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terça-feira, 8 de maio de 2012

Nem Deus, nem os Homens…

No dia 8 de Maio de 1945 os alemães assinavam, em Berlim, a rendição incondicional frente aos russos. No dia anterior tinham feito o mesmo perante os restantes aliados, em Reims.

É o fim do regime Nacional-Socialista, um parceiro ideológico durante mais de uma década.

A censura deixa passar algumas notícias que noutro tempo dificilmente teriam escapado ao corte do lápis azul. É revelada a existência dos campos de morte.

Esta fotografia do comandante do campo de concentração de Bergen-Belsen, Josef Kramer, detido e acorrentado pelos aliados, foi publicada em vários periódicos portugueses.

Aqui ilustra um texto de Artur Portela, que revela a surpresa pela descoberta destes cemitérios para vivos. A imagem e o texto foram impressas na edição de 30 de Maio de 1945 da revista “Mundo Gráfico”…


Carlos Guerreiro

sexta-feira, 4 de maio de 2012

«Ministério das Propagandas» MAIS SOBRE A REVISTA VITÓRIA

A 19 de Abril publicámos no “Ministério das Propagandas” uma nota sobre a Revista Vitória, publicação alemão de Julho de 1942 onde era feito um balanço das operações dos primeiros meses daquele ano (ver aqui). 


Tinha ficado um pedido de ajuda para esclarecer algumas questões que a publicação levantava.

O leitor Dinis Fonseca, coleccionador de publicações do período da II Guerra Mundial, enviou alguns dados que lançam uma nova luz sobre o tema.

Confirma que se trata de um número único, mas vai mais longe. Para além da edição portuguesa existiram pelo menos mais duas: uma em francês (em cima) e outra em espanhol (em baixo).


Ficam as imagens das capas dessas edições cujos créditos pertencem, obviamente, a Dinis Fonseca.

Obrigado pela colaboração
Carlos Guerreiro

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Para ler mais sobre
                           "Ministério das Propagandas"
                           Propaganda

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Há bombas no Entroncamento

O caixote de madeira era relativamente pequeno.

No interior encontrava-se uma segunda caixa de um material isolante que envolvia duas cargas explosivas, uma de 500 e outra de 200 gramas.

Os caminhos de ferro na zona do Entroncamento eram o alvo da sabotagem.

Encontravam-se também instruções em inglês e uma rude tradução portuguesa dactilografada. Dava instruções precisas sobre a forma de utilizar os explosivos para levantar carris, detalhando inclusive a dimensão dos rastilhos que deveriam ser utilizados.

Apesar de ter sido afastado da investigação, pela entrada em cena de dois elementos da Policia de Vigilância e Defesa do estado (PVDE), o tenente António Antunes Basílio, comandante da Polícia de Segurança Pública do Entroncamento, avança com diversos detalhes sobre a descoberta no seu relatório de 2 de Maio de 1943.

No documento, que se encontra entre os arquivos do Ministério do Interior, na Torre do Tombo, o oficial de polícia não tem dúvidas de que se trata de “uma coisa perfeita no género se os técnicos não concluírem o contrário”.

A proximidade das linhas de comboio do Entroncamento também não deixa dúvidas sobre o objectivo de uma potencial sabotagem. O caixote tinha sido encontrado perto da estrada que liga o Entroncamento a Torres Novas por alguns miúdos.

“Uns garotos viram (…) um automóvel estacionado com dois indivíduos, que usavam óculos escuros e descascavam e comiam laranjas. Os garotos afastaram-se mas observando depois, viram que esses indivíduos faziam, no local uma cova no chão. Voltando (…) e, lembrando-se do que haviam visto, notaram a terra mexida e escavando depararam com um caixote pequeno que conduziram para sua casa. Ali, o pai, julgando tratar-se de coisa que ele pudesse aproveitar, abriu o caixote e deparou com explosivos e uns papéis com instruções dactilografadas para a sua utilização como arma“, relata o comandante da PSP que explica também que foi o pai dos miúdos a informar as autoridades sobre o achado.

“Pelo que dizem os garotos, trata-se de um automóvel azul-escuro, pequeno, aberto com capota, e de dois indivíduos; um bastante novo, alto e magro, usando chapéu cinzento e outro de meia-idade, baixo, um pouco calvo, trajando casaco branco de linho e calças cinzentas. Ambos traziam luvas calçadas e óculos pretos contra o sol” continua o relatório.

 Apesar dos miúdos terem detetado as movimentações dos dois homens, não lhes foi fácil descobrir onde e o que tinham enterrado.

A cova tinha sido coberta e camuflada “lançando a terra sobejante numa vala próxima cobrindo-a com retraços de arbustos, ervas e até de cascas das laranjas que estiveram comendo”.

Apesar da intenção de encobrir a actividade o tenente Basílio revela um detalhe que salienta como curioso. “No local existem uns blocos de pedra facilmente referenciáveis e foi junto de um deles, o de melhor indicação, que a caixa foi enterrada”.






Desenho com a localização dos explosivos descobertos no Entroncamento. 
Este "croqui" faz parte de um conjunto de mapas desenhados por um agente que montou uma rede de sabotagem em Portugal.








Com base nos dados que recolheu este oficial da PSP não tem dúvidas de que se trata de “uma acção dirigida e com plano prévio, sendo credível que outros depósitos semelhantes ao encontrado hajam sido estabelecidos para actuação no momento próprio”.

Tem ainda menos em dúvidas em atribuir a propriedade dos explosivos a sabotadores comunistas. Apesar de ser “uma impressão pessoal” acredita que “a organização comunista recrudesceu de actividade, parecendo-me recomendável a mais apertada vigilância e ligação entre os organismos policiais”.

António Basílio baseia a sua “impressão” no facto de serem relatados há algum tempo movimentações de elementos identificados como comunistas ou como democratas na zona.

O facto das instruções contidas na caixa dos explosivos estarem em inglês, ainda reforça mais esta impressão. A ligação dos serviços secretos britânicos a grupos do “reviralho” há muito que era comentada…

O oficial tinha razão, mas apenas de forma parcial.

Não se tratava de facto de uma situação isolada. Várias destas caixas ficarem escondidas perto de pontos estratégicos em país como pontes, cruzamentos ou bases militares e só seriam reveladas já depois do fim do conflito…

Já em relação aos proprietários do caixote António Antunes estava muito longe da verdade. Os explosivos não pertenciam a movimentos do reviralho ou aos serviços secretos britânicos.

Tinham de facto origem em Inglaterra e haviam sido fornecidos à resistência Francesa… mas acabaram nas mãos dos alemães que os queriam utilizar numa campanha de sabotagem, caso Portugal fosse invadido pelos aliados.

 Mas essa é uma história que o “Aterrem em Portugal” já tinha contado em Maio de 2011, quando revelou documentos do interrogatório de Rudolf Blaum, um agente alemão em Portugal, em “A REDE DE SABOTAGEM ALEMÔ, numa altura em que não tínhamos conhecimento destes relatórios da PSP.

As histórias da História são mesmo assim... vão-se construindo.

Carlos Guerreiro 

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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Livro "Álbum de Memórias - Aviação Naval 1917-1952"



Os centros da aviação naval, os raids aéreos de 1921 e 1922, a formação, os aparelhos e obviamente os homens que passaram pela aviação naval portuguesa - entre a sua formação em 1917 e a sua extinção em 1952 – são os temas em destaque no “Álbum de memórias – Aviação Naval” publicado no princípio desta semana pela Comissão Cultural da Marinha.

O livro foi coordenado pelo tenente Gonçalves Neves que pesquisou vários álbuns que neste momento “residem” nos Arquivos e no Museu da Marinha e reúne cerca de uma centena de imagens em pouco mais de oitenta páginas.





O coordenador do álbum, Tenente Gonçalves Neves, com o livro, junto ao Santa Cruz. Este é o avião que completou a travessia do Atlântico Sul em 1922 e que se encontra no Museu da Marinha.











Existem diversas imagens inéditas e tanto o modelista mais aplicado como o simples curioso têm muito com que se manter ocupados.

As fotografias têm de um modo geral bastante qualidade revelando diversos pormenores interessantes como esquemas de pintura ou símbolos.

O coordenador do álbum, tenente Gonçalves Neves, referiu à Antena1 que o objectivo não é contar a história da Aviação Naval – o que já aconteceu no livro “Quando a Marinha Tinha Asas” de Viriato Tadeu -, mas sim revelar alguma da iconografia que estão nos arquivos da marinha, que até agora não tinham chegado ao público em geral.

Considero que o objectivo foi amplamente conseguido.

Só é pena que – pelo menos por agora – a venda esteja confinada à loja do Museu da Marinha – onde poderá obter o seu exemplar.

Acho que o trabalho merecia mais…

O custo de aquisição é de 15 Euros e, caso não se encontre em Lisboa, pode encomendar o álbum através do e-mail loja.museu@marinha.pt ou pelo telefone 21 362 45 56...

Boas leituras  
Carlos Guerreiro

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terça-feira, 24 de abril de 2012

Grândola, vila morena noutros tempos

Abril é mês de se falar da Grândola, vila morena, símbolo da chamada revolução dos cravos nos idos de 1974.

 Através de uma colecção de postais, vamos fazer uma visita guiada pela Grândola dos anos 30 e 40.

A primeira vez que vi uma destas imagens foi em 2000 quando recebi correspondência de Don Howell.

Este navegador da RAF tinha chegado de forma atribulada, em Dezembro de 1944, quando o avião em que seguia para o Egipto, teve de aterrar de emergência perto da vila, depois de ter sido atacado sobre a baía da Biscaia por aparelhos alemães (ver “Ano novo atribulado de Don Howell”).

Enquanto esteve na cidade comprou um postal que mostrava a rua onde estava localizada a pensão onde passou uma noite.

Entre as cópias de fotos e documentos que ele me enviou encontrava-se também uma cópia desse postal.

Há algum tempo reencontrei por acaso a mesma imagem, acompanhada de outras da mesma série.

 Trata-se de uma colecção numerada e no conjunto falta pelo menos um dos postais.

 O postal com a Rua Jacinto Nunes foi o primeiro que conheci desta série. Não aparece na imagem, mas era nesta rua que se encontrava a pensão onde Don Howell e o resto da tripulação do Hudson ficou alojada.


 Praça de D. Jorge.


O Mercado Municipal.


Jardim Dr. Júlio do Rosário Costa.
 


A outra "face" destes postais. No local onde se coloca o selo existe uma numeração. Curiosamente os postais foram impressos na Alemanha.

 




Avenida Jorge Nunes. 

Casa onde viveu e faleceu o Dr. Jacinto Nunes.


Um Bom Feriado,
Carlos Guerreiro

sábado, 21 de abril de 2012

Refugiado da II Guerra em reportagem

"Portugal Refúgio" e uma reportagem que aborda a questão dos refugiados nos últimos 80 anos em Portugal.

Entre os entrevistados podemos ouvir Eric Le Jeune, que enquanto criança passou por Portugal com os pais.

Esta família belga foi surpreendida pelo avanço das tropas alemães.

Ao longo da reportagem, que passou no programa da Antena 1 "Este Sábado", existem também depoimentos de Reginaldo Godoy, um refugiado chileno que chegou a Portugal em 1975 e também Balai, membro de uma tribo etíope, alvo de perseguição por parte do governo daquele país.

Maria Teresa Tito Morais Mendes, do Conselho Português dos Refugiados, também foi abordada...

São apenas 11 minutos...


Boa sintonia
Carlos Guerreiro

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Refugiado da II Guerra na Antena 1


As memórias de um refugiado belga que passou por Portugal durante a II Guerra Mundial podem ser ouvidas sábado, no programa “Este Sábado” que vai para o ar depois do noticiário do meio dia da Antena1.

Trata-se de Eric Le Jeune que passou por Portugal em 1940. Tinha apenas cinco anos e veio com os pais e uma irmã… esteve por cá apenas uns meses antes de seguir viagem para Inglaterra.

A reportagem aborda a questão dos refugiados em Portugal nos últimos 80 anos. Para além de Eric Le Jeune foram também ouvidas outras pessoas que tiveram de procurar refúgio no nosso país.


Reginaldo Godoy foi preso e torturado no Chile quando Augusto Pinochet tomou o poder em 1973. Depois de muitas voltas pela Europa fixou-se em Portugal onde, apesar de todas as dificuldades, criou quatro filhas…

Há também uma conversa com um e um cidadão etíope que cá chegou há cerca de dois anos. Balai quer trabalhar e espera poder juntar-se com a mulher – que ainda está na Etiópia - em breve.

A reportagem de Carlos Guerreiro, com edição de Carlos Felgueiras, chama-se “Portugal Refúgio…”

Um bom fim-de-semana…


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Ouça a reportagem AQUI.