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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Exposições para avivar memórias

Por Lisboa encontra neste momento três exposições que têm como tema central a II Guerra Mundial. Duas olham para Portugal desse período e a última é dedicada a uma personalidade polaca, judaica, que encontrou a morte no campo de concentração de Treblinka.

Até 9 de Novembro, no Edifício da Câmara de Lisboa, está patente a exposição fotográfica que resultou das pesquizas do autor Neil Lochery para a preparação do livro “Lisboa, a Guerra das Sombras na Cidade da Luz”, e que já mereceu referência neste blogue (ver AQUI).

Até ao dia 4 de Novembro a Fundação Gulbenkian apresenta “Os Refugiados do Holocausto e Portugal”, uma exposição fotográfica e documental que lança um olhar sobre a temática dos refugiados que passaram pelo país entre 1933 e 1945.

Ao longo de 14 painéis podem encontrar-se duas cronologias, uma referente a Portugal entre os anos de 1926 e 1945 e outra de acontecimentos internacionais ocorridos entre 1931 e 1945. 

Completam esta mostra vários documentos oficiais como passaportes passados a refugiados por embaixadas ou consulados portugueses na Europa e cartas e circulares de várias origens onde a questão dos refugiados é discutida.


Diversas notícias, publicadas em periódicos nacionais, onde se fala da presença dos milhares de deslocados também está presente. Esta exposição foi preparada para ser deslocada para outros espaços e existe também uma versão digital para utilização nas escolas.


A complementar estes painéis e documentos encontramos também uma outra exposição chamada “À Procura de 6 em 6 milhões”.

Trata-se de um projecto da Escola Secundária de Vilela, onde cerca de uma dezena de alunos, do 12º ano, tentou recuperar a memória de várias pessoas, adultos e crianças, que morreram durante o holocausto.


A exposição apresenta a biografia de cada um deles - concebida com a colaboração de familiares dos desparecidos - para além de fotografias e cópias de documentos.


Reformador do Mundo 

No Espaço Memória dos Exílios, em Cascais, encontra a Exposição «Reformador do Mundo» dedicada a Janusz Korczak, médico e pedagogo judeu nascido em Varsóvia, assassinado no campo de extermínio de Treblinka durante a Segunda Guerra Mundial.


Esta exposição, elaborada em colaboração com a embaixada da Polónia, retrata a história de um pedagogo inovador e autor de obras no campo da teoria e prática educacional, com destaque para as suas iniciativas pioneiras em prol dos direitos da criança.

Bom feriado e bom fim-de-semana
Carlos Guerreiro

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Uma ponte para a verdade

Dois meses depois da Invasão da Polónia pelos alemães – e do início da II Guerra Mundial - o “Século Ilustrado” publicou esta página e chamou-lhe simplesmente “Assim se faz história”.

Certamente existiriam outras frases para descrever o conjunto de imagens publicada por este semanário a 4 de Novembro de 1939:



- “A primeira vítima da guerra é a verdade”;

- “A verdade de cada um”;

- “Uma boa imagem vale por mil palavras” (ou por todas as palavras que quisermos);

- “Seis formas de o enganar…”

Muitas outras também fariam sentido…

O esquema utilizado é bastante simples. Repete-se a imagem e mudam as legendas, mostrando a facilidade como se alteram ou criam acontecimentos. É uma crítica directa à manipulação e à propaganda que, por aqueles tempos, dava já passos firmes visando o controlo da sociedade…

Não deixa de ser curioso que isto aconteça num jornal editado sob a bandeira da censura do Estado Novo, também criada para policiar e controlar informação…

Quem sabe se o autor da página não pretende mesmo isso:

- “Já agora, não acredite em tudo o que lê” - (mesmo que o leia aqui)…

Ficam a foto e as legendas…


NUMA REVISTA INGLESA: O brutal invasor da Polónia fez na nação mártir estragos, como este, no valor de muitos milhões de libras.
(Século Ilustrado - Arquivo Municipal de Portimão)



NUMA REVISTA FRANCESA: A pata do invasor. Selvagens bombardeamentos alemães destruíram na Polónia obras de engenharia sem valor militar.
(Século Ilustrado - Arquivo Municipal de Portimão)



NUMA REVISTA ALEMÃ: O capitalismo inglês levou os polacos à loucura de destruírem pontes para retardar a libertação da Polónia.
(Século Ilustrado - Arquivo Municipal de Portimão)



NUMA REVISTA ITALIANA: O avanço glorioso das tropas germânicas obrigou os polacos a destruírem pontes para retardar a invasão da Polónia.
(Século Ilustrado - Arquivo Municipal de Portimão)



NUMA REVISTA JAPONESA: O mal entendido entre a Polónia e a Alemanha originou estragos lamentáveis.
(Século Ilustrado - Arquivo Municipal de Portimão)



LEGENDA PORTUGUESA: Uma ponte construída pelos polacos e desfeita não se sabe por quem.
(Século Ilustrado - Arquivo Municipal de Portimão)


Carlos Guerreiro