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quinta-feira, 16 de maio de 2019

Vilar Formoso recorda papel na guerra

No próximo fim-de-semana Vilar Formoso vai recuar no tempo e regressar ao período da II Guerra Mundial com dois espectáculos que revisitam as memórias da chegada àquela localidade fronteiriça de milhares de judeus que fugiam do conflito e procuravam em Portugal uma porta de saída da Europa para países mais seguros.

Os espectáculos terão como cenário o Largo da Estação, junto ao Polo Museológico Vilar Formoso Fronteira da Paz - Memorial aos Refugiados e ao Cônsul Aristides de Sousa Mendes. No sábado, a partir das 16:30, terá lugar a representação "Setembro 1939 - A defesa de Varsóvia" e, no domingo, pelas 10:30, o público pode assistir a "Vilar Formoso - O caminho da liberdade e da esperança".

Estas representações envolvem cerca de 60 pessoas e serão feitas pela Associação Histórico Cultural Poland First To Fight e pela Associação Norland.

"Setembro 1939 - A defesa de Varsóvia" tem uma duração média de 30 minutos mostrando dez cenas que apresentam momentos diferentes da defesa de Varsóvia entre 06 e 29 de Setembro de 1939 - dias entre os quais a capital polaca foi cercada até finalmente se render.

Por seu lado a "Vilar Formoso - O caminho da liberdade e da esperança", terá uma duração de dez minutos reunindo três cenas que apresentam o caminho dos refugiados da França até Vilar Formoso: entrega de vistos pelo cônsul de Portugal; travessia da fronteira franco-espanhola; travessia da fronteira luso-espanhola.

No sábado, pelas 11:00, prepara-se também uma visita às exposições "Polónia 1939 - 1947: O preço da honra" e "Os polacos em Portugal nos anos 1940 - 1945", patentes no posto de Turismo de Vilar Formoso.

As actividades são promovidas pela Câmara Municipal de Almeida e pela Junta de Freguesia de Vilar Formoso, com a colaboração do Ayuntamineto de Fuentes de Oñoro (Espanha), das Embaixadas da República da Polónia e de Espanha, da Associação Sociocultural Tierras de Piedra e da Associação Histórico-cultural Poland First to Fight.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Livro...
"Vilar Formoso - Fronteira da Paz"
de Margarida de Magalhães Ramalho

O novo livro de Margarida de Magalhães Ramalho, “Vilar Formoso - Fronteira da Paz” é apresentado sexta-feira, às 18 horas, na sala do Arquivo dos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa.


Lisboa é o local escolhido para o lançamento deste trabalho porque para muitos dos refugiados da II Guerra Mundial – um grande número deles entrados através de Vilar Formoso - a capital representava a porta de saída para uma nova vida.

O livro surge na sequência de um projecto iniciado em 2012, pela Câmara Municipal de Almeida, que quer inaugurar, em 2016, um pólo museológico dedicado aos refugiados, com o nome «Vilar Formoso - Fronteira da Paz».

A investigação, feita no âmbito deste projeto, acabou por servir de base à publicação – com o mesmo nome que o futuro museu – e apresenta documentação e testemunhos inéditos.

A obra está dividida em sete capítulos - Gente como nós; O Início do Pesadelo; A Viage; Vilar Formoso - Fronteira da Paz; Por Terras de Portugal e A Partida. Os mesmos temas poderão ser encontrados, no futuro, nos núcleos do museu.

Por Portugal passaram milhares de pessoas em fuga. Tratava-se, na maior parte, de gente anónima, mas também aqui estiveram escritores ilustres, cineastas, pintores, artistas de cinema, intelectuais, políticos, famílias reais, banqueiros, agentes secretos, entre outros.

Alguns dos que chegaram a Portugal, nessa altura, acabaram por relatar, nas suas memórias, essa experiência. Foi o caso, nomeadamente, de Arthur Koestler, Alfred Döblin, Heinrich Mann, Antoine de Saint – Exupéry, Erika Mann, George Rony e Peggy Guggenheim.

Trata-se de mais um mergulho na história recente do país, numa altura em que nos aproximamos da passagem dos 65 anos do fim da II Guerra Mundial.

Carlos Guerreiro

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Recordar Sousa Mendes e os refugiados

A Câmara Municipal de Almeida pretende instalar, em Vilar Formoso, um memorial dedicado a Aristides de Sousa Mendes e aos judeus e refugiados da 2.ª Guerra Mundial, adiantou, na última semana, à agência Lusa o presidente da Câmara, António Baptista Ribeiro.

O autarca anunciou que a Câmara tenciona adquirir os antigos armazéns da CP, junto da estação de Vilar Formoso, para instalação de um espaço museológico e multimédia que assinale a "fuga de judeus e de outros refugiados" do holocausto nazi e de evocação da "memória do cônsul Aristides de Sousa Mendes".

O autarca adiantou que decorrem negociações para aquisição dos antigos armazéns ferroviários, que se encontram "em degradação progressiva", para os adaptar a espaço museológico.

Se a CP não vender os edifícios, a autarquia de Almeida terá de "procurar outro espaço, nomeadamente edifícios que estão a necessitar de ser recuperados no largo da Estação" de Vilar Formoso, admitiu.

Baptista Ribeiro considerou fazer sentido instalar o espaço museológico junto da estação ferroviária fronteiriça, uma vez que a Linha da Beira Alta está associada ao antigo cônsul de Portugal em Bordéus, pois os refugiados entraram em Portugal de comboio.

Entre os dias 17 e 19 de junho de 1940, Aristides de Sousa Mendes assinou milhares de vistos para salvar pessoas do holocausto nazi, contrariando as ordens do Governo de Salazar, situação que levaria à sua expulsão da carreira diplomática.

O projeto da Câmara de Almeida, denominado "Evocação e memorial aos judeus e refugiados na 2.ª Guerra Mundial", foi idealizado com a intenção de atrair visitantes para o concelho, evocar o feito histórico e perpetuar a memória do cônsul.

O plano também envolve a produção de conteúdos multimédia, com base em trabalhos de investigação, que já estão a ser realizados por Luísa Marques, responsável pelo Museu Virtual Aristides de Sousa Mendes, segundo o autarca.

"É um projeto interessantíssimo. É um trabalho de pesquisa relacionado com os refugiados da 2.ª Guerra Mundial, e não só com judeus, que fizeram a sua quarentena em Vilar Formoso e tiveram vários destinos em Portugal", explicou.

Muitos daqueles que atravessaram a fronteira com vistos assinados por Aristides de Sousa Mendes "passaram a fazer vida em Portugal, mas a grande maioria foi para o Brasil", observou.

A investigação que está em curso, não só em Portugal como na Áustria, em Bordéus e no Brasil, "tem levado a descobertas interessantíssimas", revelou o autarca.

Após a investigação será produzido um trabalho multimédia que equipará o futuro museu e também servirá para exposições itinerantes, adiantou.

António Baptista Ribeiro prevê que a investigação e os conteúdos multimédia, num investimento global de 240 mil euros, possam ficar concluídos até junho de 2013. A execução do projeto do museu será candidatada a verbas comunitárias do próximo Quadro Comunitário de Apoio.

Carlos Guerreiro com Agência Lusa