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domingo, 3 de outubro de 2010

Primeiros tempos dos britânicos nas Lages, Açores

Depois de um livro que aborda a presença dos B-17 nos Açores, nada melhor que mostrar uma ciné-reportagem da época feita pela "British Pathé". Vê-se a construção da infraestrutura, as tendas que serviam de habitação e alguns dos aviões que utilizaram a pista - entre eles um B-17 Fortress (nem de propósito). Um sugestão enviada por um dos muitos interessados nestes temas...

AZORES - FIRST PICTURES



Para ver outras preciosidades da época pode consultar o site da "British Pathé"
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Para ver outros filmes e vídeos clique AQUI.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Algumas perguntas a Robert M. Stitt

Por Carlos Guerreiro

Robert Stitt lançou recentemente o seu primeiro livro “Boeing B-17 Fortress in RAF Coastal Command Service” (Boeing B-17 Fortress no Comando Costeiro da RAF), que já foi apresentado neste blogue.
O “Aterrem em Portugal” contactou o autor e enviou-lhe algumas questões sobre esta obra que explora a história da Fortress ao serviço da RAF e a sua missão em terras portuguesas, mais especificamente, nos Açores.
As primeiras esquadrilhas utilizando este bombardeiro chegaram pouco depois da assinatura do acordo com a Inglaterra em 1943 envolvidas no esforço de combater a actividade dos submarinos no Atlântico Norte.

Aterrem em Portugal: Porque razão escreveu um livro sobre as “Fortress” no Comando Costeiro da RAF (RAF Coastal Command)?
Robert Stitt: Escrevi em tempos um artigo sobre um Boeing B-17 “Fortress”, da USAAF, que realizou uma aterragem de emergência na Papua Nova Guiné em Janeiro de 1943. Visitei o local em 1977. Este avião deveria ter seguido para a Grã-Bretanha para integrar a campanha contra os submarinos. Documentar o historial deste tipo de aparelho no Comando Costeiro da RAF surgiu como uma forma natural de dar seguimento a esse primeiro trabalho.
AP: Quanto tempo e onde pesquisou para realizar este trabalho?
RS: O projecto “Fortress no Comando Costeiro” levou seis anos a completar. Visitei os Arquivos Nacionais no Reino Unido (National Archives, Kew) por duas vezes para começar. Ao mesmo tempo cresceu de forma rápida uma grande rede de ajudantes e tive a felicidade de contactar muitos investigadores de todo mundo. Contactei também com veteranos que serviram neste tipo de avião e com as famílias de vários outros.


Fortress IIA FL459 - Este aparelho esteve envolvido no afundamento do U-707 em 9 de Novembro de 1943. Este é um dos 14 perfis a cores, feitos por Juanita Franzi, para este livro
AP: Que opinião tinham os tripulantes sobre o avião?
RS: Todos parecem amar e confiar na Fortress. Era estável, de confiança e confortável (bem, relativamente) e fiquei com a impressão que, apesar do Liberator (B-24 na RAF) ter um maior alcance e uma maior capacidade para carregar bombas, as tripulações preferiam as “Fortress”.
AP: Qual foi, para si, a importância dos Açores na fase final da guerra?
RS: Foram muito importantes por duas razões. Primeiro as perdas de navios aliados no Atlântico central estavam a ficar insustentáveis, até a base nos Açores ficar operacional. Depois transformou-se também num importante ponto de passagem para os aviões que eram entregues no Reino Unido, no Médio Oriente e no Oriente.






Uma página do livro onde se podem ver duas fotografias. A primeira pode ver como o moderno e o antigo conviviam e, na outra, uma imagem aérea onde se pode ver parte da pista e da base. Consegue perceber-se, pelo enorme número de tendas, as difíceis condições em que as tripulações viviam.






AP: Como é que as tripulações olhavam para os Açores e para os Açorianos?
RS: Julgo que eles tinham muito orgulho no papel que desempenharam na guerra e se deram muito bem com os locais, excepto quando se transformavam em alvos dos muito zelosos artilheiros anti-aéreos portugueses, que tinham sido recentemente equipados com armas inglesas, uma das contrapartidas pela utilização da base! Sei também que o comandante de uma das Fortress casou com a filha do Governador!
AP: Quais foram as maiores dificuldades que encontraram na ilha?
RS: Só existiam tendas para acomodar as tripulações que foram chegando, razão porque viveram praticamente na rua durante muito tempo. A água era escassa e existia uma colónia de ratos bastante grandes. A pista, construída com placas metálicas, estava coberta de pó vulcânico vermelho. O ambiente era poeirento e muito barulhento, sempre que os aviões aterravam ou levantavam, tanto de dia como de noite. O pó também contribuiu para um surto mortal de poliomielite.
A única pista encontrava-se muitas vezes desalinhada com os fortes ventos que varriam a ilha e a visibilidade era reduzida, obrigando os pilotos a escolher entre uma aproximação às cegas, entre dois cumes, ou a divergir para Santana (Aeródromo de Santana, em Rabo de Peixe, ilha de S. Miguel) onde a pista era mole e o mau tempo muito semelhante.
Do lado positivo havia muita fruta, vegetais, cigarros e bebidas alcoólicas, uma cidade para visitar que não estava em “Blackout” e onde não existiam aviões inimigos.
AP: O que mais o impressionou enquanto pesquisava para este livro?
RS: A ajuda recebida por outros pesquisadores e a confiança que recebi das famílias dos veteranos que me cederam preciosos documentos, fotografias e memórias.

AP: O que gostaria de dizer ao seu leitor?
RS: Os jovens que voaram as Fortress e outros aviões no Comando Costeiro da RAF – as tripulações tinham normalmente uma média de idades inferior aos 21 anos – fizeram coisas extraordinárias para assegurar a sobrevivência da Grã-Bretanha e dos aliados. Eles merecem ser recordados e tenho esperança que o meu livro possa ajudar, de alguma forma, a manter essa memória viva.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O B-17 nos Açores

Este Verão foi lançado um novo livro sobre o B-17 ao serviço do Comando Costeiro da RAF, chamado “Boeing B-17 Fortress in RAF Coastal Command Service”.

Entre os britânicos o bombardeiro foi baptizado de “Fortress” e equipou inicialmente o Comando Costeiro (Coastal Command ), já que os modelos iniciais do aparelho tiveram um comportamento muito fraco ao serviço do esquadrão 90, e os modelos seguintes apenas se encontravam em número reduzido. O avião teve também um comportamento sofrível no bombardeamento nocturno.

O Bomber Command acabou por utilizar o Lancaster, o Halifax e o Stirling para as suas operações de bombardeamento. Tanto o Fortress como o Liberator (B-24), ambos de construção americana, foram remetidos, neste comando, para missões secundárias (contra-medidas electrónicas, patrulha, transporte e outros).



O grosso dos aparelhos, enviados pelos americanos, seria entregue ao Comando Costeiro. Um bónus que este comando muito agradeceu, pois um grande número dos seus aviões – especialmente no período inicial do conflito – era constituído pelas sobras dos outros comandos da RAF (Bomber e Fighter commands).

Não é por acaso que o “Coastal Command” ficou conhecido como “The Cinderela Service”.


Este livro tem a particularidade de abordar os B-17’s que integraram o Coastal Command e de dedicar quase um quinto das suas páginas (43 em 248) à presença destes aviões na base das Lajes, nos Açores.

Apresenta listagens de tripulantes, referências a missões, muitas fotografias e vários perfis mostrando as modificações que o avião foi recebendo.

Fica o índice referente aos capítulos onde se fala da presença nos Açores. Está em inglês, mas também não há versão da obra em português…


The Azores......................79
Obvious Choice..................82
Operation Alacrity .............85
Building a Base.................88
Day-and-Night Team..............89
Life at Lagens………...............94
Typical Mission.................95
Precious Petrol……..............102
Attacking a U-boat ............105
Desired Effect…................107
Transit Point….................108
The Americans Arrive...........111
Action and Departure...........112
Maintaining the Guard..........116
Engine Failures…...............118
Withdrawal……...................119

Para a aquisição do livro poderá “clicar” no link…
http://www.mmpbooks.biz/mmp/books.php?book_id=123

Clique aqui para ler entrevista com o autor sobre a presença britânica nos Açores....

(Este texto foi alterado em 28 de Setembro de 2010 depois de um contacto com o autor do livro que esclareceu certos aspectos e carácter histórico. Um contacto que agradeço)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Voar num B-17

Esta é uma sensação que os amantes europeus deste tipo de aviões dificilmente terão. Neste momento existem apenas quatro B-17’s em condições de voar e estão quase todos nos EUA. Estas imagens foram recolhidas durante uma reportagem para o PITTSBURGH TRIBUNE-REVIEW.




Mais informações e o artigo podem ser encontrados aqui
PITTSBURGH TRIBUNE-REVIEW

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domingo, 13 de junho de 2010

“O Fantasma do Pântano”… voltou a casa



Para os que olham aviões antigos com paixão, não há nada como ver um destes “velhos pássaros” recuperado… ou em vias disso.
Infelizmente isso acontece cada vez menos. Os destroços “viáveis” foram desaparecendo ao longo das últimas décadas, e a disponibilidade para gastar dinheiro nestas iniciativas também é reduzida. Felizmente ainda há quem arrisque e proporcione momentos únicos...



Na última sexta feira, 11 de Junho, no porto de Long Beach, na Califórnia, viveu-se um desses dias inesquecíveis… 68 anos depois de ter feito uma aterragem de emergência na Nova Guiné, um velho B-17 regressou a casa.
O avião (41-2446) saiu da fábrica, na Califórnia, em Novembro de 1941 e, pouco depois do ataque a Pearl Harbour, foi enviado para o Pacífico. Na sua primeira missão contra os japoneses, na ilha de Rabaul, em 23 de Fevereiro de 1942, foi atingido por fogo antiaéreo e realizou uma aterragem de barriga num pântano.
Os nove tripulantes – capitães Frederick C. Eaton e Henry Maynard Harlow, tenente George B. Munroe e sargentos Richard E. Oliver, Russell Crawford, Howard A. Sorensen, Clarence A. LeMieux e William E. Schwartz – escaparam ilesos, mas durante seis semanas andaram perdidos pelos pântanos e pelas florestas antes de conseguirem regressar às linhas americanas. Todos sobreviveram à guerra, mas não conseguiram ver o seu avião voltar a casa. O último faleceu em Janeiro deste ano, tratava-se de George B. Munroe.
O avião seria redescoberto em 1972 por uma patrulha aérea australiana. A meio dessa década foram removidas algumas das suas armas e, suspeita-se, desapareceram alguns apetrechos levados por saqueadores.
Nos anos 80 começaram a surgir propostas para a sua recuperação, mas o governo da Nova Guiné não se mostrou receptivo às iniciativas. Enquanto isso o velho B-17 ficava conhecido como “Swamp Ghost” (Fantasma do Pântano).



Em excelente estado de conservação, apesar de se encontrar numa zona remota e de difícil acesso, o avião começou a despertar o interesse de cada vez mais pessoas. Em 2006 foi finalmente passada uma licença e John Tallichet - filho de um piloto de B-17 - desmantelou o avião com a colaboração de uma equipa de especialistas. As enormes peças foram transportadas de helicóptero até ao porto mais próximo, com o objectivo de as embarcar para os EUA.



Surgiram, no entanto, novas dificuldades com o governo local e tudo parou. Nesta altura três dos tripulantes ainda eram vivos e Tinham conhecimento da operação de resgate. Mas questões burocráticas e outras, arrastaram o processo até agora.
Finalmente foi possível transportar o aparelho para os EUA e, na sexta-feira, dia 11 de Junho, a frente da fuselagem foi apresentada publicamente. Entre os que assistiram à chegada do “Fantasma do Pântano” estavam os filhos e netos de alguns dos tripulantes. O momento mais emotivo foi, no entanto, vivido quando a mulher de Richard Oliver – que faleceu em Agosto do ano passado - se aproximou da fuselagem com uma foto do marido.
“Sei que este é um dia feliz para o Dick. Tentou viver o mais possível para poder assistir a isto, mas não conseguiu”, explicou Linda Oliver, de 89 anos, à agência Associated Press.
Para o trazer de volta Tallichet gastou cerca de milhão e meio de dólares, mas ainda não decidiu o que vai fazer com ele. Existem várias hipóteses. Ou vai colocá-lo a voar ou irá simplesmente reconstruí-lo para o colocar em exposição. A decisão só será tomada nos próximos meses…
Para já o “Fantasma do Pântano” regressou a casa e deixou de ser um fantasma…

Nota: Esta notícia foi escrita baseada em informações dadas à Associated Press, que forneceu também as fotografias da cerimónia. As restantes imagens pertencem ao arquivo do site oficial desta operação de resgate, que pode consultar em http://www.theswampghost.com/