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quinta-feira, 2 de março de 2017

Duas notas sobre uma bomba

Recebi nos últimos dias alguns e-mails sobre a bomba que foi pescada pelo arrastão "Mar Salgado" na zona da Nazaré. O facto de vários órgãos de informação terem referido que se poderia tratar de uma bomba da II Guerra Mundial resultou nalguns contactos que fui respondendo como pude, pois encontrava-me longe de casa e com acesso condicionado à Internet e às fontes de informação.


Passados alguns dias sobre o acontecimento e depois de aceder a diversas notícias gostava de deixar duas notas sobre o tema:

1 - Não se pode excluir a possibilidade de serem encontradas nas nossas águas bombas, munições ou outro material pertencente a aviões da II Guerra Mundial. Entre 1939 e 1945 foram diversos os aviões alemães ou aliados que realizaram ataques a navios ou submarinos ao longo da nossa costa. Como exemplo deixo três artigos onde o tema é referido, nomeadamente, "O Junho Quente de 1943", "Pescadores Debaixo de Fogo" e "Quando o São Vicente se Afundou".

A possibilidade de um dos explosivos utilizados não ter deflagrado é maior do que se possa pensar. Segundo alguns especialistas podem não ter explodido até 10 por cento de todas as bombas lançadas durante o conflito. De resto pode existir material deste tipo que foi perdido, largado em resultado de uma avaria ou parte do arsenal de um aparelho que desapareceu. Há vários, tanto alemães como aliados, que se esfumaram sobre mar o português sem deixar rastro.

2 – Em várias notícias que surgiram a bomba era referida como sendo uma MK-82. Mesmo não sendo um especialista neste tipo de equipamento militar foi fácil encontrar informação sobre a série Mk-80. O modelo foi desenvolvido depois da II Guerra Mundial e teve ampla utilização na Coreia e no Vietname, sendo uma unidade de uso comum em vários países NATO...

Baseando-me nestes elementos, e se de facto se trata de uma Mk-82, é difícil - senão impossível - que pertença ao período da II Guerra Mundial.

Carlos Guerreiro

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O submarino afundado na Nazaré

A história não é nova, mas é sempre interessante recorda-la. Fica o apontamento do jornal "Região de Leiria" e também uma reportagem que reúne, entre outras coisas, material recolhido pela SIC há alguns anos.


Submarino alemão afundou-se na Nazaré há 65 anos

Publicado em 20 Maio 2010 às 4:32 pm.

Assinala-se hoje o 65.º aniversário do afundamento de um submarino de guerra alemão – U-963 – ao largo da costa nazarena, um acontecimento no rescaldo da 2ª Guerra Mundial, que marcou a vivência da população local, tornando-se parte do imaginário nazareno, quase com contornos de lenda.


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De acordo com os registos da Capitania da Nazaré, na madrugada do domingo, 20 de Maio de 1945, um bote de borracha com três marinheiros alemães atingiu a praia. Contactadas as autoridades locais, foi transmitido que estaria ao largo um submarino em afundamento e solicitava-se o resgate da restante tripulação, realça a autarquia nazarena em comunicado.

A barca salva-vidas da Capitania foi accionada e recolheu os 45 tripulantes ainda a bordo, mas o Comandante do U-963 não permitiu aos representantes das autoridades portuguesas que assistissem ao afundamento, acrescenta.

O submarino partira da Noruega em Abril de 45, quando ainda decorria o conflito que opunha a Alemanha de Hitler aos Aliados, com a missão de largar mísseis no Canal da Mancha, mas, na viagem, a tripulação foi informada da rendição da Alemanha e, ao invés de aceitar a capitulação, optou pela fuga e pelo auto-afundamento, ao largo da costa de Portugal.


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Segundo os registos da Capitania da Nazaré, citados pela autarquia local, o U-963 submergiu a aproximadamente 500 metros a sul/sudoeste do Forte de S. Miguel, a cerca de 100 braças de profundidade.

“O afundamento do submarino alemão foi testemunhado por muitos habitantes locais, alguns que ainda são hoje memória viva de um episódio de grande interesse histórico”, destaca a autarquia nazarena.

Refira-se que, em 2004, uma equipa de reportagem da SIC tentou desvendar o mistério da auto-destruição do submarino de guerra alemão na Nazaré, acompanhando uma expedição da Universidade Autónoma de Lisboa, da Universidade do Connecticut (EUA) e do Instituto Hidrográfico. A equipa efectuou mergulhos no submersível Delta até cerca de 120 metros de profundidade, na zona da cabeceira do Canhão da Nazaré, tendo sido confirmada a localização do U-963. Mas não foi possível recolher mais informação devido à elevada turbulência de correntes, ao nível de sedimentos e à fraca visibilidade, que não permitiam um mergulho de reconhecimento em segurança.
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