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terça-feira, 5 de junho de 2018

Autora de livro sobre família salva por Sousa Mendes está em Portugal

Joan Halperin, autora do livro "My Sister's Eyes” A Family Chronicle of Rescue and Loss During World War II", publicado o ano passado, e que conta a história do salvamento da sua família durante a II Guerra Mundial graças a vistos passados por Aristides de Sousa Mendes, vai estar em Portugal nos próximos dias.


Amanhã pode-se encontrá-la no Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal, onde uma turma do nono ano está a realizar um trabalho relacionado com a obra publicada pela autora, envolvendo as disciplinas de Inglês e Educação Visual. No dia seguinte Halperin estará em Cabanas de Viriato.

As iniciativas, que contam com organização da Sousa Mendes Foundation, prosseguem dia 13 no auditório municipal da Figueira da Foz, cidade onde a família da autora esperou pelos vistos de saída de Portugal durante a guerra.

No dia seguinte estará entre as 14.30 horas e as 16.30 no Estoril, no espaço Memória dos Exílios, e depois das 17.30 na Biblioteca Museu República e Resistência, em Lisboa.

Joan Halperin é filha e neta de refugiados que receberam vistos de Aristides de Sousa Mendes e é responsável pelo serviço educativo da Sousa Mendes Foundation nos EUA.

O livro conta a história do salvamento de parte da sua família que partiu da Polónia, passou por Portugal e continuou até aos Estados Unidos.

Carlos Guerreiro

terça-feira, 6 de março de 2018

Livros...
"Sete Janelas com Vista para a Morte"

O ponto de partida para este policial de ficção de Miguel Miranda é a aterragem forçada do bombardeiro da RAF, Avro Lancaster, em Vila Chã em 1943.



No livro de Miguel Miranda, para além dos tripulantes o avião trazia também um espião e uma fortuna que contribuíram para um mistério décadas depois...

"Sete Janelas com Vista para a Morte" é lançado esta tarde, às 18.30 horas, na FNAC do Chiado. No dia 14 será apresentado no Porto...

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Algumas perguntas a Cláudia Ninhos

A forma como a Alemanha olhou e se relacionou com Portugal durante o período da II Guerra Mundial é o tema central do novo livro da historiadora Cláudia Ninhos. "Portugal e os Nazis" já pode ser encontrado nas livrarias e o seu lançamento está marcado para o dia 14 de Novembro na livraria Buchholz.

Para saber um pouco mais sobre esta nova obra ficam algumas informações deixadas pela autora...

Aterrem em Portugal - Porque se interessou pelas relações entre Portugal e o Nazismo?

Cláudia Ninhos - O interesse começou por ser apenas pela língua alemã, que estudei na escola, durante o ensino secundário, e no Goethe Institut. Só depois é que evoluiu para um interesse pela história e pela cultura alemã, em geral. Quando fiz a minha licenciatura em História tive a oportunidade de frequentar várias disciplinas no departamento de Estudos Alemães.

A língua alemã tem sido uma ferramenta muito útil já que me permitu aceder a importantes arquivos e à bibliografia alemã. Em especial no que diz respeito ao estudo da II Guerra Mundial, sempre achei que os investigadores portugueses, ao descurarem esta importante documentação, estavam a esquecer um dos lados da história.

Quando fui para os arquivos alemães fazer investigação, nomeadamente para o Arquivo Político do Ministério dos Negócios Estrangeiros, as minhas desconfianças tornaram-se certezas. O arquivo tem um enorme manancial de informação que sobreviveu à guerra. E não podemos esquecer que a representação diplomática alemã na capital portuguesa esteve aberta até ao final do conflito, em Maio de 1945, mantendo um contacto constante quer com as autoridades portuguesas, quer com as alemãs, o que torna a documentação extremamente rica.


AP - Houve uma grande intervenção cultural, social, económica e propagandista do nazimo no nosso país antes e durante a guerra. Havia alguma estratégia nesta intensa atividade?

CN - Com a chegada do Ministro Oswald von Hoyningen-Huene a Lisboa, em Outubro de 1934, houve finalmente uma estratégia. Antes disso algumas linhas de actuação estavam já a ser construídas, mas é Huene que vem dar-lhes a estabilidade necessária. Depois, teve a sagacidade de compreender que a cultura alemã poderia ser um instrumento para aproximar os dois países.

Toda a gente olha para a cultura como “apolítica”, mas a verdade é que a política cultural alemã – a Kulturpolitik- tem sempre por trás objectivos político-económicos e Huene soube “vender” muito bem a cultura alemã enquanto instrumento de poder.


AP - Foi possível perceber, através da documentação alemã que consultou, qual a imagem que os dirigentes nazis tinham de Salazar e de Portugal?

CN - Quando o ministro Huene chegou a Portugal teve duas tarefas árduas em mãos. Por um lado, teve de provar à Wilhelstrasse (esta era a rua onde se localizava o MNE alemão e é por isso uma nomenclatura muito utilizada para se referirem ao ministério) que Portugal, aquele país distante e periférico, era importante para o novo quadro geopolítico da Europa dos anos 30.

Por outro lado, em Portugal, teve de aplacar as desconfianças de Salazar e de uma parte da elite portuguesa face ao regime Nacional-Socialista e a Hitler. É claro que tinha em Portugal, nomeadamente em Lisboa e especialemente em Coimbra, um grupo de intelectuais e de governantes que olhavam com admiração para a Alemanha, e isso ajudou-o.

Para Huene, a melhor forma de contrariar o predomínio inglês passava por manter um comportamento amigável em relação ao presidente do Conselho e apoiar os seus objetivos ideológicos para a construção do «Novo Portugal» e as instituições portuguesas, como a Legião e a MP. Quanto mais forte fosse a autoridade de Salazar, mais indepentente seria a política de Portugal em relação a Inglaterra. Enquanto esteve em Lisboa – quase 10 anos! – tentou aproximar os jovens portugueses da Alemanha, promovento inúmeras atividades das instituições culturais alemãs no país, como o Grémio Luso-Alemão.

Há um documento muito interessante em que Hoyningen-Huene escreve para Berlim descrevendo a ditadura portuguesa e explicando por que motivo Salazar não poderia enveredar movimento fascista, com uma dinâmica revolucionária, estando limitado a simpatizar com a ideologia nacional-socialista e fascista.

Apesar de considerar que Salazar conhecia os benefícios da introdução do Fascismo sob a sua própria liderança, havia três factores que, segundo Huene, o impediam de seguir esse rumo. Primeiro, a oposição do exército, que não queria ceder a sua influência a um grande movimento popular. Em segundo lugar, a aversão de Salazar a uma liderança de cariz populista que exigia um contacto pessoal com as massas.

E, por último, o receio de que o «temperamento português» não se ajustasse à tensão, interna e perene, que o Fascismo exigia de cada indivíduo. Huene dizia mesmo que nem o Nacional-Sindicalismo, que ideologicamente denotava uma maior proximidade com o regime nazi, era considerado um movimento de massas, uma vez que a população era maioritariamente analfabeta.

Convite para o lançamento do novo livro de Cláudia Ninhos

AP - da história desse período ficou a imagem de um Salazar dividido em relação ao Nazismo, identificando-se com uma parte da ideologia e rejeitando outra de forma clara. Essa imagem sobrevive à análise da documentação que realizou para escrever este livro?

CN - Embora tivesse consultado documentação de arquivos portugueses, a minha prioridade não foi essa.Neste livro procurei, sobretudo, fazer um exercício contrário ao que normalmente é feito. Ou seja, procurei olhar para Portugal a partir das fontes alemãs para compreender qual a estratégia diplomática germânica, recuando mesmo no tempo para analisar continuidades e rupturas.


AP - Houve alguma parte da pesquisa que a tenha surpreendido de forma particular?

CN - Várias. Uma delas foi o papel central do ministro Hoyningen-Huene. Ele foi a coluna vertebral de toda a diplomacia alemã em Portugal, cultivando relações com a elite portuguesa e até mesmo com os outros diplomatas estrangeiros.

O seu papel moderador relativamente ao regime português desencadeou conflitos com as organizações nazis em Portugal, que constantemente se queixavam do diplomata a Berlim. Outra questão que me surpreendeu foi o acordo cultural. Huene fez da assinatura deste acordo um “cavalo de batalha”, pressionando sistematicamente o governo português. Aliás, acompanhar as negociações deste acordo através das fontes alemãs permite-nos compreender a forma de actuação do MNE e de Salazar. A assinatura deste documento nunca foi recusada pelo regime, que adiou sistematicamente uma tomada de decisão, de tal forma que caiu no esquecimento com a eclosão da guerra.

As entidades portuguesas envolvidas – o MNE, o Ministério da Educação Nacional ou o Instituto para a Alta Cultura- desculpavam-se atribuindo a responsabilidade pela demora umas às outras, o que obrigou Huene a desdobrar-se em intermináveis contactos bilaterais. Ainda a propósito deste acordo, há um parecer redigido por Marcello Caetano, na qualidade de vogal do IAC, que analisa com enorme lucidez os objectivos políticos e económicos da diplomacia cultural alemã, como poderão ler no livro.

Boas leituras,
Carlos Guerreiro

quarta-feira, 29 de março de 2017

Guerra em Timor e Macau são temas para filme e livro

O livro “O Diário de Tenente Pires”, que relata a ocupação japonesa de Timor, vai servir de inspiração ao realizador português Francisco Manso quer fazer uma longa-metragem de ficção sobre o tema.

Tenente Manuel Pires
À Agência Lusa o realizador disse que pretende relatar "aquela barbaridade terrível. Os japoneses mataram milhares de timorenses, criaram campos de concentração para os poucos portugueses que ali viviam na altura, sem defesa nenhuma, porque quando pediram armas ao Salazar, ele ficou caladinho, porque não queria ali levantar problemas".

A resistência foi garantida por cerca de 300 australianos que "conduziram uma luta de guerrilha contra milhares de japoneses". 

Os australianos contaram com o apoio de timorenses e também de portugueses, "que foram considerados lesa-pátria em Portugal e foram exilados em Timor, mas esses é que eram verdadeiros patriotas porque tentaram defender Timor contra uma ocupação estrangeira", explica Francisco Manso.

O tenente Pires, português, "morre lá", depois de aprisionado pelos japoneses e de ter estado num campo de concentração.

A obra, acrescentou, "mostra o que aquele pequeno território sofreu ao longo de tempo, com estas sucessivas ocupações de gente musculada e bruta e de potências regionais". 

Para Francisco Manso, é "um prodígio como é que conseguiram resistir a tudo isto".

O argumento está escrito e os custos elevados do projeto deverão levar ao envolvimento da Austrália na produção. No próximo ano deverão ser realizadas as primeiras abordagens e levantamentos.


Rodrigues dos Santos escreve sobre Macau

“A Porta do Cerco” é o nome do romance que o jornalista e escritor José Rodrigues dos Santos está a escrever que tem como cenário Macau durante o período da II Guerra Mundial.

A ideia surgiu quando participou na primeira edição do festival literário Rota das Letras, em Macau, onde este ano é novamente convidado: "Há cinco anos estive em Macau e tive a ideia de fazer um romance que tocasse em Macau durante a II Guerra Mundial", disse o autor à Lusa.

Tal como todos os seus romances, "A Porta do Cerco" -- inspirado no nome da principal fronteira terrestre entre Macau e a China, chamada Portas do Cerco -- será alicerçado em factos históricos e centrado num século que o jornalista considera "muito interessante" por ser "de conflitos de ideologias". 

quarta-feira, 15 de março de 2017

Livros...
Na Toca do Lobo

Larry Loftis faz o retrato biográfico de Dusko Popov, um dos mais importantes espiões da II Guerra Mundial, que passou diversas vezes por Lisboa e aqui contactou com amigos e agentes de ambos os lados.

Popov foi um espião duplo que, por exemplo, avisou os americanos do ataque a Pearl Harbour e foi peça central no esquema que enganou os alemães no Dia D em 1944. Foi um mulherengo e jogador inveterado que apontando como tendo servido de base ao mais conhecido espião do mundo ficcional: James Bond, o agente 007.


"Na toca do Lobo", de Larry Loftis.
Saiba mais AQUI.

Sinopse Oficial:

CASINO ESTORIL - MAIO DE 1941

O ambiente no casino estava ao rubro. Um misterioso jogador sérvio não dava qualquer hipótese aos seus adversários. Tratava-se de um agente duplo britânico, Dusko Popov, e o dinheiro que apostava pertencia aos súbditos de Sua Majestade. Ian Fleming, que alcançaria a fama enquanto escritor das aventuras do famoso agente secreto 007, assistia com interesse ao desenlace de tamanha proeza.

Desde muito cedo, Popov destaca-se como um rebelde playboy.
É expulso da escola preparatória de Londres e, mais tarde, preso e banido da Alemanha por fazer declarações desfavoráveis ao Terceiro Reich. Começa então a verdadeira aventura da sua vida ao transformar-se no mais charmoso e bem-sucedido dos espiões, servindo três poderosos mestres de guerra: Abwehr, MI5 e MI6 e FBI.

A 10 de agosto de 1941, os alemães enviaram Popov aos EUA para construir uma rede de espionagem e reunir informações sobre Pearl Harbor. Desiludido com J. Edgar Hoover, que ignorou os seus avisos sobre o interesse dos japoneses em Pearl Harbor, regressou à sede dos serviços alemães em Lisboa. Mantendo o jogo duplo, conseguiu ajudar o MI5 a lograr a Abwehr sobre a invasão do Dia D.

Sob a máscara de diplomata jugoslavo, viveu intensamente as mais perigosas aventuras e saiu ileso de todos os conflitos.
Na Toca do Lobo é um relato incrível de espionagem, mentiras e altos riscos. É uma história de subterfúgios e sedução, patriotismo e coragem. 

É a história de Dusko Popov - a inspiração para James Bond.

Carlos Guerreiro

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Livros ...
O Comboio do Luxemburgo

O Festival Literário Internacional de Óbidos recebe esta tarde, às 18.30 horas, a apresentação d’ O Comboio de Luxemburgo, o novo livro das historiadoras Irene Pimentel e Margarida de Magalhães Ramalho. No dia 6 de Outubro será a vez da Fnac do Chiado receber uma iniciativa semelhante.

Pode adquirir "O Comboio do Luxemburgo" aqui.

Esta nova obra conta o caso de um comboio de refugiados judeus que em 1940 foi impedido de passar pela fronteira pelas autoridades portuguesas. Meia centena destes passageiros morreu em Auschwitz.

Fica sinopse oficial do livro:

Um livro que revela que nem todos os refugiados da Segunda Guerra Mundial se conseguiram salvar através de Portugal. A 7 de Novembro de 1940 partiu do Luxemburgo, país onde o nazismo tentou fabricar o primeiro país "livre de judeus", um comboio com 293 passageiros que tinha Portugal como destino. Mas ao contrário de outros comboios com judeus em fuga, não foi dada autorização na fronteira de Vilar Formoso para que entrasse no país.

Os refugiados ficaram mais de uma semana fechados nas carruagens, numa atmosfera desumana, sujeitos a um frio intenso e alimentando-se do pouco que a população pobre da zona tinha para lhes oferecer: pão, café e, por vezes, sopa. Ao fim de cerca de dez dias, o impasse foi quebrado. Já com as negociações em curso para instalar os judeus no Luso, o governo de Salazar negou-lhes a entrada em Portugal, empurrando-os assim para uma morte mais do que provável.

De regresso a França, estiveram ainda vários dias confinados ao comboio até os alemães decidirem interná-los em Mousserroles, perto de Baiona, num antigo campo de internamento. Libertados meses depois, alguns conseguiram partir para outras paragens e outros acabaram por ficar na França do regime de Vichy - destes, poucos sobreviveram aos campos de extermínio.

Mas porque foram os refugiados impedidos de entrar em Portugal? Após a análise de documentos inéditos e de entrevistas a sobreviventes e seus familiares, as historiadoras Irene Flunser Pimentel e Margarida de Magalhães Ramalho explicam-nos as razões deste acontecimento histórico muito pouco conhecido que deixa cair por terra a ideia de que Portugal, na figura do seu chefe de Governo, António de Oliveira Salazar, acolhia todos os refugiados da Segunda Guerra Mundial. 

Num momento em que vivemos tempos conturbados e assistimos diariamente ao drama dos refugiados que procuram escapar à guerra e à morte, O Comboio do Luxemburgo é uma obra essencial para compreender o passado e o presente da Europa, fazendo-nos também reflectir sobre o pode acontecer caso os refugiados actuais não sejam acolhidos.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Livros ...
Para ler ao sol e à sombra

São três livros que podem servir de companhia durante o período de férias ou nos dias de descanço que se aproximam. Dois deles estão editados em português e outro pode ser adquirido apenas em inglês.

Tratam-se de obras de "não ficção", das quais ficam os títulos e as sinopses oficiais...


17 Cravos, de Andrew Morton
A Realeza, os Nazis e o Maior Complô da História.

Saiba mais aqui
Um queria governar o mundo, o outro foi governado pela paixão. A improvável aliança entre Adolf Hitler e o duque de Windsor levou a um dos maiores complôs da História.

O plano era simples: A Alemanha invadiria a Grã-Bretanha e o duque de Windsor seria reposto no trono como rei-fantoche. Quando a invasão não se concretizou, o plano mudou e nasceu a Operação Willi: raptar os duques de Windsor enquanto estavam em Portugal, em 1940, como convidados do banqueiro Ricardo Espírito Santo Silva. Deste modo, a Alemanha teria dois reféns reais para forçar a Grã-Bretanha a ajoelhar-se.

Recorrendo a documentos do FBI, a fotografias e correspondência particulares, Andrew Morton narra a história repleta de aventura, intriga política, romance ilícito e traições familiares do duque de Windsor e da sua mulher, Wallis Simpson, de quem se dizia ter sido amante do ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Joachim von Ribbentrop, que lhe enviava 17 cravos para recordar o número de encontros amorosos.



A lista do padre Carreira, de António Marujo
A história desconhecida do Português que escondeu refugiados durante a Segunda Guerra Mundial

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Joaquim Carreira, padre português nascido em 1908 numa aldeia próxima de Fátima, arriscou a sua vida para esconder e proteger centenas de judeus e dissidentes numa Roma ocupada pelos nazis. Fê-lo no Pontifício Colégio Português, do qual se tornara reitor em 1941.

António Marujo, duas vezes vencedor do Prémio Europeu de Jornalismo Religioso na Imprensa Não-Confessional, oferece-nos uma visão pormenorizada do homem e do momento histórico em que viveu, resultado de uma longa investigação iniciada em 2012 para o Público - e graças à qual foi «descoberta» esta notável figura portuguesa.

Apoiado por documentação inédita do próprio Colégio Português, o autor apresenta-nos um dos homens que, em conjunto com figuras como Aristides de Sousa Mendes, Oskar Schindler ou Irene Sendler, foi responsável pelo salvamento de centenas de vidas durante a Segunda Guerra Mundial.

Pelos seus feitos e coragem, a 15 de abril de 2015, 70 anos depois do final da Segunda Guerra Mundial, Joaquim Carreira foi tornado «Justo entre as Nações» pelo Yad Vashem, o Memorial do Holocausto de Jerusalém. Esta é a maior distinção para não-judeus que pode ser emitida em nome do Estado de Israel e do povo judeu, sendo uma honra atribuída apenas a heróis. Um destes heróis é o padre Joaquim Carreira, e esta é a sua biografia definitiva.



Portuguese Fighter Colours 1919-1956: Piston-Engine Fighters
De Luís Armando Tavares e Armando Jorge Soares
Esta obra descreve e ilustra as cores e as insígnias dos caças com motor de pistão que serviram as forças armadas Portuguesas entre o final da 1ª Guerra Mundial e a década de 1960.

Saiba mais aqui
Portugal é uma pequena nação com armas aéreas de tamanho modesto, mas usou uma grande variedade de aviões de caça icónicos ao longo deste período. Desde logo o SPAD S.VII durante a 1ºª Guerra Mundial até ao Thunderbolt F -47 após o segundo conflito mundial. Aviões de construção francesa, britânica e americana foram utilizados por Portugal, incluindo os os famosos Hawker Fury e Hurricane, Spitfire ou Bell P -39 Airacobra.

Este livro, profusamente ilustrado, abrange todas essas aeronaves, detalhando o seu uso e pormenorizando as cores e marcas que utilizavam.

Há muitas fotografias e perfis coloridos com notas sobre o esquema de cores ou a ilustração de marcas nacionais. Um livro inestimável para entusiastas de aeronáutioca, historiadores e modelistas. (Tradução livre do inglês)

Boas leituras
Carlos Guerreiro

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Estoril relembra morte do general Sanjurjo

O romance “O Nosso Homem no Estoril”, de A. Travers, será apresentado no próximo dia 30, Sábado, por volta das 16 horas no Espaço Memória do Exílios, momento onde o jornalista Paulo Amaral também realizará a conferência “História e ficção de Sanjurjo, o ditador espanhol que não chegou a sê-lo”.


Pode adquirir o livro "O Nosso Homem no Estoril" AQUI.

O acidente de aviação que vitimou o general espanhol era o líder do levantamento que levaria os nacionalistas ao poder e Franco à cabeça do movimento.

As especulações sobre as reais causas do desastre ainda hoje são discutidas. Do livro, que será apresentado pelo editor da Gradiva Guilherme Velnete, fica a sinopse:

20 de Julho de 1936. Dois dias depois de começar o «levantamento nacional» contra o governo republicano de Madrid, uma avioneta despenhou-se em Portugal, na Quinta da Marinha.

De volta a Espanha, seguia nela José Sanjurjo, o general que iria dirigir o «levantamento». Era fácil juntar suspeitas a tal morte. Mas nem todos queriam que estas se transformassem numa busca da verdade. Pelo contrário! Para o general Franco, a morte do general Sanjurjo constituía uma grande oportunidade.

Acidente ou sabotagem?

Procurar a resposta era tudo menos isento de dificuldades. Em Lisboa, a investigação foi entregue ao inspector Miguel Neves. Sofrendo pressões da PVDE, recebeu instruções para seguir uma «pista comunista». Surgiram as dúvidas, adensou-se a curiosidade. E, por causa disso, foi mais longe do que queria."

Boas leituras...

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Livros...
Nubar Gulbenkian

A autobiografia de Nubar Gulbenkian será apresentada no próximo dia 26, terça feira, no Auditório 1 da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, na Avenida de Berna.


Nubar afirmava que tinha sido responsável pela vinda do pai, Calouste Gulbenkian, para Lisboa durante a II guerra mundial, pois este teria preferido a Suíça. A capital portuguesa teria parecido a Nubar menos perigosa e um local de onde seria mais fácil escapar, caso a situação europeia se continuasse a degradar.

Nubar foi ao longo da sai vida um visitante habitual de Lisboa, uma cidade que apreciava:”O ar é fantástico, a vista dos montes sobre o estuário do Tejo e sobre o mar, magnifico”, escreveu.

Esta autobiografia de Nubar Gulbenkian - que foi espião durante a guerra e construiu a sua própria fortuna - será editada pelo Labirinto de Letras, uma editora que tem no advogado José António Barreiros, o seu principal impulsionador,

A apresentação está a cargo de Maria Fernanda Rollo, do Instituto de História Contemporânea da FCSH da Universidade Nova. Presente estará também o director da Universidade, João Costa.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Algumas perguntas a Bernard Wasserstein

Bernard Wasserstein é o autor de “Do Holocausto à Salvação”, um livro lançado em Portugal no primeiro semestre deste ano, e que conta a história de Gertrude van Tijn, uma personalidade envolvida em alguma polémica e com participação activa nas negociações com os nazis para permitir a saída de judeus da Europa.

Van Tijn, uma alemã judaica a viver na Holanda, também passou por Lisboa, cidade que esteve no centro das rotas de saída de refugiados da Europa.

Bernard Wasserstein é Professor Emérito de História Judaica Moderna, na Universidade de Chicago, e autor de uma dúzia de livros relacionados com a história do judaísmo.

“The Ambiguity of Virtue: Gertrude van Tijn and the Fate of the Dutch Jews”, é o título original do último livro deste autor que respondeu a algumas questões enviadas pelo “Aterrem em Portugal!”.


Aterrem em Portugal: Quem era Gertrude Van Tijn?

Bernard Wasserstein: Oficialmente foi, entre 1933 e 1941, secretária do Comité de Refugiados Judeus de Amesterdão. Foi responsável por organizar o êxodo de milhares de refugiados judeus da Alemanha, e por encontrar locais de acolhimento para eles tanto no Novo Mundo, como na Palestina, na Austrália, ou noutros locais.

Entre 1941 e 1943 desempenhou um papel semelhante como responsável pelo departamento de emigração do Conselho Judeu de Amesterdão, criado pelos nazis.


Aterrem em Portugal: Qual era a importância do trabalho que ele desempenhava e o papel dos organismos que ela integrava?

Bernard Wasserstein: Ela teve um papel crucial no trabalho desenvolvido por aqueles organismos. Negociou com a Liga das Nações, o governo holandês, governos diversos, e organizações de ajuda internacional com o objectivo de encontrar soluções para a crise dos refugiados.

Aterrem em Portugal: Qual a importância de Lisboa no trabalho dela?

Bernard Wasserstein: Lisboa teve uma importância especial entre 1941 e 1943 porque era um dos poucos pontos de saída viáveis para os refugiados da Europa nazi. Foi-lhe mesmo permitido, pelas autoridades nazis de Amesterdão, que viajasse até Lisboa para uma curta visita, em Maio de 1941, com o objectivo de coordenar localmente uma importante operação de emigração de judeus da Holanda ocupada e da Alemanha.


Aterrem em Portugal: Há alguma ideia de quantas pessoas foram retiradas da Alemanha e do resto da Europa por estas organizações?

Bernard Wasserstein: No meu livro calculo que o número de salvamentos em que ela esteve envolvida, será aproximadamente de 22 mil. Dou todos os detalhes e demonstro como cheguei a estes números no meu livro.


Aterrem em Portugal: No final da guerra surgiram diversas acusações contra ela. O que aconteceu?

Bernard Wasserstein: Devido ao seu papel e ao seu trabalho no Conselho Judeu de Amesterdão, entre 1941 e 1943, houve quem lançasse suspeitas de que ela tivesse sido uma colaboracionista.

Ela tinha, de facto, negociado com os chefes das SS de Amesterdão, incluindo o tristemente célebre Klaus Barbie, com o objectivo de conseguir a libertação de judeus de territórios controlados pelos Nazis. Conseguiu assim salvar muitas vidas durante a ocupação.

Em alguns casos utilizou subornos. Noutros ajudou a organizar a troca de judeus na Holanda por civis alemães retidos pelos aliados.

O livro conta todos os detalhes e tem a documentação relativa aos casos.

Carlos Guerreiro

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Livro...
"Vilar Formoso - Fronteira da Paz"
de Margarida de Magalhães Ramalho

O novo livro de Margarida de Magalhães Ramalho, “Vilar Formoso - Fronteira da Paz” é apresentado sexta-feira, às 18 horas, na sala do Arquivo dos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa.


Lisboa é o local escolhido para o lançamento deste trabalho porque para muitos dos refugiados da II Guerra Mundial – um grande número deles entrados através de Vilar Formoso - a capital representava a porta de saída para uma nova vida.

O livro surge na sequência de um projecto iniciado em 2012, pela Câmara Municipal de Almeida, que quer inaugurar, em 2016, um pólo museológico dedicado aos refugiados, com o nome «Vilar Formoso - Fronteira da Paz».

A investigação, feita no âmbito deste projeto, acabou por servir de base à publicação – com o mesmo nome que o futuro museu – e apresenta documentação e testemunhos inéditos.

A obra está dividida em sete capítulos - Gente como nós; O Início do Pesadelo; A Viage; Vilar Formoso - Fronteira da Paz; Por Terras de Portugal e A Partida. Os mesmos temas poderão ser encontrados, no futuro, nos núcleos do museu.

Por Portugal passaram milhares de pessoas em fuga. Tratava-se, na maior parte, de gente anónima, mas também aqui estiveram escritores ilustres, cineastas, pintores, artistas de cinema, intelectuais, políticos, famílias reais, banqueiros, agentes secretos, entre outros.

Alguns dos que chegaram a Portugal, nessa altura, acabaram por relatar, nas suas memórias, essa experiência. Foi o caso, nomeadamente, de Arthur Koestler, Alfred Döblin, Heinrich Mann, Antoine de Saint – Exupéry, Erika Mann, George Rony e Peggy Guggenheim.

Trata-se de mais um mergulho na história recente do país, numa altura em que nos aproximamos da passagem dos 65 anos do fim da II Guerra Mundial.

Carlos Guerreiro

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Livros...
Dois Hotéis em Lisboa

A vida em Lisboa e na linha do Estoril, durante o ano de 1940, é tema para mais um livro, agora de ficção, saído das mãos de David Leavitt.

“Dois Hoteis em Lisboa” foi considerado um dos livros notáveis de 2013 pelos editores do “New York Times Book Review”, na categoria de ficção e poesia.

Leavitt é um autor consagrado, com vários romances e contos publicados, e vários estão traduzidos para português.

Fica a sinopse:

Dois casais de forasteiros travam conhecimento na lisboeta e cosmopolita pastelaria Suíça. Estamos no ano de 1940, em plena Segunda Guerra Mundial, e Lisboa fervilha com milhares de refugiados, que esperam pelo visto e pela possibilidade de viagem para a América, com espiões e membros da nobreza europeia.

Pete e Julia Winters são expatriados americanos burgueses que viviam em Paris; Edward e Iris Freleng são americanos também, mas mais ricos, sofisticados e boémios. Por coincidência, estão todos hospedados no Hotel Francfort, mas acabam por descobrir que afinal há dois hotéis Francfort em Lisboa.

É neste ambiente de tensão e de total insegurança, sobretudo em relação a um qualquer tipo de futuro, que a ligação entre os dois homens se desenvolve e se transforma num envolvimento amoroso.

Um romance maravilhosamente escrito, com um forte pendor sexual e político, e em que a cidade de Lisboa e a linha do Estoril têm o estatuto de personagem.

Boas Leituras.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Livros…
Do Holocausto à Salvação

Mais um livro sobre a 2ªGuerra Mundial que tem Lisboa como um dos centros da acção. Neste “Do Holocausto à Salvação”, lançado há poucas semanas, encontramos a história de Gertrude van Tijn, uma personalidade polémica que esteve envolvida nas negociações com os nazis para permitir a saída de Judeus da Europa.

O livro custa cerca de 20 Euros e pode ser encontrado em todas as livrarias.

O autor Bernard Wasserstein é professor emérito de História Moderna dos Judeus na Europa, na Universidade de Chicago. É autor de uma dúzia de livros sobre personalidades ou momentos históricos relacionados com a comunidade judaica na Europa e em Israel.

Fica a sinopse oficial e também um vídeo promocional…

Boas Leituras.


Sinopse:

A história da mulher que, a partir de Lisboa, ajudou milhares de judeus a fugir à morte certa. Em maio de 1941, Gertrude van Tijn chegou a Lisboa vinda de uma Amesterdão ocupada pelos nazis. Vinha com a missão de negociar o refúgio de milhares de judeus, alemães e holandeses, com a permissão das autoridades nazis. Mas seria esta mulher de meia-idade, carregando tamanha responsabilidade, capaz de desempenhar eficazmente a sua missão, estando conotada com os ocupantes?

Teria sido ela um mero peão manobrado pelos nazis, ou a sagaz heroína que pactuou com o inimigo para melhor poder defender o seu povo? Bernard Wasserstein, um dos maiores especialistas mundiais em História do Século XX, relata a odisseia desta judia alemã com nacionalidade holandesa que contribuiu, apesar da ambiguidade das suas virtudes, para o salvamento de milhares de pessoas.

Através dela, o autor conduz o leitor até aos sombrios tempos de guerra na Europa, expondo os dolorosos dilemas com que os judeus se confrontaram sob a ocupação nazi. O resultado é um fascinante documento, em que Portugal e a cidade de Lisboa desempenham um papel decisivo.

Para adquirir o livro pode clicar aqui:

   

terça-feira, 27 de maio de 2014

Páginas de BD e espionagem

Até ao final do mês há a possibilidade de assistir ao relançamento de uma obra maior da banda desenhada mundial e também conversar com um autor que muito tem trabalhado sobre a temática da espionagem em Portugal. Já na quarta-feira o Goethe-Institut, em Lisboa, recebe o relançamento de “MAUS - uma história de um sobrevivente” de Art Spiegelman.

Maus, que quer dizer rato em alemão, conta a história de Vladek Spiegelman, um judeu polaco que sobreviveu a Auschwitz. Narrou a sua história ao filho, o cartoonista Art Spiegelman, que a transformou no livro, considerado um clássico contemporâneo da BD.

 Em 1986 foi publicada a primeira parte e a segunda em 1991. No ano seguinte, o livro ganhou o prestigioso Prémio Pulitzer de literatura. Esta nova edição reúne num só as duas edições.

A apresentação deste livro está a cargo de Ricardo Presumido, vice-presidente da Memoshoá - Associação Memória e Ensino do Holocausto, e da jornalista Sara Figueiredo Costa.

No última dia de Maio, no Estoril, será a vez de conversar com José António Barreiros, a propósito do seu livro “Traição a Salazar”, que conta a história real da rede de operacionais ao serviço dos britânicos que ficou conhecida como Rede Shell e que foi desmantelada pela antecessora da PIDE, a PVDE.

Esta rede era constituída quase na totalidade por Portugueses, e coordenada por elementos do Special Operations Executive (SOE), e tinham como missão sabotar instalações essenciais caso a Alemanha invadisse o país.


Tudo foi organizado sem conhecimento das autoridade portugueses o que causou, para além da prisão de várias dos seus elementos, um problema diplomático de grande dimensões.

"Traição a Salazar" é apenas um dos vários livros que José António Barreiros dedicou à segunda Guerra Mundial e à espionagem que teve em Lisboa um dos seus grandes centros de actividade.

Certamente tema para uma boa conversa…

Para mais informações consulte a nossa AGENDA.

Carlos Guerreiro

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Algumas perguntas a Ferreira Almeida

“A Campanha do Ananás – Os Açores na II Guerra Mundial” é um livro da autoria de Ferreira Almeida, editado no final do ano passado .

São mais de 400 páginas resultantes da compilação de diversas publicações impressas ao longo de dois anos no semanário açoriano “Terra Nostra”.

Por aqui se podem ler como decorreram as relações entre militares e civis, a intensa disciplina que foi imposta aos milhares de soldados que foram deslocados do continente para as ilhas, os problemas de abastecimento que colocaram a todos à beira de fome, para além de episódios dramáticos ou hilariantes, que ainda hoje se contam pelas ilhas.

O livro custa 22 Euros e pode ser encomendado directamente na editora Publiçor através do e-mail publicor@publicor.pt , ou nas livrarias Solmar, em Ponta Delgada, e Ferin em Lisboa.


Aterrem em Portugal Porque chamou ao livro “A Campanha do Ananás – Os Açores na II Guerra Mundial”?

Ferreira Almeida - Campanha do Ananás é uma expressão chistosa por que ficou conhecida a concentração, em situação de campanha, do forte contingente de forças militares expedicionárias nos Açores, particularmente na ilha de S. Miguel, durante a II Guerra Mundial.

O ananás – o “rei dos frutos” – é um dos principais símbolos da ilha. A sua cultura – a mais importante indústria à data do conflito – foi muito prejudicada devido a os principais mercados de exportação serem justamente a Inglaterra e a Alemanha.

O subtítulo do livro decorre do facto de situar-se na ilha de S. Miguel o Comando Militar dos Açores, o principal centro de decisão do arquipélago.


Aterrem em Portugal – O governo transferiu milhares de soldados para os Açores. Qual era o objectivo?

Ferreira Almeida - A missão das forças expedicionárias nos Açores é a defesa do arquipélago, nomeadamente as ilhas “guarnecidas” – S. Miguel, Terceira e Faial, por ordem decrescente de importância – contra qualquer ameaça, quer dos Aliados quer das potências do Eixo.

O inimigo é o que atentar contra a soberania nacional.


Aterrem em Portugal – Como é que a população reagiu a este aumento do número de populares?

Ferreira Almeida - A primeira reacção popular é um misto de curiosidade e desconfiança. A pronúncia dos “soldados de Lisboa” encanta as moças, o que está naturalmente na origem de atritos entre continentais e açorianos. Mas, de um modo geral, a tropa, que fica instalada em praticamente todos os povoados é bem recebida pela população e criam-se laços de família que ainda perduram.


Aterrem em Portugal – Não terá sido fácil – num período de escassez – manter a população e os militares abastecidos. Houve alguns problemas?

Ferreira Almeida - Houve diversos problemas de abastecimentos, decorrentes da presença de várias unidades militares numa ilha com elevada densidade populacional e escassos recursos locais, não obstante a cadeia de reabastecimento do Exército.

Acrescia que, estando a motorização ainda numa fase embrionária, as unidades tinham um considerável efectivo de solípedes, que se impunha também alimentar.

Ao longo da campanha são uma constante o racionamento de alimentos (cereais, carnes, açúcar…), combustíveis (gasolina, petróleo, óleo de cachalote), etc., e as providências das autoridades, militares e civis, quer na gestão dos abastecimentos quer no combate ao açambarcamento e à especulação.


Aterrem em Portugal – Pairou sempre a ameaça de uma invasão estrangeira. Como reagiriam a população e as forças deslocadas a esta ameaça constante?

Ferreira Almeida - Em termos gerais, o Eixo tinha simpatizantes nos quadros do Exército e da Legião Portuguesa e no principal centro ananaseiro da ilha (Fajã de Baixo). A população pendia para os Aliados, dada a ligação aos Estados Unidos pela corrente migratória.

As medidas de protecção e o enquadramento da população para a eventualidade de invasão estavam a cargo da Legião Portuguesa, na sua vertente “Defesa Civil do Território”.

Pelo dispositivo defensivo e espírito das forças instaladas no terreno, deduz-se que estas teriam feito frente ao invasor, não obstante uma previsível desproporção de meios em confronto.

Aterrem em Portugal – Como foi o relacionamento com as forças estrangeiras que começaram a chegar em 1943?

Ferreira Almeida - O relacionamento quer de forças nacionais quer de populações com forças estrangeiras ocorre somente na ilha Terceira e, em menor escala, na ilha de Santa Maria. A presença estrangeira em S. Miguel é irrelevante – um pequeno destacamento da RAF.

A relação é amistosa, nomeadamente no campo desportivo. Ficaram famosos os jogos de futebol entre militares ingleses, militares portugueses e clubes desportivos locais, sendo assinaláveis as deslocações de equipas da RAF da base das Lages à ilha de S. Miguel.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Livros
“Última Noite em Lisboa” de Sérgio Luís de Carvalho

É mais um novo livro de ficção sobre o Portugal da II Guerra Mundial. Segunda as notícias que vão surgindo em noticiário especializado da indústria livreira ele será lançado no próximo dia 19 de Fevereiro.

Ficaremos à espera.


Até lá, fica a sinopse oficial do livro de Sérgio Luís de Carvalho:

«A II Guerra Mundial vai no seu quarto ano. Numa Lisboa pobre, pacata e marialva, apenas os refugiados, as manobras militares da Legião Portuguesa e as filas que se começam a fazer à porta das lojas denunciam a existência de um distante e sangrento conflito.

Henrique é um jornalista que trabalha na revista A Esfera*, subsidiada pelos serviços secretos nazis, quando conhece a nova vizinha do lado, Charlotte, uma refugiada austríaca, cuja liberdade e antinazismo lhe vão abrir novas perspetivas.

Cada vez mais, Henrique sente-se entre dois mundos antagónicos. De dia, trabalha entre convictos nazis; à noite, está com Charlotte e com Maria Carolina.

O que Henrique desconhecia é que os segredos e os mistérios da vida de Charlotte implicariam uma escolha dramática para os seus destinos.

* Embora se tivesse mantido imparcial durante a II Guerra Mundial, o regime salazarista mantinha uma clara preferência. Provam-no os obstáculos à entrada de refugiados no país, sobretudo de origem judaica, e a autorização de publicações que assumiam o seu apoio aos países do Eixo. A revista A Esfera era uma dessas publicações.»

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Livros…
“Lisboa, A cidade Vista de fora 1933-1974”, de Neill Lochery

Este livro é muito mais que o olhar dos estrangeiros sobre a capital portuguesa entre os anos de 1933 e 1974, é também um olhar sobre o regime que governou o país durante cerca de cinco décadas.

Ficamos a conhecer melhor a Lisboa, cidade porto, saída de uma Europa em guerra e a Lisboa – e arredores – refúgio de ex-cabeças coroadas ou VIP’s à procura de descanso num clima ameno.

Mais de metade do livro passa-se no período entre 1933 e o final da 2ª Guerra Mundial, com o seu  desfile de refugiados, espiões e diplomatas.

Acompanhamos ainda o crescimento do Estoril e de Cascais, especialmente, no pós-guerra. O aparecimento dos seus hotéis e das suas vivendas. As festas faustosas que atraiam gente dos quatro cantos do mundo, dos jornalistas e dos fotógrafos que aqui vinham à procura do “very tipical”.

Sonhamos ainda com uma Lisboa que, nos primórdios da aviação comercial, assegurava com os seus aeroportos a orgulhosa ligação entre os continentes Europeu e Americano.

Saint Exupéry, os Gulbenkian (pai e filho), Stanley Kubrick, Maria Callas, Ed Sullivan, Eisenhower, Montgomery, Laurence Olivier ou Evita Perón, entre muitos outros, passaram pela capital portuguesa e deixaram testemunho das suas impressões.

Mas Neill Lochery - que editou o ano passado "Lisboa, a Guerra das Sombras na cidade da Luz 1949-1945" -  vai, como já referi, um pouco mais longe neste novo livro fazendo também a cronologia da forma como os de fora olharam o regime do Estado Novo, desde os tempos da sua afirmação internacional nos anos 30 a 50, até ao isolamento crescente nas décadas seguintes.

Através de depoimentos de diplomatas e governantes, documentos e relatórios estrangeiros percebemos a forma como Salazar passou por estatutos diversos ao longo dos anos. Primeiro um governante “raposa”, respeitado no mundo apesar de governar um pequeno estado Europeu. Depois um dos últimos governos fascistas e colonialistas da Europa, tolerado por possuir os Açores e porque era preciso combater o comunismo. Há um isolamento crescente do país nos palcos internacionais e Salazar começa a ser olhado quase como uma relíquia, um governante fossilizado no tempo.

Todas estas histórias e acontecimentos correm em paralelo ao longo das cerca de 250 páginas do livro, que é lançado agora em Portugal e só mais tarde terá uma edição inglesa.

Apesar de conter muita informação a obra tem uma estrutura simples e é de leitura fácil…

Ao longo das páginas ficamos muitas vezes com a impressão que houve gente que nos “soube tirar a pinta”. É um livro para quem gosta “de nos conhecer”.

O lançamento é no dia 5, no Auditório Lusitânia, em Lisboa.

Recomendo…

Carlos Guerreiro


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Pode adquirir o livro AQUI.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Livros...
Espiões em Portugal durante a II Guerra Mundial

A espionagem em Portugal durante a 2ª Guerra Mundial é o tema central do novo livro de Irene Pimentel que, para completar estas cerca de 400 páginas, consultou arquivos britânicos, americanos, alemães e portugueses.

O resultado desse trabalho é apresentado esta tarde em Lisboa, por volta das 18.30 horas, na Fnac do Chiado.

Esta nova obra “Espiões em Portugal durante a II Guerra Mundial” percorre – como a autora própria reconhece - um caminho já muito explorado por outros livros e autores que nas últimas décadas têm investigado este tema, mas o assunto da espionagem é, e continuará a ser, inesgotável.

Todos os dias surgem novas fontes e novos dados que individualmente ou cruzados com material já existente ajudam a redescobrir histórias ou a reescrevê-las.


Por Lisboa, a capital neutral de uma Europa em guerra, passaram muitas personalidades que renasceram no pós-guerra como personagens de ficção, tão fantásticas e inacreditáveis tinham sido as suas aventuras.

Encaixam perfeitamente nesta descrição os agentes duplos Trycicle ou Garbo, elementos fundamentais de um logro montado pelos britânicos que desviaram as atenções das praias da Normandia no Dia D. Tanto um como outro não só passaram por Lisboa, como a cidade foi um importante centro para as suas actividades.

É com a história da operação “Fortitude”, que envolveu os dois agentes já referidos, que o novo livro de Irene Pimentel arranca. Dessas primeiras páginas seguimos depois por outros caminhos.

Um resumo dos vários capítulos é apresentado logo no prefácio.

É esse resumo que aqui fica:

“O capítulo I, de apresentação das principais redes de espionagem e de Informação, britânicas e alemãs, aborda assim o período desde os anos trinta e 1940, com uma caracterização do regime salazarista, bem como breves referências à tentativa de internacionalização do fascismo e do nacional-socialismo em Portugal, o início da II Guerra Mundial e a neutralidade portuguesa. Segue-se o capítulo II, que cobre os anos de 1940 e 1941, este último o «de toda» a colaboração luso-alemã, tratando do início da actuação em Portugal das redes de propaganda e espionagem dos dois campos beligerantes, Inglaterra e Alemanha, respectivamente, o SIS/MI6, no primeiro caso, e a Abwehr e a Gestapo-SD, no último caso.

É ainda referida a actuação da Legião Portuguesa, questionando se esta era a rede de Intelligence e de contra-espionagem portuguesa.

O capítulo III trata da actuação em Portugal, em 1941 e 1942, das redes britânicas MI 9 e SOE-rede Shell, bem como o relacionamento desta última com a LP, por um lado, e das redes da Abwehr e da Gestapo/SD em solo português, nomeadamente, bem como o relacionamento destas últimas com a PVDE. Segue-se o capítulo IV, que aborda o ano de 1942, difícil para o relacionamento luso-britânico, devido ao desmantelamento da rede Shell, num período em que, do lado alemão, então com preponderância e maior liberdade de actuação, a Abwehr lança campanhas de desinformação contra os britânicos e denuncia as suas organização à PVDE.

São ainda referidas a resistência e colaboração de refugiados, judeus portugueses e comunistas alemães com as redes aliadas, em particular com a francesa e soviética. O capítulo V, sai um pouco da cronologia, pois ocupa-se da actuação dos serviços secretos franceses e norte-americano em Portugal, num período mais alargado entre os anos 40, em particular entre 1942 e 1944.

A segunda parte do livro cobre o período entre 1943 e 1945. No capítulo VI, «A caminho da vitória aliada», é tratada a reacção e retaliação dos britânicos contra o desmantelamento das suas redes, em 1941 e 1942, denunciando, por seu turno, as alemãs, actuantes em solo português. Este capítulo, cujo arco temporal é sobretudo o ano de 1943, “sai” de Portugal continental, fazendo incursões geográficas pelos Açores e por outras locais não-europeus de África e da Índia, sob administração portuguesa, nomeadamente por Moçambique e Mormugão.

Termina com uma análise de Lisboa enquanto plataforma de negociações entre personalidades do Eixo, com os Aliados ocidentais, com vista à assinatura de uma paz unilateral com estes. O capítulo VII dá conta, em 1943 e 1944, do conhecimento e desmantelamento, em Portugal, com a ajuda dos britânicos, das quatro redes alemãs, da Abwehr e da Gestapo. Segue-se o capítulo VIII, sobre os espiões duplos do Double Cross (XX) Committee, de «Snow» - o primeiro espião duplo dos britânicos - a «Garbo» e «Tricycle», passando por «Zig Zag» e «Artist», que actuaram em Portugal e tiveram um papel importantíssimo no apoio ao desembarque aliado na Normandia, em Junho de 1944.

Finalmente, o capítulo IX aborda os últimos dois anos da guerra, 1944 e 1945, analisando questões como o embargo do volfrâmio pelo governo português, o trágico rapto de Jebsen («Artist»), bem como o encarceramento deste último e da jornalista alemã Pedtra Vermehren em campos de concentração alemães, onde o primeiro acabaria por ser assassinado.

Num período em que a Abwehr, com a queda em desgraça do almirante Canaris, é integrada na estrutura da Gestapo-SD, apenas esta ainda opera em Portugal, mas os seus elementos, bem como os seus cúmplices portugueses são expulso e presos pelo governo salazarista, quando no horizonte se vê o final da guerra, marcada pela derrota dos nazi-fascistas. No final da guerra, é tempo de os serviços secretos britânicos e norte-americanos, cujo destino é brevemente apontado, interrogarem os espiões alemães, presos, e conhecer a composição das suas redes.

O livro termina com um «Epílogo, onde se inclui a vitória aliada e o fim do SD em Portugal, e é abordado um episódio, já na guerra-fria, que remete para a alegada actuação de redes comunistas durante a II Guerra Mundial e revela a hegemonia mundial do mundo ocidental pelos EUA, acertando baterias contra o novo inimigo – a União Soviética.”

Boas leituras

Carlos Guerreiro

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A Guerra na Madeira apresentada em Lisboa

Um acrescento à agenda deste mês e para hoje.

Em Lisboa apresenta-se hoje o livro “A Madeira na Segunda Guerra Mundial” de João Abel de Freitas.


A apresentação tem lugar no Bar da Ordem dos Engenheiros, na Rua António Augusto de Aguiar, em Lisboa…

 Boas Leituras
Carlos Guerreiro