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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Derek Partridge, o sobrevivente acidental

A sua voz é reconhecida na indústria cinematográfica, na televisão e em documentários.fez também jornalismo, apresentou programas e fez mais uma série de coisas. Nas últimas décadas Derek Partridge foi certamente presença nas casas e muitos de nós, e isso só foi possível porque um actor famoso lhe tirou o lugar no voo 777.





Derek Partridge, uma voz e uma cara bem conhecidas do público. Para conhecer o seu site - onde pode encontrar um vídeo com diversos trabalhos que realizou - clique aqui.







Quando o actor Leslie Howard chegou ao avião com o seu empresário, Alfred Channels, naquela manhã de 1 de Junho de 1943 todos os lugares estavam ocupados. Mesmo em frente à entrada do aparelho estava Derek Partridge, com sete anos, e Dora Rowe, a sua “escolta” desde que partira dos Estados Unidos no paquete português Serpa Pinto para atravessar o Atlântico.
“Julgo que saímos apenas porque estávamos sentados mesmo à entrada, e calculo que era mais fácil pedir a quem estava mais perto para sair. Só quando mais tarde conheci o filho de Leslie, Ronald (que está acabar um livro chamado “In Search of my Father”, que percebi que era tudo uma questão de passageiros prioritários e eu era o menos importante”, explica.
Partridge não se lembra de muito do que se passou naquele dia. Recorda-se de estar sentado no avião e de sair. “Depois passei cinco dias num hotel no Estoril e as minhas únicas memórias são as de uma praia linda, onde encontrei muitas pequenas conchas, com padrões muito interessantes”.
O pai não viveu momentos tão lúdicos, especialmente nas horas que se seguiram ao abate do Voo 777. Envolvido no mundo da espionagem, um especialista no Médio Oriente, o pai de Partridge teve subitamente com uma missão quase impossível: “O meu pai estava no MI6 e por isso foi uma das primeiras pessoas a tomar conhecimento do abate do voo 777 ter sido abatido… andou 24 horas a pensar como contar isso à minha mãe, até receber a notícia que afinal eu não estava a bordo”.
Cinco dias mais tarde Derek e Dora estavam de volta a um avião. “A minha única memória do voo de regresso é que, após o abate do outro avião, as janelas estavam cobertas com panos negros para evitar que a luz fosse vista de fora. Fiquei desapontado por não poder ver nada na minha primeira viagem. Também não fazia ideia de que o outro avião tinha sido abatido”.
“É um sentimento estranho saber que toda a minha vida só foi possível por pura sorte… do destino”, concluí Derek que esteve certamente um forte mão protectora sobre a sua cabeça.
Com cinco anos estava a caminho dos Estados Unidos, enviado pela família para casa da tia, para estar longe de um Inglaterra cercada e atacada pelos alemães. Dois anos depois – e ainda antes de chegar a Lisboa – quase caiu do navio que o trazia de volta.






Derek Partridge com sete anos, pouco antes de reembarcar para a Europa.









 
“Estava a conversar com um tripulante e encostei-me à borda do navio… era o local por onde entrava o piloto do navio e alguém tinha esquecido de o fechar como deve de ser. De repente abriu-se e comecei a cair para trás, para o mar. Felizmente o tripulante conseguiu agarrar-me”.

Para saber mais sobre o Voo 777 clique aqui.

Carlos Guerreiro

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