cais', 'A Deusa Sentada' ou 'Os Íbis Vermelhos da Guiana', entre várias outras.

De facto, e por incrível que pareça, houve mesmo tentativas de perseguição e de causar prejuízos pessoais e profissionais a judeus alemães residentes no Funchal, na época, por parte dos simpatizantes do nazismo, que incluíam não só alemães como também madeirenses.

'O Bazar Alemão', que vai para as livrarias a 18 de Julho, e cujo lançamento oficial só deverá ser realizado em Setembro (mas que já tivemos oportunidade de ler) é um livro interessante, não só pela capacidade narrativa da autora, que consegue interessar o leitor até à última página, como pela singularidade de basear-se em factos reais, ocorridos na Madeira, que, na época, era verdadeiramente paradisíaca para muitos cidadãos estrangeiros e até para locais e, num certo sentido, mesmo cosmopolita. Essa capacidade de retratar um Funchal romântico e entretanto já quase totalmente desaparecido, com as suas quintas, as suas 'garden parties' e 'cocktail parties', a sua vida social, a época em que as telefonias eram o último grito tecnológico para nos mantermos a par do que se passava no mundo (inclusive ouvindo a BBC), a descrição convincente do quotidiano numa cidade que reconhecemos geograficamente pela toponímia de muitas ruas e espaços que ainda hoje subsistem, abona em favor da capacidade evocativa e descritiva de Helena Marques.

Investigação universitária inspirou

Mas o que verdadeiramente inspirou este livro foi, explicou-nos a autora, a leitura de um trabalho de investigação de Anne Martina Emonts, docente do Departamento de Estudos Alemães da Universidade da Madeira, que, debruçando-se sobre o espólio do Consulado Alemão no Funchal entre os anos de 1938 e 1939 (hoje no Arquivo Político alemão, em Berlim) descobriu cartas de denúncia anti-semita enviadas à Gestapo em Berlim, com repercussões, no Funchal, sobre o Consulado Alemão e sobre as vidas dos denunciados. Era uma consequência da 'Lei da Protecção do Sangue Alemão e da Honra Alemã', promulgada pelo III Reich em Setembro de 1935, e que, como diz Helena Marques, "por mais extraordinário que pareça", despertou "zelos persecutórios" em núcleos alemães no estrangeiro. E mesmo no nosso meio!

Curiosamente, estas informações não transpiraram para a opinião pública e os perseguidos e denunciados calaram, em termos gerais, a sua revolta. Pelo que estes factos só foram descobertos muito mais tarde.

"Penso que esse fenómeno era desconhecido da esmagadora maioria dos madeirenses. Não me recordo de história semelhante. Na minha família, tinha o caso de uma tia-avó casada com um alemão, e lembro-me que o meu avô, anglófilo e que 'torcia' pelos Aliados, dizia que quando os tios-avôs viessem a casa, não se falava da Guerra. Mas nunca suspeitei que uma história como a que conto no meu livro fosse possível. Tanto quanto sei, estava condenada a desaparecer, se a Anne Martina Emonts não tivesse feito uma investigação sobre a Escola Alemã do Funchal, que a conduziu a este assunto, que achei perfeitamente espantoso".
No romance, Helena Marques narra, entre outras tramas, a história de Elizabeth e Eugen, estes sim personagens reais, cujos nomes próprios não foram alterados (os apelidos, sim), e que viram a sua felicidade enquanto casal ameaçada por denúncias e perseguições anti-semitas de péssimo gosto.

"Eu recordo-me desse casal, que conheci quando eles já tinham 50 e tal anos... E continuavam a ser pessoas felizes, muito bem dispostas... O amor deles não foi efémero, foi realmente para a vida toda, e isso, do meu ponto de vista, torna ainda mais interessante este encontro dos dois na ilha, nas vésperas da Segunda Guerra Mundial. Não tiveram filhos, mas eram muito simpáticos, luminosos... Não sei quando casaram, quando conseguiram romper aquele círculo vicioso e maléfico. Mas a verdade é que conseguiram". O facto de a autora os ter conhecido 20 anos mais tarde, felizes, é que a deixou estupefacta quanto à "tragédia que, de facto, ia destruindo as vidas deles".

'O Bazar Alemão' reflecte as relações cordiais entre madeirenses e estrangeiros, a privilegiada situação dos ingleses na Madeira, mas também a vivência de cidadãos oriundos de outras nacionalidades, incluindo uma colónia alemã, e a forma como as relações entre uns e outros decorriam com cordialidade mas num clima de alguma tensão contida, face ao conflito armado que se avizinhava. E tudo isto numa ilha agradável e de clima ameno, longe dos futuros cenários de batalha, num Portugal fascista cuja lealdade tenderia naturalmente para a associação com Hitler, Mussolini e Franco, mas que cultivava, com a Grã-Bretanha, a mais antiga aliança europeia. Um equilíbrio estranho e algo precário, portanto.

Helena Marques tomou liberdades e criou personagens que nunca existiram (afinal, este é um romance) mas recuperou a memória de algumas pessoas que existiram de facto, como a de uma alemã que dirigia o restaurante do Terreiro da Luta, e sobre a qual, no entanto, muito pouco conseguiu saber. Na história figuram tipos humanos interessantes como o médico judeu Franz Schönberg [inventado] que ajudam a compor o ambiente.

"Nós estamos tão habituados ao lado anglo-saxónico da Madeira, que esquecemos que houve uma colónia alemã também grande, influente. Eu era uma miúda na altura da Segunda Guerra Mundial, nasci em 1935, mas lembro-me muito bem do pós-Guerra, e dessa presença germânica. Não tinha, porém, a noção de que tivesse havido uma colónia alemã tão numerosa, capaz de criar, ao fim e ao cabo, esses nichos de influência".

Madeirenses germanófilos

Simpatizantes madeirenses da doutrina nacional-socialista, como o Visconde do Porto da Cruz [que surge, no livro, 'disfarçado' com o nome de Barão da Penha de Águia], e que era conhecido também de Helena Marques e da sua família, também ajudam a completar o 'ramalhete'. "Ele era, de facto, um germanófilo entusiasta, com uma posição francamente pró-nazi. Achei que era uma personagem que daria também o outro lado da história, ou seja, que nem todos os madeirenses eram anglófilos. Nunca imaginei que a Alemanha estivesse tão empenhada em disputar a influência britânica sobre a Madeira"... A ilha era mesmo vista, então, como um potencial destino futuro de férias para as élites nazis, uma vez vencida, pela Alemanha, a 2ª Guerra...

Para escrever este livro, Helena Marques socorreu-se não só da sua memória, mas também de muita investigação. Cria uma reconstituição muito convincente do Funchal da época, com o seu Hotel Reid's, o seu Golden Gate, a movimentação marítima e toda a vivência social da altura... "Conversava-se muito, sabe?", diz a escritora.

E a descrição das visitas de trabalhadores alemães nacional-socialistas ao Funchal, desembarcando cada qual com a bandeirinha da cruz suástica na mão, em excursões dirigidas pela organização 'A Força pela Alegria', reflecte a originalidade de uma cidade cosmopolita no Atlântico, flutuando entre influências e tensões internacionais, à beira de uma Guerra devastadora... Este é um livro que entretém, educa e lança um olhar esclarecedor sobre o nosso passado.

O misterioso caso do 'doutor morte'

O Diário de Notícias continua a desenvolver a história de mais esta busca... a reportagem é da jornalista CATARINA REIS DA FONSECA...




Médico nazi matou centenas de pessoas em campos de concentração. Usava o crânio de uma das suas vítimas como pisa- -papéis, operava sem anestesia e cronometrava o tempo que os prisioneiros demoravam a morrer. Autoridades continuam à procura de provas oficiais da sua morte

Todos os dias caminhava mais de 20 quilómetros por entre as movimentadas ruas do Cairo. A máquina fotográfica era a sua companhia enquanto deambulava pela capital egípcia. E a fotografia era um dos seus passatempos preferidos.

Apesar da idade avançada, Tarek Hussein Farid conservava vestígios do jogador de hóquei de porte atlético da sua juventude. Passava horas a jogar ténis com os filhos do dono do hotel onde vivia. Para as crianças era o tio Tarek, o austríaco que aos 49 anos, em 1963, decidiu mudar-se para o Egipto.

A mudança do nome que recebeu à nascença foi justificada pela conversão ao islão e o trabalho como médico da polícia secreta egípcia fazia parte de um quotidiano insuspeito.

Mas a inocente história da sua vida no Cairo não permitia adivinhar o passado negro que carregava. Nascido em Bad Radkersburg, em 1914, Farid era, afinal, Aribert Heim, o médico nazi que durante a II Guerra Mundial assassinou centenas de pessoas nos campos de concentração de Mauthausen, Buchenwald e Sachsenhausen.

É um dos mais perseguidos criminosos nazis de todos os tempos. É ou era? Ainda não existe uma resposta definitiva para esta questão. No ano passado, uma investigação levada a cabo pelo New York Times concluiu que Heim morrera em 1992, mas o óbito nunca foi oficialmente comprovado. Isto porque as autoridades egípcias recusam fornecer provas concretas do falecimento do homem que ficou conhecido como 'Doutor Morte'.

As razões para a atribuição da alcunha não são difíceis de perceber. Heim submetia os prisioneiros judeus a todo o tipo de experiências macabras, que invariavelmente conduziam à morte. Realizava cirurgias sem anestesia para testar a resistência à dor e removia órgãos de jovens saudáveis, deixando-os morrer na mesa de operações. Com a ajuda do farmacêutico Eric Wasicky injectava líquidos como gasolina, fenol ou água envenenada no coração das vítimas e cronometrava o tempo que demoravam a morrer.

Heim, que iniciou os estudos de Medicina em Graz, terminou a licenciatura em Viena em 1940. A sua ligação ao Partido Nacional Socialista começou em 1935, até que cinco anos mais tarde decidiu alistar-se como voluntário nas Waffen-SS. No ano seguinte foi destacado para trabalhar no campo de Mauthausen. A sua estada durou menos de dois meses, mas ao que tudo indica terá assassinado cerca de 300 pessoas.

Durante anos, desde o seu desaparecimento, em 1962, a polícia alemã analisou mais de 240 pistas sobre o seu paradeiro, mas nenhuma delas conduziu a Heim. De acordo com informações avançadas pelo filho do médico, assim que soube que ia ser julgado Heim apressou-se a deixar Baden Baden, a cidade alemã onde tinha um consultório. Espanha, Argentina ou Chile são alguns dos países que foram apontados como possíveis refúgios do homem que muitos recusam chamar médico. Até que, no ano passado, o seu filho, Rudiger Heim, revelou numa emissão de TV que o pai esteve sempre escondido no Cairo. "Atravessou de carro França e Espanha e depois entrou no Egipto, através de Marrocos, com um visto de turista", garantiu.

Disse que estava ao lado do pai quando este morreu em 1992, vítima de cancro no cólon. Mas restam dúvidas sobre a veracidade da história.

Efraim Zuroff, conhecido como "o último caçador de nazis" e director do Centro Simon Wiesenthal, recusa aceitar a teoria do falecimento do Doutor Morte até que as autoridades egípcias apresentem provas concretas. "Não há corpo, não há ADN, não há campa", afirmou Zuroff.

Caso esteja vivo, Aribert Heim terá chegado aos 96 anos. Escapou sem nunca responder por nenhum dos seus crimes.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

À procura dos últimos...

A história vem no Diário de Notícas. Procuram-se as últimas pontas soltas de um regime brutal...
Fic a notícia porque já vi, por diversas vezes utilizarem a expressão "Dr. Morte", mesmo em filmes, e é importante perceber que nem tudo é ficção.


Caso de desaparecimento do 'Doutor Morte' por desvendar



Usava o crânio de uma das suas vítimas como pisa-papéis. Injectava líquidos como gasolina, fenol ou água envenenada directamente no coração de prisioneiros e cronometrava o tempo que demoravam a morrer.
Aribert Heim, o médico austríaco que o mundo conhece como "Doutor Morte", assassinou centenas de pessoas no campo de concentração nazi de Mauthausen, um dos locais onde exerceu funções durante a II Guerra Mundial.
Na certidão de óbito de Heim, um dos mais procurados criminosos nazis de sempre, consta que terá morrido há 18 anos no Cairo, onde se encontraria escondido desde 1963. Mas, até hoje, as autoridades alemãs ainda não conseguiram ter acesso a dados que comprovem o seu falecimento.
"Está provado que Heim viveu no Egipto durante anos, mas não há uma prova de ADN ou forense de que morreu ali em 1992." Quem o garante, em declarações ao El País de ontem, é Efraim Zuroff, chefe da Operação Última Oportunidade, levada a cabo pelo Centro Simon Wiesenthal para localizar os últimos criminosos nazis vivos. Mas também a polícia alemã se tem esforçado para apurar a verdade. Em Maio do ano passado, foram enviados ao Cairo dois agentes de Estugarda, que tentaram ter acesso às declarações do médico que, supostamente, presenciou a morte de Heim. Mas, segundo informações avançadas pelo mesmo diário espanhol, tudo o que receberam foi um "silêncio ensurdecedor".
O filho do "Doutor Morte" assegura que o pai - que, se ainda estiver vivo, terá 96 anos - "sofria de cancro no cólon e morreu a 10 de Agosto de 1992". Rüdiger Heim afirma que o pai abandonou as consultas de pediatria que dava na Alemanha em 1962, pouco depois de ter sido emitida uma ordem de detenção. "Atravessou de carro França e Espanha e depois entrou no Egipto, através de Marrocos, com um visto de turista", garante.
Foi no Cairo que, durante 30 anos, trabalhou como médico ao serviço da polícia secreta egípcia.
Heim foi preso pelos Aliados em 1945, mas libertado dois anos depois, sem nunca ter respondido pelos seus crimes.

Link para a notícia

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Mais documentação on-line

É um trabalho meritório - apesar de existirem algumas dificuldades no acesso que, espero, sejam passageiras. No mesmo site há também links para outros documentos que não só o "L’Osservatore Romano". É mais uma fonte para quem investiga estes tempos...



















Edições do L’Osservatore Romano da II Guerra Mundial publicados na net


A iniciativa parte de uma ONG que trabalha na área do diálogo inter-religioso e pretende clarificar a questão do papel da Igreja durante a guerra.

A Pave the Way Foundation, uma organização dedicada ao diálogo inter-religioso e chefiada pelo judeu Elliot Hershberg, obteve autorização do L’Osservatore Romano, visto como sendo o jornal oficial do Vaticano, para publicar na internet as suas edições do período da Segunda Guerra Mundial.

“É um grande passo no sentido de educar os historiadores legítimos em todo o mundo. Têm sido feitas muitas referências a artigos do L’Osservatore Romano ao longo dos anos, tanto negativas como positivas, e agora estas poderão ser verificadas on-line”.

A Pave the Way Foundation tem feito muitos esforços nos últimos anos para ajudar a clarificar o papel da Igreja Católica, e em particular de Pio XII, durante a guerra, e tem publicado documentação, por vezes inédita, que desmente a ideia de que o Papa nada terá feito para ajudar os judeus.

A organização já reuniu dezenas de milhares de páginas de documentação no seu site: "www.ptwf.org". Esse acervo ficará significativamente maior com a adição dos jornais em formato digital.