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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Diário Secreto aque Salazar não leu (Livro)



Diário secreto que Salazar não leu
Factos e revelações inéditos
de Rui Araújo
A história oculta da espionagem em Portugal durante a II Grande Guerra Mundial
Edição/reimpressão: 2008
Editor: Oficina do Livro
ISBN: 9789895553433

Fica aqui mais um em tempo de Feira do Livro pela capital - a que se seguem outras por todo o país. É muito interessante e remete para os diários de Guy Lydel, que já referi neste blog antes. O trabalho de pesquisa está bem feito e é possível perceber as voltas tortuosas que a espionagem dava no nosso país durante este período. Fica a sinopse:

Lisboa foi um dos grandes centros de espionagem durante a Segunda Grande Guerra: a cidade serviu para contactos, missões clandestinas, campanhas de contra-informação, contratação, rapto e trânsito de agentes, intrigas, subversão, conspirações, negócios e vigarices.
A dimensão da espionagem nazi não tinha comparação com a das outras capitais neutrais. Lisboa era, por isso mesmo, uma preocupação para os serviços britânicos.
Muitos portugueses participaram nessa guerra secreta, sobretudo ao lado das forças do Eixo. É a história desses homens e dessa mulheres que se moviam, essencialmente, por razões pecuniárias que Rui Araújo narra neste livro, baseado nos 12 volumes do diário secreto de Guy Lidell, um documento considerado essencial para a compreensão do conflito e do país que fomos.

Boas leituras...

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Fantasia Lusitana traz-nos de volta os anos 40

O filme documentário estreia no dia 29 e pelo que já foi possível ver temos obra e da grada, mais que não seja pela colecção de imagens que a "Fantasia Lusitana" apresenta. Por razões profissionais já tinha pesquisado na cinemateca, exactamente imagens do período da II Guerra Mundial. Confesso que fiquei boquiaberto depois de um dia passado a visionar imagens em "bruto" e filmes montados captados durante aquele período. A aquisição dessas imagens não é barata e essa foi uma das razões porque o projecto em que estava envolvido nunca avançou. Fico satisfeito por rever algumas dessas imagens no trailer do filme do João Canijo. Finalmente alguém teve coragem para pegar naquilo e fazer alguma coisa. O trailer é apelativo. Espero que o filme também corresponda às expectativas.
Fica também uma entrevista dada ao Jornal "i" pelo realizador.





João Canijo.
"Por cá as coisas passam e desaparecem sem deixar marca"
por Luís Leal Miranda, Publicado em 22 de Abril de 2010

Pela primeira vez a abertura do IndieLisboa é um filme português. João Canijo faz as honras com um documentário, "Fantasia Lusitana


Por causa de filmes como "Sapatos Pretos", "Ganhar a Vida" ou, mais recentemente, "Mal Nascida" (2007), João Canijo tornou-se o realizador que filmava um país que julgávamos já não existir. Com "Fantasia Lusitana", o seu primeiro documentário, Canijo mostra-nos um Portugal que não sabíamos que alguma vez tinha existido. É o filme de estreia da sétima edição do festival IndieLisboa e o primeiro documentário português sobre o Estado Novo a chegar ao cinema. Nele, a história de um país a viver na ilusão da paz e da prosperidade é contada com recurso a imagens de propaganda do Antigo Regime - e contrastada pelos testemunhos de refugiados da II Grande Guerra que passaram por Lisboa. "Quem tiver olhinhos vê que o nosso país não mudou assim tanto", sentencia.

Porque decidiu filmar "Fantasia Lusitana"?

Foi uma encomenda da Periferia Filmes, uma produtora jovem que tinha alinhavado um projecto sobre refugiados famosos que passaram por Portugal durante a II Grande Guerra.

Aceitou logo?

Sim, mas mudei o ângulo da coisa: quis colocar em oposição a realidade fantasista nacional e a realidade nua e crua da guerra no resto mundo. Tendo já a noção de que cá a Grande Guerra era vista como uma coisa que se estava a passar noutro planeta.

Como escolheu as imagens de arquivo que iria usar?

Decidi-as logo no início. O documentário sobre a Exposição do Mundo Português eu sabia que existia, lembrava-me do meu pai me falar daquilo e tinha a ideia de que era uma coisa fantástica. O resto das imagens foram recolhidas por um rapaz novo formado em História em França, o Hugo dos Santos. Esteve quase um ano metido nos arquivos do ANIM e em sites de arquivos de imagens. Ele via e fazia resumos muito bem-feitos do que estava na fita. Eu fiz uma pré-selecção depois do trabalho dele, vi e escolhi.

O que é que conhecia sobre este tema?

Aquilo que me contavam o meu pai e o meu avô: as plateias na esplanada em frente à pastelaria Suíça para ver as mulheres estrangeiras a fumar de perna cruzada. A animação que havia em Lisboa naquela época devida aos estrangeiros. E um pormenor chocante que me fazia crer que as coisas não estavam a ser todas contadas por aqui: o facto de as pessoas terem de ligar a BBC na onda média para ouvir notícias da guerra. Lembro-me, porque tenho idade para isso, dos noticiários que davam antes dos filmes relatados por um senhor muito eloquente que terminavam sempre com a frase: "E assim vai o mundo".

Como é que estruturou o documentário daquela maneira?

O ponto de partida foi sempre a oposição entre a fantasia e a realidade. Logo no primeiro dia de montagem veio o título e o título define o filme: "Fantasia Lusitana". Depois de termos um primeiro alinhamento, passámos a investigar se a passagem de tanta gente por Portugal naquele período tinha afectado o país. A resposta foi: não, não deixou marca.

Quando viu as imagens escolhidas, o que é que sentiu?

Vi que os telejornais e o documentário sobre a Exposição do Mundo Português são ainda mais delirantes do que aquilo que pensava. Um delírio, uma irrealidade e um fantasismo completamente incríveis.

Por exemplo?

[começa a imitar partes do filme] "Aí vemos uma família timorense a descer da sua habitação lacustre" ou "emocionante, verdadeiramente emocionante, a excursão composta exclusivamente de operários católicos a Fátima". E no final, "o Cristo-Rei que nos observa do cimo em perene solicitude". [Risos]

Como realizador, como olha para aquelas imagens?

O nosso produtor estava sempre contra a minha escolha de imagens porque achava que aquilo não tinha qualidade. Achei que isso seria indiferente.

É propaganda mal feita?

É mal filmado, mal editado, tudo mau. Contemporâneo daquilo é a Leni Riefenstahl e não se pode comparar esse trabalho ao dos homens descritos pela propaganda como "os realizadores dos anos de ouro do cinema português".

O que é que quer provar com este filme?

Não quero provar nada. A ideia é apenas mostrar como as coisas eram. E quem tiver olhinhos vê que a herança ainda cá está e o nosso país não mudou assim tanto. Há uma coisa no documentário que é chocante: o Salazar escrevia os seus discursos para pessoas que ele sabia serem ignorantes. Ele falava contando sempre com a falta de educação do povo português. E esse continua a ser o mal de Portugal, as pessoas preocupam-se muito pouco com a educação.

O documentário não tem entrevistados, nem um texto em off. Porque recusou qualquer tipo de explicação?

Foi uma premissa desde um início. E as imagens falam por si.

Tem filhos adolescentes, mostrou-lhes o filme?

Mostrei na mesa de montagem ao meu filho de 17 anos, ficou boquiaberto. Mas queixou-se que não percebia algumas coisas, partes do filme que deviam ter umas explicações. Mas eu não cedi.

Acha que o filme vai chegar a muita gente?

Ao início estava desconfiado, mas tenho recebido reacções tão boas de tanta gente que neste momento acredito que sim.

Essa parte da nossa história não está bem contada na escola?

Não tem a ver com isso. Tem a ver com o mal português de nada deixar marca. As coisas passam e desaparecem, sem deixar rasto. Vamos ao interior de uma aldeia portuguesa e não conseguimos fazer a ligação entre a parte antiga e a parte actual. A aldeia original desapareceu, a arquitectura tradicional desapareceu sem que ninguém se preocupasse com isso. Não deixou marca nenhuma.

Como se explica isso?

Pode ser uma reacção à miséria de outros tempos, mas essa explicação não me satisfaz.

A marca da ditadura mantém-se?

Ainda vai demorar uns anitos a desaparecer esta herança negativa. Eu ainda fui criado com as referências da ditadura e os meus filhos vão ser criados por mim, com esses preceitos. Por isso os meus netos ainda vão ter um bocado disso.

Pode descrever um pouco o filme que está a fazer agora?

É sobre a maneira como o amor consegue sobreviver na aridez e num ambiente tão agressivo e opressor como a periferia de Lisboa, onde as condições de vida são terríveis.

Está a filmar no Bairro Padre Cruz, na Pontinha. Porquê?

É uma espécie de bairro social dos anos 50, com casinhas em vez de prédios na parte antiga. Uma versão pobre do Bairro da Encarnação ou Caselas. Não é um bairro da lata nem um típico bairro social de prédios. É um tipo muito particular.

Depois da antestreia no IndieLisboa, "Fantasia Lusitana" vai poder ser visto nos cinemas a partir do dia 29

Link:
http://www.ionline.pt/conteudo/56343-joao-canijo-por-ca-as-coisas-passam-e-desaparecem-sem-deixar-marca

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Para ver outros filmes e vídeos clique AQUI.

O anexo de Anne Frank na Net

Saiu a notícia no "JN" e é interessante. Mais uma vez não é em Portugal mas é uma daquelas coisas em que vale a pena dar "uma voltinha", para se ficar a conhecer melhor aquilo que aconteceu por esta Europa durante a II Guerra Mundial.

Fica a notícia do JN (o link aparece no final) e também o vídeo do Youtube.Fique atento/a porque no final aparecem outros vídeos associados onde a história pode ser aprofundada.




Casa de Anne Frank abre portas na net

Museu do anexo onde a jovem judia se escondeu durante a II Guerra Mundial lançou uma visita virtual aos espaços encobertos em que viveu com a família. Veja o vídeo.

A casa onde Anne Frank viveu durante a II Guerra Mundial vai deixar de ser visitável apenas fisicamente. O museu Anne Frank, com 50 anos de existência e um milhão de visitantes por ano, vai disponibilizar, no website oficial, um "tour" virtual do anexo onde a jovem judia se escondeu das forças Nazis com a família e amigos durante dois anos, entre 1942 e 1944.

"Por várias razões, nem todos conseguem visitar o anexo, quer seja devido a limitações físicas, quer por viverem muito longe. E devido ao espaço reduzido, apenas uma pequena fracção do espólio pode ser exposta no museu", pode ler-se na página oficial do Museu Anne Frank, que explica assim a decisão de criar a visita virtual.

O tour virtual apresenta detalhadamente items como as fotografias nas paredes, o padrão da roupa de cama e a cozinha apertada onde as oito pessoas viveram diariamente, sempre com medo de serem descobertas. Para além da mostra virtual do espaço físico, o plano avançado pelo Museu Anne Frank inclui ainda uma base de dados do espólio e uma "Linha de Tempo".

Anne Frank nasceu em 1929 em Frankfurt am Main, Alemanha, tendo posteriormente mudado para Amsterdão, Holanda. Em 1942, devido à chamada da irmã mais velha de Anne, Margot, para um campo de concentração, a família Frank escondeu-se num anexo atrás dos escritórios onde Otto, o pai, trabalhava. A eles juntaram-se Fritz Pfeffer e a família Van Pels.

Durante dois anos, as oito pessoas viveram escondidas e Anne detalhou minuciosamente, no seu diário, o dia-a-dia no anexo. Uma denúncia anónima levou à invasão do espaço pela autoridades nazis em Agosto de 1944. Anne Frank acabou por morrer de febre tifóide no campo de Bergen-Belsen em 1945, poucas semanas antes das tropas inglesas libertarem o lugar.

Otto Frank foi o único sobrevivente dos habitantes do anexo. O diário de Anne, publicado em mais de 60 línguas, é um dos mais famosos testemunhos do Holocausto nazi.

Link:
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Tecnologia/Interior.aspx?content_id=1555332

sábado, 24 de abril de 2010

Feira do Livro


Entre 29 de Abril e 16 de Maio decorre no Parque Eduardo VII em Lisboa a Feira do Livro. No dia 1 vou estar no pavilhão EI08, entre as 15 e as 18 horas para uma sessão de autógrafos. O meu livro, "Aterrem em Portugal!" terá, segundo a editora um desconto interessante.

Os mais interessados poderão também dar uma vista de olhos pelo site (ainda incompleto) que será publicado em Junho ou Julho, e onde poderá completar as informações contidas nos anexos do livro publicado em 2008.

Nos próximos dias vou também divulgar neste blog outros livros que podem ser certamente encontrados na Feira do Livro e que estão relacionados com o tema da II Guerra Mundial em Portugal. Gostaria também de divulgar se algum dos seus autores estará presente em sessões de autógrafos mas foi impossível descobrir até ao momento - e segue o recado para quem de direito - um calendário com essas informações. Aliás os site oficial da Feira - a menos de uma semana - ainda não está activo.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Filme sobre Katyn na RTP 2


Nunca vi o filme ou ouvi falar dele, mas a RTP passa na noite de 23 de Abril um filme sobre o massacre de Katyn. Começa às 23.41 horas... fica a sinopse:

Katyn descreve a tragédia de uma geração. O filme segue a história de quatro famílias polacas, cujas vidas são separadas quando, no início da Segunda Guerra Mundial, um grande número de soldados polacos (que também são pais, maridos e irmãos) cai nas mãos das tropas soviéticas e mais tarde, brutalmente se tornam vítimas do estalinismo. O filme também destaca a complicada situação da posição da Polónia, tanto na guerra como depois dela.

"Katyn" narra a história através dos olhos das mulheres, mães, esposas e filhas das vítimas executadas por ordem de de Estaline, a NKVD em 1940.
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Para ver outros filmes e vídeos clique AQUI.

Morreu o último herói timorense... da II Guerra Mundial


Surgiu agora a notícia da morte de Rufino Alves Correia, um dos dos últimos - aliás tido como o último - combatente timorense da II Guerra Mundial. Rufino "aliou-se" a comandos australianos quando os japoneses invadiram a ilha. Fica aqui a notícia que saiu hoje na Lusa e também, para aqueles que percebem inglês, uma entrevista em vídeo onde Rufino conta algumas das suas aventuras - vale a pena ver - e também duas notícias de jornais australianos sobre o caso que está a levantar alguma polémica. Fica também uma petição que circulava na net para que a Austrália medalhasse o homem.

Notícia da Lusa

Rufino Alves Correia, considerado o último sobrevivente

dos timorenses que combateram ao lado das forças australianas na II Guerra
Mundial morreu quarta feira e hoje a enterrar, com honras militares, no
cemitério de Santa Cruz, em Díli.

Rufino Alves Correia, que tinha 94 anos, integrou em 1942 a 2. companhia
independente, uma unidade de elite, como soldado, na guerra de guerrilha
das tropas australianas atrás das linhas inimigas.

Os jovens timorenses eram geralmente incumbidos de fornecer informações,
de tratar do abastecimento alimentar e de encontrar abrigo nas aldeias.

Rufino Correia foi um dos poucos timorenses a participar diretamente
em ações de combate, nomeadamente no ataque às posições nipónicas na cidade
de Díli pelo pelotão B, segundo Paul Cleary, jornalista e escritor australiano,
autor de "Os homens que saíram do chão".

O Presidente da República timorense, José Ramos-Horta, na impossibilidade
de estar presente nas exéquias, enviou de Phnom Penh, onde se encontra em
visita oficial, uma mensagem de condolências, prestando tributo "a um
verdadeiro herói que demonstrou uma bravura extraordinária em jovem".

"Rufino emergiu do período mais trágico da história da Humanidade como
uma inspiração geracional", refere Ramos-Horta na sua mensagem, lembrando
que "nunca esqueceu os amigos australianos nem foi jamais esquecido pelos
soldados australianos a quem serviu".

O Chefe de Estado timorense havia condecorado Rufino Alves Correia com
a Medalha Presidencial de Mérito, por ocasião do 10. aniversário da consulta
popular que determinou a independência, a 30 de agosto de 1999, "pelo serviço
que prestou a Timor-Leste e à Humanidade".


MSO.


Link para entrevista em vídeo:
http://www.suaimediaspace.org/the-documentaries/interviews/recollections-of-a-criado-rufino-alves-correia/
Link para notícias dos jornais australianos:
http://www.theage.com.au/national/no-medal-for-a-timor-war-hero-20100422-tfva.html
http://www.theaustralian.com.au/news/east-timor-presidents-anger-over-forgotten-criados/story-e6frg6n6-1225857167462
Petição
http://www.mmiets.org.au/documents/AwardPetition_001.pdf


Boas leituras

terça-feira, 20 de abril de 2010

Exposição "Correio em Tempo de Guerra"


O anuncio da exposição vem no Boletim da Liga dos Combatentes. A exposição também já andou por Setúbal e parece interessante.

Correio em Tempo de Guerra — II Guerra Mundial, exposição com início a 26 de Abril de 2010, até 31 de Maio de 2010; no Forte do Bom Sucesso (junto à Torre de Belém).
Para evocação deste conflito, o Clube Militar de Oficiais de Setúbal apresenta uma exposição de objectos postais na qual serão exibidos exemplares da correspondência de militares, refugiados, prisioneiros de guerra, campos de concentração, etc.
Trata-se de um evento cultural em memória de mais de 60 milhões de mortos e de centenas de milhões de pessoas cujas vidas foram afectadas e uma homenagem aos Correios de todo o mundo que, num contexto extremamente difícil, mantiveram a comunicação entre os homens.