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sábado, 14 de julho de 2012

Amarar ao largo do Cabo de S. Vicente

A revista em língua inglesa “Aeroplane” relativa ao mês Agosto traz como um dos artigos centrais a história de Victor Linthune, um aviador da RAF que durante a II Guerra Mundial terminou uma das suas viagens de ligação entre o Reino Unido e o Norte de África ao largo do Cabo de S. Vicente, tendo sido recolhido por uma embarcação de pesca e levado para Portimão.

A revista refere apenas que se tratou de um incidente no princípio de Novembro de 1944.

No Aterrem em Portugal já existe registo deste incidente há algum tempo e com mais detalhes. O Livro de Operações (Operational Record Book) da unidade de entrega de aparelhos baseada em Portreath – a OADU (Overseas Air Dispatch Unit) – assinala a 3 de Novembro de 1944 que o "Beaufighter X" com a matrícula NV555 “ amarou ao largo da costa Portuguesa aproximadamente na posição 37º 16’N - 08º 53’ W”.

Ao contrário de outros casos este registo traz bastantes pormenores:

“Desenvolveu-se uma fuga de combustível. O comandante Flight-Lieutenant V.H. Linthune e o seu navegador Flight-Lieutenant A. B. Cumbers, foram retirados do seu salva-vidas por um barco de pesca cerca de vinte minutos depois da amaragem. Nenhum membro da tripulação ficou ferido”.

Antes de amarar em Portugal Linthune teve um percurso longo e “variado” - como sugere o título do trabalho - e que é desenvolvido pela revista ao longo de sete páginas.

Realizou patrulhas, como artilheiro, a bordo de hidroaviões London do 201 Squadron, durante a guerra civil de Espanha.

Pouco antes da guerra tirou o curso de piloto e foi nessa condição que participou na acção que teve lugar em Narvik, na Noruega em 1940.

Foi numa dessas operações que acabou ferido num ombro durante o ataque de um caça alemão ME109 ao seu Hudson.

Mais tarde viu-se envolvido num conjunto de voos experimentais que testavam novas armas, como minas aéreas pensadas para espalhar as formações de bombardeiros, ou sistemas de iluminação - instalados em aviões – que teoricamente iluminariam alvos para caças Hurricane abaterem… tanto num caso como noutro os resultados foram escassos.

Voou também numa unidade de caças nocturnos, que utilizava os Mosquitos, realizando missões o mar do norte e sobre Alemanha acompanhado os bombardeiros.

Foi enquanto membro da unidade de transportes que se despenhou ao largo do cabo de S. Vicente , mas não seria a última vez que Victor Linthune, pisaria solo português.

Regressaria a Portugal, em 1945, para entregar alguns dos Beaufighter vendidos à marinha portuguesa…

Fica também um obrigado ao José Carias Silva, por me ter chamado a atenção para o artigo.

Um bom fim de semana
Carlos Guerreiro

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