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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Aljezur no dia da memória

Elementos da comunidade alemã e da população de Aljezur reuniram-se no último domingo no cemitério, junto das campas de sete aviadores da Luftwaffe, mortos em 1943 (ver AQUI) na sequência das cerimónias do Dia da Memória.

Presentes estiveram também autoridades locais e elementos da Associação de Defesa do Património Histórico de Aljezur (ADPAHA), que tem procurado manter vida a história do período da II Guerra Mundial naquele concelho, tendo inclusive recolhido vários destroços do avião no local onde se despenhou e patrocinado um livro onde se conta a história do combate (ver AQUI).

Durante a cerimónia, que contou ainda com a presença de militares alemães em representação a embaixada, actuou o Coro Internacional de Aljezur e foi depositada um coroa de flores junto de uma das campas.

O Dia da Memória realiza-se desde 1952 e a comunidade alemã recorda os milhões de soldados caídos durante as duas guerras mundiais, mas também outras vítimas da guerra e da violência.



As campas dos sete aviadores alemães abatidos em 1943 num combate aéreo ao largo de Aljezur. 
(Foto ADPHA)



O Coro Internacional de Aljezur actua durante as cerimónias. 
(Foto ADPHA)



O tenente-coronel Kai Samulovitz discursa em representação das autoridades alemãs. 
(Foto ADPHA)


Colocação de uma coroa de flores nas campas dos aviadores alemães. 
(Foto ADPHA)



A coroa de flores colocada pela comunidade e pelas autoridades alemãs. 
(Foto ADPHA)

Livros...
U-Boats nos mares dos Açores

O livro “U-Boats nos mares dos Açores”, de Manuel Paulino Costa, foi apresentado no dia 27 de Setembro na presença de Wolfgang Pohl um dos oficiais do submarino alemão U-581, afundado perto da ilha do Pico, no dia 2 de Fevereiro de 1942, e um dos protagonistas desta obra.

Trata-se de um trabalho que aborda a história da luta dos aliados com os submarinos alemães ao largo daquele arquipélago português e destaca dois casos, nomeadamente, o que levou ao afundamento do U-581 pelo HMS Westcott e o combate entre o U-402 e uma outra unidade britânica.

Wolfgang Pohl foi um dos 41 alemães aprisionados pelo navio inglês após o afundamento do U-581, mas esta história é um pouco mais rocambolesca pois o segundo oficial – o tenente Sitek - conseguiu nadar até ao Pico e regressaria à Alemanha, sobrevivendo à guerra como comandante de submarinos.

Quatro tripulantes perderam a vida quando o submarino se afundou atingido por cargas de profundidade.

Do texto lido durante a apresentação do trabalho ficam alguns excertos onde se refere o conteúdo da obra:

“ (…) Manuel Paulino Costa introduz-nos, neste seu livro - “U-Boats nos Mares dos Açores - Batalha do Atlântico (1939-1945)” - em um dos aspetos dolorosos do segundo grande conflito, especificamente na luta pelo controlo dos mares perpetrada pelas flotilhas de submarinos alemães (…)


Wolfgang Pohl ao lado de Manuel Paulino Costa enquanto este assina livros. 
(Foto Maneul Paulino Costa)

O “Empire Garden”, navio tanque inglês, reabasteceu cerca de 2.000 navios de guerra e de transporte que, sulcando o Atlântico desde as Américas, participaram na luta pela vitória.

A esta unidade, construída em Kiel no ano de 1919, foi atribuído o nome de “Gedania”, de 8.922 toneladas, foi utilizada, pelos nazis, no apoio de vasos de guerra no Atlântico, transportando combustíveis e torpedos.

Capturado pelo HMS “Marsdale” a 4 de Junho de 1941, próximo da Islândia e rebatizado de “Empire Garden”, aportou à Horta a 8 de Outubro de 1943, iniciando, de imediato, a sua ação de reabastecedor acolhendo, no espaço de 30 minutos, a bombordo e a estibordo, três contratorpedeiros e um patrulha ingleses.

De entre os demais vasos de grande porte que na Horta se basearam para ações de vigilância, destaca-se o cruzador “Glasgow”.

Os U-Boats, fustigando os nossos mares, atacaram, afundaram ou danificaram inúmeros navios, como descreve, pormenorizadamente, o autor, ou foram rechaçados - U402 (canal Pico/S. Jorge), ou afundados, como foi o caso do “U-581”, junto à costa da Candelária do Pico (2 de Fevereiro de 1942). Estas batalhas, resultantes de anterior torpedeamento do “Llangibby Castle”, constituem-se no fulcro de todo o livro.

De terra, os submarinos receberam até à instalação da base, apoio informativo, através de comunicações na rádio ou por sinais luminosos (caso dos moinhos da Lomba/ Espalamaca) e obtiveram, ainda, apoio em mantimentos, contratualizados com pescadores e acolhidos pela calada da noite. (…)”


Trata-se de uma edição reduzida e foram impressos apenas 300 exemplares. O preço é de 12.50 Euros e pode ser adquirido directamente na livraria “O Telegrapho” , na Rua Conselheiro Medeiros nº30, na Horta, ou através do e-mail: telegrapho@hotmail.com . O contacto telefónico é 292 292 245.

A aquisição pode ainda ser feita na CULTURPICO EEM, Rua do Castelo, nas Lajes do Pico, que tem o telefone 292 679 331.

Boas Leituras
Carlos Guerreiro 
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Para ler mais sobre outros livros clique AQUI.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Dia da memória em Aljezur

O piloto Karl-Gunther Nicolaus (foto ADPHA)

O cemitério de Aljezur, onde se encontram sepultados sete aviadores alemães que morreram durante a II Guerra Mundial, recebe este fim-de-semana a comunidade e as autoridades daquele país no âmbito das cerimónias do Dia da Memória, que os alemães realizam todos os anos, por todo o mundo, a meio de Novembro.

O Volkstrauertag, criado em 1952, pretende lembrar os soldados caídos nas várias guerras, mas também as vítimas da violência.

Em Aljezur a realização desta cerimónia já faz parte das tradições do concelho. Há muitos anos elementos da Força Aérea Alemã (então baseados em Beja) deslocavam-se neste dia ao cemitério para colocar flores.

Após a saída desta força foi a comunidade alemã da zona, em colaboração com a Embaixada, que assumiu a organização das cerimónias deste dia.

A cerimónia junto das campas terá lugar por volta das 11 horas de domingo e contará também com a presença das autoridades portuguesas.

Os sete aviadores morreram na sequência de um combate aéreo com aparelhos britânicos baseados em Gibraltar.

Integrado numa esquadrilha de quatro aviões FW200 Condor, os alemães estavam a realizar uma patrulha de combate junto da nossa costa, quando foram surpreendidos pela presença de caças bombardeiros ingleses.

Os britânicos tentaram vários ataques, mas a formação cerrada dos alemães, impediu que qualquer dos Condores sofresse estragos de maior. Um dos “caçadores” virou, no entanto, para terra e aproveitando o relevo conseguiu aproximar-se de um dos extremos do grupo alemão, que nesta altura já tinha virado para norte, depois de terem descido a costa portuguesa, pelo menos desde Sines.

Condecoração alemã dada a um morador de Aljezur (Foto ADAPHA)

Os disparos atingiram o quadrimotor do sargento-aviador Karl-Gunther Nicolaus incendiando pelo menos um dos quatro motores.

O aparelho foi visto a perder altitude e a dirigir-se para terra, mas não conseguiu realizar a aterragem de emergência e esmagou-se contra uma zona de Arriba que dá para o mar.

Uma das asas ficou suspensa no topo da ravina e o resto desfez-se numa praia algumas dezenas de metros mais abaixo.

Os sete tripulantes morreram e foram sepultados em Aljezur, numa cerimónia que contou com a presença das autoridades portuguesas e alemãs (para saber mais clique AQUI).

A Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur (ADPHA) tem estado a recolher tudo o que pode sobre este aparelho, sobre a sua história e sobre os homens que morreram.

Livro "A Batalha de Aljezur"
Existe uma pequena vitrine-museu com alguns objectos que foram recolhidos junto ao local do acidente.

Têm ainda diversa documentação relacionada com o caso e até uma das condecorações que o Governo Alemão atribuiu a alguns residentes pelos esforços realizados na tentativa de salvar os tripulantes.


Há alguns anos publicaram também um pequeno livro que conta com vários testemunhos sobre o que aconteceu na Batalha de Aljezur e que pode adquirir directamente na ADPHA por 7.50 Euros mais os portes de envio (ver AQUI).

Se for a Aljezur vale a pena dar uma volta pela sede da Associação e fazer umas perguntas (Pode encontrar a ligação para o seu site AQUI).

Estes não são, no entanto, os únicos aviadores alemães sepultados  no nosso país.

Também na Amareleja, no Alentejo, os habitantes foram supreendidos por uma forte explosão que desfez, no ar, um outro Condor em Junho de 1941 (ver AQUI).

Terá sido atingido durante o combate com um comboio marítimo aliado ao largo do Algarve. Provavelmente queria chegar a Espanha, mas a avaria acabou por ser fatal, e os seis tripulantes ficaram sepultados naquela localidade.

Bom dia da memória
Carlos Guerreiro 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Soldados Portugueses na Divisão Azul

Pelo menos 147 portugueses vestiram a farda da Divisão Azul, a unidade de voluntários constituída em Espanha, para combater ao lado dos alemães na frente russa entre 1941 e 1944.




Jaime Graça, um dos divisionários portugueses, deu uma entrevista ao Jornal "Independente" em 1992, e contou a sua história enquanto combatente na Guerra Civil Espanhola e da Divisão Azul.









As informações foram avançadas durante a Conferência Portugal e o Holocausto, por Ricardo Silva, investigador da Universidade Nova de Lisboa, que tem estado a consultar os cerca de 47 mil processos individuais de divisionários e outra documentação nos arquivos em Alcalá de Henares, nos arredores de Madrid onde se encontra a maior parte da documentação referente à Divisão Azul, assim como no Centro de Documentação para a Memória História, em Salamanca, e registos em Portugal.

Pelo menos meia centena destes homens fizeram parte do primeiro contingente que partiu de Madrid e que entrou em combate na frente oriental no Outono/Inverno de 1941.

No final do conflito cerca de uma vintena de portugueses tinha perdido a vida a lutar pela divisão e dois tinham sido feitos prisioneiros pelos russos. Destes apenas um regressaria a Espanha em 1954, quando pouco mais de 200 sobreviventes dos cerca de 500 prisioneiros espanhóis foram repatriados.

A Divisão Azul foi formada pelo ditador Francisco Franco após a Guerra Civil Espanhola e pelas suas fileiras passaram cerca 47 mil voluntários, entre os quais 500 estrangeiros.

Os portugueses são o grosso deste último número esclareceu Ricardo Silva que pretende publicar os resultados da sua investigação em 2013, num livro que deverá trazer as biografias de cada um dos combatentes portugueses.

Os alemãos não tinham uma impressão muito positiva destes homens. Eram olhados como mulherengos incorrigiveis e uma espécie de horda indisciplinda sempre envolvida em roubos de galinhas e comida.

Mas depressa os divisionários foram obrigados a provar o seu valor na União Soviética, combatento nomeadamente, em Leninegrado. No final da guerra a Divisão Azul tinha sofrido cerca de 5000 baixas.

"Cerca de dois terços dos portugueses alistados na Divisão Azul já tinham combatido ao lado das forças franquistas durante a Guerra Civil Espanhola", disse Ricardo Silva, acrescentando que os portugueses se alistaram por "um misto de ideologia, catolicismo, anticomunismo e aventura".

Na fase final também houve vários alistamentos por razões económicas.

"A maior parte nem sabia muito bem o que era o regime nazi e só se aperceberam do que se estava a passar, nomeamdamente, com os judeus quando chegaram à frente", esclareceu ainda o investigador que tem a certeza de que os portugueses tomaram consciência muito cedo dos crimes que estavam a ser cometidos.

A investigação está próxima de ficar concluída. Confirmados estão, como já foi referido, 147 portugueses entre as hostes da divisão azul, mas esse número poderá crescer, tanto porque ainda existem processos por abrir, como também existem dúvidas em relação a alguns dos nomes que já foram recolhidos.

Ricardo Silva não coloca também de parte a possibilidade outros portuguese terem lutado noutras formações ao lado das forças alemãs e tem quase a certeza que entre as SS também houve elementos lusos.

Carlos Guerreiro (com Lusa) 

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Para ler mais sobre a Conferência Portugal e o Holocausto clique AQUI.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Arsitides de Sousa Mendes nos cinemas

A estreia é hoje nos cinemas portugueses...

A fita sofreu vários adiamentos por razões financeiras e outras.

A última data anunciada foi a de 19 de Julho, mas só agora se confirma a chegada às salas.

Trata-se de uma co-produção de José Mezeda, AIte/Ariane (Espanha) e do compositor de música clássica belga Henri Seroka, também responsável pela banda sonora.


O guião é de João Correia, a realização de Francisco Manso enquanto Victor Norte e Laura Soveral interpretam os papéis principais.

O filme conta a história do cônsul de Portugal em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, que salvou das mãos dos nazis milhares de judeus durante a Segunda Grande Guerra.

O diplomata concedeu vistos em massa a judeus e a outros refugiados sem autorização de Lisboa, permitindo-lhes a fuga através de Espanha e Portugal.

Esse acto acabria por lhe custar a carreira diplomática e ele seria, depois de um julgamento, afastado quaisquer funções terminando a vida na miséria.

Bom filme
Carlos Guerreiro