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sexta-feira, 25 de maio de 2018

Formação sobre Figueira da Foz durante a II Guerra Mundial


O auditório municipal da Figueira a Foz acolhe amanhã, sábado 26 de maio, entre as 10h00 e as 17h30, uma acção de formação de curta duração que tem como tema «A Figueira da Foz durante a 2.ª Guerra Mundial: refugiados e "turistas acidentais"».

Entre os tópicos a discutir vão estar a paisagem social da Figueira da Foz balnear, dramaticamente marcada pela presença durante a 2.ª Guerra Mundial, dos refugiados que escapavam aos nazis. O legado da presença de refugiados na Figueira da Foz é parte integrante do Património Material e Imaterial da cidade e o elo de ligação com um dos mais importantes períodos da história mundial e com as vastas redes de conhecimento que sobre ela se vêm produzindo.

Esta acção de formação, que se insere na programação do Ano Europeu do Património Europeu, tem a duração de 6 horas, é dirigida a docentes de todos os graus de ensino e não docentes e tem como formadoras Irene Vaquinhas (professora catedrática do departamento de História, Estudos Europeus, Arqueologia e Artes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra) e Cláudia Ninhos (investigadora integrada do CHAM – Centro de Humanidades da Universidade Nova de Lisboa).

As sessões são de entrada livre, abertas a toda a população e garantem certificação a professores mediante inscrição obrigatória AQUI.

Fica o essencial do programa:
 - 10h00 – 13h00: Irene Vaquinhas - A Figueira da Foz na rota da fuga das guerras: de praia peninsular a residência fixa (1936-1945) (sessão com visita guiada)

- 14h30 – 17h30: Cláudia Ninhos - Promoção da educação sobre o Holocausto na sala de aula: disciplinas, fontes, ferramentas e metodologias (sessão teórico-prática).

Para mais informações clique AQUI.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Algumas perguntas a Cláudia Ninhos

A forma como a Alemanha olhou e se relacionou com Portugal durante o período da II Guerra Mundial é o tema central do novo livro da historiadora Cláudia Ninhos. "Portugal e os Nazis" já pode ser encontrado nas livrarias e o seu lançamento está marcado para o dia 14 de Novembro na livraria Buchholz.

Para saber um pouco mais sobre esta nova obra ficam algumas informações deixadas pela autora...

Aterrem em Portugal - Porque se interessou pelas relações entre Portugal e o Nazismo?

Cláudia Ninhos - O interesse começou por ser apenas pela língua alemã, que estudei na escola, durante o ensino secundário, e no Goethe Institut. Só depois é que evoluiu para um interesse pela história e pela cultura alemã, em geral. Quando fiz a minha licenciatura em História tive a oportunidade de frequentar várias disciplinas no departamento de Estudos Alemães.

A língua alemã tem sido uma ferramenta muito útil já que me permitu aceder a importantes arquivos e à bibliografia alemã. Em especial no que diz respeito ao estudo da II Guerra Mundial, sempre achei que os investigadores portugueses, ao descurarem esta importante documentação, estavam a esquecer um dos lados da história.

Quando fui para os arquivos alemães fazer investigação, nomeadamente para o Arquivo Político do Ministério dos Negócios Estrangeiros, as minhas desconfianças tornaram-se certezas. O arquivo tem um enorme manancial de informação que sobreviveu à guerra. E não podemos esquecer que a representação diplomática alemã na capital portuguesa esteve aberta até ao final do conflito, em Maio de 1945, mantendo um contacto constante quer com as autoridades portuguesas, quer com as alemãs, o que torna a documentação extremamente rica.


AP - Houve uma grande intervenção cultural, social, económica e propagandista do nazimo no nosso país antes e durante a guerra. Havia alguma estratégia nesta intensa atividade?

CN - Com a chegada do Ministro Oswald von Hoyningen-Huene a Lisboa, em Outubro de 1934, houve finalmente uma estratégia. Antes disso algumas linhas de actuação estavam já a ser construídas, mas é Huene que vem dar-lhes a estabilidade necessária. Depois, teve a sagacidade de compreender que a cultura alemã poderia ser um instrumento para aproximar os dois países.

Toda a gente olha para a cultura como “apolítica”, mas a verdade é que a política cultural alemã – a Kulturpolitik- tem sempre por trás objectivos político-económicos e Huene soube “vender” muito bem a cultura alemã enquanto instrumento de poder.


AP - Foi possível perceber, através da documentação alemã que consultou, qual a imagem que os dirigentes nazis tinham de Salazar e de Portugal?

CN - Quando o ministro Huene chegou a Portugal teve duas tarefas árduas em mãos. Por um lado, teve de provar à Wilhelstrasse (esta era a rua onde se localizava o MNE alemão e é por isso uma nomenclatura muito utilizada para se referirem ao ministério) que Portugal, aquele país distante e periférico, era importante para o novo quadro geopolítico da Europa dos anos 30.

Por outro lado, em Portugal, teve de aplacar as desconfianças de Salazar e de uma parte da elite portuguesa face ao regime Nacional-Socialista e a Hitler. É claro que tinha em Portugal, nomeadamente em Lisboa e especialemente em Coimbra, um grupo de intelectuais e de governantes que olhavam com admiração para a Alemanha, e isso ajudou-o.

Para Huene, a melhor forma de contrariar o predomínio inglês passava por manter um comportamento amigável em relação ao presidente do Conselho e apoiar os seus objetivos ideológicos para a construção do «Novo Portugal» e as instituições portuguesas, como a Legião e a MP. Quanto mais forte fosse a autoridade de Salazar, mais indepentente seria a política de Portugal em relação a Inglaterra. Enquanto esteve em Lisboa – quase 10 anos! – tentou aproximar os jovens portugueses da Alemanha, promovento inúmeras atividades das instituições culturais alemãs no país, como o Grémio Luso-Alemão.

Há um documento muito interessante em que Hoyningen-Huene escreve para Berlim descrevendo a ditadura portuguesa e explicando por que motivo Salazar não poderia enveredar movimento fascista, com uma dinâmica revolucionária, estando limitado a simpatizar com a ideologia nacional-socialista e fascista.

Apesar de considerar que Salazar conhecia os benefícios da introdução do Fascismo sob a sua própria liderança, havia três factores que, segundo Huene, o impediam de seguir esse rumo. Primeiro, a oposição do exército, que não queria ceder a sua influência a um grande movimento popular. Em segundo lugar, a aversão de Salazar a uma liderança de cariz populista que exigia um contacto pessoal com as massas.

E, por último, o receio de que o «temperamento português» não se ajustasse à tensão, interna e perene, que o Fascismo exigia de cada indivíduo. Huene dizia mesmo que nem o Nacional-Sindicalismo, que ideologicamente denotava uma maior proximidade com o regime nazi, era considerado um movimento de massas, uma vez que a população era maioritariamente analfabeta.

Convite para o lançamento do novo livro de Cláudia Ninhos

AP - da história desse período ficou a imagem de um Salazar dividido em relação ao Nazismo, identificando-se com uma parte da ideologia e rejeitando outra de forma clara. Essa imagem sobrevive à análise da documentação que realizou para escrever este livro?

CN - Embora tivesse consultado documentação de arquivos portugueses, a minha prioridade não foi essa.Neste livro procurei, sobretudo, fazer um exercício contrário ao que normalmente é feito. Ou seja, procurei olhar para Portugal a partir das fontes alemãs para compreender qual a estratégia diplomática germânica, recuando mesmo no tempo para analisar continuidades e rupturas.


AP - Houve alguma parte da pesquisa que a tenha surpreendido de forma particular?

CN - Várias. Uma delas foi o papel central do ministro Hoyningen-Huene. Ele foi a coluna vertebral de toda a diplomacia alemã em Portugal, cultivando relações com a elite portuguesa e até mesmo com os outros diplomatas estrangeiros.

O seu papel moderador relativamente ao regime português desencadeou conflitos com as organizações nazis em Portugal, que constantemente se queixavam do diplomata a Berlim. Outra questão que me surpreendeu foi o acordo cultural. Huene fez da assinatura deste acordo um “cavalo de batalha”, pressionando sistematicamente o governo português. Aliás, acompanhar as negociações deste acordo através das fontes alemãs permite-nos compreender a forma de actuação do MNE e de Salazar. A assinatura deste documento nunca foi recusada pelo regime, que adiou sistematicamente uma tomada de decisão, de tal forma que caiu no esquecimento com a eclosão da guerra.

As entidades portuguesas envolvidas – o MNE, o Ministério da Educação Nacional ou o Instituto para a Alta Cultura- desculpavam-se atribuindo a responsabilidade pela demora umas às outras, o que obrigou Huene a desdobrar-se em intermináveis contactos bilaterais. Ainda a propósito deste acordo, há um parecer redigido por Marcello Caetano, na qualidade de vogal do IAC, que analisa com enorme lucidez os objectivos políticos e económicos da diplomacia cultural alemã, como poderão ler no livro.

Boas leituras,
Carlos Guerreiro

quarta-feira, 19 de março de 2014

Diplomatas portugueses na II Guerra

As acções dos Cônsules portugueses Veiga Simões, em 1939, Sousa Mendes, em 1940, e Teixeira Branquinho e Sampaio Garrido, em 1944, são o tema central de um seminário que reúne vários especialistas portugueses e estrangeiros em Coimbra na próxima sexta-feira.


Na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra vão encontrar-se especialistas como João Paulo Avelãs Nunes, Irene Pimentel, Cláudia Ninhos ou Avraham Milgram entre outros.

A forma como estes diplomatas tentaram salvar judeus e outros perseguidos políticos do nazismo é tema central deste seminário que começa pela manhã e se estende pela tarde.

Pode ver o programa completo desta iniciativa, cuja entrada é gratuita, na nossa AGENDA.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Salazar, Portugal e o Holocausto

José Pacheco Pereira considerou o novo livro de Irene Pimentel e Cláudia Ninhos um importante contributo para conhecer não só os factos que terão chegado a Salazar sobre o Holocausto e a forma como este os tratou, mas também para entender as relações entre Portugal e Alemanha durante a II Guerra Mundial e o período que antecedeu o conflito.

"Salazar, Portugal e o Holocausto", foi apresentado na última terça-feira, no Goethe Institut.

“As diferenças entre o regime alemão e o português são maiores que as proximidades”, considerou Pacheco Pereira adiantando que apesar da aparente afinidade entre os dois regimes Salazar temia o paganismo dos nazis que considerava perigoso para o seu próprio regime.

Ponto de contacto importante era o anticomunismo, mas em relação a vários outros aspectos existe uma relativa distância entre os dois regimes disse Pacheco Pereira, que garante que todas estas questões estão reflectidas no livro.

O Livro de Irene Pimentel e Cláudia Ninhos tem cerca de 900 páginas. 
Pode ser adquirido AQUI.

Boas leituras
Carlos Guerreiro

terça-feira, 19 de março de 2013

Portugal e o Holocausto em Livro

Salazar, Portugal e o Holocausto, é um novo livro que vai ser apresentado hoje, no Goethe Institut, por volta das 18.30.

A edição da obra é da Temas & Debates/ Círculo de Leitores e pode ser adquirido AQUI

A obra é um trabalho conjunto das historiadoras Irene Flunser Pimentel e Cláudia Ninhos e tenta dar pistas sobre as informações que terão chegado ao nosso país sobre o holocausto judeu e outros crimes que praticados pelo nazismo durante a Guerra.

Fica a sinopse oficial:

A amplitude dos massacres cometidos pelos nazis, responsáveis por um devastador número de mortes, tornou impossível mantê-los no desconhecimento da opinião pública. É, por isso, importante compreender o que se sabia entre os Aliados, no Vaticano e nos países neutros, incluindo em Portugal.

Quando tiveram conhecimento do genocídio que estava a ocorrer no leste europeu e que fizeram para salvar as vítimas? Se quisessem, poderiam os Aliados e os países neutros ter feito algo mais para salvar estas vítimas, perante as ameaças de que foram alvo?

A chegada das informações sobre o Holocausto passou por várias fases, desde a sua receção até à tomada, ou não, de posição.


O facto de os governos ocidentais terem recebido inúmeras informações sobre o que estava a ocorrer na Polónia e, depois, na União Soviética não implicou, contudo, que os relatos fossem aceites e compreendidos.

Ou seja, havia informação disponível, mas existiria o conhecimento necessário para que fosse compreendida? Este livro procura, afinal, dar resposta a estas, e a outras questões, em torno do envolvimento de Portugal no Holocausto.

É um livro de duas historiadoras portuguesas de gerações diferentes, com experiências e até opiniões diversas, que se têm dedicado ao estudo do relacionamento entre o Portugal de Salazar e a Alemanha de Hitler, que se juntaram em torno de uma curiosidade comum, procurando contribuir para responder a estas perguntas.

Boas leituras
Carlos Guerreiro