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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Algumas perguntas a José Guedes

É lançado esta tarde no Museu da Marinha o livro “Na Rota do Yankee Clipper”, da autoria de José Guedes (ver AQUI).

Trata-se de uma ficção baseada no acidente que em Fevereiro de 1943 aconteceu no Rio Tejo, quando um enorme Boing 314 não conseguiu amarar ficando completamente destruído (ver AQUI).

O avião vinha de Nova Iorque e trazia entre os passageiros jornalistas e artistas. Estes últimos vinham animar as tropas americanas estacionadas na Europa.

O Aterrem em Portugal fez algumas perguntas ao autor, José Guedes, ele próprio um piloto e um apaixonado por estes aparelhos que asseguraram as primeiras ligações transoceânicas no Atlântico.

Aterrem em Portugal - Que história podem os leitores encontrar neste livro?

José Guedes - O livro pretende fazer uma narrativa ficcionada da última viagem do Yankee Clipper. Foi criado um personagem, piloto da Aviação Naval portuguesa, que viaja a bordo e faz o relato na primeira pessoa de tudo aquilo a que assiste entre Nova Iorque até Lisboa.


Aterrem em Portugal - Porque escolheu o Clipper como palco central para a história deste livro?

José Guedes - Encontrei, por mero acaso, a notícia do acidente de Lisboa, que desconhecia em absoluto. Decidi saber mais, mergulhei nos jornais da época e depois não consegui parar. Até uma história de amor havia para contar.


Aterrem em Portugal - Pelo blogue que mantém percebe-se que tem um fascínio grande por estes aviões. Qual a razão desta sua ligação a este aparelho?

José Guedes - Fui piloto de aviões durante 36 anos (TAP). Era impossível não ficar fascinado com aquilo que o Boeing 314 representava na década de 40. Foi o primeiro aparelho comercial com capacidade transoceânica, o que fez com que o mundo ficasse bem mais pequeno. A palavra "viajar" passaria a ter um significado completamente diferente do que tinha até então.


Aterrem em Portugal - Como era viagem num destes aviões da América até à europa?

José Guedes - Um prodígio de navegação e aventura. Eram mais de 24 horas de viagem, sempre com problemas e desafios. Não posso contar muito mais sem correr o risco de retirar interesse ao livro.


Aterrem em Portugal - Há uma história real por detrás da acção do livro. O acidente no Tejo com o Yankee Cliper cheio de artistas americanos. Foi um desastre de grandes proporções para a época. Pode contar em poucas palavras o que aconteceu?

José Guedes - Foi um desastre de grandes proporções para a época. No entanto a imprensa portuguesa da época dá-lhe um tratamento relativamente discreto, devido ao controle exercido pelo Estado Novo e pelas circunstâncias decorrentes do facto de a II Grande Guerra estar em curso.


Aterrem em Portugal - Como descreveria o ambiente no Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo durante aqueles anos?

José Guedes - Quase não existiam passageiros portugueses a transitar por Cabo Ruivo. Mas por lá chegavam e partiam diplomatas, artistas, espiões, etc. E parte do "staff" de Cabo Ruivo tinha as suas próprias simpatias pelas potências em confronto, prestando informações frequentes a ambas as partes sobre os movimentos a que assistiam.


Boas Leituras

Carlos Guerreiro 

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