O romance “O Nosso Homem no Estoril”, de A. Travers, será apresentado no próximo dia 30, Sábado, por volta das 16 horas no Espaço Memória do Exílios, momento onde o jornalista Paulo Amaral também realizará a conferência “História e ficção de Sanjurjo, o ditador espanhol que não chegou a sê-lo”.
Pode adquirir o livro "O Nosso Homem no Estoril" AQUI.
O acidente de aviação que vitimou o general espanhol era o líder do levantamento que levaria os nacionalistas ao poder e Franco à cabeça do movimento.
As especulações sobre as reais causas do desastre ainda hoje são discutidas.
Do livro, que será apresentado pelo editor da Gradiva Guilherme Velnete, fica a sinopse:
20 de Julho de 1936. Dois dias depois de começar o «levantamento nacional» contra o governo republicano de Madrid, uma avioneta despenhou-se em Portugal, na Quinta da Marinha.
De volta a Espanha, seguia nela José Sanjurjo, o general que iria dirigir o «levantamento». Era fácil juntar suspeitas a tal morte. Mas nem todos queriam que estas se transformassem numa busca da verdade. Pelo contrário!
Para o general Franco, a morte do general Sanjurjo constituía uma grande oportunidade.
Acidente ou sabotagem?
Procurar a resposta era tudo menos isento de dificuldades.
Em Lisboa, a investigação foi entregue ao inspector Miguel Neves. Sofrendo pressões da PVDE, recebeu instruções para seguir uma «pista comunista». Surgiram as dúvidas, adensou-se a curiosidade. E, por causa disso, foi mais longe do que queria."
Boas leituras...
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quarta-feira, 27 de abril de 2016
Estoril relembra morte do general Sanjurjo
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Guerra Civil de Espanha na Visão História
A última edição da revista Visão História é dedicada ao envolvimento de Portugal na Guerra Civil de Espanha.
Encontramos artigos sobre o envolvimento do governo português no conflito e sobre a forma como centenas de portugueses lutaram e morreram nas trincheiras republicanas e nacionalistas.
A revista revela também os antecedentes desta guerra que matou meio milhão de pessoas e faz ainda um enquadramento histórico dos diversos acontecimentos.
Um trabalho deste género não ficaria completo sem referência aos vários escritores e outros vultos da cultura que passaram pelos campos de batalha de Espanha. Hemingway, Saint Exupéry ou Frank Capa – entre outros – também merecem destaque em algumas páginas…
Uma revista sobre a primeira grande frente que, na Europa, opôs fascistas e nacionalistas aos republicanos, comunistas e anarquistas…
Leitura recomendada para os próximos dias…
Carlos Guerreiro
Encontramos artigos sobre o envolvimento do governo português no conflito e sobre a forma como centenas de portugueses lutaram e morreram nas trincheiras republicanas e nacionalistas.
A revista revela também os antecedentes desta guerra que matou meio milhão de pessoas e faz ainda um enquadramento histórico dos diversos acontecimentos.
Um trabalho deste género não ficaria completo sem referência aos vários escritores e outros vultos da cultura que passaram pelos campos de batalha de Espanha. Hemingway, Saint Exupéry ou Frank Capa – entre outros – também merecem destaque em algumas páginas…
Uma revista sobre a primeira grande frente que, na Europa, opôs fascistas e nacionalistas aos republicanos, comunistas e anarquistas…
Leitura recomendada para os próximos dias…
Carlos Guerreiro
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domingo, 25 de novembro de 2012
Fugitivos de Franco passaram por Lisboa
O diário espanhol “El País” consultou os arquivos da Embaixada Mexicana em Lisboa no período que se seguiu à 2ª Guerra Mundial e descobriu documentação relacionada com pelo menos meio milhar de refugiados espanhóis que escaparam através de Portugal para o México, com o apoio das autoridades daquele país.
Tratam-se de homens e mulheres que tinham lutado do lado republicano durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).
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| Gilberto Bosques, Embaixador do México em Lisboa |
Na perspectiva de cumprirem 20 ou 30 anos de cárcere tinham decidido fugir e o México a oferecia solidariedade a estes combatentes da democracia.
Outros tinham recebido indultos totais mas continuaram alvo de perseguições por parte de vizinhos, exército ou policia.
O apertar do cerco e o crescendo de ameaças também os fez fugir para Portugal.
Os interrogatórios são quase na totalidade na primeira pessoa e contam casos de resistência, tortura, dor e medo.
Para sobreviverem uns fizeram passar-se por loucos, outros viveram escondidos durante anos e há também quem tenha integrado grupos de guerrilheiros que continuaram a combater Franco até bastante depois do fim da guerra civil.
Os casos consultados referem-se aos anos entre 1946 e 1948.
No centro desta actividade estão Gilberto Bosques, o Embaixador do México em Lisboa, e o Unitarian Service Comitte, uma organização americana de apoio a refugiados que se tinha instalado em Lisboa durante a II Guerra Mundial.
Gilberto Bosques é uma personalidade bem conhecida no México pelo seu apoio aos refugiados da guerra civil espanhola, mas também a outros que durante os anos da Guerra Mundial procuravam uma fuga aos fascismos que controlavam vários países europeus.
No México foi construído há poucos anos um museu em sua memória (ver AQUI).
O papel do Unitarian Service Comitte no nosso país durante estes anos está ainda por escrever.
Sabe-se que ajudaram muitos refugiados respublicanos - existem relatórios da PVDE sobre a sua actividade - e também recolheram e ajudaram muitas pessoas que escapavam de Hitler.
Nas Caldas da Rainha geriram uma quinta por onde também passaram aviadores internados no nosso país.
O artigo do El País refere ainda as dificuldades que estes republicanos enfrentavam quando entravam em Portugal.
O governo de Salazar tinha grande proximidade com o de Franco e os refugiados capturados eram devolvidos às autoridades do outro lado da fronteira.
O artigo completo do “EL País”, onde pode encontrar ligações para informações complementares e cópias de alguns dos documentos, pode ser lido AQUI.
Um artigo em português sobre o mesmo tema pode ser encontrado AQUI.
Boas leituras
Carlos Guerreiro
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terça-feira, 16 de outubro de 2012
Diplomacia de Salazar em livro
O lançamento está marcado para a próxima quinta-feira no Pestana Palace, em Lisboa.
Abraca um um período muito rico e interessante a nível diplomático, até porque Salazar foi, durante parte importante deste período, não só Presidente do Conselho de Ministros mas também Ministro da Guerra e Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Do livro, que custa cerca de 27 Euros, deixo a Sinopse oficial:
O propósito deste trabalho é o de apresentar uma visão de conjunto da diplomacia do Estado Novo no período entre a ascensão de Salazar à chefia do Governo, em julho de 1932, e a adesão de Portugal à Aliança Atlântica, em 1949.
Mais do que uma interpretação das grandes linhas da política externa portuguesa nesses anos, este livro pretende ser uma crónica das múltiplas crises e desafios com que Portugal se viu confrontado e das respostas que o regime lhes deu, essencialmente no plano diplomático.
O período em questão é notoriamente rico. Nele se destacam dois acontecimentos que tiveram um enorme impacto em Portugal: a Guerra Civil de Espanha e a Segunda Guerra Mundial.
O autor desta obra é um diplomata português que neste momento é embaixador de Portugal na Irlanda… Deixo também algums notas biográficas:
Bernardo Futscher Pereira é mestre em Ciências Políticas e em Relações Internacionais pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Trabalhou como jornalista antes de ingressar no Ministério dos Negócios Estrangeiros em 1987.
Como diplomata, esteve colocado em Tel Aviv, em Bruxelas, em Barcelona e no ministério da Defesa Nacional. Entre 1999 e 2006, foi assessor para as Relações Internacionais do Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio. Publicou numerosos artigos sobre política externa, história diplomática e política internacional.
É embaixador de Portugal em Dublin desde abril de 2012.
Boas leituras
Carlos Guerreiro
Abraca um um período muito rico e interessante a nível diplomático, até porque Salazar foi, durante parte importante deste período, não só Presidente do Conselho de Ministros mas também Ministro da Guerra e Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Do livro, que custa cerca de 27 Euros, deixo a Sinopse oficial:
O propósito deste trabalho é o de apresentar uma visão de conjunto da diplomacia do Estado Novo no período entre a ascensão de Salazar à chefia do Governo, em julho de 1932, e a adesão de Portugal à Aliança Atlântica, em 1949.
Mais do que uma interpretação das grandes linhas da política externa portuguesa nesses anos, este livro pretende ser uma crónica das múltiplas crises e desafios com que Portugal se viu confrontado e das respostas que o regime lhes deu, essencialmente no plano diplomático.
O período em questão é notoriamente rico. Nele se destacam dois acontecimentos que tiveram um enorme impacto em Portugal: a Guerra Civil de Espanha e a Segunda Guerra Mundial.
Bernardo Futscher Pereira quando recebeu as credênciais de embaixador de Portugal em Dublin.
O autor desta obra é um diplomata português que neste momento é embaixador de Portugal na Irlanda… Deixo também algums notas biográficas:
Bernardo Futscher Pereira é mestre em Ciências Políticas e em Relações Internacionais pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Trabalhou como jornalista antes de ingressar no Ministério dos Negócios Estrangeiros em 1987.
Como diplomata, esteve colocado em Tel Aviv, em Bruxelas, em Barcelona e no ministério da Defesa Nacional. Entre 1999 e 2006, foi assessor para as Relações Internacionais do Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio. Publicou numerosos artigos sobre política externa, história diplomática e política internacional.
É embaixador de Portugal em Dublin desde abril de 2012.
Boas leituras
Carlos Guerreiro
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Uma guerra acaba, outra se adivinha
Nos princípios de 1939 o semanário “Século Ilustrado”, conhecido pelas suas capas com rostos femininos, destacou dois momentos da actualidade. A 28 de Janeiro Francisco Franco espreitava, às portas de Barcelona, o fim da guerra civil espanhola e uma semana depois, a 4 de Fevereiro, era Hitler que olhava o mundo do alto do seu púlpito.
No primeiro número os “clichés do correspondente particular” da revista, Enrique Gartner, sobre a ofensiva de Barcelona começam por ocupar as páginas centrais da publicação.
Franco está no centro da acção, rodeado de fotografias dos seus principais generais, da cidade, da frente de combate e também de “provas” da presença e das atrocidades dos “vermelhos”.
Estamos em vésperas da vitória total dos nacionalistas comandados por Franco o que, segundo o “Século Ilustrado”, “corresponde a dizer que a Espanha está prestes a ver-se (…) senhora dos seus próprios destinos (…) sem influências alheias à sua própria vontade”.
Mas o destaque dado à guerra de Espanha não termina nas centrais. Oito páginas mais à frente mostram-se fotografias de “milhares de prisioneiros de todas as raças feitos no assalto a Barcelona”.
A notícia refere que “entre essa mocidade não se encontram apenas espanhóis batendo-se contra os próprios irmãos. Há gente de todas as raças, novos e velhos, que o chamado governo de Negrin contratara para cumprir as nefastas e terminantes ordens de Moscovo”.
Não há qualquer referência ao facto da agressão ter sido conduzida inicialmente pelos nacionalistas que desencadearam a guerra contra um governo eleito democraticamente. A intervenção dos Soviéticos e das chamadas brigadas internacionais, que trouxeram gente de todos os continentes para combater ao lado dos republicanos, são posteriores ao ataque que partiu de Marrocos em Julho de 1936.
Uma semana depois o grande destaque é o discurso de Hitler durante a comemoração dos seis anos da subida ao poder do partido Nacional Socialista. Um grande destaque para uma notícia que ocupa… meia página.
Só a tensão da hora justifica a importância dada ao discurso onde, garante o “Século Ilustrado”, o “Fuhrer” falou “claro, com senso e com calma, como homem que sabe as responsabilidades que pesam sobre os seus ombros”.
Em poucas linhas e meia página o “Século Ilustrado” conta os pormenores sobre o discurso de Hitler.
Setenta anos depois da publicação um olhar para as últimas linhas da notícia deixa uma estranha sensação: “Aos que esperavam que o fuhrer soprasse o clarim anunciador das grandes batalhas – o discurso de Hitler causou, possivelmente, decepção. Mas agradou e bem dispôs a todos que crêem que na estabilidade da Paz está a melhor maneira de os povos se engrandecerem e dignificarem!”
Oito meses depois as tropas alemãs cruzavam a fronteira polaca e davam os primeiros disparos naquela que viria a ser chamada a II Guerra Mundial…
Carlos Guerreiro
Franco às portas de Barcelona. Capa do “Século Ilustrado” de 28 de Janeiro de 1939.
Hitler discursa no sexto aniversário da subida ao poder na Alemanha do Nacional Socialismo. Capa do “Século Ilustrado” de 4 de Fevereiro de 1939.
No primeiro número os “clichés do correspondente particular” da revista, Enrique Gartner, sobre a ofensiva de Barcelona começam por ocupar as páginas centrais da publicação.
Franco está no centro da acção, rodeado de fotografias dos seus principais generais, da cidade, da frente de combate e também de “provas” da presença e das atrocidades dos “vermelhos”.
Estamos em vésperas da vitória total dos nacionalistas comandados por Franco o que, segundo o “Século Ilustrado”, “corresponde a dizer que a Espanha está prestes a ver-se (…) senhora dos seus próprios destinos (…) sem influências alheias à sua própria vontade”.
As páginas centrais (em cima) dedicadas à batalha de Barcelona. Em baixo, algumas imagens e o texto dessa página.
Mas o destaque dado à guerra de Espanha não termina nas centrais. Oito páginas mais à frente mostram-se fotografias de “milhares de prisioneiros de todas as raças feitos no assalto a Barcelona”.
A notícia refere que “entre essa mocidade não se encontram apenas espanhóis batendo-se contra os próprios irmãos. Há gente de todas as raças, novos e velhos, que o chamado governo de Negrin contratara para cumprir as nefastas e terminantes ordens de Moscovo”.
Página com “clichés” sobre os prisioneiros estrangeiros feitos às portas de Barcelona: “estrangeiros que sem a ideia de Pátria se batiam numa pátria que não era deles”.
Não há qualquer referência ao facto da agressão ter sido conduzida inicialmente pelos nacionalistas que desencadearam a guerra contra um governo eleito democraticamente. A intervenção dos Soviéticos e das chamadas brigadas internacionais, que trouxeram gente de todos os continentes para combater ao lado dos republicanos, são posteriores ao ataque que partiu de Marrocos em Julho de 1936.
Uma semana depois o grande destaque é o discurso de Hitler durante a comemoração dos seis anos da subida ao poder do partido Nacional Socialista. Um grande destaque para uma notícia que ocupa… meia página.
Só a tensão da hora justifica a importância dada ao discurso onde, garante o “Século Ilustrado”, o “Fuhrer” falou “claro, com senso e com calma, como homem que sabe as responsabilidades que pesam sobre os seus ombros”.
Em poucas linhas e meia página o “Século Ilustrado” conta os pormenores sobre o discurso de Hitler.
Em poucas linhas e meia página o “Século Ilustrado” conta os pormenores sobre o discurso de Hitler.
Setenta anos depois da publicação um olhar para as últimas linhas da notícia deixa uma estranha sensação: “Aos que esperavam que o fuhrer soprasse o clarim anunciador das grandes batalhas – o discurso de Hitler causou, possivelmente, decepção. Mas agradou e bem dispôs a todos que crêem que na estabilidade da Paz está a melhor maneira de os povos se engrandecerem e dignificarem!”
Oito meses depois as tropas alemãs cruzavam a fronteira polaca e davam os primeiros disparos naquela que viria a ser chamada a II Guerra Mundial…
Carlos Guerreiro
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