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segunda-feira, 1 de junho de 2015

O fim do Voo 777

Na manhã do dia 1 de Junho de 1943 levantava, do Aeroporto de Lisboa, o Voo 777 da British Overseas Airways Corporation (BOAC) com destino a Bristol, um dos voos civis que ao longo de toda a guerra asseguraram a ligação entre Portugal e o Reino Unido.

Notícia do "Diário de Lisboa" da tarde de 1 de Junho de 1943


Poucas horas depois uma esquadrilha alemão abatia o aparelho e tripulantes e passageiros desapareciam sob as águas da Baía da Biscaia. A história deste voo seria para sempre recordada porque a bordo seguia Leslie Howard, um actor mundialmente conhecido, e um dos principais actores de “E tudo o Vento Levou”.



Desde o desaparecimento do aparelho que nasceram diversos tipos de teorias da conspiração. Há alguns anos tive a possibilidade de me encontrar com familiares e amigos de passageiros e tripulantes daquele voo. Fica a reportagem que fiz naquela altura para a Antena 1…

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Lisboa, cruzamento da vida dos Gerassi

Há cerca de 70 anos, mais precisamente no dia 11 de Novembro de 1943, casavam em Lisboa Helen e Alfred, um casal nascido das coincidências que as guerras sempre encontram para  - além de histórias de morte e de sofrimento - também poder contar histórias de vida.

Tanto um como outro trabalharam para a espionagem britânica ao longo da guerra. Ela fugiu de França em 1940, com rumo incerto, para acabar a trabalhar na Embaixada Britânica em Lisboa.

O casal Gerassi em finais dos anos 40.
(Foto: Patrick Gerassi)
Ele começou por fazer o caminho inverso. Cidadão francês ofereceu-se aos ingleses em Lisboa e partiu para França onde colaborou na organização de uma linha de fuga que terminava em Portugal transportando refugiados, agentes e pilotos aliados abatidos. Foi preso pelos nazis e pela PVDE (antecessora da PIDE), mas saiu sempre ileso.

As histórias de Helen Girvin Balfour e Alfred Gerassi e do seu encontro em Lisboa têm ocupado desde há muito o filho, Patrick, que conseguiu ao longo dos anos reconstituir a vida dos pais durante a 2ª guerra.


Preso duas vezes

O francês Alfred Gerassi ofereceu-se, em Lisboa, para trabalhar com os ingleses em Março de 1941.

Natural de Paris foi enviado para a sua cidade natal com o objectivo de estabelecer uma rota de fuga que permitisse retirar da França ocupada não só refugiados importantes, mas também agentes secretos e pilotos aliados cujos aparelhos tivessem sido abatidos.

As suas actividades tornaram-no suspeito aos olhos dos alemães e a Gestapo deteve-o em Março do ano seguinte. Não teriam muitas provas contra ele e, mantendo o sangue-frio, não conseguiram que fizesse qualquer confissão.

Em Maio foi libertado pelos alemães e voltou às suas actividades, mas agora em Lyon. Regressou a Lisboa em Novembro, mas não ficou parado.

Os serviços secretos britânicos encarregaram-no de organizar uma nova rota de fuga. Esta estendia-se desde a França, passava por Bilbao, em Espanha, e terminava em Lisboa.

Alfred e Helen Gerassi em Lisboa em 1944.
(Foto Patrick Gerassi)
As suas movimentações alertaram a PVDE que também o deteve. Durante nove semanas, em 1944, esteve preso e foi interrogado.

Segundo a nota de recomendação da Medalha de Coragem ao Serviço da Paz, que lhe foi entregue no final da Guerra pelo Rei de Inglaterra, Gerassi voltou a não fazer qualquer denúncia ou confissão.

A documentação recolhida pelo filho assegura que as rotas de fuga criadas por Alfred serviram para fazer sair de França diversos agentes importantes e pessoal da RAF.

Mesmo enquanto esteve detido pela PVDE a rede não cessou a sua actividade até porque da embaixada chegava, como visitante, Helen Girvin Balfour que também era sua mulher…


Uma mulher decidida

Helen foi apanhada em França, onde vivia desde 1929, pela guerra e pela chegada inesperada das forças alemãs em 1940.

Como milhares de outras pessoas rumou primeiro à fronteira franco-espanhola e, sozinha, conseguiu atravessar o país vizinho de comboio, na esperança de chegar a Lisboa e dali partir para o seu país natal, o Reino Unido.

Na fronteira com Portugal um Guardia-Civil ficou-lhe com as economias em troca do direito de passagem para terras lusas. Conseguiu, mesmo assim, chegar ao Porto onde, sem dinheiro, bateu à porta do consulado britânico.

Ficou primeiro espantada e depois desesperada quando o cônsul não lhe oferece qualquer ajuda ou solução para o seu futuro imediato.

Em lágrimas percorre sem rumo algumas ruas do Porto. Não tem dinheiro e não sabe o que fazer a seguir. Para sua surpresa depara-se com dois homens que leem, na rua, o jornal inglês “The Daily Telegraph”.

Aborda-os e conta-lhes as suas últimas desventuras.

Boletim de lactente do filho mais velho do casal Gerassi.
(Foto: Patrick Gerassi)


Os leitores do jornal eram espanhóis, de Jeres, e trabalhavam em Vila Nova de Gaia, nas Caves de Gonzáles Byas. Num inglês quase perfeito prometem ajudar Helen e colocam-na rapidamente num comboio com destino a Lisboa.

Na capital portuguesa consegue reorganizar a vida e começa até a trabalhar na Embaixada Britânica…

Meses mais tarde o consul de Porto deslocou-se a Lisboa e ficou surpreendido por a ver a trabalhar na Embaixada. Preocupado disse-lhe que o deveria ter "avisado" que era conhecida do Embaixador...

Em Maio de 1943 Helen foi uma das últimas pessoas a encontrar-se em Portugal com o actor Leslie Howard, quando este esteve no nosso país para um conjunto de conferências.

Helen era ainda prima do actor que foi um dos protagonista do filme "E tudo o Vento Levou".

No dia 1 de Junho de 1943 Leslie levantou voo do Aeroporto da Portela no Voo777 com destino ao Reino Unido. Treze passageiros e quatro tripulantes desapareceram quando o avião foi abatido pela força Aérea Alemã sobre a Baía da Biscaia.

Foi também em Lisboa que casou com Alfred, em Novembro de 1943, e foi também ali que lhes nasceu o primeiro filho, Jean-Michel ou Juan Miguel, em Fevereiro do ano seguinte.


À procura de respostas

Desde há muito que outro filho do casal, Patrick Gerassi, tenta reconstituir os passos dos pais durante o conturbado período da 2ª guerra Mundial.

Jornalista da BBC foi desenhando, entre documentos, fotografias e memórias, uma imagem cada vez mais clara do que aconteceu no mundo de intrigas onde estes se movimentaram.

Helen com Manuel González Díez, um dos irmãos que a ajudou a chegar a Lisboa depois de muitos contratempos.
(Foto: Patrick Gerassi)
Em Fevereiro deste ano conseguiu dar mais um passo. Tinha a foto de um dos homens que ajudara a mãe quando ela chegara desamparada ao Porto. Como sabia que eles eram de Jerez, enviou a imagem para um jornal dessa cidade andaluza na esperança de que alguém o conseguisse identificar.

Os arquivos da casa Byas trouxeram a resposta.

Tratava-se de Manuel González Díez, filho de um marquês andaluz, que durante duas décadas geriu as caves Byas no Porto.

Apesar de ter falecido em 1991, a esposa ainda é viva. Razão suficiente para Patrick – que neste momento vive na Galiza – se meter à estrada com a esperança de descobrir um pouco mais da sua história…

Carlos Guerreiro

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Wilfried Israel, Salvando vidas sem medo

Os defensores da teoria do abate intencional do Voo 777, da British Overseas Airways Corporation (BOAC), que partiu na manhã de 1 de Junho de 1943 de Lisboa, referem a presença de várias personalidades a bordo do bimotor que justificariam a acção dos caças alemães, e entre estes surge o nome de Wilfrid Israel.

  Wilfrid Israel, o calmo empresário germano-britânico que terá salvado cerca de 30 mil judeus durante a 2ª Guerra Mundial
(Foto cedida por Michael Simonson do Leo Baeck Institute)

 Para além de possíveis questões de espionagem protagonizadas pelo actor Leslie Howard, ou das semelhanças físicas de Alfred Chennals com Churchil (ver "Reportagem sobre Voo 777"), o nome de Israel, um rico judeu germano-britânico, aparece também como possível portador de informações secretas ou como uma espinha atravessada na garganta dos nazis, pelas ousadas acções de salvamento que tinha protagonizado.

Ele é associado ao salvamento de 30 mil judeus da Alemanha, cerca de um terço, eram crianças.

Israel tinha chegado a Portugal em Março encarregado de uma missão da Jewish Agency for Palestine, uma das várias organizações humanitárias que montaram quartel em Lisboa durante a Guerra, com o objectivo de ajudar e retirar judeus e outros refugiados de Portugal e da Europa.

Trazia consigo cerca de 200 certificados de imigração britânicos que permitiriam chegar à Palestina. Salvar vidas não era uma novidade Wilfrid. Apesar de ter nascido em Inglaterra, em 11 de Julho de 1899, era herdeiro de um dos maiores estabelecimentos comercias de Berlim, onde trabalhavam cerca de 2000 pessoas.


Compras por Vidas

Desde 1933, quando subiram ao poder os Nacional-Socialistas, que financiava a saída de famílias judaicas da Alemanha. Compras por vidas As suas ligações à alta sociedade alemã e aos meios económicos – a empresa "N. Israel" esteve cotada em bolsa – deram-lhe alguma protecção nos primeiros anos do nazismo e permitiram-lhe realizar algumas acções que granjearam o respeito da comunidade.

Numa primeira fase a solução de Hitler para os Judeus passava por obriga-los a sair do país e não pela sua exterminação. Wilfrid envolveu-se no “Kindertransport”, um programa de retirada de crianças judaicas que terá evacuado da Alemanha cerca de 10 mil crianças antes do início da guerra.

Quando os alemães foram aconselhados a não fazer compras em estabelecimentos judeus, o armazém de Wilfrid continuou a trabalhar.




Livro sobre Wilfrid Israel, da autoria de Naomi Shepherd, editado em  1984.
Mais infomações aqui:






Após a “Noite de Cristal”, em Novembro de 1938, quando os nazis invadiram e destruíram milhares de lojas, propriedade de judeus, Wifrid Israel protegeu como pôde os seus empregados judeus e familiares.

Depois fez um levantamento dos tinham sido presos e dirigiu-se ao campo de concentração de Sachenhausen, para negociar com o comandante. Trocou a liberdade deles por dinheiro e “convidou” o comandante a fazer as compras de natal na sua loja, gratuitamente…

Nesse ano ele e o irmão foram finalmente obrigados a vender o negócio e retiraram-se para Inglaterra. Está num Kibutz na Palestina quando estala a guerra. Regressa ao Reino Unido para ajudar a separar os verdadeiros refugiados de agentes alemães que se infiltraram entre os milhares de fugitivos.

Assume ainda um cargo na Universidade de Oxford, mas nunca perde de vista as diversas agências envolvidas no salvamento de judeus na Europa ocupada, razão porque ninguém estranha a sua nomeação para a função em Lisboa da Jewish Agency for Palestine.


Verdadeiro Pimpinela Escarlate 

No livro de 1984 sobre a sua vida são descritas as últimas semanas de vida de Wilfrid passadas em Portugal e Espanha. No nosso país visitou refugiados em Lisboa, Caldas da Rainha e Ericeira. Entendeu que os judeus se encontravam bem alojados e numa posição relativamente segura.

Por outro lado, em Espanha, relata as “terríveis condições” em que ali viviam os judeus nos campos de internamento criados pelo governo de Franco. Decide-se por entregar a maioria dos certificados britânicos de imigração aos que se encontram no país vizinho.

Por coincidência encontra-se em Madrid com Leslie Howard – um dos principais actores de “E Tudo o Vento Levou” - que desenvolvia uma campanha de propaganda a favor dos aliados falando de cinema e de Shakespeare. Conferências semelhantes foram realizadas em Lisboa.



 "Trailer" do filme documentário sobre a vida de Wilfrid Israel, lançado este ano.

Howard tinha também produzido e actuado no filme “Pimpinela Escarlate”, relato da história de um nobre inglês que durante o período negro da revolução francesa salva aristocratas franceses da guilhotina. A versão de Howard, de 1941, é claramente um filme de denúncia do nazismo…

Israel explica a Howard a sua missão durante um almoço na embaixada britânica. Quer retirar dos campos espanhóis os judeus que conseguisse e envia-los para a Palestina. Procurava especialmente jovens com idades entre os 14 e os 16 anos. Gente nova com vontade de recomeçar…

Por outro lado tentava também perceber a possibilidade resgatar cerca de mil crianças que ainda se encontravam em França…

“Mas você é o pimpinela escarlate. Eu apenas desempenhei o papel”, terá referido Leslie Howard.

Voltariam a encontrar-se na manhã de 1 de Junho de 1943, em Lisboa, junto do "Ibis", o avião que os conduziria para a morte…

Mais tarde, e com base no trabalho de Wilfrid partiriam, de Lisboa em navios portugueses, cerca de 750 imigrantes judeus destinados à Palestina.

Várias crianças seriam também retiradas através de rotas alpinas de França. Um rota difícil que cobraria em vidas essa ousadia.

De Wilfrid Israel ficou ainda uma colecção de arte oriental resultante de uma paixão de juventude. Armazenada em Inglaterra durante a Guerra seria herdada pelo kibutz de Hazorea, em Israel (país), que montou um museu em sua memória e, recentemente, produziu também um filme/ documentário sobre a sua vida…

Carlos Guerreiro 

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Leia mais sobre os passageiros e tripulantes do Voo 777 AQUI.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Derek Partridge, o sobrevivente acidental

A sua voz é reconhecida na indústria cinematográfica, na televisão e em documentários.fez também jornalismo, apresentou programas e fez mais uma série de coisas. Nas últimas décadas Derek Partridge foi certamente presença nas casas e muitos de nós, e isso só foi possível porque um actor famoso lhe tirou o lugar no voo 777.





Derek Partridge, uma voz e uma cara bem conhecidas do público. Para conhecer o seu site - onde pode encontrar um vídeo com diversos trabalhos que realizou - clique aqui.







Quando o actor Leslie Howard chegou ao avião com o seu empresário, Alfred Channels, naquela manhã de 1 de Junho de 1943 todos os lugares estavam ocupados. Mesmo em frente à entrada do aparelho estava Derek Partridge, com sete anos, e Dora Rowe, a sua “escolta” desde que partira dos Estados Unidos no paquete português Serpa Pinto para atravessar o Atlântico.
“Julgo que saímos apenas porque estávamos sentados mesmo à entrada, e calculo que era mais fácil pedir a quem estava mais perto para sair. Só quando mais tarde conheci o filho de Leslie, Ronald (que está acabar um livro chamado “In Search of my Father”, que percebi que era tudo uma questão de passageiros prioritários e eu era o menos importante”, explica.
Partridge não se lembra de muito do que se passou naquele dia. Recorda-se de estar sentado no avião e de sair. “Depois passei cinco dias num hotel no Estoril e as minhas únicas memórias são as de uma praia linda, onde encontrei muitas pequenas conchas, com padrões muito interessantes”.
O pai não viveu momentos tão lúdicos, especialmente nas horas que se seguiram ao abate do Voo 777. Envolvido no mundo da espionagem, um especialista no Médio Oriente, o pai de Partridge teve subitamente com uma missão quase impossível: “O meu pai estava no MI6 e por isso foi uma das primeiras pessoas a tomar conhecimento do abate do voo 777 ter sido abatido… andou 24 horas a pensar como contar isso à minha mãe, até receber a notícia que afinal eu não estava a bordo”.
Cinco dias mais tarde Derek e Dora estavam de volta a um avião. “A minha única memória do voo de regresso é que, após o abate do outro avião, as janelas estavam cobertas com panos negros para evitar que a luz fosse vista de fora. Fiquei desapontado por não poder ver nada na minha primeira viagem. Também não fazia ideia de que o outro avião tinha sido abatido”.
“É um sentimento estranho saber que toda a minha vida só foi possível por pura sorte… do destino”, concluí Derek que esteve certamente um forte mão protectora sobre a sua cabeça.
Com cinco anos estava a caminho dos Estados Unidos, enviado pela família para casa da tia, para estar longe de um Inglaterra cercada e atacada pelos alemães. Dois anos depois – e ainda antes de chegar a Lisboa – quase caiu do navio que o trazia de volta.






Derek Partridge com sete anos, pouco antes de reembarcar para a Europa.









 
“Estava a conversar com um tripulante e encostei-me à borda do navio… era o local por onde entrava o piloto do navio e alguém tinha esquecido de o fechar como deve de ser. De repente abriu-se e comecei a cair para trás, para o mar. Felizmente o tripulante conseguiu agarrar-me”.

Para saber mais sobre o Voo 777 clique aqui.

Carlos Guerreiro

sábado, 18 de dezembro de 2010

Reportagem sobre Voo 777

Finalmente está on-line.

A reportagem sobre o Voo 777, abatido pela Força Aérea Alemã, em 1 de Junho de 1943 sobre a Baía da Biscaia, passou no dia 12 de Dezembro, na Antena 1.

Acrescentei umas imagens de vídeo para tornar a coisa um pouco mais interessante...

Ouvir as vozes de familiares e amigos que vinham dentro do aparelho já é interessante... ver quem e de quem se fala ainda mais...



Carlos Guerreiro
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Para ver outros filmes e vídeos clique AQUI.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O voo 777 "aterra" em Bristol 67 anos depois

No próximo dia 1 de Junho vão ser recordados, no Aeroporto de Bristol, os passageiros e tripulantes (17 no total) que pereceram no dia 1 de Junho de 1943 a bordo do Voo777. O avião tinha saído de Lisboa em direcção a Whitchurch, mas sobre a Baía da Biscaia foi atacado por aparelhos alemães. Já no ano passado tinha sido descerrada uma placa no Aeroporto de Lisboa para recordar este acontecimento que continua envolto em algum mistério. Tratou-se de um abate acidental ou propositado? Esta é uma questão que continua a ser colocada.

O programa em Bristol começa por volta das 10 horas da manhã e, além da colocação da placa, incluí ainda uma visita ao velho aeroporto de Whitchurch, há muito desactivado, e que se encontra mesmo ao lado de Bristol. Entre os presentes vão estar alguns descendentes de pessoas que seguiam no Voo777.

Se alguém estiver interessado pode contactar-me que passarei as informações a quem de direito. Segundo sei a organização está a tentar encontrar hotéis mais baratos entre outras facilidades.

Para quem não sabe durante toda a II Guerra Mundial, Portugal continuou a receber aviões civis oriundos de todos os países beligerantes.




A foto foi-me cedida por Patrick Gerassi. À esquerda está a mãe dele – Helen Gerassi - seguem-se Leslie Howard, Alexander Gulbekian e Chenalls.

A descrição do abate do Voo 777, que se segue, foi retirada do livro que dá nome a este blogue: “Aterrem em Portugal”, entre as páginas 39 a 45.

(…) O incidente ocorreu no primeiro dia de Junho de 1943. Entre os passageiros que nessa manhã entraram para o voo 777, encontrava-se Leslie Howard, um actor no pico da fama, depois da participação em clássicos como a “Pempinela Escarlate” e “Tudo o vento Levou”.

Acompanhavam-no mais 12 passageiros e três tripulantes, de origem holandesa, que haviam fugido com o avião para Inglaterra depois dos alemães invadirem o seu país. O ataque deu-se já sobre a baía da Biscaia e foi realizado por oito JU-88´s da V esquadrilha do Grupo de Combate (Kampfgeschwader – KG) 40, com sede em Bordéus -Mérignac.

Segundo o livro “Bloody Biscay” de Chriss Goss, que aborda a história da esquadrilha alemã, o ataque foi acidental. Nas entrevistas que realizou, seis pilotos envolvidos na acção, asseguram que o ataque só aconteceu porque confundiram o aparelho com um avião militar.

O objectivo da missão era proteger dois submarinos alemães, que se encontravam naquela zona. Devido ao mau tempo não foi possível localizá-los, mas a patrulha continuou e, perto das 12.45 horas, avistaram a silhueta de um avião com o perfil de um aparelho inimigo.

Os aviadores afirmaram não ter conhecimento de que aquela rota era utilizada por voos civis. O avião da BOAC foi atacado de duas direcções diferentes. Um dos motores e uma asa incendiaram-se. Só nessa altura o comandante, Herbert Hintze, se terá apercebido que estavam perante um avião civil e mandou suspender o ataque, mas já era tarde demais.

“Estou a ser seguido por aviões desconhecidos. Estou a acelerar.... estamos a ser atacados.
Tiros de canhão e balas tracejantes estão a atravessar a fuselagem. Estamos a rezar e a fazer o nosso melhor”. Estas foram as últimas palavras emitidas, através do rádio, por Quirinus Tepas, o comandante do voo 777. Em seguida despenhou-se no mar matando as 17 pessoas que seguiam no seu interior.

Poderia ser apenas mais um incidente numa guerra onde se repetiam, quase diariamente, os combates aéreos sobre a Baía da Biscaia, mas logo depois dos acontecimentos avolumaram-se as suspeitas que apontavam para um ataque deliberado. Uma teoria, que o próprio Winston Churchil sustentou na sua autobiografia, até porque acreditava que poderia ser ele o alvo da operação.

No aeroporto da Portela concentravam-se espiões de todas as nacionalidades para acompanhar, de forma bastante atenta, os embarques e desembarques que ocorriam. O que alguns defendem é que nesse dia terá existido um engano na identificação dos passageiros.

Sabia-se que Churchil estava em viagem. Deslocara-se ao Norte de África, para se encontrar com o General Eisenhower, e o regresso à Grã-Bretanha poderia ser uma oportunidade única para o eliminar. Desde o mês anterior que circulavam rumores apontando para a possibilidade do regresso se fazer através de Lisboa. Na Portela, embarcou, nesse dia, um homem que correspondia à descrição do fleumático primeiro-ministro Inglês.

Alfred Chenhall tinha o mesmo perfil que Winston e também gostava de fumar charutos. Era contabilista particular de Leslie Howard que, por outro lado, correspondia à descrição de um dos guarda-costas mais conhecidos do primeiro ministro. Tudo pormenores que, segundo os defensores da teoria do abate intencional, poderão ter causado a confusão de que resultou a destruição do voo 777.

Existem ainda outras teorias que tentam justificar o incidente e apontam para a suspeita de que Howard era um espião. Durante a sua digressão por Espanha e Portugal, para promover a carreira, teria recolhido informações importantes, que os alemães não queriam ver chegar a Inglaterra. Outros passageiros são também apontados como potenciais espiões ao serviço da causa aliada.

Estava também a bordo Wilfrid Israel, um judeu e activista anti-nazi, com ligações muito próximas ao governo britânico e que há muito denunciava a existência dos campos de concentração. A sua presença é para muitos uma das possíveis razões para este acontecimento. O principal objectivo seria o de afastar uma voz incómoda para Hitler.

A morte de Howard e dos restantes passageiros teve repercussões em Portugal. A teoria de uma conspiração parece ter-se enraizado entre alguns responsáveis do Governo de Salazar que, logo em Outubro de 1943, trataram de expulsar uma das figuras chave da espionagem alemã no país.

Kuno Weltzein é apontado como o homem que terá enviado a informação relatando a suposta presença de Churchil no aparelho.
(…)

sábado, 20 de março de 2010

Aviadores em "LISBOA, porto de saída"


As rotas de fuga clandestinas dos países ocupados até Lisboa... e depois para mundo, são o tema de uma conferência que tem como título "LISBOA, PORTO DE SAÍDA". A organização é do Instituto Cervantes, em Lisboa, e as sessões decorrem no seu auditório às 18 horas dos dias 24 e 25 de Março.
O objectivo é homenagear algumas personalidades espanholas e portuguesas que estiveram envolvidas nestas actividades ao longo dos anos como, por exemplo, Aristides da Sousa Mendes.
Destaco entre os vários oradores, a presença de Patrick Gerassi, um jornalista da BBC que vive actualmente em Vigo, Espanha. O seu pai foi Alfred Gerassi, responsável na Embaixada Britânica da capital portuguesa pelo acompanhamento das rotas de fuga dos aviadores aliados abatidos sobre a França, Bélgica e outros países. É sobre essa tema que vem falar no dia 24.
De salientar que a mãe era aparentada com Leslie Howard, o actor que morreu quando o avião da companhia BOAC "IBIS" foi abatido sobre a Baía da Biscaia por caças alemães em 1 de Junho de 1943. O aparelho tinha partido da Portela e tinha como destino Bristol no Reino Unido. A mãe de Patrick terá sido uma das últimas pessoas a despedir-se dele antes de embarcar nesse fatídico voo.
Parece um fim de tarde interessante para quem tem interesse nestes temas...